Mych continuou a andar enquanto novas memórias apareciam e as recentes ficavam ainda mais claras e precisas. Ele se lembrava de perseguir a alguém, uma breve luta e por fim uma bela queda. Deveria ter morrido mas por algum motivo ainda estava vivo, bem não exatamente vivo. As setas continuavam a aparecer nas arvores proximas e ele as seguia sem contestar. Não sabia por que confiava tanto assim nelas mas estava desesperado por uma localização e aceitava qualquer coisa que o ajudasse.
– Bem, em algum lugar elas devem me levar, bem que poderia ser a um local de descanso com cores, alimentos e algo assim mas duvido muito.
Ele continuou a andar ate perceber um detalhe: o céu estava ficando mais escuro.
– Não deveria ser cinza, esta mudando para preto.
Mych parou por um momento e continuou a observar, parecia que grandes nuvens se formavam. Chuva não seria exatamente algo bom, embora talvez ele tivesse a chance de beber a agua mesmo não estando com sede.
Resolveu continuar a andar esse foi seu grande erro pois assim que deu mais um passo uma forte luz caiu na terra e o cegou. Quando voltou a enxergar estava em um local diferente. Parecia uma sala escura com alguns moveis.
– É somente uma ilusão, logo vou acordar.
Assim que disse isso uma voz familiar falou atras dele.
– Não se preocupe querido, é somente uma tempestade e assim que você dormir vai passar.
Ele olhou e se viu diante de sua propria mãe, ela estava com as mãos no ombro de um pequeno garoto. Sua felicidade foi tamanha que ele correu para junto da mãe a qual recuou assustada.
– Quem é você? Amor tem alguém dentro de casa, rapido venha aqui.
– O que? Mãe sou eu, Mych.
– Cuidado meu filho, vai para seu quarto, ele pode ser perigoso.
Ele a olhou e viu que ela dizia isso a o garotinho que tinha nos braços.
– Mãe, este garoto não sou eu, eu estou aqui.
– O que está dizendo? Este aqui é meu filho. Amor venha logo.
Mych não sabia o que dizer, la estava sua mãe e ela não o reconhecia. Antes que pensasse em algo, a porta da sala se abriu e ele viu seu pai entrar por ela com um olhar furioso.
– Oque pensa que faz em minha casa? Quem é você?
– Pai, sou eu Mych a mamãe não me...
Mas ele não conseguiu se explicar pois seu pai avançou para cima dele e desferiu um golpe com o machadinho que tinha em mãos acertando seu ombro de raspão. Seu pai segurou em seus ombros e tentou lhe derrubar mas ele conseguiu se soltar.
– Pai, o que esta fazendo?
Seu pai avançou e tentou soca lo e ele se deviou e o empurrou.
– Pare, sou eu Mych.
– Você não vai machucar meu filho, saia daqui já.
Ele estava em desespero e não sabia o que fazer, seus proprios pais não o reconheciam. Vendo seu pai mais uma vez avançar ele sem saída pegou um vaso na mesa ao lado e se desviou de seu pai batendo com o vaso em sua cabeça. Seu pai caiu no chão e ficou imovel.
– Não, não o que eu fiz? Pai! Acorda! Pai!
Da cabeça de seu pai começou a sair um liquido preto e molhar todo o chão. O ombro de Mych também latejava pelo ferimento e ele olhou e ficou espantado pois seu ombro estava se desfazendo pouco a pouco. A cabeça de seu pai tambem.
Mas ainda sim o velho começou a se mover e murmurar.
Então ainda havia esperança.
– Pai, fala comigo vai, acorda.
A mesma voz que lhe indicou o caminho lhe disse isso.
– Este não é seu pai, mate o agora.
Ele olhou para tras e dessa vez enxergou alguém, um homem de roupa preta e com o rosto escondido na escuridão.
– Está louco? Matar meu próprio pai?
– Este não é seu pai, é apenas uma memoria, uma lembrança corrompida.
– Como você pode saber?
– Por que eu sou seu pai Mych.
Mych observou o homem e em seguida olhou para seu rosto que não estava mais oculto, era realmente seu pai.
O velho no chão se moveu o ele o olhou, sua feição era a mesma mas seus olhos eram negros e vazios.Quando ele falou sua voz era horrenda.
– Você não é meu filho, é um fracasso, va embora daqui.
Mych confuso olhava de seu pai caido e lhe xingando e olhava para seu pai que estava em pé.
– O que eu faço agora? E agora?
– Mate o, rapido antes que esta memoria o corrompa tambem. Disse seu pai que estava em pé.
– Não garoto, você não pode, não consegue fazer isso, desista.
Mych estava quase surtando quando olhou para o lado e viu o machadinho que tinha ferido seu ombro. Tentou pega lo mas não conseguia se mover direto, olhou para baixo e viu que seu corpo afundava no liquido preto que agora molhava todo o chão. Tentou mais uma vez e não conseguiu.
– Viu garoto, você é um fracassado, nunca vai conseguir.
– Não, eu vou sim.
Mych tomou impulso e deitou em cima do velho esticando seu braço e agarrando o machadinho, estava quase afundando completamente e no fim de suas forças cravou o machado na cabeça de seu suposto pai.
Ele o encarou surpreso e começou a se desvazer um areia negra agora sem suga lo junto.
– Por que? Como você conseguiu matar seu proprio pai.
– Você não é meu pai, ele nunca desacreditaria de mim.

O velho se desfez por completo e Mych olhou para tras. Seu verdadeiro pai agora lhe estendia a mão.

– Parebens Mych, você destruiu uma das memorias corrompidas que tinha.
Assim que tocou a mão de seu pai, ele se viu diante da floresta novamente.
– O que esta acontecendo pai?
– Logo descobrira meu filho, cuidado com os desafios pois as lembranças continuaram ficando ainda mais forte e doloridas.
Mych olhou para seu ombro e viu que sua camiseta ainda estava rasgada onde fora ferido e uma pequena cicatriz estava la.
– Mas então quanto mais forte a lembrança e o ferimento mais dificil sera para ele se curar?
– Vejo que aprende rapido Mych, talvez Ele esteja certo em te escolher.
– Oque?
– Nada meu filho, continue sua jornada, agora eu iriei guia lo.
Ele sorriu e viu seu pai desaparecer, em volta de si havia algumas arvores e uma delas estava marcada com uma seta indicando o caminho.
Ele continuou a segui la mas dessa vez com mais força pois seu pai agora o guiava.Olhou para o céu e viu que ele voltara ao normal, estava acinzentado e sem nuvens escuras.
Notou tambem que em suas mãos ainda segurava o machadinho. Tinha uma nova arma e agora poderia se defender das lembranças que tentassem lhe sugar para o pantano do inferno.