Fuyu no Jonetsü
1 Capítulo 1 - Início - Noitada
Notas iniciais
Louca, tremendamente louca. Pelo menos era o que eu pensava de mim sentada ali agora no asfalto imundo, em meio a chuva, ver como os meses podiam ter passado sem que eu pudesse ter notado como tanta coisa havia mudado.
Flash back on —
Era uma sexta-feira anoite, estranha e agitada. Eu dançava em meio a várias pessoas numa festa. Ela estava como uma noite que não teria fim. Era a noite de aniversário de 18 anos de Kyoko Yamamoto, feita por seus pais na cidade de Tóquio. Meus amigos estavam todos bêbados, e se atacavam uns aos outros. Jiro e Ichiro se agarravam loucamente, como um casal desesperado para fazer amor. Só que o que me impressionava nisso tudo é que eles simplesmente eram heteros. Ao ver aquilo pensei logo comigo mesma que nunca beberia, não para no final de contas acabar tendo aquele final como eu via.
Continuei dançando, deixei o som dos batidos da música me levarem e me deixarem concentrada ao dançar junto com Michiko Suzuki, minha melhor amiga que me acompanhava naquela noite. Dançamos, e ao passar uma hora, Suzuki saiu para o banheiro. Certamente estava passando mal pelo batido que havia engerido, e fui acompanha-la. Logo quando chegamos ao banheiro, ela vomitou na pia do toalete do grande salão em que estávamos. Revirei os olhos.
— Mas eu já não te disse que não se precisa de bebida para se divertir em uma festa? — eu já estava parecendo sua mãe, mas eu não me conformava em vê-la naquela situação. Tudo bem. Se for pra ficar assim no meu pé, pode sair. Ok? — disse Suzuki encabulada com a minha encheção de saco.
— Tudo bem. Eu paro. — disse eu enfim me rendendo a situação. — Mas, tente mascar esse chiclete — rendi uma caixa verde de chicletes de menta. — enquando vou indo ali na nossa mesa pegar a minha bolsa, odeio andar sem ela. — fui correndo. Realmente odeio andar sem ela. Não conheço quase ninguém aqui nessa festa, por isso não acho confiável.
Ao correr no meio das pessoas que estavam apenas interessadas em buscar prazer umas com as outras, não importando serem parentes, amigos ou desconhecidos, simplesmente estavam só bêbadas ou drogadas. Tudo aquilo ao redor me fazia querer voltar pra casa, longe do barulho, das pessoas, em apenas silêncio. Ao ir a direção da mesa, trombei de frente com um homem. Não muito atraente, mas sorriso simpático. Ele era o vocalista de uma banda que se apresentava naquela noite, que não ia muito ao meu gosto musical, mas apesar de tudo era boa.
— Posso te ajudar? Parece meio... perdida. — disse ele, com o olhar seguindo meu e meio preocupado.
— Não.. — me senti naquela hora com o olhar perdido ao dele. Não conseguia meus olhos dos dele. Eles estavam fixos.
— Hum.. sua amiga é aquela ali desmaiada na porta do chão do banheiro? — ele a olhava com o olhar indiferente, emcabulado.
— Ai meu Deus! — corri atropelando todos os que estavam na minha frente. — Michiko!
Me debrucei no chão, afim de socorre-la. Logo vi aquele vocalista vindo em minha direção e de Michiko. Comecei a chorar logo no mesmo instante. Eu realmente nunca havia lidado com uma situação daquelas, e saber que eu teria que leva-la pra casa naquele momento sozinha me deixava em desespero.
— Espere. Eu ajudo. — Aquele vocalista desconhecido a pegava no colo, e a correu com ela para o banheiro feminino, colocando-a sobre a pedra da pia, encostada com a cabeça no espelho. — Agora, só preciso molhar as mãos... — ele tocou aquelas mãos grandes e molhadas na testa de Michiko afim de acorda-la. — agora acorde. Acorda. Vai, você consegue. Não está bem. — disse ele afim de tentar reanima-la.
Para mim o mundo estava desabando. Eu estava surpresa com a tentativa de ajuda daquele homem que eu não conhecia. Por fim, Michiko começa a abrir os olhos.
— Isso aí mocinha. — disse ele contente. — Acho que você é meio fraca para bebidas — soltou uma gargalhada baixa.
— Ai minha cabeça! Ela tá doen... Ai! — Michiko punha a mão na testa, assustada, já que era a primeira vez que bebia nessa proporção.
Hoje vai ser o dia
Que eles vão devolver isso para você.
Neste momento você devia, de algum modo,
Ter entendido o que tem de fazer.
Eu não creio que alguém
Sinta-se do modo como me sintoa seu respeito neste momento.
— Michiko!!! Que bom que você está bem! — dei um abraço espremido, de desespero e alegria ao mesmo tempo ao ver que ela agora estava no seu normal.
— Eu.. não perdi nada né? — arregalou os olhos. — espera aí, que mico que eu acabei de passar! — ela punha aos mãos sobre o rosto, abaixando a cabeça morta de vergonha.
— Não perdi nada? — fiquei furiosa — como assim não perdi nada? Eu estava aqui mega preocupada em como eu devia fazer para te levar para casa, sem que os seus pais percebessem que você tinha bebido desse jeito, vi você desmaiada! E ainda pergunta se não perdeu nada? — virei a cara e dobrei os braços a fim de dar uma bronca nela. Mas tudo bem, eu não era sua mãe, mas sim sua amiga. — Não senhorita Michiko! A senhorita não passou nenhum mico. Na verdade ninguém aqui estava prestando muita atenção nisso, já que parece que um cupido louco e doentio atacou todo mundo, afim de promover uma grande orgia se deixar.
— An? — o vocalista estava meio assustado. Acho que era o único não afetado naquele meio de gente. — Bom gente, vou deixar vocês discutindo aí que eu tenho uma banda pra cuidar. Vamos tocar de novo daqui a pouco. Aah, e vê se não enche a cara desse jeito mais menina. Ainda nem tem idade. — soltou um sorriso e saiu.
A conversa que corre na rua é
Que o fogo no seu coração se apagou
Tenho certeza que você ouviu isso tudo antes,
Mas você nunca realmente teve uma dúvida.
Eu não creio que alguém sinta-se
Do modo como eu me sintoa seu respeito neste momento.
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