Sei que é estranho pensar que não sou nada. Na verdade, nem é tão estranho assim, afinal não sou a única que perdi a família em um trágico acidente de carro. Naturalmente algum parente teria cuidado de mim mas não, fui mandada para um orfanato.

Vai parecer clichê tudo isso. Uma garota que perde a família e é mandado para um orfanato. Mas não tenho opção, então o que eu posso fazer?

Me chamo Clarisse tenho dezesseis anos e perdi meus país e meu irmão John em um acidente de carro. Me lembro como se fosse hoje, meus pais e John tinham acabado de chegar de viajem, eu estava na casa de Maria minha melhor amiga. Estava louca para revê-los. Quando recebi a notícia, parecia que meu coração havia congelado como o monte Everest. Eu não esperava que isso acontecesse. Afinal, ninguém espera pela morte.

Estou a um ano e meio neste lugar. E não vejo a hora de sair daqui. Já tenho tudo planejado, assim que sair arrumo um emprego e tento reconstituir minha vida, de novo. Também pretendo encontrar meus familiares, para bater um papinho com eles e saber o porque não quiseram ficar comigo. Qual é, eu sou tão ruim assim?

Aqui arrumei grandes amizades, Pat, Lucas e Candy. São como uma família para mim, espero poder levar a amizade deles para a vida toda.

Pat é o tipo de garoto, que tenta te entender mas não consegue, mas é um ótimo conselheiro além de se preocupar muito. Lucas é o garoto mais neurótico, mal humorado e boca suja que eu conheço. Mas como disse é meu amigo e tenho que atura-lo. E tem a Candy, eu sou mais ligada a ela do que com Pat e Lucas. Acho que é porque ela perdeu a família da mesma forma que eu. Somos uma família, e estou disposta a ajuda-los como posso, acho que não suportaria perdê-los. Não suportaria perder uma família. Não de novo.

Acordo com o barulho das escadas e ouço gritarias. Será que alguém conseguiu uma família? Visto-me rápido e saio correndo do quarto para saber o motivo de tanta baderna.

–E aí Clarisse, tudo bom? Dormiu bem essa noite?

Dou de cara com Pat, que como sempre quer saber como eu estou.

–Estou bem...-digo eu — o que aconteceu? Que barulheira é essa?

–Humm... isso? é que encontraram drogas no quarto do Ted...

– É o que? Drogas? Não, deve ter alguma mal entendido e...

– Oras, porque está dizendo isso? Por que seria algum mal entendido, você não está sabendo de alguma coisa, está?

–Qual é Pat, isso é besteira. Só acho que deve ter tido algum engano ter encontrado drogas no quarto dele, ele não parece fazer essas coisas. E também, como alguém conseguiria trazer drogas para cá? Isso é estranho.

– Realmente, parece bem estranho a policia está no quarto dele, é melhor irmos lá ver.

Quando entro no quarto de Ted, ele já estava algemado e sangrando. Do lado da sua cama havia um grande quantidade de maconha, os amigos dele estavam pasmos, não só os amigos dele, como ele próprio. Não sei se estava disfarçando ou se Ted estava realmente surpreso com tudo aquilo.

–Responda garoto. Onde você conseguiu essas drogas? -disse o policial alto e forte.

–Eu... eu — Isso era só o que Ted conseguia dizer.

– Anda moleque responde!- gritou o policial dando coronhadas nele. Quando Ted levantou a cabeça, só vi o sangue escorrendo. Fiquei indignada, era realmente necessário toda aquela violência? Não poderia ficar pior até Lucas abrir a boca.

–Ei seu desgraçado, não precisa da agressão toda! Tá maluco?

–Do que você me chamou? De de desgraçado?- o policial falou com tanto ódio que me assustei.

–Isso mesmo, é surdo ou que?

– Olha como você fala comigo eu sou autoridade e você não tem o direito de...

– Foda-se a autoridade! Eu não quero saber! Mas o que você está fazendo é errado. — Agora Lucas falava mais auto do que o policial.

Todo calaram, inclusive o policial. Só se escutava os gemido do pobre Ted. O silencio foi quebrado quando a coordenadora Mary entrou no quarto. Quando ela viu a situação de Ted ficou horrorizada.

–Como ousa! -disse Mary assustada.

–Ora este garoto mereceu, não viu a quantidade de drogas que encontrada nas coisas dele?- o policial falou.

Mary parecia bem nervosa, não pelo Ted, mas pelas drogas.

–Preciso que a senhora me acompanhe. Não vejo ninguém responsável pelo garoto. — disse o policial, apontando para Ted com desdém.

–C-claro- Mary ainda estava bem nervosa.-Todos vocês voltem já para seus dormitórios, já!

E todos foram. Pude ver que Ted levantara com dificuldade. Como Lucas disse, não era necessário toda aquela violência.

Já estava ficando tarde. Mary e Ted ainda não haviam chegado.

– Isso é bem estranho — Candy falou.- Mary... ela parecia bem nervosa. E também...- Ela estava hesitando muito. Era como se Candy estudasse cada palavra que ia dizer. — Como alguém conseguiria trazer drogas para cá? Quer dizer, esse é um orfanato é bem seguro aqui, existem câmeras e guardas.

–Você chama isso de orfanato?- disse Lucas com raiva- Qual é, isso aqui parece uma prisão! NÃO TEMOS DIREITO Á ISSO, NÃO TEMOS DIREITO Á AQUILO, JÁ ESTOU DE SACO CHEIO!!

– Tem razão Lucas- disse Pat- E tem mais, não acredito que Ted tenha trazido drogas para cá.

–Acho que ninguém acredita — disse Candy- E por que será que levaram só ele? Por que não levaram os outros colegas de quarto? Eles poderiam saber de alguma coisa.

– Pior que é- disse eu me levantando.

– Onde você tá indo?- Disse Lucas

– Vou procurar saber disso tudo. — Disse eu saindo do quarto.

Notas finais
E aí gostaram? não esqueçam de comentar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.