Notas iniciais
Oi, último capítulo, super curtinho :3 Primeiramente quero agradecer a recomendação da Gabrielle Chase! Obrigada! Sério, foi tão linda, amei, amei, amei mesmo! Obrigada do fundo do meu coração, esse último capítulo é dedicado a você! Gente, valeu a pena escrever essa estória, foi maravilhoso para mim e espero que tenha sido para vocês também! Não foi fácil fazer o que eu fiz, mas... nem tudo na vida são flores. Deem play nas músicas: Only you - Matthew Perryman Jones, Moments - One Direction e Wish you were here - Pink Floyd, link no começo , não se esqueçam que é pra dar mais emoção auhsuahs Boa leitura e até embaixo

(Only You), (Moments), (Wish You were here)

Quando o vento frio que entrava pelas mais pequenas frestas de casa atenuou, a neve parou de bater nos telhados dos lares de Ophelia e a bruma diminuiu nas nossas manhas, já se faziam cinco meses que uma garota em outras 4 bilhões havia cessado sua existência.

Naquela amanha, eu acordei pensando que era o último dia para decidir se mudava meu futuro, entrando no trem que embarcava até Oklahoma, para garantir meu espaço na Faculdade de Langston.

Sentei na cama, um pouco atordoado, a mão no queixo. Então, esfreguei os olhos, me espreguicei e me levantei da cama, indo até minha toalha pendurada na porta, tomando o cuidado de não pisar nas minhas bagunças no chão. Joguei a toalha felpuda azul escura no meu ombro e fui para fora. Caminhei até o banheiro. Droga, como eu gostaria de apenas continuar dormindo e dormindo, sem ter que me preocupar com a porcaria de um futuro.

— CARALHO, LOGAN, NINGUÉM AQUI EM CASA É OBRIGADO A TE VER PELADO TODA A PORRA DO… — bati a porta do banheiro, ligando o chuveiro e deixando que a água quente enchesse a banheira. Ao mesmo tempo, os berros de Clary cessaram.

Alguns minutos depois, fechei a porta do quarto atrás de mim. Sequei meus cabelos enquanto buscava uma camiseta no armário. Quando estava inteiramente vestido, tirei uma mala de cima do meu guarda-roupa, joguei-a na cama, abrindo seu zíper. Rapidamente, comecei a atirar todas as minhas roupas ali dentro, sem cuidado algum. Ao terminar, corri até a mesa do meu computador. Como eu era burro, idiota, podia ter comprado um Notebook, mas não, tudo que eu tinha era um computador e preciso dizer que não exatamente dava para eu levar na minha mala? Com raiva, peguei todos os meus CDs e DVDs, colocando em um bolso menor da mala. Depois, abri as gavetinhas da mesa, jogando lá objetos que eu não fazia ideia do porque eu guardava, mas que talvez eu fosse precisar algum dia, tipo, dali 70 anos. Daí eu cheguei numa gaveta em que havia um único pendrive em formato de uma câmera da canon. Um bolo se formou na minha garganta.

Pluguei-o ao computador, que depois de instalar o driver, consegui abrir. Só tinha um arquivo, um vídeo nomeado como “Forever”, apertei-o, já sabendo o que me esperava. Recostei na mesa, com a nostalgia fervendo dentro de mim. Logo começou a rodar.

"Ajustei a filmadora da Canon, focando no rosto de Jenn, distraída procurando o livro. Seus cabelos ruivos pareciam em destaque na lente.

–- Aqui, achei — sussurrou baixinho, para si mesmo.

Ela percorreu os olhos por cada rostinho que nos olhavam com tanta expectativa, acabando liberando um sorriso de canto, parecendo fascinada, e depois desviou a atenção para mim. Aumentei o Zoom da filmadora, focando em seus olhos verdes jade. Por que tão lindos?!

–- Logs! — exclamou ela, colocando uma mecha dos fios atrás da orelha. — Eu não sou o ponto aqui.

Continuei filmando, sem esconder uma risada.

–- Pra mim é — mirei a câmera em seu sorriso, diminuindo o Zoom aos poucos, agora mostrando todo o seu semblante.

Jenn riu, mostrando os dentes, e eu capitei, é claro.

–- Idiota! — falou só movendo os lábios, mas sem sair som algum.

–- Eu tento ser — sussurrei e então dei uma trégua.”

Parecia tão real. Seu rosto no computador, o brilho dos olhos verdes, sua pele clara e aveludada, o cabelo cor de fogo. Por um segundo, minha mão tocava a tela do computador, um mar de sentimentos me alcançando. Era possível um única pessoa sentir tantas coisas de uma vez só?! Dor, saudade, amor, tristeza, nostalgia… Dei replay no vídeo mais uma vez, e depois mais outra e mais outra, e mais outra. 30 segundos que eu poderia ver para sempre se eu quisesse. Dei replay de novo, e de novo, e de novo… e quanto mais eu apertava no replay, mais triste eu ficava, porque era só mais uma lembrança, talvez mais vívida, mas uma lembrança no meio de outras tantas que eu tinha. Aquilo não ia trazê-la de volta, então ejetei o pendrive, o desconectei do computador e fiquei observando aquela pequena lembrança na palma da minha mão.

Aquilo nunca ia ter fim, não é? A dor.

Coloquei o pendrive no bolso do meu jeans, recolhi meus livros do chão e os guardei na minha mala. Em seguida, a fechei, coloquei-a no chão e ativei suas rodinhas. Estava quase tudo pronto.

~~~ // ~~~

— Oh! Olhe só para você! Meu raio de sol está indo para a faculdade! — mamãe pulou no meu pescoço e começou a soluçar. Dei leves batidinhas em suas costas.

— Eu te amo, mãe. Vou sentir sua falta, prometo te ligar sempre — falei, quando ela me soltou.

Ela fez uma careta, tentando conter novas lágrimas, inclinou a cabeça para o lado, enquanto tentava pentear meus cabelos rebeldes com os dedos.

— Eu tenho tanto orgulho de você — ela deixou uma lágrima rolar. — Mesmo não tendo-a esquecido, você está seguindo em frente… sendo tão forte!

Voltei a abraça-la e beijei o topo de sua cabeça.

— Eu prometi — sussurrei comigo mesmo.

Depois, me despedi de papai e até de Clary, que disse para eu ter um pouco de vergonha na cara e me lembrar que eu estava num alojamento de uma faculdade, não em casa e que iam me achar um pervertido se eu andasse pelado por aí.

— Quer que vamos com você até a estação?! — indagou mamãe, segurando o choro novamente.

— Não, mãe. Obrigado. O cara do táxi está me esperando e não deve estar muito feliz com minha enrolação.

— Tudo bem, me ligue assim que chegar.

— Eu ligo. Até breve.

~~~ // ~~~

A estação estava lotada. Me sentei num banco e fiquei apenas ali, esperando o tempo passar e a hora de eu embarcar chegar.

— Não, mãe, droga, mãe. Eu só vou visitar Jasmine. Relaxa, não corro mais riscos de cair e morrer.

— Não me lembre! Você não cansa de usar essas comparações?! Elas mexem com meu emocional, sabia?

— Ah, desculpe. Blá-blá-blá, não foi minha intenção.

— Hm, tudo bem, Lorena.

Uma garotinha com cabelos curtos, mal chegando aos ombros passou ao meu lado, junto com a mãe. Durante alguns segundos eu apenas a segui com o olhar, até que alguma coisa me fez acordar do meu estupor, em que eu quase caí do banco.

Me levantei em um pulo.

— Lorena? — chamei.

A garotinha se virou, enormes olhos azuis vibrantes. Arqueou a sobrancelha.

— Já vi você, mas não lembro seu nome — disse ela.

— Logan. Logan Grey. Conheci você no hospital.

Lorena se virou para a mãe.

— Viu, mãe! Não é só eu que fico lembrando! Vai brigar com ele também?! — ela voltou a se virar para mim. — É, eu lembro de você. E da sua amiga. Peter Pan e tudo mais. Foi importante a visita de vocês para mim. Acho que nunca cheguei a agradecer, mas, bem… obrigada. Onde está hã… Jenny? É, esse é o nome dela. Jennifer.

Troquei o peso do corpo de um pé para outro.

— Ela… hã… voltou para o paraíso.

Lorena não falou nada. Apenas sei que alguns segundos depois, estávamos só nós dois sentados no banco. Ao nosso redor, pessoas corriam apressadas em direção a trens, se despedindo. Pessoas se abraçavam, se beijavam e trocavam lágrimas. Era interessante de se observar, porque essas pessoas realmente gostavam uma das outras e se despediam com sinceridade, porém era triste, porque talvez algumas iriam e nunca mais voltariam.

— Então… como aconteceu? — perguntou Lorena.

— Estava doente. Já faz 5 meses que partiu.

— Puxa… na mesma época que recebi alta.

Ri amargamente.

— A vida é assim mesmo. Algumas vão para outras ficarem. Acho que não há muito espaço para todos os anjos na terra.

— Logan… eu realmente achei que não fosse sobreviver. Foi um milagre… e ele aconteceu quando eu mais queria desistir. Sério, eu tenho certeza que se não aconteceu um para Jenny, foi porque agora ela está melhor lá em cima.

Assenti com a cabeça.

— Nos casamos também — mostrei a aliança.

Ela sorriu.

— Uau. Pelo jeito era mesmo mais do que amizade.

— Pode apostar que sim — ri.

Um trem assobiou e Lorena suspirou.

— É o meu trem, Logan — murmurou ela. — Foi bom falar com você.

Assenti com a cabeça.

— Foi bom falar com você também.

Lorena se virou e começou a se distanciar, aos poucos sumindo cada vez mais em meio do agrupamento de pessoas. Porém, subitamente tinha parado, esticado os pés para tentar me enxergar melhor.

— Acredita mesmo em anjos?! — falou em voz alta. — Lembra do que ela me disse aquele dia?

Não precisei pensar muito. Tudo ainda estava vivo. Como se tivesse tudo chegado ao fim ontem e não meses e meses passados.

Anjos são eternos.

Mesmo sem fazer esforços, eu conseguia lembrar de todos os momentos que tivemos juntos. Conseguia me lembrar das covinhas dela na bochecha, nos ombros e no final do dorso, como se já não fosse raro tê-la em apenas um único lugar. Conseguia me lembrar das suas palavras no dia em que havíamos nos conhecido e no quanto eu achei seu sorriso maravilhoso, porém desnecessário. Me lembrar da sua mania de umedecer os lábios antes de falar e de colocar uma mecha do cabelo atrás da orelha antes de contar algo sério. Conseguia me lembrar do sabor do seu beijo, e dos seus pequenos olhos no começo do dia. Seu cheiro doce era algo que jamais eu conseguiria deixar de sentir psicologicamente.Também me lembrava da sua expressão e de como seu corpo se mexia enquanto tocava piano calmamente. Me lembrava também de sua respiração acelerada soando como música aos meus ouvido, ao dizer que me amava como nunca. E, acreditem se quiser, se eu fechasse os olhos e me concentrasse só um pouquinho, era quase como se ela estivesse junto de mim, entrelaçando nossas mãos. Jennifer era um anjo, eternizada na minha memória.

— É, eu lembro — respondi, com um sorriso. — Acredito sim. Lembranças nunca morrem. Nem os sentimentos. Os verdadeiros.

Ela sorriu e piscou.

— Você deve mesmo ter amado muito ela — Lorena acenou. — Tchau, Logie.

Observei ela desaparecer no meio da multidão, dessa vez talvez para sempre. Um trem embarcou.

— É, amei — murmurei. Um assobio de trem soou e eu peguei minha mala, as rodinhas giravam conforme eu a arrastava. Caminhei até meu trem, com calma, desviando de pessoas que seguiam em direção oposta a minha. Comecei a subir as escadinhas do trem, segurando no apoio de segurança. Quando estava completamente dentro, fitei a estação e me permiti dar um sorriso. — E ainda amo.

Logo encontrei uma cabine, o trem partiu. Em frente.

Notas finais
ACABOOOOOOOOU! Estou me sentindo muito muito muito triste por esse final, não tenho dúvidas que esse é o mais infeliz, e olha que em todas as minhas as minhas outras fanfics também tem, mas esse é... insuperável! A boa notícia é que vou continuar escrevendo e mesmo tendo muitos bloqueios ultimamente, vou até o fim! O nome da fanfic é Video Games, e eu me inspirei um pouco na música da Lana Del Rey para escrevê-la... o trailer: http://youtu.be/77dK049QYzw link: http://fanfiction.com.br/historia/523131/Video_Games/ Enfim, obrigada, obrigada, obrigada a cada um de vocês! Escrever essa fanfic foi uma experiência maravilhosa e ainda mais para leitores tão queridos como vocês são! Espero profundamente que vocês tenham gostado, que sintam a falta de Logan e Jennifer, de uma maneira boa, nostálgica, porque eu para sempre vou sentir! Obrigada a todas vocês, torço ter vocês em Video Games, que vai ter mais de um narrador. A novidade dessa fanfic é que escrevo-a no presente! Comentem sobre o final, digam o que acharam, adoraria ver a conclusão final de vocês. Amo todos vocês, vou sentir saudades dos que pararem por aqui, muita mesmo! Tchau :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!