Fugitiva
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Quando abri os olhos vi a menininha me encarando. Corei absurdamente enquanto colocava o violino novamente na capa.
- Olá. – Tentei distrair.
- Oi. Qual o seu nome? Você toca bem.
- Hm... Obrigada. Meu nome é Thetis.
- Thetis? – Peter perguntou – A ninfa?
- Hm... Sim. É essa. Acho. – cri,cri,cri – Qual o seu nome pequenina?
- Meu nome é Madeleine, mas me chamam de Mady. Ou de Line. – Sorri e tirei do bolso do vestidinho dela um pirulito.
- Olha o que eu achei! É seu?
- Um pirulito! – Seus olhinhos brilharam – De onde saiu?
- Do seu bolso ué!
- Mas eu não botei lá!
- Tem certeza? – Sorri e pisquei para ela. Peter olhava para nós sorrindo quando o trem começou a apitar.
- Acho que chegamos.
Eu estava triste por aquela viagem estar acabando, mas eu tinha que mentalizar? Eu fugia. Quanto mais longe eu estivesse melhor. Desci na plataforma da estação e logo os vi. Estavam cada um de um lado, e, percebi, logo viriam na minha direção.
- Quero ir ao banheiro.
- Agora Mady?
- Deixe que eu a levo. – Peter me olhou e sorriu.
- Sim. Encontre-me no estacionamento dos fundos que tem aluguel de carros.
Sai arrastando Mady até o banheiro. Vários deles me seguiram, mas pararam na entrada do banheiro feminino. Homens então. Dei sorte. Um espelho grande – e enferrujado – mostrava uma mulher cheia de sardas por cima do nariz e nas bochechas, o cabelo longo em polvorosa – meu prendedor caiu na floresta – os joelhos das calças sujos e as mãos arranhadas.
Tentei dar um jeito na minha aparência, mas a calça não mudou muito. Paralisei quando vi o reflexo de uma mulher ao mesmo tempo em que a senti atrás de mim. Virei já dando um golpe com o punho direito em seu rosto e ela quase me acertava um murro na barriga, mas eu esquivei enquanto pegava a pistola que estava presa dentro de minha bota. Ouvi a descarga vindo de um dos reservados.
- Não saia! – Torci para que Mady entendesse. Recebi um golpe no ombro e cambaleei. Filha da... WTF? Dei um murro em seu nariz e aproveitei sua momentânea cegueira, dando um tiro na sua testa. O silenciador estava colocado então só fiz jogar um corpo dentro de um reservado, ao mesmo tempo em que Mady saia do dela.
- Você está bem? – Ela acenou – Não fale nada para seu irmão. Por favor.
- Sim... mas diga. Quem era?
- Uma pessoa má. – Ela me encarou, muito séria.
- Você é ladra? – Eu ri.
- Não.
- Policial?
- Não.
- Espiã? – Titubeei.
- Não. Vamos.
Peter esperava encostado em um Fiat vermelho. Quando eu o vi, meu coração que já havia se acalmado disparou.
- Tem um hotel aqui perto. Vamos.
A paisagem era bela e cativante nessa parte de New Jersey e o sol já se punha, tornando o céu avermelhado. Meu ombro doía miseravelmente mas eu não estava nem aí enquanto o vento batia em meu rosto e fazia voar meu cabelo
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