Futatsu no Sekai - Saki
23 Capítulo Final – A vida em sua mão, e o sangue em seus lábios.
Depois de uma boa noite de sono e vinho em seus lábios Tom acordou. Estava em meio ao palácio dourado do Chandra Mahal. Ele acordou satisfeito e com um leve sorriso no meio do rosto, olhando para o sol no meio do céu pelas enormes janelas em seu quarto.
— Isso é... bonito.
— Não podemos negar.
Quem disse foi Lan, dos oito imortais. Tom se surpreendeu logo e se impressionou, o que os tais oito imortais estavam fazendo como sua couraça? Como sua armadura logo depois da batalha.
E os oito pareceram se importar, e também frustrados com si mesmos, assim como He Xiangu. Tom ouviu os suspiros dentro de si e a tristeza e felicidade em conjunto em seu corpo.
— Vocês... É realmente assim?
Foram suas palavras frias o bastante para queimar os oito por dentro. Eles sabiam, assim como ele sabia por dentro, a verdade nem sempre é o que mais se espera.
— Sempre que os oito imortais acham a quem servir, o que eles tem de fazer é se tornar a própria armadura de seu senhor, e nós estamos aqui para defende-lo e então ajuda-lo. Eu sei que você entende Tom, então, por favor, não pergunte mais nada. Nós podemos estar de luto por nosso próprio controle, mas estamos felizes por ter encontrado a alguém para servir, é o nosso propósito em luta, e você o entende, não entende? – Perguntou Lan, o imortal. Ele continuou firme em todas as palavras que saíram de sua boca e ele reconheceu a tristeza vindo de Tom.
— Então é assim? Nós lutamos juntos, nos tornamos amigos, como pessoas independentes, livres, e não porque vocês me servem, é porque nos ajudamos, mas acima de tudo... Não deveria ser assim que as coisas aconteceriam. Vocês se tornam minha própria pele, meu próprio corpo como a armadura mais forte para me proteger, mas também me fazem ter de viver assim pelo resto da vida? Sem a mulher que eu amei ao meu lado na cama, com talvez um filho ou dois no futuro, eu não tenho ao menos esse direito?
— Você deve entender, esse é o nosso destino Tom, não podemos contrariar o motivo de nossa existência, nós devemos concluir o papel que nos foi dado, e ele agora é proteger você a qualquer custo, não importando o que devemos fazer, e você sabe! Então, agora, você terá de conviver com isso, você não precisa de “He Xiangu”. Há várias mulheres bonitas por ai, mulheres que podem lhe dar um herdeiro digno, alguém que irá viver contigo até o fim da vida. – Dessa vez foi He.
— E eu teria um filho com uma armadura sobre todo o meu corpo?! – Ele levantou a voz e se levantou da cama de plumas brancas onde estava deitado. – Bem, que seja, de qualquer forma eu terei tempo o suficiente para ver como viverei o resto de minha vida antes de morrer, mas você me amaldiçoa He Xiangu, você a quem eu amei agora me priva de ter um filho para amar, mas não importa, eu sei que sua dor será ainda maior, e você não irá aguentar tanto quanto eu, mulher.
E ele saiu do quarto, mas não sem a armadura da qual trajava.
E então, a única coisa que ele não esperava aconteceu, uma invasão direta.
Os portões do Chandra Mahal tremeram e seres vermelhos vieram do céu a seu encontro. Os diabretes com seus tridentes, asas pequenas, as pernas de bode e o rabo entre as pernas miraram direto em seu próprio pescoço.
E eles foram tão rápidos quando jamais imaginou, mas foi tempo o bastante que fosse capaz de se proteger. A armadura cobriu seu rosto e ele estava coberto por inteiro. Os tridentes quebraram em sua armadura e ela foi de encontro ao rosto da criatura que estava a voar.
Várias outros vieram a seu encontro e foram despedaçados um a um pela espada e Lu Dongbin. Ele cortava cada um demonstrando sua raiva pelo que havia perdido o direito. Cada diabrete foi morto unicamente por suas mãos e a único ser não demoníaco que viu naquele lugar foi ele mesmo, Yasmine havia o traído.
E então os demônios continuaram a vir, mas a cada segundo um maior chegava, e os diabretes cresciam de forma incomum. Cada um que morreu retornou a vida e seus corpos cresceram. Eles tomaram três metros cada e seus chifres com quase 30 centímetros. Os olhos brancos de um natimorto feriram Tom de forma incomum. Ele se lembrava de seu passado.
Antes um homem rico que havia construído sua própria fama, de pobre ao americano mais rico, e do mais rico o mais pobre por algo odioso como família e confiança. E então ele se lembrou, nunca mais ele deveria confiar em alguém, não em alguém que não se mostrasse dignos, e então ele havia visto dignidade dos pobres imortais, mas então... tudo se desmoronou pouco a pouco.
Sua raiva era crescente e o poder de sua espada também. Ele cortava os demônios sem pestanejar ou soltar algum qualquer ruído, sua voz havia sumido, assim como a visão de seus olhos.
Ele então soltou sua espada ao chão e olhou para si mesmo. E como ele olhou? Ele se olhou como se fosse outro, visão a suas costas e a frente de seu corpo. Ele havia perdido também o dom de falar e de pensar, era como se fosse algum tipo de divindade, mas uma divindade suja.
Logo a espada que chamara de União Morta se revelou em seus punhos e ele clamou pelo nome de seus amigos, ou tentou. As espadas se dividiram em duas e o homem marchou rumo a vitória. Ele estripou cada demônio que apareceu em sua frente e eles retornaram ainda mais fortes. Ele então usou e abusou de seus poderes.
Cao Guojiu exalou um ar verde jade ao redor de Tom e os demônios desapareceram como cinzas, mas a batalha ainda havia acabado de começar.
Um homem apareceu a sua frente, não sabia se era um homem ou alguém, ele apenas seguiu em frente.
O homem desviou de seus golpes um por um e Tom mal pode cortar seu manto azul ciano. O broche no peito do homem possuía um brilho tão forte que foi capaz de arder os olhos que Tom já não tinha mais, e ele continuou.
Os movimentos de suas espadas eram limpos. Um corte a direita traçando um arco curvado e a única coisa que acertou foi fios do cabelo do homem. Sua mão esquerda então seguiu a frente com a espada tentando acertar o homem com estocadas, mas a única coisa que foi capaz foi jogar seu manto ao chão.
Ele continuou e então outra camada de armadura cobriu seu corpo tampando a magma estampada em seu peito. O azul lunar brilhou em seu corpo e sua espada carregou o seu poder.
O maior peso que o homem poderia sentir passou por seu corpo e ele foi esmagado ao chão e com um movimento da mão direita de Tom ele fora jogado na parede.
Tom juntou as duas espadas e as ergueu até a altura do queixo com as duas mãos mirando a ponta da lâmina no peito do homem. Ele investiu e a União formada por pai e filho acabaram. Ele cortara a própria alma do pai, e a única coisa que ela lhe deu foi um falso adeus sem quaisquer palavras. Mas e agora, o que restava para fazer? Seu pai fora morto por si mesmo em poucos instantes e sequer podia dizer ou ouvir.
Era tão... silencioso.
As duas espadas caíram de suas mãos e ele ruiu por dentro. Ele sentiu a rocha negra perfurar seu corpo e tomar seu coração. Ela eclodiu de dentro para fora e de um jeito incomum tomara a ele mesmo.
A morte de Zhang, Han, Li, Lu, Lan, Zhongli, He, Cao, e Tom. E para que? Torna-lo um homem mais forte capaz do que? Proteger o mundo que seria abatido pelas três feras caso não fizesse algo? A ida de Osbernus ao vazio junto do Leão? E o que pararia o Urso de destruir o mundo sozinho? Ele? Mas o que ele era agora? Tom estava morto.
Agora ele era outro, mas o que ele era? E isso era o que ele mais desejava saber.
Ele então ascendeu aos céus e viu o mundo com olhos que não eram dele, cada parte do mundo estava a ser destruído uma por um, e onde estava Osbernus? Ah, estava morto junto de Oz. Onde estava Yasmine? Morta pelo pai que havia acabado de matar. Mas ele não fraquejou.
Em poucos instantes ele se viu em meio a uma tragédia, e quem era dessa vez? Não era ninguém, apenas ele.
E algo então o surpreendeu de vez. Uma mulher loira saiu de uma aparente porta em meio ao caos e foi até ele. Ela o abraçou e tentou olhar para o seu rosto. Ela soltava algumas palavras da boca, mas ele não era capaz de ouvir, sentir, conhecer nada. Ele não era mais o homem a quem a mulher conheceu um dia. O que será que ele era agora?
A resposta é... Um monstro.
Sua espada cravou o peito da mulher e a abriu em duas, e ele estava curioso para saber quem era a mulher que havia se jogado no meio da lâmina de sua espada, mas quem disse que ele se importava com algo assim?
Então ele riu.
E se ergueu aos céus.
Falsas asas o levaram até o topo e ele observou o inevitável acontecer. O mundo ruiu e Leão e Urso saiam ilesos, até agora.
Ele jogou cada uma de suas espadas para o chão e cada uma delas atravessou o peito de cada um dos homens.
Foi o fim deles.
Porém, após isso, algo ocorreu com seu corpo. Tom esticou os braços para cima e apertou os punhos com toda a força.
— Então é assim...? Esse não sou eu! — Suas palavras foram como o som de um órgão ecoando. — Eu vou salvar vocês.
Fale com o autor