Notas iniciais
Ainda estou bem abalada com a morte de Caleb, ou melhor, o seu suicídio. Daria tudo pra saber as coisas que ele soube, e ele se mata por isso? Deveria ter nos contado. O que poderia ser? Quem está lá em cima? Com essas falas de Caleb já podemos ter certeza de que não é a Umbridge que está no comando disso tudo. Ela está sendo manipulada, mas por quem? Outra questão que não quer sair da minha mente, o que tem lá fora? Como não pode ser mais Atlanta? Tem que ser, nós vimos por lá!
– Tris – Tobias fala comigo – Temos que reagir logo, temos que chegar ao final dessa história o quanto antes. Temos que tomar a frente de tudo.
– Eu sei. – digo isso tentando levantar de onde estou sentada, percebo que estou bem melhor. Se passou um dia desde que Caleb se foi e continuo sem acreditar nisso. – Sem mim essa coisa não anda.
Tobias revira os olhos.
Levanto em um pulo e dou um grito:
– Escutem todos aqui!
E consigo – mais uma vez, a atenção de todos – É o seguinte: vamos nos dividir em dois grupos, o grupo A vai para o primeiro andar, lidar com o que tiver por lá, vamos todos de escada, porque não cabem todos vocês nos elevadores, além de ser mais perigoso. O grupo B, no caso o meu grupo e de meus amigos, vamos para o segundo andar, onde está a sala de controle, onde vamos tirar essa eletricidade que está sendo passada por essas portas e janelas – e aponto para a respectiva porta na qual eu tomei o choque – Quando o grupo A terminar o trabalho vocês nos encontrarão no segundo andar, para finalmente terminarmos o que viemos fazer aqui! Cada grupo deve ter mais ou menos 20 pessoas. Sei que não é o maior exército do mundo, mas lembrem de todos os nossos treinos na audácia e de tudo que passamos. Tanto emigrantes quando locais, passamos por coisas parecidas, temos força e garra para passar por tudo isso.
E com essa minha última palavra acontece uma cena muito emocionante, todos as pessoas da Audácia levantam o seu punho no ar e começam a correr, para as escadas. Sinto que deveríamos ir atrás.
Vou correndo com eles até que Tobias me pega pelo braço e me dá um beijo.
– Pode ser que não saia vivo dessa, então considere-se beijada. Somos fortes Tris, vamos conseguir!
– Eu sei. Somos Divergentes.
Saio correndo com Christina, Tobias e o resto das pessoas pelas escadas, fomos em direção ao segundo andar.
Abro a porta da escada e vejo um corredor totalmente branco, cheio de guardas enfileirados tomando conta de uma só porta, a sala de controles. Conto rapidamente e percebo que eles estão na mesma quantidade que a gente.
Começo a correr em direção a eles e então a batalha começa.
Ouço uma sucessão de gritos de dor e de vitória de ambos os lados, ouço os nomes das maldições, solto a Avada Kedavra em cima do guarda a minha frente ele vira pó.
Começo a parar de sentir o meu corpo, sinto que não posso controlá-lo, até perceber que estou sobre a maldição Imperius. Estou sendo controlada para mirar contra os meus amigos, levanto a minha mão para Harry e falo Avada Kedavra, Harry explode no ar. Não acredito que pude fazer isso, apesar de eu não está totalmente sã e sob controle. Tobias passa na minha frente como um raio, faíscas de feitiços saem da minha mão para pegar ele, mas ele consegue se esquivar de todos as faíscas. Até que ele passa por trás de mim e mata o homem que estava soltando a maldição em mim, sinto que voltei em mim. Estou começando a sentir as minhas pernas e braços de novo, me sinto viva novamente.
Corro soltando as maldições em direção a todos da Erudição. Não olho nem para os rostos para ver as suas reações e sentir pena, não posso ter um pouco de pena nessa hora.
Olho para trás e vejo que poucas pessoas do meu grupo se foram, a maioria está aqui comigo, lutando. Chris, Eric, Tobias e Gina. Pena que não posso falar o mesmo de Harry.
Miro meu olhar para a porta e vejo que duas meninas uma chinesa e uma loira estão tomando conta da porta, Lilá Brown e Luna Lovegood.
– Deixa que essa eu dou conta – disse Gina enquanto passava correndo por mim. – Avada Kedavra! – e Lilá Brown virou pó.
Luna Lovegood foi mais rápida e soltou a mesma maldição, só que dessa vez em Eric. Eric some das nossas vistas. Isso está sendo um massacre, e só tem Luna na nossa frente.
Ouço um barulho forte de porta se abrindo e percebo que o grupo A está se juntado a nós, isso quer dizer que vencemos no primeiro andar.
Me viro e olhos para todos, faço um sinal de confirmação, todos nós viramos nossas mãos para Luna e falamos em um único coro: Avada Kedavra!
E ela se vai pelos ares, com a porta da sala de controles que estava atrás dela e uma parte da parede, já que foram muitos feitiços lançados simultaneamente.
Entramos correndo para lá, vejo vários monitores e botões para apertar não sei exatamente o que fazer, mas quando dou por mim, metade da Audácia está mexendo nos computadores, acho que eles sabem o que estão fazendo, quando um desconhecido chega perto de mim e diz;
– Ei, vim aqui pra dizer que nós matamos a Hermione lá embaixo.
Um alívio para mim ouvir isso, sei que umas das mais poderosas daqui se foi e não irá mais nos atrapalhar.
Por um momento achei que eu estava tonta, mas olho em volta e vejo todos indo para o chão, sinto como se tudo estivesse girando, bem forte, sinto que vou vomitar e me deito no chão. Minha cabeça está louca, está tudo girando, parece que o prédio está girando, loucura.
– O que vocês fizeram? – grito para eles.
– Só tentamos tirar a eletricidade das portas. – um estranho diz para mim
A sala para de rodar e estamos em pé novamente. Acho que agora é a hora, o momento que eu mais esperava durante o dia.
– Pessoal, é agora! – grito para eles.
Corremos pelo que antes era uma porta e fomos em direção as escadas, estamos subindo alguns lances quando me deparo com um corpo jogado em um dos degraus, está morto, branco feito papel. Era o corpo da Umbridge. E vejo que ela está sem o anel. Então deve ter sido por isso.
Quem mais pode está lá em cima?
Quando me deparei que só uma pessoa não estava conosco desde o começo da luta, uma pessoa que não vi hoje o dia inteiro. Rony. Agora entendi porque Caleb estava pedindo cuidado. Cuidado para não confiar demais em alguém que mal lhe conhece e já é seu amigo demais.
Chegamos no corredor da sala da Umbridge e abro a porta escancaradamente. Vejo uma escrivaninha e uma cadeira virada para trás, não dá para ver quem está nela por ser muito alta. As janelas atrás da escrivaninha também estão pretas. Não dá para ver nada.
– Rony pode virar! Sabemos que é você! – grito.
A cadeira se vira. E percebo que não era Rony, nem ninguém que eu realmente esperava que fosse. Era ninguém mais que Evelyn Eaton.
Todos nós fazemos cara de espantados. Como assim? Não poderia ser! Evelyn? Em Atlanta? Pensamos que ela tinha explodido com toda a cidade lá em Chicago. Com Toby, Jenna e Spencer.
– Mãe? – fala Tobias. – Como assim? Era você todo esse tempo?
– Era eu sim filho. – diz Evelyn – Acharam que eu tinha explodido com toda cidade né?
– Mas é claro! – eu me intrometo – Então isso quer dizer que tudo isso entre você Toby, Jenna e Spencer foi uma conspiração?
– Foi sim minha cara. – responde ela. Ela se levanta e fica na frente da mesa, não chega nem perto de nós. O que foi bom, porque não quereria ela nem um centímetro perto de mim. – Tudo armado.
– Mas porque? – pergunto com euforia – Responde! Eu quero respostas.
– Será que você não percebeu ainda?
Começo a pensar … acho que posso ter entendido tudo.
– Essa conspiração toda – começo – foi para simplesmente acabar com o sistema de facções aqui de Atlanta? Que pergunta tola. Claro que foi! Então você me mandou aqui, porque sabia que eu era uma insurgente, e queria acabar com o governo dessa cidade para satisfazer você!
Ela bate palmas. Ela é uma falsa.
– Exatamente minha querida.
– Para de falar forçado Evelyn – digo – E nós achávamos que você era uma pessoa boa. Toda aquela presepada em Chicago para isso?
– Esse era o único jeito.
– Calma deixa eu ver se entendi – diz Christina – Então aquele plano de Jeanine da viagem em massa e tudo mais era coisa sua também?
E nessa hora que eu me lembro dos planos de Jeanine. Tudo era vigiado por Evelyn. Por que claro, como a dona da facção não saberia de coisas que estão acontecendo lá embaixo, nos laboratórios da própria Sede?
– Sua safada! – digo quase soltando uma maldição nela.
Ela levanta as mãos contra mim e fala:
– Calminha Tris, acho que você não quererá me matar sem antes ver isso.
E é quando ela volta para a mesa dela e aperta alguma coisa que tem debaixo dela.
Todas as janelas da Sede voltam a ficar transparentes. Olho para fora delas e percebo que não estamos em Atlanta … estamos em Chicago. Todos nós. Olho para a cara de Tobias e de todos em volta. Estavam estupefatos.
– Então aquela tontura que sentimos… – ia começar a falar
– Era sim … uma viagem. – diz Evelyn. – Mas não uma viagem qualquer Tris. Uma viagem no tempo.
É quando o meu mundo e o de todos aqui nessa sala cai de vez. Viagem no tempo?
– Então … que época estamos? – pergunta Tobias.
– Duas semanas antes de nos mudarmos para a sede da Franqueza.
Então toda a minha vida corre diante dos meus olhos, essa data, tinha alguma coisa de especial nela. Sabia que tinha, é quando me lembro exatamente do que é.
– Todos correndo para fora da sede! – grito para todo mundo poder me ouvir.
Fico por último para sair da sala, paro na porta e olho para Evelyn e digo:
– Você fica, sua vaca! – e fecho a porta trancando-a pelo lado de fora.
E então é entre tropeços, pontapés, murros e chutes conseguimos descer as escadas e sair da Sede da Erudição quando grito mais uma vez:
– Todo mundo para o chão!
E então todos deitamos no chão enquanto a Sede da Erudição explodia bem atrás de nós.
Fale com o autor