Fugue

1 Capítulo 1


Foi um longo dia, e Emma estava certa de que aquele momento não era o melhor para pensar sobre tudo o que acontecera durante ele; não quando seu corpo implorava por algumas horas de sono.

Seu cérebro, entretanto, parecia pensar de maneira diferente. Os acontecimentos do dia continuavam voltando a se passar dentro de sua cabeça desde o momento em que Emma a deitou em seu travesseiro. Era incrível como, apesar do extremo cansaço, ela era incapaz de se deixar levar pelo sono.

Quando apenas fechar os olhos e relaxar não funcionou, Emma tentou focar no barulho da chuva fina que caía na rua; era um som que sempre a havia relaxado, mas, naquele dia, nem mesmo ele a estava ajudando. Ela se deitou de costas e levou a mão a sua cabeça, em um gesto quase natural de frustração; foi quando ela viu a fita que imaginava que a Rainha da Neve colocara ali e percebeu, com um suspiro, que não seria mais capaz de dormir.

Emma ainda não estava certa do que aquela fita significava para si. Ela tinha algumas suspeitas, é claro, e estas não a tranquilizavam: muito embora soubesse que a Rainha da Neve achava, em sua perturbadora linha de pensamento, que estava fazendo um grande favor a ela e a Elsa, Emma tinha certeza que qualquer ação da vilã não podia ser boa notícia.

A Salvadora se sentou na cama, perguntando-se se seria capaz de cortar a fita com uma tesoura. Parecia uma ideia inocente, até mesmo estúpida, mas Emma aprendera ouvindo histórias sobre magia enquanto crescia que as pessoas que dependiam das artes mágicas raramente tomavam precauções a respeito de simples soluções não mágicas. Desde que chegara em Storybrooke, essa linha de pensamento raramente funcionava, mas aquilo nunca a impedira de sempre tentar; e Emma achava que talvez essa fosse a sua maneira de mostrar que era capaz de acreditar fielmente em alguma coisa.

A mulher suspirou, tentando se lembrar do lugar onde Mary Margaret costumava guardar tesouras. A cozinha lhe parecia ser a única alternativa plausível naquele momento, já que a outra, o quarto de seus pais, não era uma opção que Emma estivesse disposta a tentar naquele momento. Mesmo que incapaz de encarar plenamente Mary Margaret e David como seus pais após criado o vínculo de amizade com os dois, ainda era perturbador pegá-los em meio a atividades de cunho sexual. Não, ela podia se poupar de mais uma memória traumática naquele dia.

Emma se levantou e rumou para a cozinha, tentando não fazer barulho. Afinal, Elsa estava hospedada no sofá da sala, e a Salvadora aprendera da pior maneira que a antiga rainha de Arendelle tinha um sono assustadoramente leve.

Ela teve sucesso em passar pela sala sem fazer qualquer barulho. Sorriu e tentou abrir a primeira gaveta do móvel ao lado do fogão; ela estava emperrada, entretanto, e Emma teve que fazer força para que se movesse. O barulho dos talheres se chocando uns contra os outros quando a gaveta finalmente cedeu pareceu ensurdecedor no ambiente completamente silencioso da casa.

Prendendo a respiração, Emma esperou em silêncio, atenta a qualquer sinal de que teria acordado Elsa; por um motivo do qual ela estava apenas começando a tomar conhecimento, a ideia de encarar a rainha de Arendelle não lhe era muito confortável naquele momento. Quando, após alguns segundos, ela não ouviu qualquer sinal de que houvesse mais alguém acordado na casa, Emma se voltou novamente para a gaveta, procurando por uma tesoura. Não havia nenhuma.

Com um suspiro, a Salvadora fechou lentamente a gaveta e se voltou para as outras gavetas. Foi preciso que ela abrisse outras duas, agora mais cuidadosamente, para que finalmente achasse a tesoura.

Emma posicionou o objeto entre o seu pulso e a fita, tentando cortá-la. Não apenas não funcionou, mas a fita também começou a brilhar intensamente. Droga! Emma pensou ouvindo o barulho de Elsa se levantando e correndo até a cozinha enquanto a luz lentamente se extinguia.

"Emma? O que houve?" Perguntou a rainha de Arendelle, assustada.

A Salvadora a encarou por um momento, sentindo um nó se formando em seu estômago. Ela não queria ter que pensar em Elsa naquele momento, porque isso a levaria automaticamente a pensar no momento em que a rainha de Arendelle a ajudara a controlar seus poderes e, por algum motivo, aquilo era ainda mais perturbador na mente de Emma do que as demais partes do dia.

"Você sabe… eu estava pensando que talvez pudesse usar uma tesoura para cortar essa fita infernal," disse Emma, de alguma forma muito consciente do quão estúpida aquela ideia era. "Sei que parece bobo, mas você sabe como pessoas mágicas, às vezes, simplesmente não pensam em…"

Emma se interrompeu, lembrando-se de que Elsa era uma pessoa mágica, de que ela própria era uma pessoa mágica, e se sentindo ainda mais estúpida. Às vezes, era difícil de se lembrar de que magia era algo inerente a ela; afinal, ela passara os seus primeiros vinte e oito anos sem ela. Quanto a Elsa; bom, a rainha de Arendelle não pertencia a qualquer conto de fadas que tivesse conhecido enquanto crescia, o que tornava fácil para Emma se esquecer de que ela era, também, uma personagem de histórias infantis. Para ela, Elsa era apenas Elsa; e isso a assustava cada vez mais.

"Oh, Emma!" Disse Elsa quando ficou claro que a Salvadora não tinha mais nada a dizer, deixando escapar uma risadinha enquanto se aproximava da amiga. "Eu não sei como as coisas funcionam nesse mundo esquisito de vocês, mas, que eu saiba, nenhuma lâmina comum seria capaz de cortar um objeto mágico."

Emma deixou escapar um suspiro e se sentou em um banco próximo.

"Desculpe-me por tê-la acordado," disse a Salvadora, com um suspiro. "Eu imaginei que não funcionaria, mas não sabia que brilharia desse jeito quando eu tentasse cortar."

Elsa se aproximou e sentou no banco ao lado de Emma, o que fez com que a Salvadora sentisse como se o nó em seu estômago estivesse sendo apertado.

"Não tem problema," disse Elsa, segurando a mão de Emma firmemente sobre o balcão da cozinha.

Isso fez com que a Salvadora se lembrasse da última vez em que Elsa tinha segurado a sua mão, mais cedo naquele dia, e fez com que Emma sentisse a súbita vontade de vomitar. Supere isso, Swan! Ela é uma rainha, e você é só a heroína de uma pequena cidade no Maine.

Elsa provavelmente sentiu a tensão de Emma, pois rapidamente retirou a mão que estava sobre a da outra mulher. A Salvadora passou um tempo encarando a própria mão, sentindo, como ocorrera mais cedo naquele dia, o fantasma do toque da rainha de Arendelle, muito embora ele tivesse carecido, agora, da pulsação de poder que lhes arremetera na vez anterior.

A pulsação de magia, Emma pensou ainda encarando a própria mão, movendo seus dedos lentamente enquanto sentia a magia na ponta deles. Uma pulsação de magia que senti com essa intensidade apenas uma outra vez em toda a minha vida, mas que, de alguma forma, tem relação intrínseca à minha magia.

"Você quer uma caneca de chocolate quente?" Perguntou Emma, subitamente, incapaz de compreender ao certo como chegara àquela questão.

Emma se voltou para Elsa, e a rainha de Arendelle ergueu os olhos e a encarou por um momento antes de balançar a cabeça afirmativamente. Então, a Salvadora se levantou e começou a preparar a bebida, perguntando-se no que diabos a fizera fazer aquela oferta. Talvez, por sempre tomar chocolate quente quando se sentia frustrada, Emma tivesse inconscientemente pensado em preparar um.

Se a perguntassem, ela não seria capaz de responder porque se sentia tão frustrada a respeito do que ocorrera anteriormente com Elsa ou o motivo pelo qual a ideia de conversar sobre aquilo a incomodava. Talvez fosse apenas a sua reação natural de evitar se afeiçoar demais às pessoas, embora Emma tivesse achado que havia aprendido a superar aquilo após aceitar sair com Killian, contrariando aquilo que ela chamava de bom senso e os outros chamavam de barreira emocional.

Aquele temor não a abandonara, entretanto. Ainda existia o receio de que, se ela se abrisse a sequer pensar sobre a possibilidade que se apresentara ainda naquela noite, Elsa a abandonaria como todos os outros. Muito embora Neal tivesse voltado e morrido por ela, muito embora seus pais tivessem feito tudo para que ela se sentisse verdadeiramente segura de que eles não a abandonariam nunca mais, muito embora Killian tivesse lhe garantido que nunca a deixaria e feito tudo para agir conforme essas palavras. Por que aquele medo que a paralisava persistia?

"Emma, está tudo bem?" Perguntou Elsa, pousando sua caneca no balcão, e a outra mulher percebeu que passara tempo demasiado apenas olhando para a sua caneca.

Não, Emma queria responder. Não está tudo bem, porque eu não consigo parar de pensar que estou caminhando em direção a um precipício. É claro que ela não podia falar honestamente sobre aquilo sem correr o risco de que o assunto se voltasse exatamente para aquele sobre o qual ela definitivamente não desejava conversar.

"Está sim," respondeu Emma, sem encarar Elsa. "Apenas cansada, você sabe."

A Salvador sentiu os olhos cor de gelo de Elsa a encarando e soube quase como que por instinto que a outra mulher não acreditara nela.

"Emma, você pode me dizer qualquer coisa," disse Elsa, novamente pousando sua mão sobre a da Salvadora.

Emma sabia que a rainha de Arendelle estava dizendo a verdade; a pulsação que sentira ainda naquela noite, quando as mãos das duas se tocaram, era prova suficiente de que aquilo não era algo unilateral. E era essa certeza que mais apavorava a Salvadora, a certeza que aquilo não poderia ser simplesmente dito e esquecido.

Saberia Elsa o que aquela pulsação significara? Emma não sabia a rainha de Arendelle já havia experimentado aquele tipo de magia. Mesmo se não conhecesse, entretanto, Elsa não parecia ser o tipo de pessoa que consideraria levianamente uma declaração de amor.

Amor. A palavra na qual Emma andara relutando em pensar durante toda aquela noite, desde o momento em que todos haviam deixado aquela estranha mansão isolada. Agora que a palavra lhe escapulira, ela se sentia incapaz de parar de pensar nela e no que aquilo representava para si e para as pessoas com quem ela se importava.

Seria ela capaz de continuar com Killian sabendo que ele não era a pessoa a quem pertencia o seu coração? Emma simplesmente odiava a ideia de ter que quebrar o coração dele, mas sabia que não conseguiria dizer que o amava sabendo que nutria algo muito mais intenso por outra pessoa. Mesmo se ela não dissesse nada a Elsa, e não tinha nenhuma intenção de dizer, Emma sabia que não seria capaz de continuar com Killian.

"Emma, o que está acontecendo?" Perguntou a rainha de Arendelle, parecendo genuinamente preocupada.

Então, Emma sentiu os dedos de Elsa tocando suavemente o seu rosto, em um gesto que era quase como um pedido para que a Salvadora a encarasse. E, assim, ela se viu repentinamente encarando os olhos cor de gelo da outra mulher e soube imediatamente que a rainha de Arendelle não sabia o que a pulsação de poder que ambas haviam sentido realmente significava.

"Não… não está acontecendo nada," falou Emma, corando violentamente e sabendo que aquela mentira não seria capaz de enganar ninguém.

Elsa, entretanto, não fez qualquer esforço para respondê-la. De fato, apenas alguns segundos se passaram antes que a Salvadora percebesse que a outra mulher sequer ouvira o que ela dissera. Quando Emma sentiu os dedos de Elsa acariciarem a sua face e as duas começaram a se aproximar lentamente, ela percebeu que estava condenada.

Pense, Swan! Esse não é um bom momento, se afaste enquanto ainda pode! Mas o corpo de Emma parecia se recusar a obedecê-la, e ela sentiu os lábios da outra mulher tocando os seus suavemente e, enquanto todos os seus temores se evaporavam, a magia do amor verdadeiro crescia dentro dela, preenchendo as duas mulheres completamente.

O beijo não durou muito; Elsa se afastou repentinamente e abaixou a cabeça, mas Emma teve um vislumbre do rosto muito corado da rainha de Arendelle.

"Desculpe-me, Emma. Eu… eu não sei por que eu fiz isso," disse Elsa, em um sussurro, e Emma percebeu que os olhos da outra mulher estavam cheios de lágrimas. Como se essa situação não fosse desconfortável o bastante!

"Elsa," começou Emma e se interrompeu, sem saber bem o que dizer a seguir. Ela não sabia falar sobre sentimentos, principalmente sentimentos indesejados. Com um suspiro, recomeçou: "Elsa, essas coisas não são fáceis para mim. Essa coisa de amor verdadeiro, eu achava que isso era coisa de história de criança até não muito tempo atrás. Mas só porque é difícil para mim, não significa que eu não… compartilhe."

Elsa ergueu a cabeça e encarou Emma com um olhar confuso.

"Amor verdadeiro?" Perguntou Elsa, e a Salvadora soube imediatamente que a outra mulher não conhecia a sensação daquele tipo de magia. "Espere! Essa magia que eu senti agora não é a sua?"

Pensando por aquele lado, aquela magia era a dela, a magia do amor verdadeiro. Exceto que ela tinha certeza que Elsa não deveria senti-la se fosse apenas a magia dela, da mesma maneira que Emma não podia sentir a magia de Gold ou a da Regina quando os dois a usavam. Não, embora a magia da Salvadora fosse a magia do amor verdadeiro, aquela magia que as duas haviam compartilhado não era a dela.

Emma balançou a cabeça negativamente, e Elsa deixou escapar um suspiro que a Salvadora tinha certeza absoluta ser de alívio. Sim, porque aquilo confirmava que os sentimentos que ela acabara de confessar com aquele beijo eram recíprocos. Emma ainda não sabia ao certo o que fazer com eles, e o alívio de Elsa a fazia se sentir mal a respeito.

"Elsa, só por que é a magia do amor verdadeiro, não significa que tudo dará certo automaticamente," disse Emma com seriedade, e a expressão de Elsa se fechou imediatamente. "O que eu quero dizer é que... veja só os meus pais, eles tem amor verdadeiro, mas isso não os impediu de ficar vinte e oito anos separados por uma maldição infernal, não os impediu de ter que abandonar a filha recém-nascida e perder vinte e oito anos da vida dela, da minha vida. Amor verdadeiro não te deixa imune à dor."

Elsa observou Emma por um tempo interminável, sua expressão completamente ilegível. A Salvadora conhecia a outra mulher o bastante para saber que aquela expressão não significava necessariamente que Elsa não estava sentindo nada; a rainha de Arendelle a usava em momentos nos quais não queria mostrar vulnerabilidade. Mesmo sabendo disso, entretanto, não pôde deixar de se sentir ansiosa, com medo de que aquilo não significasse nada para a outra mulher.

"Ei, eu só quero dizer que é doloroso… amar alguém," disse Emma, e a expressão no rosto de Elsa se tornou lentamente muito triste, o que foi, de certa maneira, um alívio.

"Eu sei disso, Emma; estou separada da minha irmã há trinta anos, sei que pode ser doloroso às vezes," disse Elsa; ela ergueu novamente os olhos e encontrou os de Emma, e a Salvadora pôde perceber que era um olhar caloroso. "Mas vale a pena, não é?"

"Vale?" Emma deixou escapar antes que pudesse se interromper, e percebeu que a expressão de Elsa se tornou ainda mais triste. Sempre cínica, sempre descrente, incapaz de criar vínculos duradouros com as pessoas com as quais eu mais os quero. Achei que eu tinha superado isso, mas não. Ainda não.

"Emma, eu sinto muito que pense dessa maneira. Você, melhor do que qualquer outra pessoa, devia saber o quanto o verdadeiro amor pode ser poderoso," disse Elsa, desviando novamente o seu olhar.

"Eu sei que é poderoso, mas também é doloroso," disse Emma. "E as pessoas que me amam sempre acabam me abandonando por algum motivo. E isso… quero dizer, você é uma rainha; terá que escolher entre o seu título e… isso em algum momento!"

"As coisas mais importantes para nós são as coisas mais difíceis de se conseguir. Devemos abraçar aquilo que é importante para nós, mesmo quando é difícil, principalmente quando é difícil," disse Elsa, por fim. "Arendelle… existe condenação para muitas coisas lá, principalmente coisas mágicas; mas a magia do amor verdadeiro sempre foi aceita e respeitada por todos nós. Quanto à herança do reino, tenho certeza que Anna e Kristoff gerarão herdeiros, por mais que eu odeie pensar nisso."

Emma deixou escapar um sorriso, pensando no quão desconfortável fora a ideia de entrar no quarto de seus pais ainda naquela noite. Sim, ela podia entender a aversão de Elsa por aquele assunto.

Tomando o sorriso de Emma como um convite, Elsa pousou uma mão sobre a da outra mulher delicadamente e entrelaçou os seus dedos aos dela. A Salvadora se assustou ao perceber que, quando não estava completamente paralisada pelo medo do que estava sentindo, gostava do toque de Elsa. Ela apertou a mão da outra mulher com carinho, sentindo o amor que sentia a preenchendo.

O que você está fazendo, Swan? Emma se perguntou, completamente chocada com suas próprias ações. Ela deveria se afastar de Elsa, dizer a ela que não podiam fazer aquilo, que não tinha como um relacionamento entre as duas dar certo. Mas, por algum motivo, não conseguia se forçar a fazê-lo, ela sentia como se precisasse do toque de Elsa quase com tanta urgência quanto precisava de ar.

Já se xingando por isso, Emma delicadamente segurou o rosto de Elsa entre as suas mãos e, em uma contradição inexplicável, pressionou os seus lábios sobre os dela com força e paixão, invadindo a boca da outra mulher com a sua língua. O que você está fazendo, Swan? Ela voltou a se perguntar, mas não se esforçou em responder; aquilo não tinha importância, não quando os lábios de Elsa estavam sobre os seus, ao mesmo tempo suaves e implacáveis, fazendo com que o seu coração explodisse continuamente contra o seu peito.

Quando Elsa se levantou e abraçou Emma pela cintura, a Salvadora deixou as mãos deslizarem e abraçou a outra mulher pelo pescoço enquanto o beijo lentamente perdia a sua urgência e se tornava mais suave e apaixonado, foi quando a Salvadora percebeu que a magia do amor verdadeiro pulsava entre elas e se perguntou se seria sempre assim.

As duas se separaram lentamente após algum tempo, e Elsa abraçou Emma com força e repousou sua cabeça no ponto entre o ombro e o pescoço ela.

"Elsa, o que vamos fazer?" Perguntou Emma, sentindo o temor em sua voz. Em toda a sua vida, ela nunca desejara tanto estar ao lado de uma pessoa que não fosse um membro de sua família. Mesmo com Neal, o seu primeiro grande amor, as coisas não haviam sido tão intensas.

"Eu não sei," respondeu a rainha de Arendelle, e Emma percebeu que a respiração dela lhe fazia cócegas. "O que você realmente quer fazer, Emma?"

"O que eu realmente quero fazer; eu quero me esconder no primeiro buraco que encontrar e nunca mais sair de lá," disse Emma, com um suspiro, e Elsa deixou escapar um riso baixo e breve, apertando a outra mulher ainda mais fortemente contra o seu corpo.

"Está tudo bem em sentir medo, eu também estou apavorada" disse Elsa, após um momento. "Quero dizer, é a primeira vez que eu amo alguém que não é um membro da minha família."

Emma se afastou um pouco, saindo do abraço de Elsa, para olhar nos olhos dela, percebendo que a rainha de Arendelle não notara a seriedade do que acabara de dizer.

"Esse é o seu primeiro amor? Quero dizer, o seu primeiro amor romântico?" Perguntou Emma, com espanto. "Espere aí! Não me diga que o beijo de mais cedo foi o seu primeiro beijo!"

Ela observou Elsa corar violentamente, e não precisou de qualquer outra afirmação. Sim, ela acabara de beijar quase com violência uma pessoa completamente inexperiente! Emma se espantava que Elsa não tivesse se apavorado completamente e sentiu o seu coração se encher de afeição quando percebeu que, provavelmente, isso era fruto da confiança que a rainha de Arendelle tinha nela.

"Por que não me disse antes?" Perguntou Emma, deslizando as suas mãos até a cintura da outra mulher.

"Eu achei que fosse óbvio. Quero dizer, eu passei uma boa parte da minha vida trancada e isolada das outras pessoas por causa dos meus poderes," disse Elsa, com um sorriso triste que fez com que Emma tivesse vontade de beijá-la novamente. Contenha-se, Swan!

Elas permaneceram por algum tempo se encarando, Emma tentando se decidir a respeito do que dizer à outra mulher, tentando entender o que estava acontecendo e o que ela realmente queria fazer a partir daquilo. Mesmo que Elsa tenha-lhe assegurado que o relacionamento das duas não seria um problema para o povo de Arendelle, Emma ainda tinha dúvidas se o cargo da outra mulher não as impediria de ficar juntas. Afinal, se Elsa tivesse a oportunidade de retornar ao seu reino, talvez se sentisse obrigada a deixá-la.

"Elsa, olha, eu não sei o que podemos fazer a respeito disso. Existe muita coisa que não sabemos ainda sobre o seu reino, sobre a sua irmã; por favor, não me faça promessas que você talvez precise quebrar," disse Emma, com tristeza. "Talvez devamos esperar que essa loucura com a Rainha da Neve termine e tenhamos mais pistas sobre a sua irmã antes de continuar com isso, seja lá o que for."

"Eu... entendo," Elsa respondeu lentamente, e deu um passo para trás, afastando-se de Emma.

Imediatamente, a Salvadora sentiu a ausência do corpo da outra mulher contra o seu, e teve que resistir à urgência de colocá-la novamente no abraço, de não deixá-la ir. Mas sentia que estava tomando a decisão correta naquele momento, sentia que a paciência naquele momento poderia poupá-la de um coração completamente partido no futuro. Era o melhor.

Repentinamente, Emma sentiu os lábios de Elsa novamente sobre os seus, em um beijo suave, e seu coração perdeu o compasso enquanto ela sentia novamente a pulsação da magia percorrendo o seu corpo. Antes que pudesse se dar conta do que estava acontecendo, Elsa já se afastava e, desejando-lhe uma boa noite, deitou-se novamente no sofá.

Por enquanto, era o melhor. Emma tentava se convencer enquanto retornava para a sua cama, tentando ignorar a memória das lágrimas de Elsa, que salgaram o último beijo das duas.

Agora, estava mais certa do que nunca de que não seria capaz de dormir naquela noite.

Notas finais
Originalmente, essa história tinha apenas um capítulo, mas, enquanto eu escrevia, percebi que não posso dar um final feliz a Frozen Swan em apenas um capítulo sem descaracterizar a Emma. Portanto, dois capítulos com algum espaçamento temporal entre eles.

Quando o próximo vai sair? Eu não sei. Minha vida anda corrida em excesso e eu ainda preciso atualizar minha outra fic. Talvez, se eu tiver tempo, semana que vem.