Fugitives
6 Inconsciente
Notas iniciais
Quando eu era pequena,e meus pais ainda estavam vivos,ficava sentada em um galho de uma jambeira pensando no meu futuro,como seria depois de 1 ano,2 anos,enfim,na minha adolescência,como seria meus amigos,meu primeiro beijo.Mas a morte dos meus pais caiu como um balde água fria em cima da minha cabeça.Mudei de cidade,de escola e de vida.
Hoje eu acordei antes do alarme tocar,olhei para o relógio e ainda é 05:27 da madrugada.Antes que eu me esqueça,mandei uma mensagem para Dee vir me buscar.Eu não consegui dormir,fiquei olhando para a foto que veio com a minha jaqueta.Nós éramos uma família feliz,daquelas que sempre se reúnem para almoçar e jantar,dos filhos que desabafam com os pais,que no natal chama todos os familiares e amigos para uma saborosa ceia.Quem quer que seja que os matou não deve ter coração,e não sabia quem eles realmente eram.
O alarme tocou e eu fui me arrumar para ir para a escola,hoje está fazendo muito calor,32°C.Eu vesti uma calça legue preta,um tênis e uma regata branca folgada.Já estava abrindo a porta quando me lembrei,voltei no meu criado mudo e peguei o cordão que meu pai me deu.Ainda estava com o braço enfaixado por causa do corte na festa de Halloween.
Desci as escadas como sempre faço,me sentei á mesa com Cloe,esperando vovó trazer o bolo de baunilha que ela sempre faz.
–Bom dia Ari,parece que faz um ano que não te vejo-disse Cloe rindo.
–Ué,rsrs você não para mais em casa-disse rindo também,faz tempo que nós duas não tínhamos uma conversa agradável assim.
–Concordo rsrs-disse vovó se sentando á mesa conosco.Mal toquei no café da manhã e escutei o som do motor do carro da Dee,peguei minha mochila e me despedi da minha pequena família.
Entrei no carro olhando para Dee,ela estava mais arrumada que o normal.
–Oi Ari-ela falou sorrindo.
–Iae,quais são as novas?-perguntei.
–Bem rsrs.Eu conheci um menino muito fofo,e o bom é que ele estuda la na Pride School.-ela falou pisando fundo no acelerador.
–Maravilha-falei rindo,faz tempo que eu não vejo a Dee se interessar de verdade por um menino,desde o fim trágico de seu namoro-Conheceu aonde?.
–Ontem,meus pais me convidaram para ir jogar golf e como eu não estava fazendo nada eu fui.Mas eu não gosto muito de golf então resolvi ir para uma mini biblioteca que tem lá,ele chegou e perguntou se poderia sentar comigo.E a conversa fluiu-ela terminou sua história com gargalhadas.
Depois de alguns minutos chegamos na escola,e todas as vagas perto da entrada estavam lotadas,Dee teve que estacionar longe,deixou o carro perto de umas árvores.Descemos do carro e foi quando eu vi o menino que me ajudou com o machucado sábado á noite.
–Oi Carlos-disse Dee com um sorriso no rosto.
–Oi Dee-disse ele dando um beijo em sua bochecha.
–Ahm,essa é Ariel minha amiga-Dee falou sem olhar pra mim.
–Oi ariel,como está o corte?-ele falou com uma certa intimidade na voz.
–Está bem,obrigada-eu ri.
–Vocês já se conhecem?-Dee finalmente olhou pra mim.
–Sim,ele me ajudou com isso-apontei para o meu braço machucado.
–Ahh,obrigada por não deixar minha amiga ter uma hemorragia rsrs-Dee falou para Carlos.
–rsrs De nada,ahm..Dee eu quero falar com você-Carlos falou puxando Dee em direção a escola.
–Calma.Vamos Ari?-ela perguntou virando de costas.
–Ahm , não rsrs não quero segurar vela-falei rindo.
–rsrs nos vemos mais tarde-eles já estavam na metade do caminho.
Comecei a andar mas algo me fez parar.
–Oi Ariel Collins-disse Trent saindo de trás das árvores.Ele estava esperando a Dee sair.Mas eu não parei para falar,continuei andando mas ele me puxou pelo braço bom,e com o outro braço eu tentei dar o soco nele,mas acho que ele já estava esperando.Me puxou para trás do carro da Dee e me segurou muito forte.Olhando para o meu cordão ele disse:
–Deixa eu ver!
–Me solta,oque você quer comigo? o que eu fiz?-perguntei fazendo careta de tanta dor.
Nesse mesmo momento ele puxou meu cordão de dentro da blusa,sua cara criou uma expressão de ódio e tristeza ao mesmo momento.
–Sobreviveu-ele disse.
O coordenador da escola estava passando por lá e quando eu ia gritar ele me jogou no chão e caiu em cima de mim,isso é tudo oque eu lembro.
* * * * * * * *
Abri meus olhos e vi a Dee.Eu estava na enfermaria.
–Oque eu to fazendo aqui Dee?-perguntei me levantando.
–Você desmaiou,Trent te encontrou perto do meu carro mas a enfermeira disse que você está bem,ela foi na diretoria agora-disse ela feliz.
Quando eu ouvi o nome do Trent passei a mão no meu pescoço e não senti o meu cordão lá.Ele pegou.
–Dee,viu meu cordão?-perguntei já sabendo a resposta.
–Não,eu acho que você perdeu.Desculpas,eu sei o tanto que você gosta dele-Dee falou.
–Hum,Acho que vou embora,não estou me sentindo bem.-Falei,mas não é verdade,foi a única desculpa que pensei.
–Okay,descansa que amanhã é o grande dia-disse ela rindo.
Grande dia?.A sim,com essa loucura acabei me esquecendo que amanhã é o meu aniversário.-rsrs Verdade,tchau-disse.
* * * * * * * *
Sentada na minha janela,olhando para a rua mas vendo algo além dela,como vou conseguir meu cordão de volta?O que ele tem de tão importante?.
"toc toc"
–Pode entrar-disse sem mexer o corpo.
–Ariel,você pode me ajudar em uma coisa?-perguntou Cloe.
–Cloe,eu não sei escolher vestidos-disse olhando para ela.
Ela riu-Não é isso,vem-falou.
Me levantei e a segui,eu não sei onde ela estava me levando,mas durante o tempo que passamos dentro do carro ela não parava de rir.Paramos na frente de uma concessionária da Chevrolet.Antes de sair ela disse:
–Bem,eu e a vovó passamos uns 3 anos guardando dinheiro,pra hoje.Nós juntamos e deu uma boa quantia,ou seja,da pra comprar um bom carro.Era pra ser amanhã,mas eu não aguentei ficar com a boca fechada rsrs,oque acha?.
–Sério? um carro pra mim?,oque estamos fazendo aqui dentro ainda-disse abrindo a porta do Ford Escape da Cloe.
Eu tenho carteira á um ano,mais eu não tinha carro.Ter carro e poder dirigir é uma carta de alforria.Depois de algumas horas escolhendo finalmente compramos.Ganhei meu dia,mês e ano quando o vendedor me deu a chave do meu Onix azul escuro.
* * * * * * * *
Passei horas agradecendo vovó e Cloe por o presente,depois eu subi e me tornei a sentar na janela para pensar como ia pegar meu cordão de volta.
Foi quando meu celular tremeu,mensagem da Dee.
"Eu estou nas nuvens,o Carlos me pediu em namoro ♥, e eu aceitei,ou seja,namoro oficializado"–Dee.
"Parabéns Dee"–disse,estava realmente feliz por isso,e ai eu tive uma grande ideia-''Dee,pode vir aqui em casa?quero fazer uma visita á um amigo".
Depois de meia hora,Dee já estava sentada em minha cama com cara de dúvida.
–Você tem certeza que foi ele que pegou? porque ele faria isso?sabe onde ele mora?-disse Dee.
–Não temos tempo para tirar dúvidas agora,e prometo que quando chegarmos eu conto tudo,tudo.Eu salvei o endereço dele no meu GPS.Vamos por favor.-fiz cara de cachorrinho pedindo comida.
–rsrs Ok,mas antes vamos la em casa,tenho que trocar de roupa-disse Dee se levantando.
Fomos no meu carro,que ninguém conhece,paramos na casa dela e já faz 20 minutos que ela subiu.Resolvi ir la no quarto pra apressa-la,no corredor ouvi uns sons estranhos,chegando mais próxima da porta eu olhei um homem musculoso e alto vestido de preto no quarto dela.Mas cadê a Dee,já estava quase dentro do quarto quando ele virou e no seu colo estava minha amiga inconsciente.Me escondi atrás da porta e esperei ele sair.Tinha um silêncio absoluto,eu podia escutar meu coração batendo.Ele desceu as escadas e eu fui atrás,já na rua,ele entrou em um carro preto,quando ele estava dobrando a rua eu liguei o meu e o segui.
Passamos por ruas e becos desertos,chegamos em uma rua estranha,o carro parou de frente á uma casa,a única que estava com iluminação na rua.Decidi saber onde estávamos,liguei o GPS e quase não consigo segurar um grito de susto e medo:
"Chegamos em : Casa do Trent"
Fale com o autor