Futuro Imperfeito
18 Golden
Notas iniciais
POV Quinn
Passei a última semana mal, ninguém sabia o porquê, é claro que eu não havia contado sobre a conversa que tivera com Rachel semana passada, eu passei desde que sai da festa na sexta a noite passada até a noite desta sexta feira mal, sem falar com ninguém, tudo bem que Rachel pudesse estar estressada comigo e ter falado aquilo em vão, mas mesmo assim, ela disse, eu ouvi sair da boca dela que a mesma desejava minha morte, podem até me chamar de dramática, mas aquilo mexeu comigo...
Sábado de manhã, no topo de algum prédio bem alto de Lima...
Eu tinha ido parar ali no prédio em que Cass – a irmã de Rachel – havia se mudado, era com toda certeza o prédio mais alto de Lima, eu enxergava a cidade inteira dali de cima, – literalmente, a cidade inteira – e me lembrei de Rachel ter falado algumas vezes sobre adorar aquele lugar por ser longe de tudo, tanto por ser alto e por ser longe do “movimento” – se é que podemos chamar de movimento – de Lima. O terraço era um lugar legal, estava frio e ventava bastante, – estávamos no começo de março, inicio da primavera, o frio ainda era extremo, como no inverno que se passara – eu estava apenas com um pijama comprido. Deitei-me no chão e fechei os olhos sentindo o vento frio me congelar por inteira, eu respirava mal, por causa de uma doença alérgica respiratória. Fiquei alguns minutos ali deitada até sentir meus dedos doerem por causa do frio, não me movi, suspirei, esperei alguns segundos e me sentei, resolvi me levantar e ir até a ponta do terraço, que por sinal não tinha grades, eu me sentia naqueles filmes aonde o cara vai se matar porque sua vida é uma merda e alguém o impede, mas não aconteceria no meu caso, ninguém iria me parar, ninguém fazia a mínima ideia de que aquele lugar existira, ele era mais afastado de Lima, quase como se não pertencesse a cidade, um prédio de mais de doze andares com cerca de quinze a dezesseis moradores, era praticamente abandonado. Eu me deixei levar e subi até a borda que dividia o fim do prédio e uma linda queda sem nenhuma porcentagem de sobrevivência, eu peguei meu celular e mandei uma mensagem a Rachel – a primeira desde que falei com ela pela ultima vez – a primeira mensagem da semana e ultima... para sempre.
“Querida Rachel Berry, eu sei o quão difícil foi ficar sem você, realmente, foi horrível, mas saiba que eu tentei, eu te amei, passado, presente e futuro, mas no caso do ultimo, será difícil acontecer, estou acabando, neste exato momento, estou acabando com o meu futuro, desculpa por tudo que te fiz passar, nunca se esqueça que eu te amo... adeus. – Do prédio mais alto, Quinn Fabray.”
Pressionei o botão enviar e logo pude ver que a mensagem foi enviada, ótimo sinal aqui em cima – uma pena que não iria mais usa-lo – segurei meu celular em posição de deixa-lo cair, logo após ele iria eu, mas o senti vibrando, virei sua tela e era o numero de Rachel, atendi e deixei na viva-voz, sem o trazer mais para perto de mim esperei que Rachel falasse algo.
– Não se mexa! – Ouvi a voz desesperada de Rachel que parecia estar correndo.
– Tarde de mais. – Respondi sem nenhum tipo de emoção ainda com o celular longe de mim e o deixei cair naquela imensidão que eu nem podia ver o final.
Movi uma de minhas pernas para frente e a deixei como se fosse dar um passo no ar, e esperei quanto tempo demoraria até eu perder o equilíbrio e cair, quando já estava me inclinando para frente pude sentir mãos em volta de minha barriga que me puxaram para trás me fazendo cair ao lado da pessoa... era Rachel.
– VOCÊ ENLOUQUECEU? – Rachel gritou sentada um pouco depois de meu centro, perto de minha barriga.
– Era o que você queria... – quase sussurrei e Rachel me olhou confusa e pensativa, logo mudou sua expressão para arrependida.
– Não era... não era de verdade – Sussurrou a morena olhando para baixo triste.
Permanecemos em silencio por alguns minutos e ela resolveu se levantar, encostei em sua mão e ela estava quase congelada, logo, sem dizer nada puxei Rachel para meu peito, – sussurrei algo sobre ela precisar se esquentar – a abracei forte tentando lhe passar meu calor – que já não era muito – quando ela resolveu falar algo.
– Não pode voltar comigo estando com Santana... eu sei de tudo que acontece naquela casa, quase melhor que você. – Rachel sussurrou e eu nem me dei o trabalho de estranhar, ela é uma das melhores amigas de Marley e a mesma quase morava lá.
– Eu vou... eu... eu faço qualquer coisa – falei mais alto animada.
– Não... não fale assim, você parece desesperada, e isso é ridículo – Rachel murmurou e sorriu.
Ri fraco e senti ela se soltando de mim.
– A gente se vê por ai... porque pelo jeito não terá como falar comigo pelo celular – Rachel falou caminhando até a porta de saída do terraço de costas para mim – prometo que vou parar de te ignorar – ela se vira já com a porta e sorri fechando a porta.
– O que uma ameaça de morte não faz com uma pessoa, certo? – Sussurrei para mim mesma e logo sai do terraço por causa do vento que estava ficando mais frio, desci até o primeiro andar de elevador e quando cheguei até a calçada pude ver meu celular quebrado no chão, o juntei e pus no bolso – como se fosse uma coisa normal – entrei em meu carro e liguei o ar-condicionado – eu tinha um Pajero TR4, que é um carro bonito, a meu ver, e ainda tem espaço, que é uma coisa que eu vou precisar, até já imaginava no dia que eu saísse de Lima para ir para uma faculdade e tivesse que levar as crianças para a escola na cadeirinha, um sonho – logo voltei a minha temperatura normal e dirigi até em casa, eram quase meio dia, ninguém estaria acordado ainda, com total certeza, entrei em casa após deixar o carro na garagem e vi uma cena um tanto que... estranha?
Gus e Rory estavam brincando no tapete com alguns brinquedos, a televisão estava ligada em um desenho infantil que eu não conhecera, a lareira tinha fogo e todos estavam sentados conversando ou olhando os meninos brincarem.
– Quinnie, porque diabos saiu na rua de pijamas? – Charlie perguntou me encarando.
– Fui, ver umas coisas, estava com preguiça de me trocar – Respondi algo que veio aleatoriamente em minha mente e fiquei olhando para Blaine que estava ao seu lado, todos sabiam que os Fabray odeiam os Anderson, pude ver que Judy agia normalmente enquanto conversava com Marley, que parecia desconfiada da conversa.
Fui até Gus que brincava com Rory e quando ele me viu quase se jogou em meu colo.
– Mama! – Ele exclamou animadamente me abraçando, eu dei um beijo eu sua bochecha, falei que o amava e o larguei ao lado de Rory de novo, fui até Santana que me olhava com um sorriso.
– Precisamos conversar...
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