Fundação Enigma

3 Capítulo 3 – Jardim do Caos


Vale dos lírios, norte do estado do Paraná, numa fazenda de vários hectares, o local é um grande pasto para o gado bovino da raça nelore. Acredita-se que tenha entre 500 ou 600 cabeças. Os animais são muito bem tratados e alimentados.

Como a fazenda é enorme, há espaço para ter uma criação rotativa de milho ou soja, para revitalizar e descansar a Terra. Mesmo no centro da mesma, há um pequeno haras, contendo uns trinta cavalos e próximo dali tem a residência principal.

As trigêmeas gostam muito de cuidar dos cavalos e mais ainda de montá-los. Elas ficam horas e horas cavalgando entorno da fazenda. Sendo garotas normais e apreciando a Natureza e a simplicidade da Vida no campo. O trio não tem medo de trabalho pesado. Afinal, elas foram criadas dessa maneira. A maior conquista delas foi a pequena fábrica de queijo que retiram a sua renda para “brincar” de investigadoras do Paranormal nas horas vagas.

Maria Helena, a de verde; Maria Luisa, a de amarelo; Maria Rose, a de rosa; não procuram fazer ou utilizar os seus dons paranormais ali. A fazenda é um território livre de Paz e Tranqüilidade.

Só que neste dia, as coisas serão um pouco diferentes...

Um furgão negro surge no horizonte, levantando poeira às duas horas da tarde e as trigêmeas estavam almoçando em suas respectivas marmitas.

– Ninguém merece... – comenta Maria Helena.

– O que foi, irmã? – pergunta Maria Rose com preguiça de usar a sua telepatia.

– Nossos colegas... – decreta Maria Luisa curiosa e confirmando a descoberta de sua irmã vestida de verde.

– Será que ninguém respeita um dia de folga?! – desabafa Rose.

O trio continua a almoçar tranquilamente esperando o furgão que se aproxima uns seiscentos metros de distância.

Depois de quinze minutos, o furgão chega ao haras onde estão as trigêmeas. As garotas se levantam e se alinham uma do lado da outra quase de uma forma coreográfica de braços cruzados e expressão séria.

Em seguida, saem quarto pessoas, as bruxas Magali e Irene, Oscar Branco e uma garota desconhecida que parece uma nerd de óculos e baixinha.

– Fazenda enorme... – comenta Oscar. Não sabia que são ricas.

– Não somos! – bradam o trio em uníssono. Trabalhamos a Vida toda para manter a nossa Paz! – completam.

A garota nerd de óculos fica impressionada com a performece do trio.

Foi antipatia a primeira vista, pois as trigêmeas leram a mente da desconhecida.

– Oscar... Por que trouxe essa garota? – pergunta Helena tratando de fingir humanidade ou, pelo menos, normalidade.

– Ora... Eu contei sobre a gente para ela. Sabe como são as mulheres... O namorado cercado de lindas garotas... – ironiza o acadêmico.

O trio cerca a garota.

– Senhorita Mirian Lott não gosta de você e está pouco se importando se está com outras mulheres ou não... – diz Helena.

– O que importa para ela é o fato de sustentá-la financeiramente e ter acesso aos seus computadores. Este sim, o seu verdadeiro Amor... – completa Luisa.

– Além de ser uma criminosa vigiada pela Interpol por crimes de informática e desfalques bancários. Não queremos este tipo de gente aqui, no nosso Paraíso. – liquida Rose.

Depois de ouvir isso, Mirian começa a se encolher abraçando a si mesma e uma lágrima escorre em seu rosto.

– Eu sei disso, garotas. – revela Oscar. Ela é útil para mim. Não precisava humilhar a garota.

Maria Helena vira-se o rosto para Oscar.

– Você não tem idéia do que ela pensou de todos nós. – revela a garota vestida de verde. Ela está assustada, mas não arrependida.

Neste momento, a garota de óculos explode:

– Quem são vocês para me julgar?! – grita. Sim! Eu abusei dos meus talentos e aproveitei deles, mas li a ficha de históricos de todos aqui e vocês fizeram o mesmo que eu! Quem é a mais falsa aqui?! – diz a baixinha de óculos apontando uma das trigêmeas.

– Fizemos o que fizemos para manter a nossa Paz. Alteramos as memórias do povo daqui para viver a nossa Vida com tranqüilidade. – retruca Maria Rose.

– Tem diferença? – questiona. É ético?! É correto?! O ponto crucial é que os talentos de vocês lhes dão asas, o meu, tem que se enfiar na lama. Eu fui pega por minha sujeira. E vocês?

As trigêmeas lêem as memórias da garota de óculos e descobrem que tudo que fez foi para preservar a sua família e desenvolver os seus dons e talentos. Foi criminosa, sim! Mas pela sedução do Poder e a ilusão da impunidade do que por maldade. Atualmente, ela faz o que faz para se manter- se útil e sã.

– Entendemos a sua posição, mas não espere confiança de nossa parte. – diz Helena.

– Nunca quis ser amiga de vocês mesmo... – desdenha Mirian.

As Bruxas aplaudem.

– Terapia de grupo no primeiro encontro. Estou chocada! – ironiza Magali.

– Cala a boca!!! – berram em uníssono as trigêmeas e a nerd de óculos.

Horas mais tarde, o grupo resolve descansar e jantar na fazenda das trigêmeas. Mesmo com a relutância das irmãs psiônicas, a tradição de “boas vindas” dos pais das mesmas e certa curiosidade dos responsáveis das trigêmeas sobre a atividade das filhas falou muito mais alto.

O jantar se tornou um misto de boa alimentação e momentos indigestos.

– O que as minhas filhas fazem em sua instituição? – pergunta diretamente o pai das garotas.

Um momento de silêncio, mas uma discussão telepática intensa envolve os membros da Fundação Enigma. Logo, Oscar dá o seu veredicto.

– Suas filhas são consultoras. – responde. Estudamos sobre animais peculiares em várias partes de nosso país. – ao dizer isso, Oscar enfia um pedaço suculento de carne em sua boca.

O homem de cabelos grisalhos, 55 anos, corpulento, atraente e muito bem conservado, não se convence muito, porém a sua resposta foi satisfatória.

– Eu gostaria que elas fizessem uma faculdade. – comenta a mãe delas suspirando ao cortar uma folha de alface.

Outra discussão telepática. Dessa vez, foi à fez de Magali responder:

– Eu sou uma professora universitária e pretendo convencê-las a entrar numa faculdade de Agronomia. Só estamos escolhendo a melhor e mais próxima de sua fazenda, senhora Prata. – explica a Bruxa. Pode passar a salada? Está uma delícia!

Os olhos da mãe das trigêmeas brilham. O seu cabelo castanho preso em forma de rabo-de-cavalo, os seus olhos claros, de aparência muito mais jovem que o seu marido e muito bem conservada, sorri feliz da Vida ao ouvir isso.

– Claro, querida! – e a mãe das meninas a serve.

Mirian fica em silêncio, pois a última vez que jantou em família foi antes de ser intimida pela Interpol. Depois disso, nunca mais ela conseguiu jantar com os seus pais dessa forma. É um misto de dor e saudade. A garota fica mastigando em silêncio e tentando conter as lágrimas.

De súbito, sem aviso, Irene pergunta:

– O que vocês sabem sobre Criptozoologia?

Foi como uma bomba estivesse explodido no meio da mesa de jantar.

– Uma tolice. – decreta o pai das trigêmeas. É o estudo de animais que não existem ou supostamente existiram numa época que não é determinada. Pode até ser fascinante, mas não dá futuro em termos práticos. Por isso que acho é uma perda de tempo.

As trigêmeas ficam furiosas, pois ficaram horas discutindo com o seu pai sobre estranhos seres que existiram no Planeta e a Criptozoologia é o ramo a ser considerado como pesquisa.

Magali, fria como gelo, responde:

– Justamente sobre disso que consultamos as suas filhas. Elas, como conhecedoras profundas neste assunto, estudam em loco estes animais. Quanto mais elas conhecem, mais percebem que a Biologia é mais fascinante, porém deve ser tratada como hobby e não uma forma de ganhar a Vida. — e Magali enfia um grande pedaço de carne na boca e mastiga com vontade.

Os pais das trigêmeas não comentam mais nada. As palavras de Magali é um balsamo de razão nas fantasias ideológicas típicas da juventude. O que faz a Paz reinar em absoluto naquela mesa. Os responsáveis das meninas ficaram menos preocupados com a possibilidade de ter uma pessoa que quer pôr um pouco de “juízo” nas garotas.

Depois do jantar e a ausência dos pais das trigêmeas, o grupo retira as mascaras naquela biblioteca para os verdadeiros assuntos da Fundação Enigma.

– Depois de estarem alimentados e descansados, vamos aos negócios! – decreta Maria Helena. Os nossos “lideres” ocultos querem que recuperemos uma folha de um livro mágico? É isso? – questiona.

Mirian não fica acostumada com as capacidades telepáticas das trigêmeas. Para Oscar e Magali é um alivio não ter que resumir a História toda.

– É. – diz Oscar. A minha “namorada” foi à responsável pela localização da tal folha.

– Imagino que o motivo de pegarmos a folha e negociamos com o verdadeiro colecionador. – comenta Maria Luisa.

– Não é só isso. Queremos extorquir o máximo de informação do manuscrito. – comenta Magali.

– É impressão minha ou essa missão é mais perigosa do que a anterior? – pressente Maria Rose.

Ambas ficam em silêncio, pois Magali e Oscar sabem com quem estão mexendo e é realmente perigoso.

– Nyarlathotep é o proprietário do livro “O Jardim do Caos”. – revela Mirian sem esperar a leitura mental das trigêmeas e procurando “quebrar” o encanto daquela conversa oculta e sobrenatural. No século XIX, uns ocultistas ingleses conseguiram partes de um manuscrito de 200 páginas chamado “O Jardim do Caos”, que trata de anotações pessoas de uma entidade conhecida como o “Caos Rastejante” e Rei do Povo das Sombras. Esta entidade criou este “Grimório” para uma de suas amantes humana, Joanne D’Lambert, uma satanista notória e morta pela Inquisição. O livro foi confiscado pela Igreja Católica Romana e acabou sendo roubado pelo “Povo das Sombras”, só que, por razões desconhecias, o livro foi despedaçado e espalhado por toda a Europa. – Mirian dá uma pausa em sua explicação.

– Algumas páginas foram para nas mãos desse grupo ocultista do século XIX. – continua a Hacker. Não é preciso dizer que todos foram mortos ou enlouqueceram. Atualmente, a última página está escondida numa residência que ninguém sabe onde fica. O Povo das Sombras está a procura, a serviço do seu mestre. – conclui a garota.

As trigêmeas ficam entediadas, mas gostaram da forma que Mirian narrou a História.

– Então estamos à procura de uma página de um livro que não temos idéia como é e contra um “povo” que supostamente não existe? – resume as entrelinhas Maria Luisa.

Mirian odiou este tipo de invasão mental das trigêmeas.

– Pode ser que o “Povo das Sombras” seja uma lenda. O problema que a sua ligação com Nyarlathotep. O sujeito é um dos membros ativos do Panteão dos Mitos de Cthulthu. Segundo informações acadêmicas, tanto o “Povo das Sombras”, quanto “Nyarlathotep” sejam invenções, ou seja, Lendas Urbanas. Como a Loira do Banheiro e etc. – explica Magali. Todas sabem que os Mitos de Cthulthu é uma invenção do escritor americano Howard Phillips Lovecraft. E o “Povo das Sombras” é uma ilusão provocada por uma alucinação noturna. Mais bizarro ainda e a ligação entre si. – e dá uma pausa.

– Se me contassem há alguns meses atrás sobre uma conspiração entre o “Povo das Sombras” e o “Caos Rastejante” por causa de uma folha de um livro manuscrito por um personagem descrito por um lendário escrito americano, eu diria a essa pessoa que precisa se tratar... – ironiza Oscar.

– E agora? – debocha a bruxa.

– Depois do Quarto Alienígena? Não duvido de mais nada. – decreta Oscar.

Todos ficam em silêncio. Logo esta calmaria é quebrada com uma pergunta da pessoa mais improvável de fazê-la.

– Alguém sabe onde está o manuscrito? – pergunta Irene com uma expressão mais inocente do mundo.

– Boa pergunta. – observa a sua parceira Magali.

Os olhos se voltam para Mirian, a qual fica surpresa com tanta apreensão.

– O que foi?! Pensei que já soubessem. Afinal, as garotas super-poderosas ali sabiam de tudo! – ironiza a Hacker.

As trigêmeas dizem em uníssono quando querem impressionar as pessoas.

– Está num sítio abandonado há seis quilômetros daqui. Agora entendemos o motivo da vinda de vocês aqui. – diz as três ao mesmo tempo.

– Amanhã de manhã iremos lá, pois odeio visitar um lugar Mal-assombrado durante a madrugada. — diz Oscar.

O Sol nasce na fazenda Véu de Flores, pois o nome do município é Vale dos Lírios. O Galo costuma cantar no mesmo horário e os habitantes do lugar são despertos por ele. As Trigêmeas fazem os seus afazeres domésticos. Já o restante do grupo ainda dorme.

Sete e quinze da manha, Magali desperta e segue em direção do banheiro. Depois de lavar o seu rosto e ajeitar o seu cabelo, a professora caminha no quarto e escolhe as roupas no armário e escolhe roupas mais simples, como camiseta, uma bermuda larga e chinelos, o mais extraordinário...

Ela fugiu do seu tradicional negro.

Cambaleando, Magali chega até a cozinha. Senta-se no espaço reservado para o desjejum fica olhando para uma das trigêmeas preparando o café.

– Gosta de acordar cedo? – pergunta a garota.

– Eu queria ter disciplina de madrugar... – inveja Magali.

– Não é disciplina, é hábito! – decreta.

– Desculpa. Qual das três você é? – pergunta a bruxa.

– Helena, a verde. – e aponta para o avental esmeralda.

–Você nunca teve a vontade de trocar de identidade com uma de suas irmãs? – pergunta Magali curiosa.

– Já. Mas a telepatia estraga esta vontade. – explica. Como sei o que as minhas irmãs pensam essa curiosidade míngua. Entende? – e põe a xícara branca diante da bruxa.

– Claro. Obrigado. – agradece.

– Como é Irene? Por mais que nós três tentamos, não conseguimos ler profundamente a Mente dela. – observa a trigêmea.

– Se vocês não conseguem, imagina eu... – desabafa. Às vezes, aquela garota me dá arrepios... Irene não é má pessoa, mas acho que ela tem medo de nosso mundo. E não confia totalmente nele ou nas pessoas que nele vivem. – e aceita o café oferecido por Helena.

– Dá impressão que você é a mãe dela, mas ela é muito mais poderosa que você. – observa a trigêmea.

Magali sorri.

– Não é impressão, são fatos. Não gosto de admitir, mas ela é muito mais poderosa do que eu. Apesar disso, sou uma espécie de “mãe” dela. Sou “obrigada” a cuidá-la. Afinal, fui eu que a tirei do seu repulso secular e obriguei a viver neste século bizarro. Não estranho ela ficar desconfiada e retraída. – conclui a bruxa.

Helena, servindo um cesto de torradas e pães, comenta séria:

– Eu fico, ou melhor, nós ficamos surpresas por não conseguirmos ler, como profundidade, a Mente dela. É como entrássemos num Mar de Sargaços, entramos, mas é difícil navegarmos nele. – explica.

– Nossa! – exclama Magali.

Depois de alguns minutos, surgem Oscar e Mirian com aquelas rostos destruídos pelos lençóis da cama.

– Bom dia! – cumprimenta animosamente Helena.

Uma dupla de grunhidos foi a resposta do casal.

– Noooossa... Como estamos dispostos hoje. – ironiza Magali antes de dar uma dentada em sua torrada com geléia.

A dupla se serve com certa lentidão, mas com vagarosidade. Aos poucos, os olhos dos recém chegados volta a ter o brilho do mundo dos despertos.

– Delícia de bolo... – comenta Mirian.

– Obrigada. –responde Helena. Fui eu que fiz.

As bocas cheias impedem um dialogo mais extenso.

Depois de quinze minutos, surge Irene. Os seus cabelos roxos, olhos semicerrados e com o rosto úmido devido a uma lavagem apressada, a amiga de Magali senta-se ao lado de sua “tutora”.

– O que você quer? – pergunta Magali com carinho.

– Quero frutas... – pede de uma forma manhosa.

Para surpresa do casal, a bruxa pega várias frutas, descasca e corta em cubinhos numa tigela. Parecia uma mãe mimando a sua filha. Depois de pronto, Irene pega um garfo e começa a comer.

Oscar e Mirian estranham a atitude. A tentação de fazer piadas a respeito se esvai quando Irene faz um gesto que faz o vidro de Mel flutuar em sua direção. Outro gesto, o Mel sai do vidro e faz desenhos abstratos no ar, no final o Mel mela as frutas uniformemente.

Agora o casal entende o motivo do paparico.

Depois de consumirem os seus desjejuns o grupo de agentes da Fundação Enigma se reúne na frente da casa principal da fazenda das trigêmeas.

O grupo composto pelo casal Oscar e sua namorada Mirian, as bruxas Magali e Irene e as Trigêmeas. Além de um funcionário da fazenda que se prontificou a levar todos e seus equipamentos para o sítio numa picape, também foi alugado uma van para transportar todos.

– O sítio Suaviter foi abandonado há muitos anos, misteriosamente tem os seus impostos pagos só para o terreno não seja leiloado. – diz Mirian lendo o seu laptop. Em todos esses anos, ninguém viveu lá, exceto a sua antiga proprietária, Dona Francisca Benta., que viveu lá até a sua Morte. Não possui herdeiros conhecidos, mas era um refúgio para supostos netos que a visitavam. Talvez sejam eles que estão pagando os impostos... – conclui a Hacker.

Magali dá nos ombros.

– Conheço esta história. Deve ser uma sede de alguma seita maluca. – especula a Bruxa vestida de negro.

– Eu conheci aquele sítio quando era criança, mas os meus pais me proibiram de ir lá. – comenta Maria Helena.

– Aquele lugar era um parque de diversões, mas era muito estranho. As crianças diziam que, quando brincavam lá, voltavam para casa muito cansadas, porém insistiam em retornar. – relembra Maria Luisa.

– Com os anos, aquele lugar foi sendo pouco freqüentado. Logo, a Dona Francisca faleceu e fecharam de vez o lugar. Estranhamente, algumas pessoas cuidam do Sítio, mas ninguém vive lá. Todavia, há boatos que o “Fantasma da Dona Francisca” assombra o lugar. – completa Maria Rose.

– Adoro Historias de Fantasmas! – ironiza Oscar Branco. Vamos logo procurar esse manuscrito naquele lugar e terminar logo com isso. – ordena.

Magali não perde a oportunidade de alfinetar o seu rival.

– Tá com medinho do Fantasma puxar a sua perninha de madrugada? – debocha a professora.

Direto e sem papas na língua o acadêmico disparou:

– Tô! Tô com medo! É daí? – retruca Oscar.

Magali debocha:

– Seja homem! As suas coleguinhas de trabalho vão defendê-lo contra o fantasma do Mal. – diz a bruxa fazendo biquinho.

Oscar cruza os braços.

– Vocês têm poderes, eu não! Espectros e coisas do além não é a minha praia. Quer saber? Vamos logo para este sítio que estou ficando cansado de ficar por aqui! – decreta o acadêmico.

Todos os membros da Fundação Enigma entram na van alugada.

Depois de quarenta minutos de viagem, o grupo chegam ao sítio Suaviter. Passados trinta minutos, os equipamentos são desmontados diante da casa principal do sítio. O grupo fica diante a entrada.

– Chegamos! – diz o óbvio Magali.

– Lugarzinho estranho... – comenta Mirian. Parece abandonado e ao mesmo cuidado.

– Deve ter um caseiro... – diz Oscar usando a sua lógica.

A casa principal do sítio é coberta de plantas. Sejam nas paredes, nas colunas e nos vasos. Mesmo fechada tantos anos, não há indicação de abandono. A varanda é espaçosa, mas cheia de plantas de todos os tipos, sejam arbustos como plantas ornamentais, como orquídeas ou plantas carnívoras. Ervas de todos os tipos. Tanto que Irene identificou uma planta em especial.

– Visco... Interessante... – balbucia a garota de cabelo roxo.

Todos ficam surpresos pela garota falar alguma coisa. Ela raramente fala.

Surpresa maior foi quando uma voz feminina surge atrás de Mirian.

– O que fazem aqui? – pergunta.

O grupo se assusta na hora.

Todos se viram na direção da pálida voz.

Era uma mulher de trinta e poucos anos, de vestido estampado verde e sem mangas, tipo alça. Os seus cabelos negros e longos. Olhar profundo e sem expressão. Ela usa galochas e uma vassoura.

O mais incrível ocorre a seguir.

– Somos um grupo de investigadores contratados pela Fundação Enigma. Será que poderia nos indicar onde está o manuscrito do “Jardim do Caos”? – questiona Irene com desenvoltura e sincera para uma completa desconhecida.

Todos ficam sem ação, exceto a estranha mulher que responde para Irene.

– Sim. Porém vou anunciá-los a nossa líder. – diz a mulher com a pele branca como cera.

Depois que ela parte, Irene é cercada por seus colegas indignados por revelar toda a missão para uma estranha.

Com toda a calma do mundo, Irene responde:

– Vocês não saberiam identificar uma fada há um metro de distância. – censura. Aqui é um Jardim da Arcádia, Terra de Fada. O local inteiro é composto por Magia Élfica. Na minha época, encontrar um local desse era como achar um tesouro. Porém deve-se ter muito cuidado. Tentar enganar o Povo das fadas é condenar todos nós a Morte. – explica Irene.

– Aqui é que nem na Disney? Se não acreditar nas Fadas, uma Fada morre? – pergunta Mirian de uma forma quase infantil.

Fazendo uma expressão de indiferença, Irene responde a sua maneira a indagação da Hacker.

– Não sei que tipo de tolices as pessoas desta época acham das fadas. Suas crenças não têm nada haver sobre a existência desses seres. Todavia, sei que são criaturas que extraíram as suas essências de criaturas de imenso poder. – diz Irene séria. Todo cuidado é pouco em relação ao Povo da Terra ou Elementais. Na minha época, Fadas seqüestravam crianças para comer as suas carnes e depois transferiam as suas essências ou almas para renascerem como frutas de Visco. Assim mantinham a população das Fadas. – discursa Irene.

– Fada morre? – pergunta Maria Helena, uma das trigêmeas.

– Sim. Depois de mil anos ou simplesmente são levadas ao Inferno para gerar mais demônios. Antes que perguntem, por quê? Existe um acordo entre as Fadas e Lúcifer, o Senhor do Inferno, sobre um “salvo-conduto” de Arcádia, a qual nenhum Ser das Trevas pode pisar em Terra Élfica. – explica a bruxa de cabelo violeta.

Magali bate a mão na cabeça.

– Claro! Nyarlathotep é o Senhor das Sombras, por tanto um Ser das Trevas, então não pode entrar em território de Fada! Aqui é um lugar perfeito para esconder manuscrito. – conclui a Bruxa de Negro.

Irene olha para a sua colega com indiferença.

– Pode ser... Porém, pressinto problemas... – diz Irene parecendo cansada por falar tanto.

De súbito, a mulher vestido verde reaparece do nada. Novamente, atrás de Mirian e dá um gritinho de susto.

– Sigam-me... – pede a mulher.

Oscar não resiste a tentação e faz uma piadinha para a sua namorada.

– Parece que ela gostou de você...

Algumas palavras pouco polidas saem dos lábios da hacker para o acadêmico.

Magali tenta conter a fúria de Mirian e censura a respeito da falta de educação em território Élfico.

A guia do grupo ignora completamente o que foi dito ali.

A estranha mulher de vestido verde conduz o grupo para o interior da casa principal do sítio. No salão de entrada, não tem móveis, só pinturas estranhas que lembram um alfabeto rúnico nas paredes com papéis de parede rasgados. Apesar do aparente abandono, o local é limpo quase não tem sujeira ou poeira.

Depois de um tempo, o grupo atravessa um corredor, logo chegando em um local amplo e imenso, maior que a parte externa da casa. Este local está cheio de crianças nuas deitadas como estivessem dormindo. Ao fundo há uma espécie de Trono. Há uma trilha livre entre as crianças em direção do Trono.

– Aconteça que acontecer... Não pise nas crianças. – recomenda a mulher de Verde.

A maioria do grupo fica estarrecido com esta visão das crianças deitadas e todas tem orelhas pontudas.

– Jesus Cristo... – balbucia Mirian.

– Não diga este nome aqui. – censura a mulher que guia o grupo. Muitas fugiram Dele...

Súbito uma criança acorda e ameaça Mirian como fosse um bote de uma serpente. A sua aparência é medonha, todavia só fica na ameaça, pois a mesma volta a dormir.

Mirian fecha a sua boca com as duas mãos para que não diga mais nada.

Depois de alguns minutos de caminhada entre as crianças deitadas, o grupo fica diante do Trono. Naquele local não há crianças dormindo, elas formam um círculo vago e amplo em torno do Trono. Sentado nele, há uma mulher nua, de cabelos verdes que chegam até o chão de tão compridos. O seu corpo é belíssimo, mas os seus olhos sem íris e com humor vítreo totalmente verde. Orelhas enormes e pontiagudas, dentes de tubarão faz questionar a sua beleza.

– Então, são os representantes da Fundação Enigma? – questiona a criatura sentada no Trono. O que querem com o manuscrito?

Magali ficou surpresa com a falta de cerimônia da criatura. Normalmente, há uma praxe, um pedido de audiência, apresentação e etc. Quando há essa “ausência” sempre é péssimo sinal.

Mais uma vez, Irene toma a iniciativa, mas de uma maneira surpreendente.

– Quem és tu? – exclama a mulher de cabelo roxo. Onde está o título e dignidade dos Thuata De Danann? – desafia.

A criatura fica de pé. Furiosa, o ser respira fundo, cerra os olhos e declama a apresentação.

– Sou a Marquesa Dente de Leão, condutora do tributo do Submundo e prima do grande Sithe, Sol Verde, e detentora do Quarto Céu cinzento e das pétalas de Margarida. Manticoria Aturias, ao seu dispor... Satisfeita? – e faz uma reverencia com a mão direita.

A Bruxa de Negro sabe o perigo que corre por está diante de uma criatura como uma Manticore. Além do mais, este é um serviço que nenhuma Fada quer fazer. A entrega dos seus pares as Potencias Infernais. Talvez seja por isso que ela tenha tantos títulos.

– Obrigada! – agradece Irene. Poupo-te de nossas apresentações, pois a Excelentíssima Senhora, Dona Aturias, Marquesa Dente de Leão, já tens ciência de quem somos e a que viemos. Vou repetir a minha pergunta. Gostaria de saber se o manuscrito do “Jardim do Caos” está em seu poder?

A Manticore se senta e dá um sorriso debochado.

– E se estiver? O que farão? – pergunta a criatura de cabelos verdes.

Direta, Irene responde:

– Vou livrá-la deste fardo. O levarei comigo. – diz corajosamente.

A criatura fica em silêncio. Coça o queixo. Olha fixamente para Irene e de súbito retira o pergaminho amarrados em fios prateados fazendo-o num tubinho de papel de suas costas. Surpreendemente, a Manticoria joga o pergaminho nas mãos de Irene. A mulher de cabelo roxo o segura com cuidado.

– Ele é todo seu... Podem partir. – decreta.

– Obrigada! – agradece a bruxa de vestida de retalhos.

– Não agradeça. – diz a Manticora. Os seus problemas estão apenas começando. – prevê. Vão! – ordena.

Silenciosamente, todos os presentes repetem o gesto de Irene, inclinam-se como os Japoneses e viram se para a saída sem olhar para trás.

Mirian tem aquela curiosidade feminina e tenta dar uma olhada de canto de olho. Numa fração de segundo, a Manticora a encara com os seus olhos assustadores e quase mordendo o seu pescoço.

“Vem menina... Seja imortal comigo... Sinta os meus dentes em sua carne...” Sussurra em seu ouvido.

Irene sussurra alguma coisa e a visão assustadora desaparece.

Depois a bruxa de roupa de retalhos se aproxima da Hacker e conversa bem próxima dela. Quase ninguém consegue ouvir o que foi tido.

– Eu vou te dar um conselho de Vida... Quando terminar uma tarefa ou executar uma missão, nunca olhe para trás. Senão aquilo vai te assombrar para sempre. Seja na Magia ou na Vida. – e Irene bate no ombro da garota.

Mirian sente o seu corpo todo tremer.

Depois que o grupo é conduzido para fora da residência, eles constatam algo inesperado e aterrador.

– Maldição! Já é noite!?! – exclama Oscar.

– Parece que sim. – diz Magali. Acho que caímos numa armadilha. A entrega do pergaminho, a facilidade das informações, o fato de estar de noite. Muitas “coincidências”, não acham? – questiona a Bruxa de Negro.

– Acha que estamos sendo usados pelo próprio Nyarlathotep para conseguir a última folha do seu livro? – pergunta Oscar para negar em seguida. Não creio! Ele teria que ter informações privilegiadas dentro da Fundação Enigma.

Magali arqueia uma das sobrancelhas e cruza os braços.

– Quem são os nossos líderes secretos de nossa organização? – pergunta a Bruxa de Negro. Você sabe quem são os verdadeiros Chefes da Fundação Enigma? Quem garante que foi o próprio Nyarlathotep que nos enviou para esta missão?

Todos ficam em silêncio.

De súbito, a pessoa mais improvável de propor alguma coisa surge com uma idéia ousada e inesperada.

– Eu tenho um plano. – diz Irene com um sorriso maroto nos lábios.

No meio da Floresta e da escuridão, criaturas negras se esgueiram entre as sombras das árvores, contrastando com o brilho do luar. São centenas de sombras circulando de um lado para outro, no centro do Caos das Trevas, uma silhueta de um homem de chapéu e brilhantes olhos vermelhos caminha na trilha aberta no meio da mata por seus auxiliares espectrais.

O seu nome é Nyarlathotep, o Caos Rastejante.

O Deus Antigo, talvez o mais antigo que o próprio planeta Terra, mas devido a sua condição limitada imposta por uma Guerra entre entidades, a sua divindade foi legada a um exílio neste pequeno Planeta azul. Isto não quer dizer que esteja enfraquecido, mas só acorrentado.

O Antigo rasteja pela mata. Ele não tem pés, mas uma complicada rede de pequenos tentáculos que lembram pseudópodes de protozoários. Todavia, a silhueta é humana. Como um homem de sobretudo e chapéu estilo dos anos 40 ou 50. Depois de rastejar com desenvoltura durante minutos, Nyarlathotep chegou o seu Destino.

A fronteira do Sítio Suaviter.

Diante dele estão os membros da Fundação Enigma que entraram em contato com a Manticore. O Caos Rastejante os encara em silêncio, o seu único gesto foi estender a sua sombria mão negra.

– Antes de receber o seu prêmio, Senhor. Gostaríamos de ver o livro “O Jardim do Caos”. Será a nossa forma de pagamento por arriscar as nossas Vidas. – diz Magali com toda a calma do mundo.

O Antigo não está de bom humor...

– Petulante. – diz aquela voz inumana e cavernosa.

Como num passe de mágica, o pesado livro negro flutua no ar.

– Posso lê-lo? – pergunta a Bruxa de Negro. Sabe como é... Nunca mais em minha existência terei uma oportunidade como essa. – justifica-se.

Ouvi-se um rugido e grunhidos em toda a floresta em volta do grupo. Algo assustador mesmo, mas as Bruxas estavam tranqüilas. Lentamente, o livro pousa nas mãos da feiticeira.

– Nossa... Então este é um livro escrito por um Deus. Incrível! – Magali folheia o verdadeiro dicionário por causa de sua grossura de páginas. Obrigada. – e coloca o grimório debaixo do braço e começa a andar na direção oposta do ser de silhueta negra.

– Não está esquecendo-se de nada? – pergunta a criatura com uma voz de puro ódio.

– Não. Eu estou roubando o livro de você. – diz corajosamente a Bruxa. É o preço por manipularmos e usar a nossa instituição para os seus propósitos escusos. Além do mais, você não pode por os pés em território das fadas. É o acordo que fez, não? – e ai a mulher dá um sorriso triunfante.

Cria-se um silêncio tenso.

De súbito, uma risada medonha ecoa por toda a floresta. Todos os seres das Trevas gargalham inclusive Nyarlathotep.

Ninguém da Fundação Enigma entendeu até o Antigo começar a explicar de uma forma estranhamente calma.

– Humanos... Vocês me divertem. – diz aquela voz potente. Acha mesmo que sou uma potência do submundo deste planetinha? Não sou um rebelado do Demiurgo ou demônio qualquer... Sou um Antigo, eu existo antes dessa estrela, que vocês chamam de Sol, sair de sua Nebulosa. – vangloria.

– Por que não entra no terreno? – pergunta Magali desafiadora.

– Por que não olha para os seus pés? – pergunta a criatura.

Quando a mulher olha para os seus pés, constata que uma substância negra envolveu todos os seus tornozelos.

– Deusa... – balbucia.

– Não, a Mim. – retruca o Antigo.

Em segundos, todos os membros da Fundação Enigma são envolvidos por tentáculos negros. O grupo se contorce.

– Tolos! Acharam mesmo que Eu seria tolido por regras deste planeta miserável?! Eu sou o CAOS! Jamais obedeceria alguma regra. Está em minha essência. Eu só não tomei o manuscrito das mãos de Aturias porque ela é uma de minhas amantes. Só não queria chamar a atenção dela pelo valor sentimental que possuo pelo manuscrito. Por isso que controlei os seus mestres, usando os meus servos para enfeiticei-los durante as suas horas de sono. – explica.

– Desgraçado! – balbucia Magali.

O Antigo se aproxima da Bruxa. Quando fica diante da mulher, a silueta de uma mão negra acaricia o seu rosto.

– Obrigado... Será um prazer estuprar todas estas fêmeas. Já o rapaz... – e o rosto negro se vira em direção de Oscar. Quando quiser variar um pouco... – e ri.

O acadêmico sente um frio na espinha.

A palavra estupro provoca uma fúria medonha em Irene. A força a trazer lembranças de um passado que ela mesma que esquecer.

A Bruxa de cabelos roxos começa a dizer um dialeto estranho e o seu corpo se transforma. A sua pele fica azul e um novo par de braços sai de suas axilas.

Depois de transformada, nenhum tentáculo negro consegue tocá-la. Nyarlathotep se vira em sua direção e fica surpreso.

– Uma ariana? Pensei que só existisse uma neste planeta... – exclama o Antigo.

A pele azulada começa a ser marcada por riscos dourados que queimam as roupas da Bruxa de cabelos violeta deixando-a completamente nua. Depois que os riscos fazem uma mandala corporal, a mulher de quatro braços começa a dançar. Os seus passos e gestos fazem o seu corpo inteiro brilhar.

– Que linda... – balbucia Nyarlathotep ao ver a Dança.

Irene continua a sua Dança.

Então, uma espécie de abertura rasgando a Realidade e saindo dela, um língua ou lesma, na verdade não se sabe ao certo. O fato que esta coisa de outra dimensão envolve o corpo de Nyarlathotep. Com força, a língua começa a puxá-lo de nossa dimensão. O Antigo grita à medida que os seus pseudópodes são rompidos da Terra.

Um sinistro cabo-de-guerra entre as criaturas inicia-se. Durante minutos, a língua cor-de-carne e uma lesma negra lutam para vencerem. Todavia, a criatura advinda de outra dimensão começa a vencer a resistência do Caos Rastejante.

Aos poucos, os membros da Fundação Enigma são libertos de suas prisões tentaculares.

Logo, o que resta é uma tira negra lutando desesperadamente para escapar da outra dimensão. Num último ato, a tira se torna uma bocarra esticada e berra:

– Eu vou me vingar!!! – e desaparece de nossa dimensão aos berros.

Depois que o ser das Trevas desaparece, Irene volta a sua condição humana. Sem riscos dourados, pele azul ou membros superiores adicionais. A bruxa de cabelos roxos cai desacordada, complemente nua e deitada no chão.

Magali corre em sua direção e alisa o seu rosto agradecida e preocupada.

– Obrigada! Obrigada! – diz a bruxa de negro quase aos prantos.

– Mamãe... – balbucia Irene.

Uma lágrima escorre do rosto de Magali.

– Vou te proteger para sempre, filha. – escapa dos seus lábios.

Oscar caminha um pouco atordoado e acaba achando o livro “O Jardim do Caos”. Em seguida, o acadêmico segura o pesado livro e a leva para as Bruxas.

– Isso é de vocês. – diz o rapaz entregando o livro para Magali.

A mulher de negro recebe o pesado livro e agradece.

Mirian pega um celular e liga para a fazenda das Trigêmeas.

Numa colina próxima dali, uma criatura sombria observa o grupo da Fundação Enigma, então a figura sombria de Nyarlathotep aparece ao seu lado.

– Senhor?! Pensei que estivesse em outra dimensão? – questiona a sombra.

– Estava. Porém quando Azathoth soube que era eu, devolveu-me imediatamente para o meu exílio neste planeta nojento. – responde.

Uma pausa. Ambos olham uma picape chegandoao local onde está o grupo da Fundação Enigma.

– Então? Vamos atacá-los agora, Mestre? – pergunta a sombra.

A resposta é imediata.

– Não! Quero estudá-los. Eu estou muito interessado na garoinha de cabelos violeta. Ela é humana, mas foi discípula de um Ariano. Quero ver o encontro dela com a minha conhecida. Depois eu penso num plano para vingar-me... – diz o Antigo.

Depois de um silêncio, Nyarlathotep diz sussurrado para si mesmo.

– Delícia de boneca... – e lambe os seus beiços.

Notas finais
Fim do capítulo três.