P.V Helena

Todo esse silêncio, esses segredos, tudo isso é tão cruel.Não sei lidar com isso .Minha irmã nada disse. Porque ela tinha que ser assim? Quer dizer nossa mãe morreu, e eu não faço ideia do que aconteceu lá.

Merda, lágrimas teimavam em descer. Eu nunca estive tão longe de casa.

–Não deveria ser assim né? — perguntei sem desviar meu olhar da janela.

– Assim como? -Christine perguntou impaciente.

–Por onde passamos até agora, não há sinal de vida, não há alegria, isto está parecendo um enorme cemiterio. — eu falava sem entender, algo estava muito errado.

–Na verdade, atualmente isso é exatamente um cemitério Helena. — não havia emoção em suas palavras, só frieza.

Ela não parecia mais minha irmã, havia mudado drasticamente quando foi embora com nosso pai. Há dois anos atrás.

Flasback on

–Chris, me deixa dormir aqui hoje? Tenho medo da chuva. — eu corria pra seu quarto toda vez que chovia.

–Claro minha pequena. — ela dizia carinhosamente e cedia um lado de sua cama pra mim me deitar.

–Você é minha heroina — eu prometia que quando fosse mais velha seria como ela, como a minha irmã, a melhor pessoa do mundo.

–Sempre que você precisar eu estarei aqui. — ela dizia passando a mão em meus cabelos, pois sabia que isso me faria dormir.

–Você acha que papai está bem? — naquele tempo eu não entendia porque papai passava dias sem voltar pra casa.

–Ele está sim, papai é um homem forte lembra pequenina? — a voz dela me transmitia confiança.

–Tem razão, sempre tem — eu falava mexendo meus pequenos dedos,fazia todo sentido,Christine sempre sabia das coisas.

–Então agora que estamos aqui bem seguras no meu forte, que tal dormir? — eu e ela tinhamos nomeado seu quarto de forte, pois pra mim lá parecia o lugar mais protegido do mundo.

–Tudo bem — eu falava sem vontade, fazendo biquinho. E ela ria,e seu riso era tão gostoso, era tão verdadeiro.

–Eu sempre vou te proteger — foi a última coisa que ouvi antes de adormecer.

Flasback off

–Chegamos

– O que? — eu perguntei saindo do meu transe.

–Chegamos, vem comigo.

Sai do carro e segui Christine, que entrava em um túnel bem iluminado,caminhamos cinco minutos eu chutaria,e no final da caminhada, nos deparamos com uma sala,toda branca, com alguns sofás.

–Sente ai, vou buscar uma pessoa. — Ela disse com a mesma autoridade de sempre.

–Não quero ficar sozinha, me deixe ir com você. — eu pedia suplicante, alguns homens me olhavam. Deviam ser seguranças, pelos trajes.

–Eu vou,e você fica aqui. — ela disse e me deu as costas. Pensei em ir atrás, mas não adiantaria muito. então resolvi olhar alguns quadros na parede.

As imagens mostravam pessoas felizes, rindo, se amando. Mas será que isso é real? Ou esses sentimentos se perderam? É tão dificil, me sinto sozinha. Claro que eu nunca tive muita gente mesmo. Não tinha amigas, só algumas primas, que eu raramente via.

–Mamãe, sinto sua falta — falei baixinho,como se dividisse um segredo.

–Helena, como você mudou — meu corpo paralisou, não seria possível. Prendi a respiração por segundos enquanto me virava lentamente....

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.