Fugitiva

5 Capítulo 5 - A decisão


Eu não conseguia parar de chorar, meus olhos ardiam e não desciam mais lágrimas. Já fazia umas cinco horas que eu estava ali, trancada no meu quarto ouvindo repetitivamente a mesma música, às vezes a voz de Michael C. Hall em seu papel horripilante e psicótico em Dexter. A verdade é que eu não estava ouvindo nada, apenas o som dos dois disparos que haviam tirado a vida de duas pessoas que eu conhecia.

Megan não podia ter morrido. E agora? Eu senti finalmente algo quase cortando minha perna, no meu bolso. Era a minha metade da pedra, o símbolo da nossa amizade que durou tão pouco...

E se a próxima vítima fosse minha mãe? Uma hora iria acontecer, eles irão me achar. Virão meu rosto, virão meu estado. Não havia vida, não havia mais conforto para mim, apenas desespero e medo.

Limpei as lágrimas e tentei segurar um pouco meu sofrimento. Corri até o catálogo na sala e vi minha mãe roncando baixo no sofá, exausta com a roupa do seu trabalho.

A observei respirar lentamente. Como doía a ver daquele jeito... Tentei imaginar se sua barriga estivesse imóvel e seus lábios secos e pálidos. Se estivesse morta. Sofri por um momento.

Catei o catálogo e procurei o nome de Josh. Precisava avisar pra ele sobre Megan, precisava contar pra ele o que eu tinha em mente.

Saí de casa escondida e nem mesmo com os cabelos penteados com decência. Olhava para os lados e tinha medo em deixar sua mãe lá, sozinha em casa. E se eles fossem lá e a matassem? Isso era horrível.

Uma dor de cabeça insuportável invadiu minha cabeça.

Marquei com Josh na frente do posto de gasolina á dois quarteirões longe de minha casa. Um pouco distante caso os ASA nos encontre.

O vi virar a esquina. Respirei fundo, o nervosismo tomou conta de mim. Como eu contaria para ele? Com que cara eu iria dizer?

Era demais pra apenas um dia.

Reparei que seus cadarços estavam desamarrados e quase o fez cair.

“De propósito isso?” pensei para tentar me acalmar.

Não funcionou. Comei a bufar.

Ele estava na minha frente.

- Ela esta morta. – soltei com tudo, antes mesmo dele abrir a boca.

Então desmaiei.

Acordei com um cheiro estranho no cabelo, algo pingava.

- Ai. – exclamei, minha cabeça doía muito. Reparei que minha voz causava eco onde estava.

Vi Josh com um olhar sofrido e trêmulo, me olhando, me secando de lado. Eu estava deitada.

- Onde estou? – perguntei. O eco se fez.

- Como foi? – ele pergunta me ignorando totalmente. Sua voz estava trêmula e seus lábios rosados. Estava muito belo.

Sabia do que se tratava. Minha vista estava péssima. Levantei se apoiando nos cotovelos e o observei com mais detalhes. Tinha olheiras leves e algumas pintas no maxilar. Seus olhos eram castanhos muito claros e cabelo preto como carvão. Sua pele morena e um pouco acinzentada.

Estávamos no banheiro masculino do posto. O cheiro fazia arder meu nariz. Estava horrível.

Observava onde eu estava deitada e era uma mesa central de cimento e cerâmica branca com torneiras em volta. Enojei tudo.

Josh aguardava ainda minha resposta.

- Foi a ASA. – eu falei com a voz fraca.

Ele não disse mais nenhuma palavra, apenas abaixou a cabeça e começou a chorar muito.

O observei e comecei a chorar também.

Alguém socava na porta do banheiro.

Ignoramos.

Depois de um tempo, fiz um esforço muito grande e falei...

- Devemos ir.

Notas finais
R E V I E W
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.