Pela primeira vez em muito tempo, parecia que as coisas estavam se ajeitando para Emma.

Ela sabia que o futuro lhe reservava a luta pela reconquista de Arendelle, mas estava otimista que rapidamente destronariam o ex noivo maligno de Anna. Afinal as coisas estavam dando certo.

Emma dominara perfeitamente o feitiço para ativar o portal para o reino de Elsa, e ainda aprendera alguns feitiços úteis com Gold antes que ele e Belle deixassem a cidade para uma aventura pelo Mundo Sem Magia. O feiticeiro fora muito cooperativo quando Emma se mostrou disposta a trocar o conhecimento sobre magia pelo conhecimento a respeito daquele mundo que ela conhecia muito melhor do que ele.

De modo que os dois passaram a maior parte das duas semanas que se seguiram à morte de Ingrid juntos, e Emma aprendeu a respeitar ainda mais aquele homem, esperando que também tivesse ganhado um pouco do respeito dele.

Muito embora animada com o seu aprendizado em magia, a loira estava um pouco decepcionada com o pouco tempo que passara ao lado de Elsa naqueles dias. Após o primeiro dia, no qual a rainha de Arendelle distraiu Emma e ela queimou boa parte dos itens expostos na loja de Gold, ficou decidido que era melhor que não estivesse presente durante as lições de magia.

Henry, por outro lado, era um frequentador assíduo das aulas, pois continuava trabalhando na loja de seu avô após a escola. Ele ficava tão distraído vendo a mãe levitando objetos ou estourando as lâmpadas da loja que raramente terminava algum trabalho, mas Gold não parecia se importar.

Emma também tivera tempo para conversar com Killian a respeito de seu relacionamento com Elsa, embora não tenha achado que a conversa tinha valido à pena. Killian não fora compreensivo e maduro a respeito do término, deixando Emma com a promessa de que lutaria por ela.

Os primeiros dias, portanto, foram um tanto desconfortáveis para ela, porque, por mais que a Salvadora esbravejasse e gritasse com o antigo pirata, ele não acreditava que ela e a rainha de Arendelle compartilhavam amor verdadeiro. Lentamente, entretanto, ele começou a deixá-la em paz.

Isso, é claro, também podia ter relação com um encantamento que Gold colocou no aro do anel de Ingrid, que agora Emma usava o dia inteiro. Fora uma das primeiras vezes em que ela vira o feiticeiro fazer um feitiço de graça para uma pessoa que não fosse sua esposa ou seu falecido filho, mas a Salvadora desconfiava que ele o havia feito apenas como um presente de despedida para Killian.

Emma, entretanto, estava tão chateada com o comportamento obsessivo do ex namorado que não se importou.

Enquanto aprendia magia, ela ficou sabendo, Anna e Kristoff tentavam compreender como funcionava aquele mundo estranho a eles. Muitas vezes, cabia unicamente a Elsa explicar coisas que nem mesmo ela entendia muito bem, mas havia momentos em que Snow, que abdicara de seu cargo de prefeita em favor de Regina, se juntava a eles.

Elsa contara a Emma que Snow costumava fazer perguntas muito embaraçosas a ela, tentando desesperadamente conhecer a pessoa por quem a filha sentia verdadeiro amor. A rainha de Arendelle fazia o possível para responder as questões e tentar desesperadamente controlar a sua magia enquanto ficava gradativamente mais nervosa.

Ao final daquelas duas semanas, Emma já era capaz de controlar perfeitamente a sua magia e conjurar feitiços básicos que a ajudariam em situações de natureza mais prática, como o de rastreamento. Ela também aprendera que cada conjurador tinha um elemento com o qual era mais afim, o elemento de Emma era a luz, de modo que ela talvez pudesse aprender magia de gelo um dia, mas nunca seria tão natural quanto Elsa.

Na noite anterior à partida de todos para Arendelle, Snow e David organizaram um jantar de despedida no pequeno loft onde moravam. Emma e Elsa passaram uma boa parte do jantar falando com Regina sobre magia em uma tentativa de adiar a conversa que sabiam que Snow queria ter com as duas; a prefeita de Storybrooke se divertia com as tentativas que a outra mulher fazia para tentar chamar a atenção da filha, portanto, não se preocupou em afastar as duas loiras.

Anna, sendo observada por Kristoff, conversava com Belle a respeito do relacionamento dela com mais poderoso feiticeiro das trevas do mundo, o que parecia estar deixando a morena embaraçada. E David e Gold estavam em um canto da sala competindo pelo prêmio de avô mais generoso para Henry; o segundo oferecera a Henry o trabalho de ir limpar sua loja todos os dias depois da aula enquanto ele estivesse fora em troca de uma quantidade absurda de dinheiro, o primeiro resolvera que um menino de treze anos não era novo demais para ter a sua primeira aula de direção.

Embora Emma e Elsa tenham conseguido evitar Snow durante a festa, quando todos finalmente se retiraram, ela de algum forma foi capaz de se esgueirar para dentro do quarto de Emma antes que a loira tivesse a oportunidade de trancar a porta.

“Mãe? Algum problema?” Perguntou, tentando parecer inocente.

“Emma, precisamos conversar antes de você ir para Arendelle,” disse Snow, e Emma a encarou. “Eu só gostaria de saber como isso aconteceu. Quero dizer, você gostava do Neal e do Killian, nunca demonstrou nenhum interesse por uma mulher. Não é que tenha algo de errado com isso, mas você não pode me culpar por achar inesperado.”

O impulso inicial de Emma era dizer que ela não tinha que achar absolutamente nada sobre aquilo, que não era da conta dela; mas pensou melhor: Snow era sua mãe e estava apenas se preocupando em conhecê-la. Não havia nada de errado naquilo. Emma se sentou em sua cama e convidou a mãe com um gesto a se sentar ao lado dela, o que fez com que Snow sorrisse.

“Foi uma surpresa para mim também que tenha acontecido com Elsa, porque eu esperava que fosse despertar com Killian. Mas eu não posso dizer que nunca senti nada por uma mulher," Emma percebeu o olhar confuso de Snow e sorriu. "Houve uma amiga que eu tive durante a minha infância, Lily; ela e eu criamos um laço que eu não consigo descrever. Nunca passou de uma forte amizade, porque nós fugimos juntas por algum tempo, mas foi algo que me marcou.”

“Então, você está dizendo que gosta de homens e mulheres?” Perguntou Snow, e Emma pôde perceber que ela estava genuinamente surpresa. Não pela primeira vez, a loira se perguntou como as pessoas se comportavam a respeito dessas questões em um mundo de personagens de contos de fada.

“Isso se chama bissexualidade,” respondeu Emma, tentando não soar irritada ou impaciente. “Existem muitas pessoas como eu, mãe.”

Snow assentiu, e Emma percebeu com certa satisfação que ela corara. Em seguida, ela se sentiu mal por se regozijar do embaraço de sua mãe, que, afinal, estava tentando ser uma mãe compreensiva para com ela. Emma deixou escapar um suspiro de impaciência.

“Existe mais alguma coisa que você queira me dizer, mãe?”

“Creio que não, nós só queremos que você seja feliz, você sabe,” disse Snow, e Emma assentiu. Por fim, ela se levantou e, quando já estava junto à porta, sorriu para Emma, “boa noite.”

“Boa noite.”

E, assim, Emma foi deixada sozinha em seu quarto. Ela se jogou em sua cama pensando no dia seguinte, mas adormeceu antes que tivesse tempo de se preocupar com o que viria à seguir.

A loira acordou na manhã do dia seguinte com uma sensação agradável de uma maneira que ela fora incapaz de descrever imediatamente. Dedos percorrendo gentilmente o seu couro cabeludo, fazendo com que a sua pele se arrepiasse; ela percebeu uma pressão suave sobre os seus lábios e sorriu. Elsa. Emma acrescentou pressão contra os lábios da outra mulher e ergueu as mãos para segurar a sua cintura, fazendo com que ela arfasse de surpresa.

“Eu te amo,” disse Emma, afastando-se um pouco de Elsa e, logo em seguida, capturando os lábios da outra mulher novamente enquanto puxava o corpo dela para se deitar sobre o seu.

Uma parte de Emma desejava que Elsa ainda não tivesse tido a oportunidade para colocar o seu vestido azul; outra parte dela tinha certeza que aquele não era um bom momento para levar aquele relacionamento ao próximo nível. Não quando elas ainda não tinham conversado a respeito daquilo, não quando Emma tinha certeza absoluta que era a primeira pessoa com quem Elsa tivera uma relação romântica, não em um lugar em que podiam ser interrompidas a qualquer momento, não quando Emma precisava estar se arrumando para partir para Arendelle com os outros.

“Eu também te amo,” disse Elsa, sorrindo e encostando sua testa na da outra mulher. “Pronta para resgatar Arendelle?”

“Melhor primeiro encontro de todos!” Brincou Emma, rindo.

Claramente relutante, Elsa se afastou da namorada, que se sentou na cama olhando ao redor. Não havia muito mais o que fazer, já arrumara uma mochila com um par de roupas limpas e alguns itens que acreditava poder ser úteis.

Uma hora depois de Emma se levantar, o grupo composto por ela, Henry, Snow, David, Elsa, Anna e saiu do apartamento.

Henry não saiu do lado de sua mãe durante todo o percurso até a casa de certo Feiticeiro, onde estava localizado o portal para Arendelle. Emma percebera que o menino estivera tentando ser forte nas semanas anteriores, mas sabia que ele estava ciente de que aquela viagem demoraria, no mínimo, um par de semanas e que seria perigosa. Ela era grata ao filho por todo o apoio que ele dera ao relacionamento com Elsa, esforçando-se inclusive para mostrar à rainha de Arendelle como funcionavam as coisas daquele mundo.

Quando finalmente chegaram à casa do Feiticeiro, Emma deixou que todos entrassem e chamou Henry para caminhar com ela nos jardins do lugar antes deles seguirem os demais. Eles passaram algum tempo em silêncio enquanto admiravam a peça de arte que era o lugar.

“Você vai voltar assim que puder, não vai?” Perguntou Henry, aflito, parando de andar repentinamente e encarando a mãe.

“Claro que sim, Henry,” respondeu a Salvadora, voltando-se para encarar o filho de volta. “Assim que for seguro, eu vou voltar e te buscar para que você esteja no casamento e na coroação da Anna e do Kristoff. Então, se for seguro, eu, você e Elsa faremos uma viagem até a Floresta Encantada.”

“Sério?” Perguntou Henry, animando-se visivelmente com a notícia de que logo conheceria o lugar palco de seu livro favorito.

“Claro, menino,” disse Emma, bagunçando os cabelos de Henry. “Vamos entrar? Eles devem estar se perguntando se não nos perdemos.”

“Certo!”

Os dois entraram na casa e seguiram até o cômodo onde todos estavam esperando por eles. David se aproximou de Emma quando ela e Henry entraram; e a Salvadora percebeu que ele estava segurando a espada ainda embainhada nas mãos, estendida para ela.

“Sei que você está ficando muito boa em conjurar feitiços, mas quero você me prometa usá-los o mínimo possível,” disse ele quando Emma lhe lançou um olhar curioso. “Toda magia tem um preço.”

A loira assentiu e prendeu a bainha ao seu cinto, um pouco desconfortável com o peso. O fato era que ela não sabia lutar usando uma espada, mas ficaria com a arma se ela dava segurança ao seu pai. David lançou um olhar para Anna, que lhe assentiu, e Emma compreendeu que seu pai pedira a irmã de Elsa que a ensinasse manejar a espada da mesma maneira que fizera com ele.

“Cuidem da minha filha,” falou o David para Kristoff e Anna, muito particularmente; depois, ele voltou seu olhar para Elsa e lhe lançou um sorriso. “E cuidem-se.”

Elsa assentiu, retribuindo um sorriso, e Emma se adiantou para abraçar o pai com força; depois, ela e sua mãe também se abraçaram.

“Cuide-se, Emma,” disse Snow, segurando o rosto de Emma entre suas mãos, a Salvadora fez que sim com a cabeça; depois, também se voltou para Elsa: “e você, Elsa. Voltem para nós à salvo.”

Elsa novamente assentiu.

“Henry,” disse Emma, virando para encarar o filho, e o menino se adiantou para abraçá-la. “Cuide-se, não dê trabalho aos seus avós.”

“Cuide-se você também, mãe. E não dê trabalho para Elsa,” retrucou Henry, sorrindo, embora tivesse lágrimas em seus olhos.

Emma riu e se afastou ele, enxugando as próprias lágrimas enquanto caminhava em direção a Elsa, que estava parada diante do portal ao lado de Anna e Kristoff. Os quatro se olharam por alguns segundos antes de Anna dar um passo em direção ao portal e atravessá-lo sem dizer nenhuma palavra, Kristoff a seguiu logo depois. Elsa e Emma se encararam por um momento.

“Te vejo do outro lado, Emma,” disse, sorrindo, e Emma assentiu antes de vê-la desaparecer ao atravessar o portal.

Emma se voltou para os seus pais e Henry, pensando que não deveria sentir saudades, pois logo os veria novamente. Ela sorriu e se perguntou quando se tornara tão otimista. Seria o amor ou a convivência com seus pais?

Então, ela olhou novamente para o portal e, com um longo suspiro, caminhou lentamente até ele e o atravessou, abraçando, pela primeira vez com alegria, a uma nova aventura. Rumo à Elsa.

Notas finais
Espero que tenham gostado de ler a fic tanto quanto eu gostei de escrevê-la. A fic mudou muito de configuração desde que eu criei o conceito dela, mas o final sempre foi a Emma atravessando o portal para Arendelle. A mudança do nome da fic se dá porque o nome anterior só correspondia ao primeiro capítulo, exatamente porque a fic mudou muito desde que eu terminei de escrever o primeiro capítulo. Como eu disse um final diferente para Rumbelle também, porque eu amo esse ship. Mas não um final feliz, porque eu não seria capaz de dar isso para ele nesse ponto do canon sem focar a história neles. Eu não sei se vocês viram, mas criei uma página no Facebook sobre Frozen Swan. Estou divulgando trabalhos sobre o ship lá, porque descobri que esse ship está sendo praticamente esmagado pelos CSers, que são donos das outras páginas e também ficam lotando a tag de Frozen Swan no tumblr e no twitter de coisa CS. Se tiverem coisas que queiram divulgar (mesmo em português), só mandar para a página que eu posto lá com créditos ao dono do conteúdo. Enfim... endereço: facebook(.com)/ouatfrozenswan Abraços e até a próxima fic :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!