Fugitives
2 Nova Rotina
Notas iniciais
"Uma árvore,cinco pássaros e um céu de tom claro,como se toda a luz do mundo fosse parar ali,posso até sentir o cheiro das flores.Uma briza suave parecia reinar nesse local.Os pássaros cantavam e brincavam como se o mundo pertencesse à eles.Mas algo inesperado aconteceu,o céu que brilhava,se encheu de trevas,as flores apodreceram e o lugar se encheu de 'morte'.As trevas avançavam cada vez mais,e os pássaros não podiam fazer nada e foi então que essa treva sugou três pássaros.Os dois filhotes ficaram desesperados,já não cantavam mais e até as suas diversões se esvaziaram.Foi quando as trevas voltaram ao local e ...." -Tum tum tum-Abra a porta Ariel-Disse vovó.
Eu ainda não tinha acordado totalmente-"Tum tum tum"-Vamos docinho-implorou vovó.-Eu fiz um ótimo café-da-manhã.
Puxei o meu travesseiro do chão e coloquei sobre minha cabeça tentando não escuta-la,mais acho que não fez efeito algum-"Tum tum tum".
Sentei na beira da minha cama e fiquei olhando para o espelho ao lado do janelão do meu quarto,não parecia ser eu sentada ali.E foi quando meu alarme tocou e me tirou desse pensamento-7:00-"I can almost see it,That dream I'm dreaming, but" -Desliguei.
Gosto das músicas da Miley e essa era a minha favorita,mas acho que não é um bom momento para escuta-la.Levantei e fui abrir a porta,e a primeira coisa que eu vi foi o sorriso da minha avó.
–Até que enfim docinho,pelo visto esqueceu que hoje é dia da matrícula!-disse vovó colocando a mão na cintura.
Eu havia esquecido mesmo,já ia até perguntar por que o alarme tocou tão cedo-Não esqueci vovó,estou indo me arrumar,ok?-perguntei levantando a sobrancelha,e ela começou a rir.
–Docinho,aproveita ta bom? você é jovem,tem 16 anos.Meninas da sua idade saem para Shopping,vão pra festas,tem muitos amigos e um namorado,mas você só quer ficar trancada nesse quarto-ela disse olhando por dentro da porta.
–Vovó.sermão logo pela manhã?eu prometo que vou aproveitar,só que do meu jeito-Indaguei-Agora vou me arrumar-sorri.
Sai do banheiro e fui me arrumar,vesti minha calça jeans,um tênis e meu moletom favorito da just approve,soltei meu cabelo que estava preso em uma trança,ele é estranho,um dia liso e outro ondulado,e hoje ele está ondulado do meio pro fim,é castanho escuro e bate na minha cintura.Dizem que puxei para minha mãe,mas eu não lembro.E por fim coloquei meu cordão,a única lembrança que tenho do meu pai,o seu pingente é difícil de explicar,parece um coração,mais as pontas não se encontram,pelo contrário,elas ficam distantes.As duas pontas são afiadas e uma parte é feita de ouro e a outra de prata.
Desci correndo na escada,os degraus eram ingrimes demais e quando eu descia andando tinha a impressão de que iria cair.
–Calma ai mocinha-disse minha prima Cloe enquanto rodava as chaves do seu carro no dedos-esta animada pra ir pra escola?-perguntou com uma cara de curiosa.
–Tenho que ir mesmo?-perguntei,já sabendo a resposta.
–Claro docinho,a Dee vai estar esperando você-falou vovó colocando os ovos mexidos em cima da mesa.
Dee é a minha melhor amiga,nos conhecemos à 9 anos,ou seja,mais ou menos quando eu cheguei aqui em B.Raton.
Nos sentamos na mesa e nos servimos.Era um dos únicos momentos em que Cloe não falava nada.
–Quer carona Ariel?-perguntou Cloe.
Acho que falei cedo demais-Claro-sorri.
Peguei minha mochila,ela é verde,um verde estranho.Entrei e sentei no banco do carona do Ford Escape de Cloe.Ela deu a ré e disse-Mamãe chegou bebê-O carro é o xodozinho dela.
No meio do caminho Cloe disse-Ariel,eu não sei o que a vovó te falou,mas eu sei que ela quer o melhor pra você,sabe,ela te ama muito.Só faz o que ela pediu tudo bem?
–Cloe,vocês me tratam como criança,por favor.Se depender de mim,tudo vai ficar como estar-Virei pra olhar as casas que iam ficando pra trás,o tempo aqui é doido,um dia é frio e o outro é quente.Hoje amanheceu frio.
Chegando na Pride school,pude avistar Dee comento seu cookie matinal,ela tem uns quilinhos à mais,não chega a ser chamada de gorda.
Desci do carro e fechando a porta olhei pra Cloe mandando um beijo pelo ar pra mim e dando tchau para Dee.
–Oi,como foi o verão?-perguntei andando para perto da Dee.
–Muito mal,meus pais não deixam eu fazer nada,nem uma festinha-disse ela fazendo cara de choro.
–Qual é Dee?quem você iria convidar? só eu?-eu disse rindo.
–Mesmo assim,seria muito legal.Queria que eles morressem-Dee falou,mas depois de um tempo percebeu o que havia falado e fez uma cara de "desculpa,não foi por mal"
Eu disse-Tudo bem-mas não está nada bem,eu passo os dias tentando esquecer dos meus pais e não consigo.
Meus pais e meu irmão caçula foram mortos dez anos atrás,eles mandaram eu e meu irmão mais velho pra casa de uma tia e horas depois recebemos uma ligação de que eles havia morrido.E o que sobrou dessa família foi um irmão preso no Brasil,acusado de matar a própria família e uma menina que não presta pra nada,ou seja,eu.
–Vamos fazer nossa matrícula?-perguntei fazendo um sorriso forçado.
–GO!-Dee falou jogando o resto de seu cookie no lixo.
Dee estava falando alguma coisa,mas não consigo escutar,não paro de pensar no meu sonho e no seu provável significado,foi quando Dee me deu um beliscão e disse-Terra chamando Ariel!..mulher,eu estou aqui desabafando,pensando que minha amiga está me escutando e vejo que ela ta é viajando na maionese.O que ta acontecendo?.
–Desculpa Dee,eu tive um sonho e não consigo entend...Aaai!-gritei e não consegui terminar minha frase pois um menino passou entre eu e Dee.
–Ta maluco idiota?-falou Dee-Se eu ti pegar...-O menino virou pra olhar e eu me senti estranha,senti uma presença ruim,algo que não quero sentir nunca mais. E Dee mudou totalmente o tom e o final da frase-Se eu ti pegar eu te beijo"-e nós duas rimos.
Dee começou-Meu Deus que gato,com certeza novato.Sabe quem é?
–Não sei e nem quero saber-falei seria.
A fila estava grande,e quando já estávamos na porta,Dee começou a pular.Olhei pra ela e comecei a rir-Ta ficando doida?-perguntei.
–Eu preciso ir ao banheiro,acho que aquele cookie filho da mãe não fez bem pra mim-Dee disse ainda pulando.
–Mas Dee,nós vamos ser as próximas,aguenta mais um pouco-sussurrei.
–Não da,depois eu enfrento essa fila de novo-Dee saiu correndo em direção ao banheiro feminino.
–Próximo!-gritou uma mulher de dentro da sala.
Eu entrei sentindo uma sensação ruim e avistei logo o Idiota que quase me derrubou-Ele vai ter que ficar aqui?-perguntei pra secretária.
–Só um minuto-disse ela pra mim,mas falando no telefone.
–O que? ta com medo de eu descobri suas aulas e ti seguir?-falou ele olhando pra mim com cara de sarcasmo.
–Cala a boca-Olhei pra ele.
–Pronto-falou a secretária-Sinto muito mais não podemos dar informações de alunos,senhor Miller-ela demorou ao falar o nome dele.
–Que merda!-ele bateu forte na mesa-ok,tudo bem!.Cuidado pra não cair ai- ele esbarrou em mim.
–Idiota-gritei.
E as pessoas que estavam na fila olharam para dentro da sala para ver o que estava acontecendo.
–Calma gente-falou a secretária impaciente-turmas por favor,senhora Ariel.
* * *
Eu estava sentada esperando Dee fazer sua matrícula,olhei e ela ainda estava na fila,e de repente comecei a me sentir mal.-Ei você-o menino supostamente chamado Miller chegou falando.
Me levantei e comecei a andar mais ele me puxou pelo braço muito forte,virei e arranhei o braço dele-Ta ficando maluco? quem você pensa que é?-falei saindo.
–Ei ,só uma informação,por favor!-ele disse ,mas ainda com o tom de sarcasmo.
Virei pra ele e fiz uma cara de "o que".
–Conhece alguma menina cujo pais estão mortos?-Perguntou ele,e essa foi a gota d'água.
–Ta de brincadeira né?-virei e fui em direção a Dee.Mas ele veio atrás de mim-o que eu falei de errado?-ele disse mas sem nenhum sentimento em sua voz.
–Só me deixa em paz,não fala comigo .Dee ,te espero no refeitório ok?
Ela apenas confirmou com a cabeça sem entender nada.
* * *
–Que menino idiota!-gritou Dee depois de escutar o que aconteceu.
–Sim sim,mais deixa quieto-falei olhando ao redor pra ver se ninguém escutou.
"trim,trim".O celular de Dee tocou-Que Merda,eu já mudei o toque desse celular,mais continua um som irritante.-Dee atendeu.
–Oi mamãe....Pra onde?....Ta bem...Vou chamar...te amo gata,beijos-Dee desligou.
–Mamãe quer saber se você não pode dormir la em casa,sabe,ela vai sair e não quer me deixar ficar só por causa daquela "festinha" que dei.Que tal?
–Não sei Dee,amanhã começa as aulas,e não trouxe nada aqui comigo!-falei
–Gata,esqueceu que tenho carro agora?vamos buscar!.-Falou ela retirando as chaves do bolso e girando nos dedos.
–Vamos-falei rindo.
* * *
–Vovó,tô indo dormir na casa da Dee,ok?-gritei,pois não sabia onde ela estava.
Subimos as escadas e entramos no meu quarto.
–Ariel?-escutei a voz da minha avó de longe.
–Sim vovó-gritei de volta,olhei no relógio e era 15:27 da tarde.Peguei uma mochila e coloquei o necessário para uma noite fora.Olhei pelo janelão a rua deserta,as pessoas só vivem dentro de suas casas,vivendo em seus mundinhos.
–Dee,que tal darmos uma geral nesse quarto qualquer dia desses?-perguntei olhando para Dee vendo se ela aprovava essa ideia.Não gostava muito da cor rosa,quando eu cheguei aqui era fanática,mas tudo muda.
–Adorei a ideia,podemos transformar por completo.Semana que vem?-perguntou Dee.
–Pode ser-falei rindo.
Descemos correndo as escadas,e vovó falou-Meu Deus,é um assalto?-ela vendo minha mochila perguntou-Vai à algum lugar docinho?
–Sim vovó,posso ir dormir na casa da Dee?-perguntei já sabendo a resposta.
–Com certeza,aproveita docinho.-falou ela subindo as escadas calmamente.
Olhei pra Dee e ela estava olhando para a torta de chocolate que vovó deixou pra mim-Pode comer Dee-falei rindo e sentando logo.
–Opa-Ela se sentou no banco do balcão.
Depois de um tempo olhando para a foto da minha família que estava na sala de estar,tomei uma decisão que devia ter tomado a muito tempo-Tenho que visitar meu irmão-falei.
–O que?-Falou Dee terminando a torta.
–Nada,depois falo-Levantei e abri a porta.-Vamos?.
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