Future Looks Good

1 Capítulo I - Woke up starin' at this


Notas iniciais
Oie! Vim trazer para vocês mais uma história desse projeto maravilhoso que é o Junho Scorose. Trata-se de uma short fic com 10 capítulos (espero que não se cansem). Primeiro, quero agradecer a Miss A pelo convite, fez essa escritora aqui ressurgir das cinzas! Em segundo lugar devo agradecer à missValdez não só pela capa, mas por me ajudar em cada ponto dessa fic, que foi feita com muito carinho. Espero do fundo do coração que gostem, boa leitura a todes!!

S C O R P I U S M A L F O Y

Levantar da cama sabendo o que me esperava do lado de fora do castelo não foi nada fácil. A neve cobria todo o território de Hogwarts, o lago estava congelado e torci muito para que amanhecêssemos com uma tempestade avassaladora que fizesse o jogo ser cancelado. Não foi o que aconteceu. Não nevava quando acordei, porém assim que me livrei das grossas cobertas verde musgo que me aqueceram durante a noite, soube que isso não significava que o clima estivesse menos congelante.

Era mesmo um bobão por sair do castelo e enfrentar meio metro de neve sob meus pés para assistir Sonserina contra Grifinória. Já não fazia mais parte do time, estava preocupado demais com os N.I.E.M.s para perder tempo com quadribol. Veja bem, não significa que eu não gostasse de fazer parte do time, apenas que havia outras coisas bem mais importantes em voga. Gostaria muito de obter nestes últimos exames resultados semelhantes aos NOM’s do quinto ano. De preferência, resultados melhores, visto que receber “Excede Expectativas” em Adivinhação não me deixou exatamente feliz.

Almejava um cargo no Ministério da Magia, mais precisamente no Departamento de Execução das Leis da Magia. Quando eu era mais novo, meu avô insistia em dizer que era minha obrigação refazer o nome dos Malfoy no Ministério, recuperar a glória perdida, que meu pai havia o decepcionado se tornando Curandeiro e que eu era a última esperança de nossa família. Quando o velho Lucius faleceu, levou consigo todo o peso das responsabilidades que colocava em meus braços, tantas que seria impossível carregar. Ainda assim, o Ministério não me parecia má ideia e não por tudo o que meu avô dizia, mas pelo meu desejo de fazer a diferença, de garantir que justiça não fosse um fim inalcançável e sim um caminho próspero. Não guardo mágoas da insistência de meu avô, apenas acho – acho não, tenho certeza – de que, ainda que ingressasse no Ministério, ele não estaria nada feliz com minhas escolhas de vida. Tudo por causa deles e especialmente por causa dela.

Digamos que meus primeiros anos em Hogwarts não foram fáceis. Mãe doente e posterior orfandade, a garota de quem era a fim não me dando moral, a galera achando que eu era filho de Voldemort (sério, o que essa gente tem na cabeça?), volta no tempo que não deu em nada, volta no tempo de novo estragando tudo, volta no tempo e ficando preso, tendo que pedir socorro ao pai do meu melhor amigo por meio de uma manta de bebê (um pouco humilhante). O que importa é que tudo se resolveu e no fim das contas conquistei algo muito valioso na sociedade atual: o respeito das famílias Weasley e Potter. E de alguns mais do que respeito.

Quando Albus e eu voltamos daquele turbilhão de acontecimentos pudemos finalmente nos reconfortar em outros abraços além dos que dávamos um no outro. Apesar de ter certeza que meu amigo arranjaria uma velhota para amar, ele acabou se resolvendo com uma garota apenas alguns meses mais velha que ele. Alice Longbottom era a perfeita companheira para Albus e quando o relacionamento dos dois veio a público nas últimas férias de verão, sua família aceitou a notícia muito bem, afinal todos conheciam o professor Longbottom e sua esposa Hannah de longa data e não existia risco da filha deles ser uma bruxa das trevas como último interesse amoroso do Potter.

Enquanto Albus prosperava em seu relacionamento, eu poderia dizer que estava enrolado com a garota mais esquentada no universo. Aquela que me enrolava há quase um ano porque não estava preparada para assumir o relacionamento. “Para você é fácil, Scorpius, quase morreu. Qualquer coisa depois disso vai parecer fichinha!” ela sempre dizia quando eu tocava no assunto de assumir nossa relação. Ela tinha medo da reação do pai (uma bobagem, se quer saber. Ele me adorava!), e de como isso poderia repercutir nos veículos de notícia. Ela morria de medo de que sua vida fosse resumida a um relacionamento e isso atrapalhasse sua carreira. Por isso me esforçava para aceitar toda essa enrolação, no fim das contas seu argumento era comprovadamente verdadeiro. Albus já havia comentado algumas vezes como foi frustrante para sua mãe ser anunciada nos jogos como a Sra. Potter mesmo antes de se tornar formalmente e de como ao fim dos jogos os jornalistas ignoravam seus feitos em campo e apenas perguntavam sobre como estava a vida com Harry Potter após a guerra. Ela sabia muito bem disso. E sabia também que possuía tanto talento para quadribol quanto sua tia. Mais, eu diria, mas sou suspeito.

E no fim das contas era por ela que eu caminhava em direção ao campo de quadribol de Hogwarts praguejando a cada passo que dava por conta da neve alta, porém sorrindo cada vez que alguma primeira ou segundanista da Grifinória passava empolgada ao meu lado com os cabelos trançados como os dela, ídolo da Grifinória, capitã do time desde o quinto ano, artilheira recordista de gols: Rose Granger-Weasley (futura Malfoy se tudo der certo).

Sentei-me na arquibancada junto aos meus colegas de casa em tempo de vê-la entrando em campo, com o time em uniformes vermelhos logo atrás, agitando a torcida adversária. Sei que minha garota era da Grifinória e vê-la jogar era um privilégio para qualquer pessoa que goste minimamente de quadribol, chegava a ser poético. Ainda assim, eu era um sonserino e era questão de honra torcer para o time no qual joguei por dois anos, mesmo que tivesse ciência do resultado seria desastroso para nós.

Já em cima da vassoura, voando a mais ou menos 15 metros do chão, na altura dos aros, Rose parecia ainda mais linda. Sentada despreocupadamente em sua vassoura, não se importando em segurá-la com as mãos, ela coordenava a posição dos outros jogadores. Seu cabelo ruivo e não muito longo estava, assim como as primeiranistas que vi mais cedo, dividido ao meio com uma trança de cada lado, que começava em seu couro cabeludo e ia até as pontas. “Cabelos ao vento podem atrapalhar minha visão, tranças são seguras”, disse uma vez enquanto ajeitava o cabelo antes de um treino. Era assim que ela se arrumava para os jogos desde o primeiro ano, um visual que marcou quando sua fama cresceu na escola.

Consegui ver Rose suspirar quando terminou de dar as ordens. O jogo já ia começar e ela conferia as arquibancadas rapidamente. Quando nossos olhares se encontraram ela sorriu e mandou um beijinho, apenas sorri de volta. Era realmente chocante como ninguém percebia o nosso relacionamento.

— Ela sempre faz isso. – comentou uma garota alguns anos mais nova que eu com uma amiga – Se acha a rainha do deboche, a Weasley, só porque sabe fazer alguns gols.

E como sempre, as provocações para mim eram interpretadas como provocações ao time. A verdade é que ninguém cogitava que um dia existiria algo entre nós, por isso os poucos detalhes que deixávamos escapar não eram perceptíveis aos olhos alheios, estávamos escondidos à vista de todos, o que era bom e ruim ao mesmo tempo. Gostaria de gritar ao mundo que aquela belíssima mulher que altivamente se equilibrava sobre uma Nimbus 5000 era a mulher da minha vida.

O som do apito ecoou por todo o campo e arquibancadas dando início ao jogo, e mais que rapidamente peguei meu onióculo para conseguir focar no que mais me interessava no jogo: Rose. Ela voava baixo a fim de alcançar a goles que acabara de ser lançada, o que infelizmente não conseguiu já que Hector Flint conseguiu concluir o feito antes. Apesar de ser extremamente habilidosa, Rose tinha um corpo pequeno em relação aos outros jogadores, o que a fazia perder em algumas disputas muito acirradas. Pela minha lente pude vê-la fechar os olhos castanhos, quentes como ela mesma, e contorcer o rosto em frustração.

No entanto, seu corpo pequeno lhe permitia alcançar maior velocidade, por isso, não muito depois de Flint agarrar a goles, Rose conseguiu arrancá-la de sua mão sem tocar numa só unha do rapaz. Digamos que esta era uma das diversas manhas dela. Com o tempo, ela conseguiu aperfeiçoar esta técnica que jogadores mais corpulentos geralmente não conseguiam. Com a goles em mãos, ela a agarrou próxima ao corpo, indo em direção aos aros da Sonserina. Ah, como eu praguejava toda vez que isso acontecia na época em que era goleiro. Basicamente, era de conhecimento geral na escola que, uma vez na pequena área, era impossível parar Rose Granger-Weasley. E assim foram marcados os primeiros dez pontos da Grifinória.

O jogo seguiu como esperávamos. Até que a Sonserina conseguia marcar alguns pontos – já que, apesar de muito bom, Hugo Weasley não desempenhava o papel de goleiro como sua irmã desempenhava o de artilheira – mesmo assim, após 1 hora e 43 minutos de jogo, estávamos perdendo de 170 a 20, então a derrota estava certa, até que...

— Senhoras e senhores, ao que parece, Anthony Zabini avistou o pomo e está em grande vantagem em relação à pequena Potter – a voz de Lysander Scamander, que narrava o jogo, soou calma por todo o território – Será que estamos diante de um empate histórico entre Sonserina e Grifinória?

Anthony era mesmo um apanhador muito bom. Era um ano mais novo que eu e um pouco cheio de si demais para o meu gosto, se quer saber, entretanto havia de convir que levava jeito para a coisa. Estava quase me juntando aos meus colegas no coro de “vai, vai, Sonserina” bradado em nosso lado da torcida quando vi a ruiva recebendo a goles lançada pelo irmão, ainda no campo da Grifinória, atraindo para si o time inteiro da Sonserina, exceto Anthony, que estava cada vez mais perto do pomo com Lily em sua cola. Não tinha como Rose sair dali com a goles, os batedores de seu time não estavam tão perto para poder protegê-la e os artilheiros da Sonserina a cercavam. Analisei o campo. Henry Thomas, seu companheiro de artilharia, estava no meio do campo, se aproximando de Rose a fim de lhe dar cobertura, todavia a outra artilheira, Sabrina Wood permanecia próxima à pequena área da Sonserina. E então Rose Weasley, que havia avançado poucos metros em direção ao campo adversário, de repente se virou.

— Bom, parece que Rose Weasley está um pouco confusa. O seu gol é para o outro lado! – Lysander alertou – Oh, espere, o que ela está fazendo? É isso mesmo que seus olhos estão vendo, senhoras e senhores, a artilheira da Grifinória está voando de costas em direção aos aros sonserinos – exclamações de espanto preenchem ambas as torcidas.

Estava definido, aquela garota era louca. Ao se afastar em alta velocidade de toda a equipe verde e prata que tentava alcançá-la, a ruiva dava apenas algumas olhadas por cima do ombro para garantir que estava indo para o lugar certo. Para proteger a goles ela não poderia dar as costas para o time que a perseguia naquele instante. Louca, mas inteligente. E um estalo surgiu em minha mente sobre uma manobra que ela comentara recentemente. Não, ela não iria fazer isso...

— Weasley se aproxima da pequena área, porém os sonserinos estão quase alcançando-a – a Scamander anunciou com tom um pouco mais apreensivo do que a serenidade habitual em sua voz.

A loira tinha razão, os sonserinos a derrubariam antes que pudesse alcançar a área do gol, mesmo que isso lhes rendesse uma penalidade. Estavam prestes a alcançar o pomo, era tudo ou nada, portanto era impossível que a ruiva escapasse deles. E não, Rose era extraordinária, contudo não realizava o impossível, apenas usava as pequenas probabilidades a seu favor, já que as grandes todos usavam (palavras dela). E assim fez o que poucos conseguiram. Sem se virar ou sequer olhar para trás, antes de chegar à pequena área, Rose lançou a goles sobre o ombro fazendo-a ir em direção da Wood, que prontamente agarrou a esfera em couro vermelho e atirou-a ao gol. Com um passe de revés perfeito, Grifinória angariou mais dez pontos.

— Sonserina agarra o ponto e é fim de jogo! – Lysander encerrou, quase ao mesmo instante – Mesmo assim, sinto muito por vocês, porque graças à Princesa Weasley e Sabrina Wood, GRIFINÓRIA VENCE POR 180 A 170 PONTOS!! – coloca todo entusiasmo na voz. Lysander poderia ser Corvinal e não entender tanto de quadribol, mas com certeza gostava de Rose Weasley.

Dei uma última olhada em minha garota antes de guardar o onióculo. Suada, mesmo no frio congelante que estava fazendo e um tanto descabelada (poderia estar mais se não fossem as tranças, o que provava seu ponto) ela sentava relaxadamente em sua vassoura, como se não fosse difícil se equilibrar sobre ela. Recebia o carinho do restante do time e sorria, de orelha a orelha, satisfeita pela vitória. Não pude evitar sorrir também.

☷

— Você poderia ter ido, sua prima deu um show em cima da vassoura. – contava para Albus, que tinha acabado de acordar na cama ao lado.

Assim que o jogo acabou, voltei ao dormitório para me enfiar em meio às cobertas a fim de me aquecer e aproveitei para adiantar a matéria das próximas aulas de Feitiços antes do almoço. O Potter, com o cabelo desgrenhado e a testa franzida, ainda se acostumava com a claridade do dia, mas estava acordado o suficiente para fazer piada.

— Poupe-me das suas intimidades, Malfoy. – sorriu maroto. Me limitei a revirar os olhos para seu comentário malicioso – E, antes que diga mais uma vez que deveria ter ido, devo lembrar que não sou nada chegado a quadribol, só assistia seus jogos por consideração e, além disso, vejo Rose jogar desde os 7 anos. Com o tempo fica repetitivo.

Era fato que Albus abominava quadribol desde sempre e o fato de ter se resolvido com seu pai não melhorou isso. Fazia um bom tempo que ele não insultava o esporte, muito para não magoar a própria mãe, porém não evoluíra o suficiente para tomar gosto pela coisa.

Me envolvi na leitura por alguns minutos até que meu amigo volta a falar.

— E então, esse ano vai finalmente passar o natal com a gente?

— Não sei ainda, vou ver com meu pai. Talvez este ano ele esteja mais disposto.

Desde o quarto ano os pais de Albus insistiam para que meu pai e eu comemorássemos as festas de fim de ano com sua família. Voltar no tempo para salvar os filhos das garras de uma bruxa das trevas acabava estreitando laços, afinal. Meu pai mantinha uma relação de cordialidade com as famílias Potter e Weasley e esses, por sua vez, passaram a respeitá-lo, especialmente enquanto pai. Nós nunca havíamos aceitado nenhum daqueles convites e confesso que gostaria de ter passado o feriado com meu melhor amigo às vezes, entretanto deixar meu pai sozinho não era uma opção. Eu era a única coisa que lhe restara, o único em sua vida depois que mamãe se foi, uma perda que só nós dois sabíamos como doía. Era maldade não fazer companhia a ele.

Albus decidiu levantar e se vestir adequadamente para o almoço e resolvi acompanhá-lo. Era nosso último dia ali antes do recesso de natal, o trem partiria no domingo às 11 horas e eu gostaria de aproveitar um pouco mais do clima natalino do castelo antes de partir. Era a última vez que veria Hogwarts coberta por vermelho e verde, visgos crescendo a torto e a direito sobre as cabeças dos alunos e pinheiros cobertos por neve enfeitiçada que caía sobre eles sem cessar, ainda que dentro do castelo. Aquele lugar era mágico, não apenas pelos motivos óbvios, como também por todos os momentos fantásticos que nos permite viver durante sete anos.

Sentei à mesa da Sonserina ao lado de Al que, já faminto, se servia de purê de batata e frango frito. Me permiti reparar mais no lugar e em como o salão principal ficava mais colorido aos sábados, visto que os uniformes não eram obrigatórios. E na mesa da Grifinória meus olhos se demoraram um pouco mais na figura ruiva de cabelos molhados que mastigava enquanto ouvia atentamente o que a prima de cabelos pretos encaracolados lhe contava. Como ela ficava linda quando estava concentrada. Meus devaneios foram interrompidos por uma cotovelada que acabara de levar nas costelas.

— Pare de ficar babando e dê um jeito de comer – censurou o moreno em tom divertido. Ele estava certo, apesar da inconveniência. Teria tempo para Rose depois.

R O S E G R A N G E R — W E A S L E Y

Não era a primeira vez que ele se atrasava, coisa que já seria irritante se fosse fato isolado. Biblioteca, mesa ao fundo, entre as prateleiras de História da Magia e Runas Antigas, sábado às cinco horas da tarde. Não era tão difícil de cumprir, mas Scorpius Hyperion Malfoy ainda assim conseguia se atrasar.

O vi chegando um tanto esbaforido com um livro na mão e o cachecol desengonçado no pescoço, sinal claro de que havia sido colocado às pressas. Meu olhar irritado foi percebido por ele, que antes mesmo de dizer oi, clamou:

— Me desculpe, por favor, me desculpe. – puxou a cadeira ao meu lado para se sentar e deixou o livro sobre a mesa – Depois do almoço fui resolver alguns problemas sobre o Clube de Duelos e depois Clarisse e eu ficamos discutindo novas formas de aplicar os feitiços de...

— Se atrasou para o nosso encontro porque estava com a Sachs? – interrompi antes que ele prosseguisse com aquele disparate. Não consegui conter a irritação em minha voz – Eu me dou ao trabalho de vir aqui, toda quebrada depois do jogo de hoje e você me deixa plantada esperando porque sua conversinha com a Sachs era mais importante?

— Não leve para esse lado, Rose. Não é culpa minha que sejamos os organizadores do Clube. Já disse, tivemos coisas para resolver.

Bufo, tentando internalizar que Scorpius não fazia por mal. Só que aquela garota claramente dava em cima dele e, por mais que ele fosse pateta para enxergar isso, eu não era. Esse jeitinho doce, simpático e solícito dele fazia com que as meninas caíssem de amores. E se não bastasse, ele ainda tinha que ser bonito. Sim, porque Scorpius não se importava em aparar o cabelo quando este perdia o corte e ainda assim suas mexas caindo teimosamente sobre a testa lhe davam um ar despreocupadamente sexy. Quando não estava vestido com o uniforme da Sonserina, suas roupas não transmitiam sua privilegiada condição financeira, entretanto ao observá-lo naquele momento em seus jeans escuros e suéter bordô, com o cachecol preto ainda desjeitoso e os tênis all star que calçava, percebi que Scorpius não poderia estar mais elegante. E lindo.

— Está me encarando assim por querer me matar? – ele indaga com cautela.

Respiro fundo e faço sinal de negativo com a cabeça. Já fazia algum tempo que tentava não assustá-lo mais, contudo depois de seis anos de prática, era difícil me abster de velhos hábitos.

Observo o livro que ele havia deixado sobre a mesa, mas não o peguei. De soslaio, leio o título: Prometheus.

— Que livro é esse? – tento parecer desinteressada. Ainda não estava muito boa com o loiro.

— Ah! – ele exclama como se estivesse se lembrando de algo importante. Pega o livro e estende para que eu pegue – É para você. Eu conversei com meu pai esses dias sobre como os trouxas estudam a cura de ossos quebrados e coisa do tipo, então ele descobriu esse livro sobre anatomia humana e me mandou. Pensei que talvez fosse útil para você no quadribol.

Pego o livro de suas mãos e folheio por alguns segundos antes de largá-lo e abraçar forte o rapaz em minha frente. Era impossível ficar brava com ele por muito tempo. Aproveitando a proximidade entre nós, antes que desfizéssemos o enlace, depositei um beijo casto sobre os lábios de Scorpius, que não perdeu tempo e aprofundou, segurando meu rosto com as mãos, como se estivesse com medo que eu fugisse.

Ele mesmo já havia falado sobre isso. Era inseguro, tinha medo que por alguma besteira me perdesse por entre os dedos e não conseguisse alcançar mais. Não me fugia a noção de que fui muito maldosa com ele. Ignorei sua existência por um tempo considerável e não dava a mínima atenção para todos os agrados que ele tentava me fazer. Não dei importância aos seus elogios, aos seus convites, ao seu carinho. Apenas quando me desfiz de toda carcaça de superioridade que vestia, permiti que ele entrasse em minha vida. E ele ainda esperava pacientemente por uma oportunidade, do mesmo jeito de quando tinha onze anos e dizia me achar incrível.

Fui burra por perceber somente aos dezesseis que era absurdamente comum quando comparada ao brilhantismo de Scorpius Malfoy.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ Para mais fanfics do Junho Scorose é só ir nos meus acompanhamentos que estão todas postadas até agora lá. Amanhã tem mais, beijinhos!