Fuckin Family
1 My Beautiful Cousin
Quando sua vida muda? Em inconscientes palavras e atos. A minha foi quando meu pai começou a pensar na hipótese de uma pequena sociedade com meu tio na parte de minha mãe, mas realmente o fez quando nos mudamos para a casa dessa parte da família.
Quando percebi que mudou? No momento que coloquei meus olhos nela.
Lembro-me de quase rir alto quando minha tia “apresentou-me” a sua filha; digo, sempre brincávamos juntas quando ainda morávamos naquele mesmo bairro em Texas no qual ela foi a primeira a sair, vindo para Los Angeles.
Quando embarquei no avião para a cidade famosa reconstrui minha prima com as poucas lembranças ainda vivas em minha memória, levando tal susto. Faziam treze anos que não a via e não me preocupei em manter contato, afinal, éramos crianças.
E, voltando depois de todo esse tempo, a imagem da pequena criança que imaginei no avião com todas aquelas feições infantis junto, os óculos que lembrava usar, as roupas velhas colocadas por saber não demorar muito a se sujar, o cabelo castanho sempre preso num cabelo de cavalo alto... tudo se foi com a visão da adolescente de dezessete anos séria.
Os cabelos não eram mais âmbar, mas sim de um preto concentrado se caiam soltos um pouco mais longos que a estatura dos ombros; o corpo esbelto vestindo quase sempre calças jeans escuras com as tão características camisetas gola v; o velho all-star calçado quando não deslizava pelo chão liso somente de meias causando divertimento; o fone de ouvido o mostra todo o tempo sendo eles utilizados ou não e o sorriso já amadurecido.
Meu coração parou por alguns segundos só apreciando a figura bonita, embora demorasse um pouco a admitir ter uma queda por minha própria prima.
Era estranho e não queria sentir o que fazia.
Não queria sorrir quando o fazia ou até mesmo corar quando percebia alguns flertes de sua parte, mas sempre balançava minha cabeça em negação afastando a esperança. Ela nunca iria me ver da maneira que a via até porque somos da mesma família.
Foi esse um dos motivos que comecei correr atrás de garotos, mas nada adiantou.
Uma das coisas que mais me irritava quando o assunto era minha paixonite foi o fato que nem nos falávamos direito. Nossos cumprimentos eram acenos tímidos de cabeça, sorridos sem dentes e quando conversávamos sempre acabava constrangida e gaguejando mas mesmo isso não impedia seus poucos flertes sexuais. O que me seduzia sempre mais.
Não sei como acabamos ficando mais próximas e muito menos porque aconteceu nosso primeiro beijo, mas quando parei para pensar no rumo de minha vida me vi praticamente num relacionamento escondido com minha prima.
Era horrível e nojento.
Incestuoso.
Mas não conseguia culpar-me por não vê-la como deveria. Simplesmente não enxergava minha prima naquela garota e estava quase convencida que era minha garota. Um dos fatos que fazia cada vez mais minha cabeça para esse pensamento de posse foi quando senti aquela coragem tomou meu corpo no meio de uma noite.
Uma coragem que cegou meus laços familiares e deu ainda mais vida ao meu lado incestuosa quando pedi para que minha primeira vez fosse com ela. Não diria “pedi”, pois nada foi planejado; só senti desejo e um amor que não sabia nem existir.
Já tinha duvidado que ela sentisse o mesmo que eu, mas toda minha duvida fútil se foi naquela noite.
Suas caricias e gentileza que toda garota virgem precisa me provaram não só o mesmo desejo mas aquele sentimento forte que apertava confortavelmente meu coração todas as vezes que não conseguia ocultar um sorriso. Era tudo tão lento e sentimental que o abstrato era quase concreto.
Nunca percebi amar uma pessoa, mas sabia que o fazia agora.
Daquela manhã que acordei ao seu lado, fechei os olhos e me contorci com a lembrança de perder minha virgindade com uma prima mas quando os abri o que sobrou foi somente um sorriso emocionado. Não era o membro sanguíneo de minha família ao meu lado, era o amor da minha vida.
Brigávamos também, claro. Mas era reconfortante sentir seus braços, cedendo a todo o orgulho que sabia encher seu ego, e me abraçar num pedido arrependido de desculpas. Sempre naquela sua tonalidade firme com medo que alguma duvida tomasse minha cabeça. Ela me amava e sentia isso em cada suspiro que dava ao meu redor.
Mas o ciúme era um de nossos grandes e preocupantes inimigos.
Ninguém sabia que namoramos oficialmente pois era tudo muito bem mentido a nosso favor, as únicas pessoas que sabiam sobre isso éramos nós duas e exatamente por isso não eram poucas as vezes que brigamos por estúpidos momentos do tipo: “não viu como ela te olhou?” e geralmente era eu a começar, em principal quando se tratava de sua ex namorada que sempre tentava um flerte que voltava sem resposta.
Quando a garota começava suas investidas já cruzava os braços lutando na atuação para não mostrar todo o desejo agressivo para com ela, sendo acompanhada por minha namorada que na maioria de vezes mergulhava o rosto nas mãos provavelmente se preparando para os gritos sussurrantes que controlávamos por não chamar atenção.
O mesmo acontecia com aquele garoto arrogante em minha classe escolar. Justin.
Sentia a tensão com que Demi o focava e o problema era que não se importava em esconder os pulsos em punho todas as vezes que o menino piscava da maneira que conseguia pensar ser sexy, mal sabendo ele como me excita o rosto duro e sério de minha namorada que custava na maioria das vezes em dar um sorriso. Mas tudo se alivia no antigo quarto do zelador, onde hoje é abandonado.
Sabia que era muito mais dura e ciumenta que minha garota, mas ela não parecia se importar com isso embora se sentisse incomodada quando foco meu olhar bravo em determinada figura que tentava alguma chance com ela.
Mas embora fosse tudo um grande e dramático roteiro, o final graças a Deus era feliz. Onde eu acabava num canto chorando e ela pedia todas as desculpas do mundo, até as vezes por algum erro meu.
- Vem amor. – riu Ashley tentando puxar a mão de minha namorada para a musica.
Rangi meus dentes com a nomeação de Demi na frase.
- Hm, não Ashley, obrigada. – soltou seus dedos gentilmente das mãos da loira, a voz já expressando alguma hipótese do que aconteceria.
Ashley; esse era o nome nojento de sua antiga namorada que resolveu aparecer sem um convite para o churrasco familiar que enfeitava a casa onde dividia com a família de Demi.
A musica leve era convidativa para a dança e o faria se pudesse levar minha namorada junto mas seria estranho duas primas, aos olhares de todos presentes, dançarem tão romanticamente como desejava.
- Vem, minha querida, vamos nos divertir. – insistiu a garota.
A cada silaba estridente que ecoava da garganta da pessoa a minha frente um arrepio de raiva passeava por minha espinha parando num zumbido em minha cabeça, como se o barulho irritante não fosse parar até calar a garota com violência.
- É, querida. – repeti com ênfase ao me levantar. – Vá se divertir.
Minha ultima visão de Demi foi seu rosto inocente de choque seguido de um suspiro cansado.
- Selena; filha. – ouvi meu pai, mas continuei andado. – O que aconteceu?
A pergunta foi provavelmente para Demi mas não me importei em escutar sua resposta ao correr para o banheiro, quase atropelando meu irmão mais novo.
Joguei a porta fechada ao me esconder sem motivo dentro no box seco onde pendia o chuveiro, agachando e escondendo os soluços ciumentos em meus joelhos flexionados.
Odeio quando falam isso de mim, mas era verdade: era muito frágil. Era tão fácil me fazer chorar, tanto de felicidade quanto tristeza. E agora era raiva.
- Posso entrar? – perguntou a voz conhecida sem o impedimento da madeira, o que me fez suspeitar de já estar no aposento.
- Não. – menti a vontade soluçando, sabendo que iria ignorar minha resposta.
Não demorou muito ao adivinhar que o corpo estava sentado ao meu lado.
- Não chore Sel. – pediu gentilmente.
- Como quer que pare? – comecei retoricamente. – Ela não para de dar encima de você e não posso levantar dizendo: “Hey, fique longe da minha garota.”.
- Sel, ela não significa nada pra mim. – repetiu a frase de todas nossas discussões.
- Você sempre diz isso. – chorei me negando a olhá-la.
- Porque é verdade. – afirmou com certeza.
- E é tão difícil falar para parar com os apelidos? – briguei novamente.
- Você sabe que ela não me ouve. – contrapôs novamente.
- Só eu posso te chamar de “amor”, “linda” ou “sexy”. – continuei o raciocínio me esquivando quando acariciou meu braço.
- Não gosto quando fica assim. – comentou me colocando no assunto.
- E como quer que fique? – chorei ignorando o desejo de levantar a cabeça.
- Como conclusão, quer que a coloque para fora de casa? – tentou achar um ponto.
- Sim. – respondi. – Quer dizer, não.
- Sim ou não? – perguntou.
- Quero, mas seria muito grosseiro e sei que realmente faria. – citei. – Então, não.
- Sel, olhe para mim. – pediu com toda a paciência que tinha.
- Não, estou horrível. – neguei.
- Não, não esta. – retrucou gentilmente. – Você nunca é.
Minha resposta ainda era não, mas o jeito fofo que tentava concertar as coisas, complementado nesse silencio de expectativa nunca era rejeitado.
Virei a cabeça ainda apoiada no joelho, limpando meus olhos lagrimejantes para focar a face séria e pacifica da outra.
- Ainda quer que te deixe sozinha? – perguntou e sabia que agora faria minha vontade.
- Não, por favor. – respondi baixo.
Puxou minimamente os lábios sérios num pequeno sorriso ao interpretar minha resposta como uma reconciliação.
Depositou um beijo em minha bochecha ao pegar gentilmente minhas pernas flexionadas e firmá-las entre as suas, entrelaçando-nos antes de abraçar minhas costas proporcionalmente no movimento, pousando a mão em minha cintura.
Apoiei minhas costas contra a lateral de seu ombro, encostando minha cabeça na sua.
Foquei a leve caricia que os dedos de sua mão desocupada faziam nos meus, sorrindo com o charme da munhequeira rocker na pele alva.
- Quero me casar com você. – comentei.
- Isso é um pedido? – sorriu divertidamente.
- Não, é um aviso. – respondi. – Você que vai pedir e num lugar muito romântico.
Escutei um riso leve de seu nariz, quase um suspiro.
- Bem, os sobrenomes não serão problema. – deu de ombros me fazendo sorrir. – Eu te amo.
- E eu te amo. — respondi sentindo o beijo no canto de meus lábios. – E amo quando faz isso também; é sexy.
Ela riu alto quando retribui a pergunta com um selinho rápido, observando cuidadosamente seus olhos fechados após o beijo; a língua tirando os resíduos do gloss exagerado que passei em mim.
Afinal, o que estávamos discutindo mesmo?
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