Notas iniciais
Capítulo um pouco longo e nem tãão emocionante assim, mas vamos lá, precisamos passar por ele ^^

POV. Rany.

POLLY!

Aquele grito ecoou por todo o castelo. Ali, no pátio, um silêncio apreensivo tomou conta de todos enquanto ao fundo ouvíamos as batidas abafadas contra a porta e depois, nada. As respirações ansiosas eram ouvidas e se demorasse mais logo as batidas dos corações seriam escutadas também.

Até que, no alto da escada surgiram Rip, Rilian e Tirian que desceram até onde estávamos, logo atrás dele surgiu Edmundo e percebi Jay suspirar de alívio. Depois apareceram Caspian e Pedro, davam apoio a Lorde Digory que estava ferido. Susana, Jay, Lúcia e eu fomos ao encontro deles quando desceram a escada.

–Eles conseguiram fugir – informou um Edmundo com raiva. Ele estava bastante machucado por cortes que pareciam mais graves do que realmente era. Jay tocou-lhe o braço, mas nada disse.

–Tirian, Rip acompanhem Lúcia para que ela busque o elixir. — ordenou Pedro, notei que sua voz era pesada, cansada, de lamento. Os dois assentiram e Lúcia correu com eles em direção a seu quarto. — Rilian, vá com os guardas, quero vasculhado cada canto de Cair Parável.

–Pedro – Eustáquio aproximou-se, com tom receoso. — O que está acontecendo?

–Pode deixá-lo comigo. — disse Caspian.

Cuidadosamente, Pedro tirou o braço de Lorde Digory de seus ombros e subiu alguns degraus para falar a todos.

–Senhores. Amigos. — começou e todos prestaram atenção. — Esta noite nossos inimigos ousaram adentrar em nosso castelo para nos fazer mais um mal. Não sabemos por onde entraram nem como, mas suspeito de que foi da mesma fora que conseguiram fugir: por magia. Rilian os viu e avisou a todos o que evitou um mal maior visto que estávamos muito vulneráveis. — fez uma pausa. — Lorde Digory e Lady Polly eram um dos alvos e não conseguiram se juntar a nós a tempo. Tentamos impedi-los, mas fugiram antes que conseguíssemos derrotá-los. Lorde Digory está ferido, mas ficará bem, infelizmente Lady Polly foi levada. — Digory baixou a cabeça não conseguindo conter as lágrimas silenciosas. Houve um “Oh!” de comoção entre todos os outros. — Ficaremos aqui juntos até que a busca pelo castelo termine.

Lúcia retornou com o elixir e depressa os ferimentos de Digory estavam sarados, sentou-se nos degraus e ali ficou, não ousamos conversar com ele ficando aos seus arredores. Entre o resto permanecia um silêncio de indignação, sentimento de perda e vulnerabilidade. A busca demorou algumas horas e sentei no chão ao lado de Pedro, ali ao pé da escada. Susana sentou nos degraus e Caspian como sempre ficou ao seu lado, Lúcia escorou-se no corrimão, pensativa e Edmundo e Jay sentaram dois degraus mais acima de onde estavam Caspian e Su. Ficamos ali até quase o amanhecer.

POV. Caspian.

As buscas não resultaram em nada, não havia mais sinal de nenhum deles. Mas descobrimos por onde entraram, no portão das masmorras foram encontrados os corpos de alguns soldados. Faltava pouco para amanhecer quando Pedro liberou a todos para voltarem aos seus quartos recomendando que não andássemos sozinhos.

Na manhã seguinte fiz questão que Dr. Cornélius examinasse Susana devido toda a agitação da noite anterior e suas notícias era boas, ela já entrara no sétimo mês da gestação e permanecia em perfeito estado. Mais dois meses e teríamos nosso filho nos braços junto com o fim dessa maldita guerra.

Logo cedo nos reunimos na sala do trono para conselho.

–O que realmente me incomoda é o fato de estarmos tão vulneráveis a eles. — disse Edmundo.

–Saber que eles conseguiram entrar tão facilmente aqui é assustador, de fato. — disse Franco. — Isso me fez pensar que... Talvez não estejamos preparados para enfrentá-los. — confessou.

–Não diga isso, Majestade – falou Lúcia, convicta. — Já vencemos muitas batalhas, essa não será diferente.

–Lú, não devemos ignorar o fato de que nunca lutamos contra todos eles juntos. Sequer temos noção de seu exército enquanto o nosso sofreu perdas enormes nas batalhas que já enfrentamos contra eles e estamos perdendo o auxílio dos soldados calormanos por que Tash os está matando.

–Devemos ter fé, Pedro. Aslam está do nosso lado. Devemos lutar com toda a coragem que lutamos até agora! — insistiu.

–Desistir jamais será uma cogitação, Lúcia – disse Pedro. — Mas devemos ser realistas e a verdade é que eles tem a vantagem, querendo ou não. Esse tempo todo só nos preocupamos em nos defender, em resistir, não agimos de modo algum para atacá-los e eles aproveitaram para atacar cada vez mais sem nos dar tempo de reagir. — explicou. — Estou de pleno acordo com você, Lú, e tenho certeza de que todos aqui estão, é certo que lutaremos até o fim por Nárnia e por nossa família, mas encarar os fatos é o melhor jeito de montar estratégias. Espero que Aslam apareça na hora certa como sempre fez, mas enquanto ele não está aqui, tenho que trabalhar com o que disponho.

–Alguma vantagem deve haver para nós, Majestades. — falou Rip.

–E há. — respondi. — Temos Renere sob nosso domínio, ela foi espiã da Feiticeria por algum tempo, sem dúvida sabe dos planos dela. Espero que Rany possa nos ajudar quanto a isso. — lancei a ela um olhar. Rany e Jay foram convidadas a participar da reunião por Pedro e Edmundo, ela hesitou um pouco, mas logo concordou.

–Tirian já fora buscá-la.

Quando Pedro acabou de falar Lilliandil adentrou o salão sozinha, posicionando-se junto à Helena. Não aguardou muito.

–É difícil vê-la por aqui, Lillian, imagino que tenha novidades da enfermaria. — disse Lúcia docemente.

–Majestades, se me derem licença da palavra. — Lilliandil deu um passo à frente após uma suave reverência.

–Claro, diga. — permitiu Pedro.

–Temos boa e má notícia vindas da enfermaria, senhor. A boa é que sr. Coriakin e eu chegamos a um remédio, rústico, mas já eficiente, tem melhorado a saúde de muitos soldados, porém é cedo para termos curas completas — certa esperança passou por todos, porém ela continuou, fazendo surpresa e apreensão . — A má notícia é que a doença está alcançando narnianos.

–O que?! — exprimimos Pedro e eu, surpresos e apreensivos.

–Como isso é possível? Tash não tem como ferir narnianos com o Castigo! — falou Edmundo, alarmado.

–O Castigo não está contagiando narnianos necessariamente, Majestade. — disse ela.

–O que quer dizer? — perguntei.

–Bem, Rei Edmundo tem razão, Tash não pode alcançar com a doença os que de fato têm sangue narniano. — ela deu ênfase às duas últimas palavras e tratou logo de explicar. — Foi senhor Eustáquio o primeiro não calormano a apresentar a doença e ele não é narniano de nascença, se é que me entende. — explicou.

Arfei.

–Está dizendo que meus irmãos e eu estamos vulneráveis ao Castigo?! — chocou-se Lúcia.

–Não só vocês, Majestade, mas Rei Franco e Rainha Helena também, assim como Lorde Digory, senhora Rany e Jill Pole, e todos os outros não nascidos narnianos se nossa teoria estiver correta. — explicou a estrela. — Embora seus corações e suas almas pertençam à Nárnia, não trazem nas veias origem narniana.

–Oh, céus...! — Helena pôs a mão no coração e foi abraçada por Franco.

Pedro passou as mãos no rosto e nos cabelos, angustiado. Vi Edmundo apertar a mão de Jay, com semblante sério. Sentada em seu trono, mordendo o lábio inferior, Susana acariciou a barriga, preocupada. Lancei-lhe um olhar e ela correspondeu com olhos aflitos. Fomos interrompidos por Pedro.

–Quais são suas recomendações? — perguntou ele, sem erguer os olhos, com a voz exausta.

–O Castigo é bastante contagioso, Majestade, se espalha pelo ar. Até que nosso remédio diminua o número de doentes, vocês não devem sequer se aproximar da enfermaria. Porém, como não podemos arriscar a vida de nenhum de vocês e levando em conta a facilidade de contágio... Bem, pode parecer absurdo, mas o ideal seria o isolamento. Pelo menos por alguns dias até nosso remédio reagir nos doentes.

Houveram segundos de silêncio nos quais Pedro massageava as têmporas.

–E quanto ao nosso primo? — perguntou Lúcia.

–Já lhe demos o remédio, Majestade, só nos resta esperar que reaja.

Lúcia assentiu várias vezes, rapidamente. Foi nesse momento que Tirian chegou acompanhado de Dave, este por sua vez trazia Renere. Ela encontrava-se num estado deplorável, vestido rasgado e sujo, cabelos sem o menor trato, o rosto e mãos amarradas, encardidos, estava descalça. Ela entrou de cabeça baixa e assim ficou.

–Aqui está ela, Pedro... — disse Tirian, inquieto.

–Algum problema? — perguntei logo. Ele expirou, frustrado.

–Acho que agimos tarde demais. — disse ele. — Não conseguiremos arrancar nada dela.

–Por que diz isso? — Rany se aproximou da irmã. — Renere? Como você está?

A outra ergueu a cabeça e ao encontrar a irmã adquiriu uma expressão de feliz surpresa.

–Rany! — falou com voz suave. — Rany, você veio me buscar! — Renere sorria larga e docemente, parecendo realmente feliz em ver a irmã.

Claro que devia ser mais um de seus teatros, mas algo estava muito errado. Seu rosto não tinha mais nenhum resquício da arrogância típica dela, muito pelo contrário, trazia no olhar expressões sinceras e um brilho de inocência.

–Renere – chamou Rany, firme. — O que quer que esteja fazendo, pare. Não piore mais o seu lado. Sugiro que colabore.

–Sabia que falei com mamãe? — falou a loura, com os olhos brilhando e o mesmo sorriso inocente. — Ela estava tão linda, Rany! Parecia um anjo! Pena você não ter visto!

–Renere! — chamou Rany, tentando manter firme seu tom preocupado. — Renere, pare. Diga de uma vez o que sabe sobre os planos de Jadis, prove que...

–Também vi papai. — disse a outra, interrompendo, sem sequer dar ouvidos à Rany. Esta parou de súbito.

–O que...? — estreitou os olhos.

–Ele veio me ver! — comemorou Renere, saltitando. Rany prendeu a respiração.

–Veio lhe ver?

–Sim!

–Quando?!

–Ontem a noite, ora!

–Ela era um dos alvos... — sussurrou Rany.

–Conversamos um pouco, ele não falou com você? — continuou Renere, completamente alheia, ainda com o brilho de infantil inocência e empolgação.

–Não – Rany forçou um sorriso para a irmã, falando mais brandamente, embora tivesse a voz tremula. — Sobre o que vocês conversaram?

–Bem, ele perguntou como eu estava, me trouxe algo para comer. — ela deu de ombros. — Disse que em breve viria nos buscar, não é maravilhoso? Vamos poder voltar para casa! Vamos rever mamãe!

–Mamãe está morta, Renere, há muitos anos. — disse Rany, com a voz embargada.

–Ora, não diga bobagens! — Renere sorriu para a irmã. — Não me ouviu dizer que ela veio me ver? Rany, querida, se anime! — Renere segurou as mãos da irmã com as suas, ainda de pulsos amarrados. — Vamos enfim voltar para casa, não me diga que não está com saudades de Julian? De Jay!

–O que ele fez com você...?! — Rany sussurrou não conseguindo segurar algumas lágrimas.

–Deixe de ser boba, Ellizinha, não chore. — Renere secou a lágrima da irmã acariciando-lhe o rosto.

–Está certo... — Rany delicadamente afastou a mão da irmã, logo voltando-se para Pedro. — Tirian tem razão, não vamos conseguir nada dela.

Ranyelle afastou-se da irmã, retomando seu lugar perto de Jay, que a abraçou. Ninguém conseguiu dizer nada, sem reação à crueldade que Aller fizera contra a própria filha. Enquanto isso, a nossa frente, balançava-se nos calcanhares uma sorridente e enlouquecida Renere.

Notas finais
Que tal? Bem, vou adiantar que, depois de anos, a fanfic está se encaminhando para o fim. Ainda não escrevi o último capítulo, mas já estou na Última Batalha (capítulo 61). Quando escrever o último capítulo vou começar a contagem regressiva dos capítulos postados. Beijokas e não esqueçam os reviews ^^