Furacão
1 Rompa o casulo
A brisa suave beija seu rosto, mais carinhosamente do que te beijaram a vida inteira.
Você suspira e sorri, porque seus passos são leves como plumas mesmo que você pese meia tonelada. Sorri porque finalmente, finalmente suas asas atrofiadas se abriram e agora você pode... Voar?
Será que pode?
A brisa aos poucos vai ser tornando mais forte, até se transformar no vento impetuoso. Ele bagunça seus cabelos e os passos vão se tornando pesados e você entra em desespero. Eles não são mais leves como plumas, como penas, como beijos suaves e sorrisos doces. Eles pesam meia tonelada e você teme que o solo afunde sob seus pés e você caia nas profundezas do inferno.
Mas não.
Você para. Para e olha em volta, olha para as árvores, naquele tom de verde tão bonito que te faz relaxar apenas por contemplar. Você para e observa as formigas, os pássaros, cada forma de vida tão distinta da sua e que por isso mesmo alcança um lugar secreto dentro do seu coração... Você para e por um momento não se sente tão só.
Dessa vez é o sol quem beija seu rosto. Você fecha os olhos e sorri, voltando a caminhar. Seus passos são instáveis e você sabe que não cairá no inferno, mas também sabe que ainda não pode voar.
O que te aguarda, afinal?
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