Fulgora, The Godess Of Lightning

1 Fulgora, The Godess of Lightning - OneShot


Notas iniciais
Considerem que eu escrevi isso numa fase tipo "AAAAH A ELLE MORREU BUÁ BUÁ" E eu gosto de raios, não sei se vocês notaram.

Ainda que as palavras demorassem a fazer sentido conforme corria seus olhos por elas, não era possível estar mais compenetrada numa leitura como estava a pequena Elle naquele momento. Há pouco completara seis anos de idade e inteligência jamais fora seu ponto forte, mas a dificuldade aparentemente não a incomodava. Ela simplesmente não conseguia tirar seus olhinhos daquele livro. Mitologia romana decerto era fascinante. Afundada na poltrona de seu avô – que se fora antes de seu nascimento – ela absorvia cada detalhe que conseguisse pescar em meio aquela linguagem tão complexa.

Mas o que realmente a interessava eram as figuras. Quando ela as olhava, sentia que eram poderosas, imponentes, inabaláveis, eternas. Mesmo para sua mente infantil, era possível entender a importância daquelas personalidades. Cada um deles à sua maneira. Júpiter aparentava ser severo, porém também tinha um ar paternal. Já Juno não parecia ser tão boazinha. Apolo era alegre e bonito. Ela ia passando as páginas e, quando alguma das imagens lhe chamava atenção, parava para ler as pequenas letras que descreviam a divindade.

Após conhecer Diana – irmã gêmea da Apolo e deusa da caça -, Netuno – senhor dos mares — e Marte – deus da guerra -, o livro lhe escapou das mãos. Num salto, a garotinha desceu da confortável poltrona e pegou o livro. “Droga, perdi a página.”, murmurou para si mesma. Agora o livro estava aberto em alguma das ultimas páginas, as quais foram reservadas para as divindades menores. Novamente envolvida pelo macio estofado verde, seu olhar prendeu-se na figura que ocupava quase a página inteira.

Era uma mulher de estonteante beleza. Seus longos cabelos loiros jogados ao vento, seus olhos faiscando num amarelo elétrico. Seu corpo envolvido por compridos e retorcidos raios de luz, pura energia. Atrás dela, uma tempestade violenta.

“Fu... Ful... Go... Ra...”, leu ela com dificuldade. “Fulgora.”

“Elle!”, a criança ouviu sua avó chamar. “Elle, querida. O lanche está pronto; você não vem?”

“Vou sim, vovó.”, a pequena respondeu, sem tirar os olhos as imagem.

“O que você está vendo aí?”, a senhora perguntou, apoiando-se no encosto da poltrona e aproximando seu rosto já marcado pela idade para que pudesse também olhar o desenho. “Oh, Fulgora.”

“Ela é muito bonita.”, disse a garota, baixinho. “Ela é a deusa das tempestades, vovó?”

“Não, meu bem. Fulgora é a própria personificação dos raios.”

Elle continuava fitando a deusa como se isso pudesse de algum modo fazê-la tornar-se real. “Os raios...”, sussurrou. Deslizou seus dedos pela borda da imagem, querendo sentir a eletricidade que parecia tão viva em volta da divindade.

“Você gostou dela?”, indagou a avó, sorrindo. “Pois ela é uma das minhas deidades favoritas.”

“Hum.” Era tão lindo. Aquela luz parecia hipnotizá-la. Ainda que fosse um desenho, era quase mágico. “Eu queria... Fazer isso.”

“O quê?” A idosa parecia estar achando graça naquela fixação da neta pela deusa.

“Os raios.”

“Ora-- Não seja tola, querida.” A criança notou certa hesitação na voz da senhora. Mas logo puxou uma brincadeira; “Você só poderia fazer o que ela faz se fosse filha dela.”

Silêncio.

A garota nunca tinha conhecido a mãe. Seu pai dissera que a mulher havia morrido durante parto; mas não havia como a garota saber se aquilo era realmente verdade. Porém, nunca pensara muito nisso, de qualquer jeito. Até aquele momento.

“A mamãe... Como ela era?”, perguntou, agora traçando linhas invisíveis sobre os raios com os dedos.

“Acho que não é bom falarmos sobre isso.”, cochichou a avó. “Seu pai iria ficar bravo.”

“Papai não está aqui...” Lágrimas começavam a se formar nos olhos da criança. “Ele não precisa saber. A senhora pode dizer a ele que eu fui uma boa garota...”

“Elle--"

O livro saiu voando das mãos da garotinha quando, subitamente, irrompeu em chamas. Subitamente para a avó, mas não para Elle.

Enquanto deslizava seus dedos pela hipnótica figura, concentrada em pensamentos de sua mãe e da vontade que tinha de ser especial – especial como Fulgora – um pequeno raio de eletricidade se desprendeu de sua mão, entrando em contato com o papel desgastado e fazendo-o entrar em combustão.

Congelada em absoluta surpresa, a garota não se moveu, mesmo que sua avó gritasse para que ela se afastasse, mesmo que as labaredas descessem para o tapete e seguissem na direção da poltrona, mesmo que as lágrimas corressem por seu rosto infantil. Ela era especial. Ela podia fazer aquilo.

“ELLE! CORRA, SAIA DAÍ!”

Mesmo sendo tirada dali a força, mesmo que agora o fogo subisse pelas paredes. Mesmo que fosse culpada.

“Vovó...”, foi tudo que ela conseguiu dizer em meio ao seu estupor, “Eu posso...”

Ainda que hoje ela tente se lembrar, parece que fora apenas um sonho.

Só se lembrava de duas coisas.

Uma era que, enquanto sua avó a empurrava para longe do fogo, uma enorme viga de madeira se desprendeu da parede de caiu sobre o caminho. Ela saiu, mas a idosa não teve a mesma sorte.

A segunda era que, ao se jogada porta a fora por uma explosão e cair sobre a grama seca, quase inconsciente, ela esticou o braço para o céu. Da palma de sua mão, uma pequena faísca azulada escapou para o céu.

Ela esperava que Fulgora pegasse sua mensagem. Porque se ela nunca tivera uma mãe, agora ela tinha.

Antes de desistir e cair na escuridão, a garotinha sentiu algumas gotas de chuva molharem seu pálido rosto.

FIM?

And the light
Too bright
Too intense
Washed her body
Washed through
Her body hers
She stood calling
Down lightning
Head to toe and
Then to the ground
Fear her beauty
Grant her homage
Whenever Fulgora
Appears pray she
Does not choose you

S. David

Notas finais
Aê, esperam que tenham gostado. Sei lá, tive essa idéia quando li uma das HQs de Heroes... O Claude comparou a Elle com a tal Fulgora, e eu achei interessante fazer uma historinha assim...

Beijos, e eu gosto de reviews hein?? Sem pressão u_u
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!