Fuga
1 Capítulo único: carta para você.
Notas iniciais
Eu confessei meu amor por você e você me esnobou. Eu estou nesse avião pensando se te esqueci de verdade e você chora me vendo decolar da enorme janela do aeroporto.
Era a última vez que eu conseguia fugir de você e eu nunca voltaria, e você havia prometido, pelo seu maldito amor por mim, que nunca viria atrás de mim. Por isso eu agradecia profundamente.
Eu nunca te culpei por não retribuir meu amor naquela época. Na verdade, nem mesmo sei se é esse o motivo pelo qual estou nesse avião. Provavelmente, apenas estou com medo. Você me retribuiu tão repentinamente. Eu me assustei. E você sabe o que eu faço quando me assusto.
Eu fujo.
Eu fugi naquela noite assustado com seu sorriso, e fugi no dia seguinte quando você e seus amigos zombaram de mim, fugi quando você me beijou naquela noite em que você havia bebido demais, e fugi todas as vezes que nos reencontramos.
Um amor unilateral que era retribuído. Isso é curioso o bastante para me fazer fugir.
Eu sei que você sabia que eu iria fugir. Afinal, você me conhece tão bem. Mas nós vivemos algumas boas coisas juntos, não vivemos?
Aquela vez na praia, um dia depois em que você se declarou para mim. Você sorria para mim, eu sorria para você, e eu me assustei. Foi ali em que me dei conta do quanto nossa história era curiosa o bastante para me assustar.
E agora, uma semana depois desse dia, estou no avião.
Por favor, não me culpe, assim como eu não o culpo!
Voltando a carta. Você sempre me disse que eu era curioso, misterioso, diferente. Compreendo o porquê de suas palavras mas discordo. Não sou nada disso, ou fugiria de mim. Situações e pessoas curiosas, misteriosas, diferentes, me fazem fugir.
Quantas vezes eu já repeti essa palavra? Muitas, eu sei. Sinto muito. Mas acho que há uma que ganha! Sim, ela é você. Você sempre ganha em todos sentidos. Principalmente naquela vez, no teatro, antes de eu me declarar.
Aquela era uma situação nova, diferente, e eu estava assustado. Disparei escadaria abaixo e só parei quando você, meu melhor amigo naquela época, me segurou. Eu tinha os olhos arregalados e você um sorriso no rosto. Foi nesse dia que também percebi minha paixão. Também quis fugir. Mas seus braços continuavam ao meu redor, o sorriso nos lábios.
Seu sorriso me fez desistir.
Acho que você deveria ter sorrido quando eu disse que viajaria. Eu iria desistir dessa ideia maluca, com toda a certeza!
Porém, você não o fez.
E eu estou aqui nesse avião enquanto você chora nessa janela do aeroporto. Provavelmente essa carta nunca irá chegar à você! Mas eu continuo esperando que você se prenda a mim, para todo o sempre.
Eu sei, você também falava que eu sou egoísta. Não me importo. Isto é a apenas a verdade. Assim como esta carta é um adeus, não um até logo, mas sim um adeus e um continue a me amar.
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