Futuro Infinito - Soluções Definitivas
2 ...Medidas Desesperadas.
Notas iniciais
O flutuador AF-2485 era o veículo padrão do Globo Ocular, quando se fazia necessário ir rapidamente de um distrito ao outro e não havia outros meios de transporte, muitas vezes mais confortável, para levar os agentes.
Ainda mais quando os passageiros eram membros da divisão de crimes hediondos, crimes esses que haviam se tornando raros, a ponto dos acionistas da Futuro S.A. tentarem, ano após ano, fechar aquele setor, mas sem sucesso.
Nunca se sabe quando indivíduos com tendências sociopatas podem resolver atacar... Acreditem quando digo que é melhor prevenir do que remediar quando se trata de casos assim...
Com mensagens desse tipo a própria CEO, Helena Futuro, encerrava as discussões quanto à DCH e ainda implementou o Programa Cães de Guarda.
Com capacidades muito além das humanas, esses agentes especiais seria muito mais fortes e resistentes a doenças e ferimentos, graves ou superficiais. Seus sentidos também seriam extremamente aguçados.
Se um Cão de Caça entrasse numa cena de crime era capaz de dizer, nos mínimos detalhes o que acontecera e, se conseguisse um traço do criminoso, por menor que fosse, um alvo jamais permanecia muito tempo livre.
Não permaneceria muito tempo vivo também.
Com o passar dos anos e das diversas falhas em implementar o novo programa, bem como a queda vertiginosa nos crimes cometidos por assassinos seriais, a DCH foi ficando cada vez mais escondida dentro da organização do Globo Ocular.
Por isso os agentes Ruth e Sounders haviam decidido apelar para sua última opção.
— Tem certeza mesmo disso? — Alek tentava quebrar o pesado silêncio dentro do veículo. — A gente conseguiu pegar uns dez AS nesses últimos meses e conseguimos parar cerca de sete na sua primeira vítima.. Agora quando a gente chama a Canina...
— Eu sei que temos história com ela, mas nesse caso é melhor agirmos o mais rápido possível e...
— História? Até hoje o meu corpo dói em lugares que eu nunca imaginei que pudesse sentir dor... E o que ela fez com você... Cara... Sinto muito mesmo e...
— Já superei isso Alek... Foi erro meu tentar manter tudo em segredo, você não tinha como saber e nem eu sobre o que ela curtia... Mas para pegar esse sujeito não tem ninguém melhor, até por que todos os outros Perdigueiros caíram na clandestinidade quando o programa de caça foi exposto.
Os dois mergulharam novamente num silêncio constrangedor, cada um perdido em pensamentos a respeito da mulher com a qual iam se encontrar, bem como com todo o período em que os meios de comunicação espalharam pela Grade a verdade a respeito do projeto secreto da divisão de crimes hediondos.
Foi pouco tempo antes da entrada de Alek e Lenin na polícia privatizada, quando um terrível assassino serial aterrorizou Nova Sampa, com crimes terríveis, um número cada vez maior de vítimas, fatores que levaram a divisão de alterações genéticas da Futuro S.A. ser incumbida de achar uma solução.
Um ano se passou e o Onipresente, como foi batizado pela imprensa, continuava matando sem que surgisse sequer uma pista de sua identidade.
Apenas quando um corpo foi encontrado dentro de um banheiro, numa das mais prestigiadas escolas do Segundo Andar, que uma cobrança mais energética, por parte da população mais rica do Distrito, fez vir à tona o novo projeto.
O Programa Cão de Caça.
Dos vários candidatos, voluntários ou não, sobrou pouco mais que uma dúzia de Perdigueiros, como foram chamados pelos colegas da Globo Ocular, e desses, na época do Onipresente, apenas uma se tornou ativa.
A jovem mulher chamou a si mesma de Canina.
O flutuador desceu lentamente a alguns metros de distância de uma simples casa de madeira, num estilo americano, para onde Lenin e Alek se encaminharam a passos de tartaruga, principalmente ao notar que a dona se aproximava da escada da varanda.
Ela sentou de forma despreocupada, as pernas abertas cuja calça justíssima e branca deixava claro que não usava nada por baixo, um braço dobrado sobre o joelho enquanto a outra mão levava aos lábios um cigarro de palha.
— Vocês demoraram... Como sempre...
— Desculpe Melina... — Alek, sempre o mais falador da dupla, mal conseguia formular uma frase inteligível. — Eu... Nós... Be-bem...
— Surgiu um AS fora do comum e por isso precisamos de você... Não conseguimos contatar nenhum dos seus colegas, por isso arranjamos uma ordem direta da cúpula para você ser reintegrada ao Globo Ocular.
Ele estendeu um pequeno cartão feito de plástico, totalmente negro e quando Melina o pegou fez questão de roçar de leve na ponta dos dedos do outro, causando um espasmo involuntário em Lenin, que conseguiu disfarçar, ajeitando a gravata.
Percebendo como mexeu com o ex companheiro, não apenas de trabalho, a mulher passou o cartão negro sobre seu pulso direito e imediatamente um brilho azulado pareceu brotar de sua pele.
Um holograma com o símbolo da polícia privatizada piscou duas vezes e logo assumiu a forma de uma tela flutuante, mostrando todas as informações a respeito do caso que os trouxera até ali.
Foi então que os dois perceberam como haviam entrado em algo realmente sério, pois pela primeira vez em suas vidas eles conseguiram notar uma emoção na ex colega que nunca imaginariam ser possível.
Canina parecia estar com medo.
— Me levem direto até o local do último massacre... — sua voz traía sua tentativa de se manter no controle, deixando-a mais irritada do que o normal. — Convoquem todo mundo que conseguirem... Se possível achem algum herói para ajudar, alguém dos Superiores... Se isso for o que eu penso vamos precisar de toda ajuda possível...
E precisariam mesmo.
Continua.
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