Fullgás.
4 Uma noite fria.
Notas iniciais

| Alguns meses depois |
Park sorriu ao lembrar-se desse dia. Todos amontoados em sua cama, onde fazia questão de se esparramar mais naquele instante, devido a calorosa lembrança. Yoongi virando um raio de luz ambulante e fingindo ser albino pelo simples fato de não querer admitir ser um completo imbecil descuidado. Acabou rindo mais ao recordar-se desse momento em específico. O "albino" era quem mais implicava com todos, mas também quem mais sofria com as pegadinhas do destino.
Aquele dia marcou um passo importante, se for analisar. Todos ficaram mais próximos, principalmente ele e Kookie. O dia dormindo juntos no sofá. Parando para observar bem calmamente, o moreno sempre deu indícios de que nutria sentimentos que iam além de uma singela amizade pelo ruivo. Pequenos e tão sutis que a percepção desses sinais foi tardia, se deu apenas agora, após uma profunda reflexão acerca da relação que ambos mantinham por parte do mais velho.
Ou talvez nem tudo fosse tão poético e enigmático. Talvez Jimin fosse apenas tapado mesmo.
Ao passar dos dias Jimin começava a notar mais e mais Jungkook. A sua beleza, seu jeito gracioso e meigo de ser. O mais velho então já era capaz de descrever detalhadamente cada parte que compunha a personalidade e aparência do moreno. Tal fato o irritava bastante, mas não era suficiente para inibir o surgimento de outras vontades tão antagônicas quanto se era possível.
Ao passo que a raiva de conhecer o mais novo tão intimamente crescia, a vontade de pegá-lo para si expandia-se também. O ruivo queria apertar, abraçar, morder e tudo mais que envolvesse um contato físico com o garoto. E o mais velho não media esforços para fazer o quê queria. Fazia questão de fazer tudo citado sempre que visse o Jeon, todos os dias.
Bem, quase tudo o que queria.
O garoto por vezes irritava-se com as ações de Park. Sentia-se aquelas crianças bochechudas nas festas de família que sempre tem as bochechas estupradas por todos os tios, tias e demais parentes que tenham mãos funcionais.
Mas isso não quer dizer que ele goste de Jungkook ou algo assim. Claro, desejo e atração todos sentem, talvez até quem nem goste de homens é capaz de sentir tais coisas por Jeon. Mas era só. Literalmente Jimin queria cuidar, mimar e irritar Jungkookie porque ele via o garoto como seu animal de estimação. Seu coelhinho com problemas de noção sentimental.
Nutria um carinho enorme, desejo e tudo o mais, mas era só. Acabou por aí. Não queria magoá-lo, gostava tanto do rapaz. Mas Jimin tem culpa, sabe bem que tanto carinho e atenção podem confundir uma pessoa. Até mesmo uma Poker Face ambulante como o Jungkook.
Oras, até o mais velho se sente confuso. Confuso porque a pessoa mais fria e cara-de-bunda que conhece se declarou para si, sem nenhum aviso prévio. Nada de mensagens enigmáticas como: "Preciso falar algo sério com você." Nada de indiretas soltas em redes sociais. Nada de ciúmes exagerados. Nadinha mesmo. Só um "Gosto de você." É pra deixar qualquer um bagunçado. Certo? Para falar a verdade, mais pareciam que tinham trocado de lugar.
Seu celular vibrou e chamou-lhe atenção. Quando desbloqueou a tela notou ser já três da manhã. Quem mandaria mensagem esse horário? Aliás, deveria estar dormindo. Clicou na tela algumas vezes inserindo a senha e abriu o Whatsapp.
“Kookie: Durma bem.”
Merda, que garoto filho da mãe. É impossível conseguir não ser o que Jimin faz de uma forma tão natural. O ruivo fez de tudo para ignorar a mensagem e sabia que Jungkook notaria, afinal, a verificação ficou azul.
Fechou os olhos para dormir.
“Kookie: Foi mal.
Kookie: n quis te deixar bravo com aquilo :o
...
Kookie: até terça então :)”
Ok, acabou desistindo. Impossível para Jimin não se encantar por aquele perna longa que adora cores vermelhas nas coisas.
“Biscoito: N to bravo
Kookie: Ah
Biscoito: ^^
Kookie: Que bom
Eu acho
Biscoito: Psé
Kookie: Estou muito feliz com isso então
Mesmo...”
Visualizado três e meia da manhã. Ultima vez que Jungkook entrou no Whatsapp. O mais velho ainda mandou algumas mensagens até mais fofas, mas o mesmo não respondeu mais. Isso deixou Jimin confuso.
Confuso pra caralho.
Quer dizer, garoto se declara e não faz sequer nenhuma expressão durante o ato. No meio da madrugada lhe manda uma mensagem e pede desculpas por ter lhe irritado, sendo que era ele quem havia magoado o menino, e no final quando manda aquilo e Jimin responde de forma amorosa com algumas mensagens o garoto simplesmente o ignora.
Porra Jungkook! Qual o teu maldito problema, garoto?!
Cinco da manhã, já são cinco da manhã e devido a essa mensagem do mais novo Park não conseguia pregar os olhos de jeito nenhum, mesmo que estivesse morrendo de sono. Talvez seja algum tipo de jogo ou diversão daquela cabecinha meio sádica — tipo um psicopata e sua vítima — mexer com os pensamentos e emoções de Park Jimin, porque sério. Não conseguia de maneira nenhuma entender Jeon Jungkook. Ao mesmo tempo em que ele lhe dá o chão, te tira o jogando no fogo do inferno.
Parece até aqueles caminhos pintados no chão da rua.
Tudo uma ilusão.
Quando se deu conta já era onze da manhã e o despertador tocava quase berrando em sua orelha. Hoje tinha tanta coisa para fazer. Ajudar Hoseok com a mudança dele, depois depositar o dinheiro para seus pais e no final ficar se remoendo por causa do menor de idade mais bonito, fofo e sádico filho da mãe.
Quando desligou o despertador notou mais mensagens no seu Whatsapp. Deveriam ser de Hoseok. Quando abriu viu que não estava errado, porém havia mais alguém ali.
“Kookie: Obrigado
Jiminnie”
Última visualização cinco e meia da manhã. O desgraçado esperou Jimin ficar offline para poder responder. Ainda mais desse jeito. Jiminnie era só para os íntimos e não pessoas psicopatas que confundem suas vítimas com manias estranhas demais para se lidar.
— Quer saber? Não, não. – levantou da cama e correu para o banheiro a se arrumar. – To nem aí, to nem aí. – cantarolou tirando a roupa. – Pode ficar no seu mundinho, eu não to nem aí. – ligou o chuveiro na água morna e se enfiou embaixo tentando esquecer seu corpo dolorido, a olheira gigante e a noite mal dormida por causa de um bunny maldito.
| Algumas horas depois |
Quando Jungkook acordou já eram pelo menos umas seis da tarde. Sua mãe havia entrado no quarto umas quatro vezes lhe acordando, mas o mesmo sempre implorava por mais cinco minutos. Abriu os olhos e a primeira coisa que procurou foi seu celular e abriu o Whatsapp. Notou que Jimin havia lido sua mensagem, mas não falou nada. Suspirou.
Pelo horário em que acordou sua mãe devia estar preparando o jantar, já que não havia subido para seu quarto mais nenhuma vez. Queria levantar, mas sua cama estava tão confortável que poderia talvez até voltar para o mundo dos sonhos, mas toda vez que fechava os olhos sua mente o levava até ele.
Maldito do caralho.
Um recadinho para os heterossexuais que reclamam que mulheres são complicadas: Vão se foder. O Jeon é muito mais confuso do quê uma mulher acometida da pior de todas as TPM. Primeiro se declara do nada. Depois PEDE DESCULPAS por tê-lo feito. Após isso, ignora as mensagens do ruivo. Qual o próximo passo?
A essa altura do campeonato, o mais velho não enxergava qualquer coerência nas atitudes do moreno. E isso era frustrante.
— Acho que fui meio ridículo. – pensou alto e esperou alguma resposta, coisa bem idiota já que paredes não falam. Seus pensamentos se resumiam a “não sei lidar com isso” e “provavelmente ele está muito bravo.”
Mesmo que a madrugada ele tenha respondido sua dúvida, achou que o mesmo fora de certa forma frio consigo e depois tentou consertar falando coisas amorosas. Ficou agradecido e por isso mandou a mensagem às cinco da manhã — estava tentando saber se deveria ou não responder e quando notou já estava tarde -. Queria falar mais, porém diferente de si o outro tinha uma vida além da escola.
Escovou os dentes, tomou um banho e trocou de roupa. Ainda deu um pequeno grito para sua mãe dizendo que estava acordado e ela respondeu que a janta demoraria um pouco para ficar pronta. E agora, após pouco mais de uma hora, estava deitado novamente quase caindo no sono.
E seus pensamentos voltaram. Talvez ele tivesse feito algo muito de errado tendo dito a verdade. Jimin podia estar tão bravo consigo a ponto de nunca mais querer olhar para si. Talvez fosse bom, tiraria todo esse desejo estranho que sentia. Quem sabe? Mas com certeza ficaria triste. Ter o ruivo perto de si tornou-se uma rotina. Via-o todos os dias, acostumou-se com sua presença e a sua mania de não ter respeito com o espaço dos outros.
Jungkook não queria admitir, mas pela primeira vez estava arrependido de ter dito a verdade ou ter sido sincero, como fazia normalmente. Podia simplesmente ter dado uma risada e isso teria amenizado tudo, não estaria agora nessa situação. Estariam xingando um ao outro por mensagens e segunda Jimin apareceria no intervalo apenas para encher seu saco como fazia quase todos os dias.
Jungkook suspirava a cada cinco minutos. Um bico se formou em seus lábios. Quem sabe não fora tão ruim isso? Se o outro havia feito àquela pergunta devia ser porque o moreno já não era mais tão discreto quanto antes.
— E se eu falar que foi uma brincadeira, tipo como um teste? – pensou, mas logo desistiu da ideia. Suas verdades quando ditas são convincentes demais. – Então talvez se afastar antes? – mais idiota ainda. Bom, tanto faz agora. Não tinha como prever o futuro e só saberia o que iria acontecer terça — porque Hoseok é um professor bem peculiar -.
O celular vibrou tirando a atenção do garoto da parede.
“Alien: KOOOOOK!
Kookie: Q foi?
Alien: Sdds. To com um PC novo e quero testar a cam
Liga o skype ai :p
Kookie: Preguiça
Alien: Para com iso
Isso*
E vem ver minha cara linda u.u
Kookie: aff espera”
Tinha que ser. Jungkook revirou os olhos e procurou o aplicativo do skype no celular. Assim que o abriu ficando online, seu amigo já lhe chamou para um vídeo conferência. O menino estava sorrindo animado e os dentes apareciam. O garoto tinha o cabelo meio tigelinha na cor loiro escuro e era bem magrinho. O sorriso era bem quadrado e bonito, por sinal. Com o silêncio de Jeon ele ficou fazendo caretas observando seu amigo que ajeitava a câmera do celular em seu rosto.
— Seu nariz ocupa quase toda a tela. – o garoto do outro lado do vídeo disse, rindo com a careta do amigo.
— Meu nariz é normal, sabia? Você que cisma com ele, Taehyung. – respondeu desanimado e o garoto sorriu mais.
— Estava com saudades. É tão raro você me chamar para conversar. – fez um bico. – Só lembra de mim quando... Na verdade nem lembra. Você é muito besta.
Jungkook riu. Taehyung ou ‘V’ como também gostava de chamar, além de alien, era um garoto muito divertido. Seu melhor amigo e os dois se conheciam desde a infância. Quase como irmãos de sangue. O mesmo sabia tudo sobre si e vice-versa.
— Tá com interferência, viado. – o loiro berrou. – Ah, agora melhorou. Sua cara ficou deformada. – Jeon riu.
— Quando volta?
— Não sei, meus pais planejam que seja esse ano. Se for isso mesmo, brigo com eles até me trazerem de volta antes do seu aniversário. – e assim que V terminou de falar escutou sua mãe brigar consigo. – Como tá próximo eu já comecei. – Jeon riu.
— Faltam dois meses para isso, não precisa vir.
— Não, nem ouse. Vou nem que eu vá sozinho. – a ultima parte ele falou alto de propósito para sua mãe escutar. – Me conta. Como vai tudo por ai?
Aquela pergunta o pegou desprevenido e a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi o ocorrido do dia anterior. Mesmo que minimamente deixou-se mostrar um pouco mais desanimado, mas para perceber apenas sendo muito bom observador ou sendo Taehyung.
— Oh, você fez alguma coisa? – e aquilo foi quase uma alfinetada, porém não intencional.
— Acabei dizendo do meu jeito que gostava dele. – respondeu dando de ombros e o amigo riu alto.
— Estava demorando demais, não sei como essa sua língua não soltou antes. – brincou. – A reação foi ruim, por sinal.
— Mas acho que foi melhor assim. Quer dizer, o que faríamos se ele gostasse de mim também?
— Transariam. – Jungkook rolou os olhos. – Ou sei lá, eu apenas pego homens. Não fico de amorzinho por aí. – concluiu.
— Essa sua convivência aí não fez bem.
— Vim para estudar, baby. – Taehyung piscou. Há dois anos os pais do menino quiseram se mudar para os EUA e deixar o garoto terminar os estudos lá. – O que fará no seu aniversário?
— Ah, pensei em esquecer ele mesmo. – respondeu e como troca levou um dedo do meio de Taehyung.
— Nem pense. Quando eu voltar, daremos uma festona. – disse batendo palmas.
— Engraçado que você fica mais animado do que eu.
— Sempre. – riram.
Conversaram por duas horas. Já não agüentava mais as piadinhas de V, mas agradecia os conselhos. O loiro havia dito para que não se preocupasse com isso, afinal Jungkook só iria piorar a situação. Por isso o moreno chamava-o de Alien, diferente das outras pessoas em que Jeon tinha que se forçar para mostrar suas emoções, Taehyung conseguia enxergar isso como se lesse seus pensamentos. Foi o que os aproximou na infância. Para Taehyung, Jungkook era tão transparente quanto água.
Depois disso, eles continuaram conversando o final de semana todo. Taehyung planejando sua festa e Kookie apenas deixando-se levar. Provavelmente o garoto nem estaria ali, mas era divertido o vê-lo sonhar. O final de semana passou devagar e tedioso. Parecia querer fazer a ansiedade do menino crescer a cada minuto.
Quando deu segunda Jungkook acordou animado e zarpou rápido para a escola. Havia esquecido até de comer. Mas assim que chegou nela lembrou que segunda não havia aula. Bem, não da ''matéria'' que queria. O dia passou novamente arrastado, mas pelo menos estava mais animado que o final de semana já que iria poder ver Jimin no dia seguinte.
Jeon não estava feliz porque o veria, mas sim porque iria saciar sua curiosidade e finalmente observar melhor sua reação. Determinaria se continuariam amigos ou se afastariam de vez. Não queria a segunda opção, mas respeitaria o amigo se isso ocorresse. O garoto não saberia lidar com isso, na verdade, ele não sabia lidar com nada disso. Era tudo tão novo para si que seu caso impulsivo de lidar com as coisas estava pior e talvez se o outro lhe afastasse poderia acabar fazendo mais alguma besteira.
Como as aulas terminaram e segunda não havia nada para fazer, pela primeira vez na vida decidiu mudar a direção de seus passos para o lado contrário de sua casa. Queria andar um pouco, espairecer a cabeça e quem sabe comer algum doce em uma padaria. Tipo um pudim.
As pernas continuavam se movendo e sem prestar muita atenção foi seguindo o caminho da calçada. Entrava por uma rua e às vezes ia parar no mesmo local. Estava tão avoado que simplesmente nem sabia para onde estava indo ou se estava muito longe da escola. Não que fosse difícil encontrá-la, era só seguir as placas. Mas achou melhor voltar antes que se perdesse e por isso deu meia volta.
Seus olhos focaram na placa da rua e antes que pudesse continuar a caminhar seus pés pararam e os olhos travaram na imagem a sua frente. Os cabelos alaranjados brilhando contra o sol e a pele branca suada, enquanto o traseiro estava voltado literalmente para si. Às vezes o destino gostava de pregar peças, mas a bunda de Jimin virada em sua direção naquela posição era algo de longe bem cruel na concepção do mais novo.
— Oh! Jungkookie! – Park falou sorridente. Não esperou ver o mais novo aquele dia, de certa forma queria até evitar, mas no momento em que colocou os olhos nele esqueceu isso. O garoto basicamente reluzia contra o sol. O uniforme amarelo e preto parecia torna-lhe uma mini estrelinha brilhante.
Jungkook estranhou aquela animação toda vindo do menor, mas isso não pareceu fazer muita diferença quando sorriu para o mesmo. Algo dentro de si aquietou e ele quase suspirou por ter escutado o timbre de voz do ruivo ameno como sempre.
Observar o mais novo com o sorriso após lhe ver fez seu coração falhar uma batida. O garoto ficava bonito de todas as formas, mas seu sorriso. Ah, era quase um fetiche vê-lo sorrindo. Arrancar reações inusitadas, fazer sua expressão mudar e poder entender o que o outro pensava. Isso fazia Jimin perder os sentidos.
O mais novo abaixou a cabeça quando notou que o ruivo não falou nada e ficou mais sério. Talvez tivesse sido muito precipitado, sua animação pode ter estragado tudo. Começou a contorcer os dedos. Talvez devesse ficar mais sério perto dele a partir de agora, mas seus pensamentos foram cortados pelo ruivo.
— Um dia – Jimin falou baixo perto de Jeon que quase pulou quando escutou a voz do menor. – vai acabar quebrando eles... – completou com a voz mais rouca do que pretendia.
— Não – falou por um fio de voz. – eles são flexíveis. – pigarreou. – Faço desde criança isso. – Jimin levou sua mão até os dedos do rapaz e os pressionou.
Jungkook não ofegou com isso. Óbvio que não.
— Então vai entortá-los. – a pele do mais alto era extremamente macia, um garoto não deveria ter mãos tão delicadas.
— Já são. – Jeon riu e mirou os olhos do ruivo. Esse se afastou de si indo até o carro e depois voltou largando uma caixa em seus braços.
— Me ajuda com isso.
— O que é?
— Roupas. Hope está se mudando para cá. – o rosto de surpresa do mais novo fora bem engraçado. – Ele morava muito longe e como está levando o curso de dança a sério decidiu vir para cá.
— Entendo. – subiram as escadas e pararam em frente a uma porta escura que lembrava a do apartamento de Jimin. Isso lhe lembrou quando dormiu de conchinha com o mesmo e Yoongi acordou a todos gritando. Aquela lembrança fazia Jungkook rir.
— Que foi?
— Lembrei de Yoongi com sobrancelha branca. – riu mais depois disso junto do ruivo.
— Lembrei disso ontem. – apertou a campainha.
— Dessa vez temos uma casa mais perto para pintar o cabelo dele. – Jimin revirou os olhos.
— Ele que vá para um salão. – respondeu fazendo uma careta arrancando risadas do moreno. Não demorou e Hoseok abriu a porta. O cômodo da sala estava tão bagunçado que nem espaço para andar tinha direito. Jeon perdeu as contas de quantas vezes quase caiu.
— Eu disse para você arrumar e não piorar a situação da casa, Hobi! – o ruivo brigou, mas Hope nem dera muita atenção.
— Kookie! – falou Hope sorridente abraçando o mais novo. O seu professor estava todo sorrisos e abraços com o garoto, mas esse não parecia se importar. Algo queimou na pele de Jeon e seus olhos varreram a sala encontrando Jimin fuzilando-os com o olhar.
O ruivo veio em passos lentos querendo disfarçar. Hoseok era um filho da mãe, não tinha que ficar abraçando o menino daquela forma. O sorriso do ruivo era bem falso por sinal, e com uma mão puxou o braço de Hope para que esse largasse o mais alto. Não sabia porque, mas o único que podia ficar assim com Jungkook era ele.
Hoseok fez um careta e deu a língua para o ruivo, indo mexer nas caixas. Jungkook ficou observando o mais novo e esse sorriu sem graça se afastando e dizendo coisas como ‘deveria ajudar a arrumar e não ficar brincando. ’
A noite caiu tão rápido que os garotos nem notaram. A casa ainda estava uma bagunça, mas pelo menos não havia mais nada para levar ao apartamento. Hoseok ainda não tinha feito compras então o máximo que pode oferecer foi miojo e a fome dos garotos era tão grande que eles nem contestaram.
Quando o mais novo deu conta do horário que era ficou apavorado. Quase dez da noite, seus pais iam dar uma bronca daquelas. Jimin já notando a preocupação não visível — já que o mais alto mantinha a mesma expressão séria de quando comia — terminou seu miojo e apressou o garoto. Buscou sua mochila e a de Jeon. Tacou as coisas na pia e mandou Hope lavar tudo já que eles iam pra casa. O xingamento foi baixo, mas o dançarino teve que concordar, afinal recebera uma grande ajuda dos dois.
— Eu te levo. – Jimin soltou enquanto fechava a porta e o outro lhe olhou confuso. – Até sua casa, para os seus pais não brigarem contigo. – a expressão de surpresa no rosto de Jungkook foi tão grande que deu até uma pequena câimbra.
— Como – o ruivo lhe fitou. – você sabia que eu estava nervoso com isso? – corou.
— Ah – Park estancou. Era verdade, não sabia. Quer dizer, o menino chegava depois das dez quase toda semana então por que segunda seria diferente? – Eu não sei sinceramente. – respondeu fitando o garoto. Os dois já estavam descendo as escadas. – Acho que... Eu meio que adivinhei. – Jungkook riu.
— Isso não existe. – retrucou divertido. Agora já tinham passado da portaria e estavam na rua escura.
— Existe sim. Para saber o que você pensa só assim mesmo. – Jimin coçou a cabeça. Não sabia porque, mas Jeon sentiu uma pontada em seu estomago e dessa vez a sensação não fora boa. Sua expressão murchou minimamente e ele proferiu baixinho:
— Você – isso chamou a atenção do ruivo. – me acha tão difícil de lidar assim? – a voz estava rouca e aparentemente normal, mas Park sabia que o outro havia ficado magoado. Apesar de caminharem rápido pelas ruas o menino não olhava para frente apenas para os pés e seria algo normal dele se Jimin não observasse tanto.
— Não, eu não – Queria amenizar um pouco, mas o garoto continuava cabisbaixo. – um pouco. – Jungkook levantou o rosto. – Mas de certa forma isso é meio misterioso. – Jimin corou antes de dizer: – Eu até... Até gosto um pouco.
Os passos diminuíram de ritmo e o silêncio se instalou no local. Park envergonhado demais para olhar o garoto ao lado e o mesmo preso em seus pensamentos. A noite estava fria e suas respirações faziam sair fumaça da boca — provavelmente choveria mais tarde -. O chão estava com uma pequena neblina e, por sorte, os dois usavam casaco, mas apenas o ruivo tinha um cachecol vermelho no pescoço.
Escutar aquelas palavras de Jimin o alegraram, ainda mais quando notou que o mesmo não havia lhe afastado. Continuava o mesmo e, parece que depois de se declarar, ele acabou prestando ainda mais atenção em si. Como se o analisasse todo. Isso fazia um calor junto a uma tranqüilidade se apossar de seu corpo e toda aquela ansiedade que sentia fugiu para longe. Estava contente e isso era notável pelo seu rosto.
— Você está vermelho. – o ruivo comentou, mas não recebeu resposta. – Tá com muito frio? — perguntou e o silencio continuou. Kookie continuava observando os pés e contorcendo os dedos, mas agora um pequeno sorriso adornava seus lábios um pouco mais vermelhos que o normal. Sabendo que o garoto estava perdido em pensamentos e com certeza não escutara sua pergunta, tirou o cachecol de seu corpo e vagarosamente colocou no pescoço que Jungkook que se assustou com ato. – Calma. – riu. Aproximou mais e seus pés encostaram um ao outro. – Você está com as bochechas muito vermelhas. – completou. À medida que falava enrolava o pano no pescoço branquinho do outro. As respirações estavam se misturando e Jeon estava totalmente travado com aquilo.
Suas bochechas estavam sim quentes e vermelhas, mas não era por causa do frio.
Jimin estava tão perto que agora podia observar algumas coisas no rosto dele. Como uma pequena falha na sobrancelha, ou uma espinha tão pequena que poderia ser considerada um poro aberto. Os lábios secos e com o frio que agora pareciam mais inchados e, oh! Um pequeno dente torto tão minimamente que só perto assim para notar. Os olhos do ruivo pegaram o mais alto lhe analisando e de certa forma no seu intimo queria rir. O garoto olhava para sua boca e não conseguia nem disfarçar.
Um engano já que Jungkook analisava era mesmo o seu dente.
— Você – o garoto abriu a boca e o ar encontrou o rosto do menor. Fazia eras que Jimin já havia ajeitado o cachecol, mas nem se importou. Queria ficar ali olhando para aquele belo rosto. – tem o dente meio torto. – com isso o ruivo riu mostrando mais o que foi citado pelo garoto. Esse sempre cortava o clima e no momento Park achou graça disso.
Os olhos pequenos e risonhos encantavam Jungkook. Ficaram ali por alguns minutos se encarando e alguma coisa parecia puxar Jimin para perto do mais alto. Talvez aquela boca que mais lembrava a de um coelho bem branco ou os olhos brilhantes iguais uma estrela. Não sabia o quê, mas queria estar mais perto, bem mais.
Jungkook notou a aproximação. O rosto de Park era de alguém hipnotizado e estava tão perto de si que as pontas dos narizes se tocaram. O ruivo passou a língua nos lábios e suas pupilas dilataram.
Aquilo era desejo, certo? Jimin o desejava? Impossível.
Uma das mãos que ainda seguravam o cachecol em seu pescoço desceu e se apoiou em sua cintura. Jeon esqueceu por alguns segundos como respirar, mas quando voltou estava tão pesada que até mesmo o ruivo conseguiu sentir seu nervosismo.
Mas antes que algo acontecesse Jungkook empurrou o menor e girou os calcanhares começando a caminhar rápido. Aquilo realmente deixou Jimin confuso. O menino gostava dele, então porque sempre lhe afastava? Coçou a cabeça. Estava prestes a beijá-lo. Porque tinha que empurrá-lo?
Espera!
Estava o que?
Queria mesmo fazer isso? Mas por quê? Quer dizer, ele nem se dera conta. Apenas foi sendo puxado quase como um imã e quando viu as mãos macias de Jeon afastavam seu corpo para longe. Por quê isso agora?
Jungkook já estava a metros de distância quando escutou a voz do mais velho gritando para que ele o esperasse. Parou os passos e assim que o sentiu ao seu lado continuou. Estava tão envergonhado que não conseguia nem levantar a cabeça. Nunca havia ficado tão próximo de uma pessoa assim e estava se culpando por pensar maldades — como Jimin o desejando ou querendo lhe beijar -, enquanto o mesmo só estava preocupado com sua saúde provavelmente.
— Escuta. – o ruivo chamou a atenção de Jeon, mas esse não lhe olhou. – Sobre... Ontem. – começou. – Queria te pedir desculpa.
— Por quê?
— Que? – o garoto falara tão baixo que mesmo com a rua silenciosa não conseguiu escutar.
— Por que as desculpas?
— Ah – pausou. – Bem, eu não quis parecer idiota. Quando você falou aquilo eu fiquei tão surpreso e não consegui reagir direito.
— Só correu. – o menino caçoou.
— Pois é. – suspirou. – Não quero que pense que tenho preconceito ou algo do tipo. Eu também sou gay sabe – Jungkook não escutou mais nada depois dessa parte. – então não queria que ficasse magoado, sei lá.
Agora sim ele estava surpreendido. Jimin era gay, gostava de homens. Nunca imaginou isso já que o mesmo nunca deu indícios. Não sabia o que sentir. Talvez felicidade, pois o mesmo poderia sentir atração por si, mas ao mesmo tempo tristeza já que em sua cabeça seria algo impossível.
— Kookie? – Jimin chamou e o mais novo apenas sorriu e assentiu, despreocupando o ruivo.
Quando notaram já estavam em frente à escola o caminho havia sido um pouco mais demorado que o previsto. A rua estava deserta e apenas os postes de luz iluminavam o local. Nenhuma casa perto dali estava acesa.
— Não precisa me levar até lá. – Jungkook se pronunciou a primeira vez depois do longo silêncio. – Minha casa é aqui do lado, você pode ir pegar o ônibus. Não tem perigo.
— Deixa de ser chato. – Jimin brincou. – Vou te levar até sua porta. – e continuou andando. Jungkook apertou os passos e começou a guiar o ruivo até sua casa, que por incrível que pareça era a três ruas dali.
— Eu te disse.
— Sua casa fica mais próxima do ponto do que a escola, então isso foi bom pra mim também. – Jungkook riu.
— Mentiroso. Bom – os dois pararam em frente ao portão branco e que batia no ombro do mais novo. – é aqui.
— Está entregue. – Jimin riu e observou a casa do menino. Era mediana e parecia aconchegante. O ruivo mexeu as mãos enxotando o garoto para dentro que fez uma careta e deu um tapa nos dedos do amigo. Park via o mais alto entrar na casa e bater na porta. Uma mulher que aparentava ter seus quarenta anos estava com uma expressão brava, mas ao escutar algo que o garoto falou amenizou o rosto e sorriu para o ruivo que estava no portão. Ela fez uma reverencia agradecendo de forma muda e deu espaço pro filho entrar. Antes de fechar a porta o garoto sorriu e acenou em despedida sendo retribuído na mesma hora.
O ruivo voltou pelo caminho que veio e parou na rua da escola esperando o ônibus passar. Como estava tarde sabia que demoraria um pouco mais e a noite parecia estar mais fria ainda. Algum tempo esperando e finalmente um deu as caras — que Jimin tratou logo de pegar antes que congelasse vivo -. Depois de pagar o motorista e sentar-se no banco sentiu o celular vibrar.
Abriu para ver a mensagem.
“Kookie: Obrigado”
Sorriu. Podia até já imaginar o garoto sentado na cama com o rosto envergonhado. Oh, é verdade havia esquecido seu cachecol com ele.
“Kookie: Amanhã na aula eu te entrego seu cachecol.
Acabei ficando com ele sem querer
Foi mal”
Ele era vidente ou algo do tipo?
“Biscoitinho: Tudo bem eu geralmente n uso mt ele
Apenas fiz isso hj pq a previsão era de chuva
E eu costumo ficar com a garganta ruim mt fácil.
Kookie: saquei
Vc esperou mt tempo pra pegar o ônibus?
Biscoitinho: Q nd eu falei q era perto
Kookie: Q bom então :D
Biscoitinho: Quando eu chegar em casa te aviso”
Desligou a tela e encostou a cabeça na janela. Foi um dia cheio e com muitas surpresas. Realmente encontrar Jeon enquanto ajudava Hoseok foi algo que não esperava. Muito menos querer beijá-lo. Por sorte — ou talvez não — o menino empurrou-lhe para longe. Jungkook deixava Jimin confuso. Ao mesmo tempo em que tinha quase certeza de que o via apenas como um amigo queria mimá-lo e protegê-lo como se fosse seu coelhinho de estimação, mas você não beija seus animais de estimação.
Não da forma que Park faria.
Não como queria.
Jungkook maldito, sempre dando um jeito de tirar Jimin do sério. Não importando a forma.
Fale com o autor