Futuro Infinito - Estréia.

3 Terceiro Ato. As cortinas caem.


Notas iniciais
E assim encerro esse primeiro arco de histórias. Espero que tenham gostado, se possível que comentem. Aguardem que logo haverão mais histórias

– Matem e...

A frase foi interrompida quando o assassino recebeu um poderoso golpe em sua garganta. A mão do mascarado que o atacara desceu enquanto a cabeça do outro ainda estava subindo devido à inércia e antes que o corpo do mesmo tombasse para trás, seus companheiros mal tiveram tempo de levar um dedo até os gatilhos de suas armas.

Christinne assistia de olhos arregalados, concordando com que o estranho dissera a pouco, sobre começar um show e era realmente aquilo que se descortinava diante dela.

Ele deu um salto prodigioso, caindo a pouco centímetros de distância logo atrás de outro assassino, que não conseguiu fazer nada enquanto duas mãos agarravam seu pescoço e ele tinha suas costas empurradas pelo jovem mascarado.

Apresentando uma força que não condizia com seu tipo físico, o mascarado lançou o assassino por sobre seu próprio corpo, fazendo-o se estatelar numa área milagrosamente sem entulho de uma calçada próxima.

Haviam sobrado apenas dois.

— Desgraçado! — nova tentativa de disparar, devidamente interrompida quando uma pedra do tamanho de uma maçã veio em sua direção, acertando na ponta da arma e quicando em seguida na direção do rosto do assassino. — WTF!!

Enquanto ele levava uma das mãos à cabeça, sentindo algo pegajoso brotar de seu couro cabeludo, seu companheiro conseguiu dar um passo para trás, planejando fugir o mais rápido possível dali, mas acabou caindo de cara no chão, quando dois poderosos socos lhe atingiram os joelhos por trás.

O único disparo da noite foi feito, mas não resultou em nenhum tipo de dano no atacante, que exibia um escudo de energia, cuja armação parecia ter surgido do nada sobre uma das mãos do jovem.

O projétil atingiu uma barreira de energia, formada pela união de pequenos hexágonos, caindo inerte e dando a chance que o mascarado precisava para encerrar aquela luta.

Ele desativou o escudo e com um salto cobriu a distância que o separava do atirador, antes que essa se desse conta do que estava acontecendo e, após uma sequencia devastadora de socos e chutes, o largou no chão imundo, o rosto transformado numa máscaaa deformada.

Ele então se voltou para aquele que ainda tentava fazer suas pernas obedecerem seus comandos de levá-lo para o mais longe dali quanto fosse possível.

— Só sobrou você... — a voz modulada pela máscara soava extremamente ameaçadora, enquanto o último assassino finalmente conseguia se erguer, não sem sentir dores terríveis atrás dos joelhos e mal conseguindo dar algum passo para longe. — Vá embora e avise a todo mundo que o Rio de Janeiro tem um novo protetor... Agora!

Não foi preciso um segundo aviso e logo apenas o mascarado e Christinne estavam na rua.

— As cortinas se fecham... — dizendo isso ele curvou o corpo, num sinal claro de reverência, anunciando assim o fim do espetáculo.

Ignorando a frase excêntrica do mascarado, a garota abaixou a cabeça e foi até as sacolas, vendo que vários dos medicamentos do Doutor estavam ali, ela jogou-as sobre o ombro e se voltou para aquele que a salvara pela segunda vez.

— O que vai fazer agora?

— Imagino que avisar as autoridades seria inútil... — um aceno positivo da cabeça da garota foi a única resposta. — Certo... Cuidarei para que ele tenha, ao menos, um enterro decente...

— Nos fundos tem um jardim que ele mantinha cuidado... Se enterrar ele bem lá no fundo talvez o pessoal que invadir a casa não encontre e jogue o corpo fora... — ela então hesitou. Mas... Eu não posso ajudar e...

— Se não for um incômodo eu te acompanho até em casa e então volto aqui...

— Eu... Gostaria... Hã...

— Pode me chamar de... Teatral.

Eles então caminharam em silêncio, ainda que com passos rápidos, cada um perdido em seus próprios pensamentos, até que chegaram numa casa simples, mantida até limpa, quase sem lixo ou sujeira diante da fachada.

— Bem... É aqui que a gente se separa... Preciso ir cuidar da minha avó... — ele saltou para o topo de um poste e se preparou para ir embora, se detendo apenas porque ela voltou a falar. — Se um dia quiser... Conversar, ou... Algo a mais, aquela é a minha janela... Depois das onze da noite todo mundo está dormindo...

Ele acenou positivamente com a cabeça e logo em seguida se jogou para o topo de um dos prédios próximos, cujo topo ainda se encontrava a mais de quinhentos metros de distância do teto do Porão, voltando rapidamente na direção da casa do Doutor, pretendendo cumprir o que dissera à Christinne.

Já a garota abria a porta calmamente e sem pressa nenhuma, imensa nos pensamentos sobre tudo o que conseguira pegar, tudo o que os assassinos haviam colocado nas sacolas que ela colocava displicentemente sobre o chão de sua sala.

Assobiando feliz como a muito não fazia, ela foi separando os remédios que ajudariam sua avó Isso se ela já não morreu... Bem... Se for o caso, sobra mais pra vender..

Um estoque como aquele faria realmente a diferença quando, a partir do dia seguinte, todos viessem a saber da morte do Doutor, algo que criaria um vácuo no tráfico de medicamentos daquela área.

— Talvez... — pensou em voz alta a garota — Seja a hora de surgir uma... Doutora...

Uma risada estridente e sinistra se espalhou pelas casa próximas, fazendo com que seus moradores buscassem se cobrir mais, numa tentativa vã de se proteger.

Como se proteção fosse possível num lugar como o Porão.

Longe dali, alheio aos pensamentos da garota que havia ajudado, o Teatral subia até o teto da casa do Doutor, olhando para o Rio de Janeiro, sobre uma das mãos, após tocar num pequeno e escondido painel em seu pulso, uma tela holográfica brilhava, enquanto ele editava as imagens que ele captara naquela noite.

Assim que ficou satisfeito ele as juntou num único vídeo e o espalhou por todos os locais da Grade, o sistema que foi criado pelo doutor Santos para substituir a Internet após a queda dos Estados Unidos.

Poucas horas depois o vídeo estaria no top 15 dos mais vistos naquela semana.

— Sim... Apesar de tudo foi uma bela... Estréia.

Fecham as cortinas.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!