Notas iniciais
Esse capítulo foi feito as pressas, não está muito bom. Eu sei que, por ser o primeiro capítulo, eu devia ter me esforçado mais para ficar melhor. Peço que levem e consideração que estou muito ocupado, eu só não queria perder o surto de inspiração.

Tão imersa em sua rede de pensamentos, tão suavemente repousava ali... Não havia nenhum som além do vento. Alice apenas respirava. Quem via de longe podia julgar que a menina estava dormindo. Olhos fechados, respiração suave, seu corpo jogado á grama. Sem preocupações.

Quem dera que a vida fosse simplesmente assim.

Eu quero ir embora. Alice cochichou. Provavelmente para si mesma, estava sozinha ali.

Você não pode... Ainda não é seu momento. Uma voz suave deu resposta á Alice.

Apenas parecia estar sozinha.

Que sentido tem ficar aqui? Alice indagou com a voz meio chorosa. Por favor... Me leve...

Você vai saber quando for a hora certa. A mesma voz de antes respondeu.

Eu não posso esperar. Mais um minuto com aquela mulher e eu explodo.

Então o dono da voz suave que tranquilizava Alice apareceu. O coelho ficou ao lado de Alice.

Me leve pro País das Maravilhas. Por favor... Alice implorou.

A menina apoiou-se nos braços e sentou-se na grama. Observou o coelho vestido com um colete.

Não. Ainda não. O coelho falou com certo ressentimento, seus olhos se fecharam por um tempo.

Eu acho que você está atrasado... Ela sorriu para o coelho observando o relógio de bolso que aparecia no bolso do colete.

Não tenho tempo para dizer “Olá”. Até mais. Estou atrasado, atrasado, atrasado para uma coisa muito importante. Ele cantarolou.

O coelho começou a se afastar. Primeiro estava andando de costas, logo se virou e começou a correr. Alice não seguiu-o, sabia que não podia.

E, como em todos os sonhos de Alice, conforme o coelho se afastava a imagem se distorcia e sua sensibilidade á vida real ficava mais forte. Em pouco tempo ela estava de novo em seu “aconchegante porão”.

Os olhos de Alice não se abriram, ela tinha sorte se pudesse ficar meio dormindo por mais algum tempo.

Ela soltou um suspiro forte. Em sua mente ecoaram muitas lembranças de sua infância. Quando seu pai ainda era vivo:

É toda noite papai. Toda noite. Alice dizia frustrada. O mesmo coelho branco que vem me avisar que vou ao País das Maravilhas.

E talvez você vá, minha filha. Seu pai respondia com um sorriso.

Eu quero ter sonhos diferentes. Ela disse. Uma lágrima já escorria pelo seu olho. Pessoas normais não têm sonhos diferentes? Eu não quero ser como a Alice do livro! Eu quero ser normal!

Não chore, minha querida. Você é tão normal quanto eu...

Então eu sou louca. Ela deu uma risadinha.

Ele abraçou-a e ela tornou a rir.

Por que ele não me leva, então?

Talvez porque não seja a sua hora...

E quando será? Papai eu não quero mais! Eu deixei de gostar da Alice. Eu não quero mais ser como ela...

Ora...

A memória se desfez na cabeça de Alice, sua madrasta chamava-a.

— Alice, acorde! Acorde! — A voz irritante e já conhecida ecoava pelo porão.

O desgosto de Alice era demais. Ela odiava aquela mulher com todas as suas forças.

Pensou em fugir. Mas já tentara tantas outras vezes... Algo sempre prendia Alice aquela coisa. As boas memórias, a esperança, a necessidade...

Não. Desta vez ela estava disposta. Ela iria mesmo sair dali.

O porão era o melhor lugar da casa, para Alice. Ela iria, com certeza, sentir falta daquele lugar. Sempre fora um lugar pelo qual ela se interessava, mas depois de seu pai morrer virou seu único canto.

Os livros velhos, que eram os preferidos de Alice, eram jogados ali. Os moveis antiquados, que para Alice eram os melhores, ficavam guardados ali. Tudo ali era só de Alice, todas as mudanças eram controladas por ela. Era o lugar com que ela se familiarizava.

Tudo ali tinha perdido o valor ou esquecido. Assim como a pequena.

— Alice! — A voz da madrasta se elevava, ela agora batia fortemente na porta que havia sido trancada, como sempre, por Alice. — Acorde vadiazinha!

Ela não podia mais suportar aquela mulher, a frase que disse a seguir pulou de sua boca. Frase que já estava engasgada a tempos.

— Vadia são suas filhas. Burras como a mãe! Inúteis. Todas vocês. Amaldiçoadas com a feiura eterna, sem valor nenhum...

Alice já estava arrependida de ter falado tais palavras. Agora não tinha como desistir de partir. Era ir ou morrer.

— Alice, quando você sair daí vai apanhar tanto que não vai poder mais andar. — Sua madrasta praguejou.

A menina não tinha o que perder, então replicou:

— Ah, é? Vem você e mais quem? Tente a sorte...

A madrasta continuou praguejando e Alice sempre respondendo. Enquanto isso a menina já vestira uma roupa mais descente, as roupas de Alice eram sobras das meias-irmãs. Alice também pegou uma mochila e enfiou algumas roupas dentro.

— Vou arrombar essa porta, sua maldita! — A madrasta gritou.

Alice já podia ouvir algo batendo contra a porta. Apressou-se em botar livros e outros objetos que ela poderia precisar. Ela planejava roubar algum dinheiro da tia antes de sair, mas não tinha tempo.

— Para buscar quem? — Alice respondeu e foi correndo até a porta que dava para o jardim.

A menina teve o maior cuidado para não fazer barulhos mas os ruídos que a velha porta fazia eram inevitáveis. Ela não tinha tempo a perder, então não fechou a porta. Apenas correu, correu o mais rápido que pode. Sua mochila sacudia no ritimo em que corria pelas ruas frias daquela cidade. O cabelo de Alice esvoaçava com o vento que batia repentinamente, suas faces eram de aflição, porém, decisivas.

Notas finais
Luxo ou lixo?