Notas iniciais
Olá criaturinhas. Bom, demorou um pouquinho, mas saiu. Boa leitura.

Math

Eu não sabia como seria esse dia na escola. Depois do que aconteceu eu esperava que Eliza nem quisesse mais falar comigo. Por isso me surpreendi quando ela sentou ao meu lado na sala, e disse um oi, tímido.
– Oi — Respondi.
– Eu esqueci tudo o que aconteceu ontem, e você? — ela perguntou.
– Eu também. Amigos?
– Amigos?
O único problema, é que eu não havia esquecido nada.

Liza

Esquecer! Eu nunca iria esquecer aquilo. O que tentei ao máximo foi manter nossa amizade. Depois de ter conversado com Viola, cheguei em casa ainda abalada, mas vim hoje preparada pra enfrentar uma guerra a favor da nossa amizade, porém foi fácil. Muito mais fácil do que imaginei que seria. Em uma aula havíamos voltado ao normal. Ao menos aparentemente.
Claro que agora evitávamos todo contato físico possível, mas tirando isso, estávamos bem.
Quem não estava bem era Viola que se recusa a aceitar "que desistíssemos de nosso amor". Ela superaria. Com o final da aula de história, Math e eu estávamos decidindo o que faríamos para o trabalho gigante que a professora havia passado.
– Você pode ir lá em casa hoje? Fazemos isso logo e ficamos livres.
A resposta era clara, não estava pronta para ficar sozinha com Math de novo. Não é como se eu achasse que ele me agarraria, ele nunca faria isso. Mas o clima ainda estranho entre nós, poderia ser arriscado. Quando eu ia responder, um vulto entra na minha frente.
João. Não me admira eu ter gostado dele. Ele era bonito, pele clara, olhos castanhos, cabelo levantado. Seu problema era que ele sabia disso e fazia questão de exaltar.
– Hey princesa, que tal esquecermos ontem e eu ir na sua casa hoje?
– O que foi? Suas vadias já não te querem mais? Me deixe em paz, João.
– Escuta aqui, quem você acha que é?! — Ele gritou atraindo a atenção de quem estava no corredor.
– Não escutou cara? Ela mandou deixar em paz. Agora roda. — a voz de Math estava baixa, como se ele estivesse se controlando muito para não socar João.
– É isso mesmo, sai, você disse que sou infantil demais para você então agora vá atrás de alguém maduro e me deixe em paz. — disse, enquanto puxava Math pra longe antes que ele fizesse uma loucura.
– Eu errei, estava confuso, você sabe o quanto você é importante pra mim — João falou, se aproximando de mim.
– Não venha com essa historinha pro meu lado! Eu não sou mais boba! Vamos Math. — E saí puxando meu amigo.
– Isso, vai com ela. E você, leve seu cachorrinho e controle-o.
– Math, não li... — Nem tive tempo de terminar a frase. Só vi o punho de Matheus atingir o lado direito do rosto de João.
– Você. Nunca. Mais. Fale. Assim. Com. Ela! — ele falou, marcando cada palavra com uma pausa.
– Math! Vamos! Ele não vale a pena!

Matheus

– Math, o que deu em você?! Você sabe que ele faz isso só pra irritar! — falava Liza, ela estava furiosa comigo. Tínhamos ido até um café, no caminho da casa dela, e sem nenhuma vergonha, ela brigava comigo em voz alta, a ponto de o local inteiro ouvir.
– Eu não sei, Liza, eu não sei! Mas eu não podia ouvir ele falar assim com você. Não podia mesmo. Ele nunca mereceu sua atenção...
– Matheus (sobrenome que a gente tem que decidir), você vai me explicar agora tudo isso! Desde... Desde aquele beijo! Isso tá muito confuso!!
Explicar como? Ela esperava que eu só tivesse uma explicação científica pra tudo? Como se tivesse na aula de física? A explicação era simples, eu a amava. Mais que um dia eu achei que pudesse amar alguém, um amor tão grande que as vezes doía. E ver aquele babaca a tratar daquela forma, foi demais pro meu auto controle. Ele sempre mereceu aquele soco, desde quando traía Liza. Teve tudo que eu sempre quis e jogou fora por qualquer rabo de saia.
Eu ia falar, jogar tudo em cima dela e pronto. Mas não podia só, jogar uma amizade de anos no lixo.
– Explicar o que Liza? O beijo aconteceu, não sei porque, só aconteceu. E não tem nada a ver com a briga. Caramba, eu sou seu melhor amigo, me sinto no dever de te proteger. Não vou deixar um babaca qualquer te tratar daquela forma.
– Isso não me convence, Math — Ela disse, olhando nos meus olhos. — Você não está falando a verdade e anda muito estranho. Olha, eu vou pra casa. Preciso pensar. Minha cabeça tá um turbilhão de ideias. Mais tarde a gente se fala. Beijo!
E foi embora. O que eu fiz, meu Deus? Como é que eu vou contar a ela?? Ela não me ama. Não iria adiantar de nada. Eu não ia aguentar, ia explodir. Só havia uma pessoa que podia me entender. Fui para casa e liguei para o Eric, meu melhor amigo.

Liza

Fui correndo pra casa pensando em diversas coisas. No comportamento estranho do Math, no que a Viola disse, no beijo...
Cheguei, almocei e fui para o meu quarto. Como sempre, com pais ausentes, eu estava sozinha. Já estava acostumada morar em uma casa gigante mas nunca ter os pais por perto.
Tinha passado a tarde inteira trancada no quarto escutando músicas em sua maioria tristes e cheguei a conclusão que não tem conclusão. Estava cansada de pensar no porquê de repente tudo ter virado de cabeça pra baixo.Vou deixar a vida decidir por que eu cansei de tentar entender.
Quando finalmente resolvi sair do meu mundinho, a campainha tocou e quando eu abri a porta encontrei três criaturas completamente diferentes. Uma morena com os olhos e cabelos cacheados castanhos claro, um corpo que eu morreria pra ter, completamente coberto por roupas de grife. Quem visse a peça com uma saia preta Chanel, uma bouça azul da Louis Vitton, um Lambotinni combinando com a bolsa e uma blusa branca de alguma marca que eu não reconheci, teria certeza que era uma modelo internacional, mas na verdade era só Clara, uma de minhas melhores amigas. Seus pais eram podres de ricos e ela era a típica patricinha a não ser por um fato. De típica ela não tinha nada, apesar da aparência, era determinada e nem um pouco fresca. Contrastando com a postura fancy da Clara, ao seu lado tinha Sofia, minha hippie favorita, apesar dela odiar ser chamada assim. Elas eram o completo oposto, Sofia era linda a sua maneira, meio cheinha, o que nunca a incomodou, olhos esverdeados, o cabelo castanho liso estava preso em um rabo de cavalo e vestia um vestido florido simples. E pra fechar o trio parada dura, tinha Viola, com seu estilo romântico, usava uma saia rodada rosa e uma blusinha bege, seu cabelo na cintura completamente negro fazia contraste com os olhos azuis. Éramos um grupo extremamente diversificado. Crescemos juntas e mesmo cada uma tendo adotado um estilo nunca deixamos de ser amigas. A pergunta era: o que aquelas loucas estavam caçando na porta da minha casa?
– Olha amor, eu sei que a gente é linda mais será que dá pra deixar entrar? -obviamente Clara disse isso.
– Só estou estranhando o fato de que vocês bateram. — Disse entrando na casa sendo seguida pelas três. O que me levou a reparar que cada uma tinha uma mochila.
– Só fizemos isso porque a porta estava trancada- Disse Viola.
– Então, pra que as mochilas?
– NOITE DAS GAROTAS -gritaram quase me deixando surda.
– NÃO GRITEM CARAMBA.
– Mas é você quem ta gritando.- Reclamou Viola.
– Não importa, olha vocês não deveriam me perguntar se podem dormir aqui?
– A gente não liga se você vai deixar ou não. Além do mais você precisa de uma noite das garotas.- Me disse Viola com uma cara de "não importa o que você pensa".
– É, aliás, por que não nos disse que você e o Math estavam ficando? — Disse Clara se, fazendo de ofendida.
– VIOLETA!!!!
– Que foi? Relaxa elas são nossas amigas e não queriam vir, tive que contar qual era a emergência.
– Isso aí . Agora CONTA TUDO. — falou Sofia. Mas até tu Judas? Essa noite vai ser longa.
Fomos todas pro meu quarto, deixando-o uma bagunça. Sentaram todas na cama e ficaram me encarando.
– O que foi? Por que estão me olhando?
– Estamos esperando você falar tudo sobre o novo casal. Você e o Math. — Respondeu Sofia.
– Eu não estou com o Math. Ele só... me beijou, ontem. Aqui em casa.
– Como assim te beijou?? — Perguntou Clara.
– Ele ficou com raiva, eu contei pra ele que eu e o João tínhamos terminado e eu falei que eu não tinha nada demais, que nenhum menino ia de verdade gostar de mim, então ele começou a listar minhas qualidades, e... me beijou. Depois ele se desculpou e foi embora.
– Ele gosta de você!!! — Clara exclamou.
– Eu já disse isso pra ela!
– Tá, mas o Math e a Liza sempre foram amigos, como que ele começou a gostar dela?
– É isso que eu não entendo, Sofy. Nós sempre fomos muito amigos, eu nunca nem sonhei que ele fosse apaixonado por mim!
– MAS ELE TE AMA — Gritou Viola, inconformada.
– Viola....
– Não Clara, eu vou falar. Meu Deus, Eliza só você não vê que ele te ama, o cara mata e morre por você, ele brigou com seu ex e provavelmente vai levar uma bela bronca pra te defender. Por que vocês não vêem isso? Ele te ama. — Disse gesticulando enlouquecidamente e depois caindo na cama bufando.
Eu e as meninas ficamos olhando pra ela com cara de "mas o que ta acontecendo aqui?". Viola era calma e controlada, ela dificilmente fazia cenas assim.
– Tudo bem Viola, talvez ele goste de mim. Se ele gostar, isso só aumenta o problema. Eu nem esqueci o João ainda. Não estou pronta pra outro relacionamento . Não depois de tudo que aconteceu.
–Tudo que aconteceu? Liza porque vocês terminaram? Você nunca explicou isso direito — Disse Clara, desconfiada. Droga não deveria ter dito isso.
– Eu disse sim, ele disse que eu sou infantil.
– Não mente pra gente Liza, você sabe que não consegue.O que realmente aconteceu?
– Meninas eu não quero falar sobre isso.
– Liz, por favor, confia na gente. — Disse Clara segurando minha mão.
– Tudo bem eu conto. Eu e o João Estávamos na casa dele vendo filme, quando ele começou a me beijar, não foi um beijo normal, era como se ele não parasse de tentar intensificar, e quando eu tentei parar, ele não parou, e começou a tentar subir minha blusa. Eu surtei e dei um soco nele. Quando me largou disse que não acreditava no quão infantil eu era e se eu não desse o que ele queria, ele encontraria alguém que fizesse. Eu disse que então que ele encontrasse e sai correndo de lá.
– Nossa, que horrível, Liz!! Eu sempre achei que ele não prestava! — Sofia exclamou.
– Não acredito que ele fez isso! — Falou Clara.
– Você contou isso pro Matheus, Liz?!
– Não, Vi, não contei.
– Meu Deus, quando ele souber ele vai matar o João!!
– Ele não vai saber, Sofy, não vai!!
– Ele vai acabar sabendo, Liz — Clara disse.
– Eu sei, mas antes eu preciso saber se ele gosta mesmo de mim e entender também o porque de eu corresponder àquele beijo.
– Para tudo. Você correspondeu???!!
– Sim, gente.
– E como foi?
– Foi estranho, Clara, eu não sei direito porque correspondi, eu só sei que quando dei por mim, já estava beijando-o.
– Afina,l você gostou ou não? — Perguntou Viola decidida.
– Não. — As três continuaram me olhando como se não acreditassem em nada que eu dizia.
– Tudo bem, eu gostei. Mas não me perguntem mais nada, porque nem eu entendo isso.
– Okay, acabou o interrogatório. Já sei do que você precisa. SESSÃO TERROR.-gritou Viola.
Sessão Terror era algo que a tínhamos criado quando o primeiro namorado de Viola quebrou seu coração. Colocávamos filmes horríveis e ficávamos assistindo, rindo de quão ruim era e comendo besteira. Eu era a única que nunca tinha tido uma Sessão Terror, até aquele dia.

Notas finais
Ai meu deus quanta indecisão!!! Esperamos que vocês tenham gostado dos novos personagens. Quem além de mim já quer matar o João? Deixe sua opnião nos comentários. Vamos socializar!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.