Fumetsu no Ai
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Eu acordei com aquela sensação ainda impregnando meu corpo. Meus lábios tremiam ao lembrar-me do beijo.
Meu corpo estremecia ao lembrar-me do toque dele. Era como se tudo.. Como se o meu mundinho começasse a girar em volta de mim e do meu futuro marido. Mas o que me perturbava era como eu ficava desse jeito só por um beijo. Céus, estaria eu maluca?
Não duvido... Realmente... Maluquice seria o primeiro passo para a paixão ou para o amor que eu sentiria depois. Mas sim... Ele nasceu exatamente depois daquele beijo.
Levantei-me antes de todos e fiquei no jardim, olhando as flores. Estava tranqüila e ao mesmo tempo radiante, pelo menos por dentro. A alegria do dia anterior ainda vivia em meu ser como se houvesse impregnado dentro da minha pele, como as lembranças dos momentos que não paravam de passar como um filme na minha cabeça.
Suspirei.
Peguei delicadamente uma flor branca do jardim – com cuidado – e a fitei, como quem esperava que a flor respondesse.
-Vocês flores são seres tão belos... Ele me comparou a uma flor. Isso me alegra. Me faz pensar que posso ser bonita como vocês.... Mas às vezes penso que minha beleza tão infantil não pode ser comparada a beleza de uma flor adulta.... Será que vou realmente desabrochar?
Falei baixinho, como se fosse um segredo entre a flor e eu.
Sim, era um segredo.
Um segredo que só nós duas saberíamos.
Caminhei sem rumo pelo jardim de casa. Logo todos levantaram e fomos tomar café. Tudo parecia normal, apensar de eu conter minha alegria para não deixar meu pai zangado. Além dele não saber que eu e Len dormimos juntos na noite anterior, senão ia ficar realmente furioso.
Segundo ele: mulheres devem dormir separadas dos homens para que a família não seja mal-falada. Se isso tem lógica ou não, realmente nunca parei para tentar entender. Somente obedecia, como uma boa menina e filha, apensar de sempre desrespeitar essa regra “por debaixo dos panos”, junto com meu irmão... Claro... Não vou levar a culpa sozinha.
Quando terminamos o café chegou uma correspondência para papai. Simplesmente voltamos ao final do nosso café enquanto ele lia a carta. Depois de examinar o papel por alguns minutos, ele falou com voz firme.
-Rin. Você deve ir se aprontar imediatamente. Daqui a duas horas um encarregado da família Kamui vira buscá-la.
-Hai, Otou-san.
Terminei meu café e sai.
Minha sensação naquele momento: a mais pura alegria. Meu coração: palpitava de tanta felicidade. Eu realmente queria vê-lo novamente, eu precisava disso. Sim realmente.... céus como era possível isso tudo acontecer por somente um encontro??? Eu não entendia, ficava confusa, não sabia explicar ao certo. Não sabia se era bom o ruim.
Realmente eu não sabia!
Fui me arrumar. Minha mãe me ajudou a escolher um belo kimono. Este era de tom azul bem claro com alguns desenhos em amarelo claro.
Era lindo.
Meus foram penteados e adornados por uma bela presilha de flor de sakura.
Eu e sentia bonita. Sentia-me realmente bonita.
O tempo passou voando, afinal é demorada a arrumação de uma mulher. Sim realmente.
Logo, os encarregados vieram me buscar. Segui sozinha com eles para a mansão Kamui.
Pensava em como seria o local onde ele vivia, como seria seu quarto, seus moveis, se ele gostava de ler, se não gostava, enfim pensava em tudo.
Quando chegamos, não consigo descrever o tamanho susto que levei: Aquela mansão era extremamente opaca. Não tinha brilho, era melancólica, como que carregava uma grande tristeza. Por mais que fosse uma bela edificação era triste, e isso roubava seu esplendor e beleza.
A felicidade do meu coração apagou.
Foi preenchido, de súbito, por uma intensa tristeza e melancolia.
Os corredores aumentavam a minha tristeza e começava a me dar um medo esquisito. Um medo que nascia daquela tristeza, como se um demônio vivesse ali e quisesse me fazer mal, como se quisesse me devorar.
Um medo que nascia da tristeza e melancolia daquela mansão.
Fui deixada numa sala, um tanto escura. Era perfumada por incensos, mas isso não tirava a minha impressão, isso não diminuía meu medo. Cada barulho que eu ouvia, fazia meu coração disparar de susto.
Queria correr, fugir dali. Era doloroso.
Estava sentada no chão frio esperando Gakupo aparecer.
Ele realmente vinha? Será que ele realmente iria vir? Ou será que queria me testar de novo para ver se eu era capaz de suportar a tristeza e a melancolia?
Essas perguntas brotavam em minha mente, me deixavam mais confusa e com mais medo.
A porta abriu.
Um homem entrou. Vestia um kimono cinza sem muitos detalhes, seus cabelos roxos estavam presos. Ele se aproximou de mim, sentando-se na minha frente.
-Pelo visto já conhece a atmosfera melancólica e fria desta casa Rin.
Sua voz melodiosa invadiu meus ouvidos, eu o fitei sem dizer nada.
-Acho que este é o primeiro passo para entender o que existe dentro de mim. Foi aqui que tudo começou. Onde toda tristeza nasceu e onde ela deve morrer. Queria trazê-la aqui para que conhece-se um pouco de mim. Eu quero que você me conheça e em entenda como ninguém foi capaz. Isso será seu privilegio... Um privilégio que ninguém mais tem.
-Gakupo... – Foi à única coisa que fui capaz de falar.
-Mas você irá saber no seu devido tempo... Agora... Por favor, me deixe tocar a sua face... É o meu único consolo dentro deste inferno.
Eu consenti.
Ele me tocou a face – com a mão direita –, fazendo um carinho. Eu sorri meio acanhada. Gakupo me fitou com olhos ternos, então me puxou e me beijou, ao mesmo tempo em que me abraçava bem forte.
O beijo durou alguns minutos, depois ele colocou minha face contra seu peito e sussurrou.
-Vamos nos casar no final desta semana.... Por favor Rin.
Eu o fitei.
-Mas achei que isso já estivesse decidido... Não precisa perguntar a mim.
Ele me fitou.
-Mas eu quero a sua opinião! Quero uma pessoa que pense e não uma boneca que se cala para sempre. Quer casar comigo no final desta semana?
Fiquei surpresa, sem saber o que falar de inicio, depois gaguejei uma resposta.
-Ha.... Hai! Eu aceito.
Ele me abraçou com mais força.
Realmente não queria mais que Gakupo me soltasse, queria ficar assim para sempre.
Envolvida nos braços dele.... protegida. Sim... realmente. Esse era meu desejo. Ficar perto dele para sempre.
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