Fruto do Nosso Amor
21 Culpa e Medo.
Notas iniciais
POV. Susana.
A chegada do Professor e da senhora Polly deu certo animo para nós. Ajudou a descontrair a tensão de toda essa batalha, o pior é que estávamos praticamente sem-teto e se tinha uma coisa de que eu não sabia era pra onde iriamos ao sair de Tashbaan. Não poderíamos ficar aqui por muito tempo, afinal, como Rany disse, enquanto estivéssemos na Calormânia estaríamos trazendo o perigo para as pessoas daqui. E isso com certeza não é certo.
- Vamos, Su. – Caspian chegou ao meu lado pousando a mão na base das minhas costas. Fui com ele, descendo a rampa do navio em direção à terra firme. Nós e os outros continuamos a pé até os portões da cidade, que não era muito longe dali.
As duas folhas de ferro foram abertas para nós, em seguida começamos nossa caminhada até o palácio de Tashbaan, pela rua principal, com as pessoas abrindo caminho para nossa passagem. Suspirei. Eu não quis preocupar ninguém, mas desde antes de desembarcar, assim que vi, ao longe, as torres do castelo, tive um pressentimento. Um pressentimento ruim. Não era como aquela sensação esquisita que eu sempre sentia com relação à Calormânia por causa de todo aquele ocorrido com Rabadash no passado, era diferente. Algo nada bom estava por vir, eu podia sentir. Mas como eu disse, não quero preocupar ninguém, até por que não sei bem do que se trata.
Alcançamos os portões do castelo. Identificamo-nos aos guardas que foram conosco ao encontro do Tisroc. Uma mudança visível por ali era o aumento dos guardas, o reforço na segurança.
- Ora, ora, quanto tempo! – o Tisroc nos recebeu alegremente.
- Caro Tisroc. — Pedro tomou a frente.
- A que devo a honra de sua visita, Grande Rei Pedro? – o rei sorriu.
- Infelizmente não venho em uma visita qualquer – começou Pedro. – Viemos em busca do seu auxilio.
A expressão do Tisroc mudou, assumindo o olhar preocupado e enrugando o cenho.
- Conte-me o que aconteceu. – pediu.
- Sofremos outro ataque, Tisroc, há poucos dias. Um ataque da Arquelândia. – Pedro explicou e o rei calormano lançou um olhar para Rany e Julian logo voltando a olhar para Pedro atentamente. – Acho que Aller se uniu à Feiticeira contra nós.
- Isso é horrível! Como Aller pode fazer uma coisa dessas?!
- Ando me perguntando isso... – Rany murmurou lá atrás.
- E vocês – ele olhou novamente para Rany e Julian. — Se seu povo agora é inimigo de Narnia por que... – começou o Tisroc.
- Ranyelle não concorda com Aller. – respondeu Pedro por ela.
- E eu sou narniano, senhor... – defendeu-se Julian. Então os olhos do Tisroc chegaram ao Professor e Lady Polly.
- Esses são Lorde Digory e Lady Polly. – apresentou Pedro. Tisroc os cumprimentou com um aceno de cabeça que foi retribuído pelos dois.
- Então, Aller, se revoltou contra vocês. – concluiu.
- Sim, nosso exercito foi praticamente extinto pelo ultimo ataque, então concluímos que Narnia não é mais segura para nós.
- Vossa Majestade está dizendo, então, que, para livrar seu povo do perigo, está trazendo o mesmo para o meu reino?
- Sabemos do risco, mas o senhor é nossa única chance. – Pedro disse humildemente. O Tisroc permaneceu em silêncio por alguns segundos.
- Tem alguém aqui que pode ajudar quanto a Aller. Ela chegou de Anvard hoje cedo pedindo abrigo. Venham comigo. – Ele seguiu em direção à porta da sala do trono. Nós fomos atrás, seguindo o Tisroc pelo castelo até chegarmos à um pequeno jardim interno com rosas-silvestres subindo pelas paredes e uma fonte de água no centro. Eu suspirei olhando em volta. Então aquele lugar ainda existia...
- Susana, é o mesmo...?
- É, é sim, Edmundo. – concordei para meu irmão que olhava atônito em volta.
- É o mesmo o que? – perguntou Pedro. Edmundo respondeu por mim e agradeci por isso.
- É o mesmo lugar onde ficamos da vez que viemos aqui com o Príncipe Corin... Na época de Rabadash...
Pedro se conformou com a resposta, Caspian abraçou-me lateralmente e ninguém falou mais nada a respeito.
No meio do jardim estava uma moça. Ao nos ver ela ficou encabulada e aproximou meio cabisbaixa e em passos lentos. Edmundo bufou, cruzando os braços, incomodado e Ranyelle deu um passo a frente.
— Renere? – ela questionou.
- Oi, Rany... – respondeu com a voz baixa e um pouco de sorriso no rosto.
- O que faz aqui?
- Eu finalmente percebi o quanto de errado Aller está fazendo. Ele está passando dos limites, Rany, ele fez coisas que eu nunca imaginava que ele seria capaz de fazer.
- Do que você está falando?
- Aller se uniu à Feiticeira Branca. – lançou a loira. Nós arfamos. Sim, Pedro supôs isso, mas mesmo assim é inacreditável. – E ela com certeza terá mais aliados. Só não sei quem.
- Isso não é nada bom. – Tisroc balançou a cabeça negativamente.
- Há mais informações que possa nos dar? – perguntou Pedro.
- Bom, pelo que eu saiba, eles não planejam nenhum ataque por um tempo... Estão esperando...
- Esperando o que? – perguntou Rany.
- Eu não sei. – Renere lamentou. Ela não tinha mais o ar superior e a arrogância que eu lembro predominar em sua face quando nos vimos pela primeira vez. Não seu se isso é bom ou não. Ela não olha em nossos olhos quando fala conosco, talvez por vergonha, mas tenho a intuição que não é por isso... Mas, enfim, ela está nos ajudando, então tudo bem por enquanto.
- Bom... Vocês devem ter feito uma longa viagem até aqui. Devem estar cansados. Vou mandar empregadas preparem os seus aposentos. – o Tisroc sorriu dirigindo-se para a saída, deixando-nos a sós.
- Eu... Eu queria pedir desculpas a todos vocês pelo modo como agi, não sabem como me arrependo... – Renere se pronunciou depois de alguns minutos. Rany sorriu abraçando a irmã.
- Tudo bem, Rê.
Renere recebeu um sorriso ou um aceno de todos nós como resposta ao seu pedido. De todos, menos Edmundo. Ele estava com a mesma face aborrecida e com raiva, mas agora era mais forte. Deixamos passar, para não causar maior desconforto.
- Ahm... Onde está Jay, queria pedir desculpas a ela também. – disse Renere, inocentemente. A expressão de Edmundo se agravou e o clima pesado recaiu sobre nós novamente ao tocar no assunto. Renere pareceu não entender nosso silêncio e olhou confusa para Ranyelle.
- Ela... Ela não sobreviveu ao ataque da Arquelândia, Rê... – explicou a irmã. O queixo de Renere caiu um pouco e por segundos ela não soube o que dizer, por fim, pronunciou apenas duas palavras.
- Sinto muito...
- Me acompanhe, eu vou leva-los aos seus aposentos. – o Tisroc voltou. Logo o seguimos até os quartos.
[...]
- Está tudo bem, Su? E não, não adianta me olhar desse jeito! – Caspian falou, fazendo-me rir um pouco. Já estávamos em nosso quarto, deitados na cama, prontos para dormir.
- Está tudo bem... – sussurrei.
- Não, não está, dá para ver em seus olhos, Susana, e não é nada com a minha pequena suponho... Algo está lhe preocupando... O que é? – Caspian olhou profundamente em meus olhos, incapacitando-me de fugir.
- Não é nada, Caspian...
- Fale... – ergueu as sobrancelhas. Suspirei.
- É só um pressentimento... Ruim. – completei.
- Sobre o que, exatamente?
- Esse é o problema, eu não sei. Não sei se é algo que vai acontecer, ou alguém que vai chegar ou vai embora, só sei que não é bom... Eu estou preocupada, Caspian. – falei. Ele sorriu de leve, afagando a lateral de meu rosto.
- Imagino... – seu rosto adquiriu uma expressão desconcertada enquanto ele desviava o olhar.
- O que foi...? – minha vez de perguntar.
- Nada com o que você deva se preocupar meu amor... – disse docemente.
- Fale... – ergui a sobrancelha, imitando-o. Caspian me encarou com cara de “ei, isso é meu!”. Eu sorri e sua expressão teatral se desfez. Comecei a afagar seus cabelos. Ele fechou os olhos.
- Isso é golpe baixo... Tortura. – acusou. Dei um sorriso torto.
- Então tá... – parei estrategicamente, aconchegando-me na cama na posição que iria dormir. Os olhos de Caspian abriram e me encararam confusos.
- Por que você parou de me torturar? – questionou de um jeito divertido.
- Se você contar eu continuo. – lancei a chantagem. Ele me encarou perplexo.
- Isso. É. Muita. Maldade! – fingiu-se indignado, mas foi entregue por seu sorriso. Eu ri. Sentei e Caspian deitou a cabeça em meu colo, meus dedos voltaram a afagar seus cabelos e seu rosto. Ele fechou os olhos durante um tempo. – Não sei por quanto tempo mais eu aguento, Su... – ele começou ainda de olhos fechados.
- Como assim? – eu olhava em seu rosto, mesmo ele estando de olhos fechados, admirando sua face meiga que, agora, continha um misto de preocupação e insegurança. – Não aguenta o que? – nós conversávamos quase na altura de sussurros por causa da hora.
- Toda essa tensão, essa preocupação, esse... Medo.
- Medo?
- É... Medo do que pode acontecer, medo de fracassar, medo de perder alguém para a morte... Como aconteceu com a Jay. Eu me sinto culpado por ter acontecido isso a ela.
- A culpa não é sua, Caspian. – afaguei sua face.
- Provavelmente ela estaria viva se tivesse ficado na batalha conosco. Pedro não me deixou ir para dentro do castelo, então eu pedi a ela. Ela veio... E não voltou... – senti meus olhos arderem enquanto ouvia o que Caspian dizia. – Se eu não tivesse sido teimoso em insistir em mandar alguém para dentro... Talvez ela estivesse viva ainda, Su... Mas não, eu insisti sem me tocar que estava praticamente a mandando para a morte, eu só queria não deixar você sozinha e isso custou a vida dela, agora olha! Olha o que eu fiz! Ela só chamou atenção atendendo meu pedido, ela foi seguida e olha o resultado, você foi ferida e ela... – parou, engolindo em seco. — Edmundo, Julian, Rany... Todos estão sofrendo muito com isso e a culpa é minha! – sua voz tremeu e ele parou de falar enquanto lagrimas escorreram de seus olhos. Um fio gelado desceu por uma de minhas bochechas, pingando no rosto de Caspian. Ele sentiu e abriu os olhos, enxuguei a lagrima rapidamente, mas foi inútil. – Su... Ah, Su, está vendo, por isso eu não queria falar! – Ele se sentou, abraçando-me. Deitei a cabeça em seu peito deixando mais lagrima escaparem enquanto Caspian apoiava o queixo no alto de minha cabeça e afagava-me.
- Está tudo bem, Caspian... Não pare de falar, você tem que desabafar, vai fazer bem a você... – afastei-me olhando em seus olhos, encontrando um rosto molhado. Toquei em sua face. – Tem que pôr tudo pra fora. – falei olhando em seus olhos.
- Não quero ver você chorar, Su... – justificou-se. Balancei a cabeça negativamente.
- Agora quem importa é você.
- Acho que eu já falei tudo...
- Tem certeza?
- Tenho... – sussurrou dando um leve sorriso. Suspirei, eu não podia obriga-lo a falar se ele já havia dito tudo.
- Só espero que não esteja guardando nada ai dentro por minha causa.
- Não estou Su, não estou. – ele sorriu garantindo. Sorri de volta. – Obrigado...
Abracei Caspian. Ele afundou o rosto em meu cabelo e retribuiu o gesto. Ao fim do abraço afaguei novamente seu rosto e o beijei, um beijo reconfortante, de amor e apoio.
POV. Susana.
A chegada do Professor e da senhora Polly deu certo animo para nós. Ajudou a descontrair a tensão de toda essa batalha, o pior é que estávamos praticamente sem-teto e se tinha uma coisa de que eu não sabia era pra onde iriamos ao sair de Tashbaan. Não poderíamos ficar aqui por muito tempo, afinal, como Rany disse, enquanto estivéssemos na Calormânia estaríamos trazendo o perigo para as pessoas daqui. E isso com certeza não é certo.
- Vamos, Su. – Caspian chegou ao meu lado pousando a mão na base das minhas costas. Fui com ele, descendo a rampa do navio em direção à terra firme. Nós e os outros continuamos a pé até os portões da cidade, que não era muito longe dali.
As duas folhas de ferro foram abertas para nós, em seguida começamos nossa caminhada até o palácio de Tashbaan, pela rua principal, com as pessoas abrindo caminho para nossa passagem. Suspirei. Eu não quis preocupar ninguém, mas desde antes de desembarcar, assim que vi, ao longe, as torres do castelo, tive um pressentimento. Um pressentimento ruim. Não era como aquela sensação esquisita que eu sempre sentia com relação à Calormânia por causa de todo aquele ocorrido com Rabadash no passado, era diferente. Algo nada bom estava por vir, eu podia sentir. Mas como eu disse, não quero preocupar ninguém, até por que não sei bem do que se trata.
Alcançamos os portões do castelo. Identificamo-nos aos guardas que foram conosco ao encontro do Tisroc. Uma mudançavisível por ali era o aumento dos guardas, o reforço na segurança.
- Ora, ora, quanto tempo! – o Tisroc nos recebeu alegremente.
- Caro Tisroc. — Pedro tomou a frente.
- A que devo a honra de sua visita, Grande Rei Pedro? – o rei sorriu.
- Infelizmente não venho em uma visita qualquer – começou Pedro. – Viemos em busca do seu auxilio.
A expressão do Tisroc mudou, assumindo o olhar preocupado e enrugando o cenho.
- Conte-me o que aconteceu. – pediu.
- Sofremos outro ataque, Tisroc, há poucos dias. Um ataque da Arquelândia. – Pedro explicou e o rei calormano lançou um olhar para Rany e Julian logo voltando a olhar para Pedro atentamente. – Acho que Aller se uniu à Feiticeira contra nós.
- Isso é horrível! Como Aller pode fazer uma coisa dessas?!
- Ando me perguntando isso... – Rany murmurou lá atrás.
- E vocês – ele olhou novamente para Rany e Julian. — Se seu povo agora é inimigo de Narnia por que... – começou o Tisroc.
- Ranyelle não concorda com Aller. – respondeu Pedro por ela.
- E eu sou narniano, senhor... – defendeu-se Julian. Então os olhos do Tisroc chegaram ao Professor e Lady Polly.
- Esses são Lorde Digory e Lady Polly. – apresentou Pedro. Tisroc os cumprimentou com um aceno de cabeça que foi retribuído pelos dois.
- Então, Aller, se revoltou contra vocês. – concluiu.
- Sim, nosso exercito foi praticamente extinto pelo ultimo ataque, então concluímos que Narnia não é mais segura para nós.
- Vossa Majestade está dizendo, então, que, para livrar seu povo do perigo, está trazendo o mesmo para o meu reino?
- Sabemos do risco, mas o senhor é nossa única chance. – Pedro disse humildemente. O Tisroc permaneceu em silêncio por alguns segundos.
- Tem alguém aqui que pode ajudar quanto a Aller. Ela chegou de Anvard hoje cedo pedindo abrigo. Venham comigo. – Ele seguiu em direção à porta da sala do trono. Nós fomos atrás, seguindo o Tisroc pelo castelo até chegarmos à um pequeno jardim interno com rosas-silvestres subindo pelas paredes e uma fonte de água no centro. Eu suspirei olhando em volta. Então aquele lugar ainda existia...
- Susana, é o mesmo...?
- É, é sim, Edmundo. – concordei para meu irmão que olhava atônito em volta.
- É o mesmo o que? – perguntou Pedro. Edmundo respondeu por mim e agradeci por isso.
- É o mesmo lugar onde ficamos da vez que viemos aqui com o Príncipe Corin... Na época de Rabadash...
Pedro se conformou com a resposta, Caspian abraçou-me lateralmente e ninguém falou mais nada a respeito.
No meio do jardim estava uma moça. Ao nos ver ela ficou encabulada e aproximou meio cabisbaixa e em passos lentos. Edmundo bufou, cruzando os braços, incomodado e Ranyelle deu um passo a frente.
- Renere? – ela questionou.
- Oi, Rany... – respondeu com a voz baixa e um pouco de sorriso no rosto.
- O que faz aqui?
- Eu finalmente percebi o quanto de errado Aller está fazendo. Ele está passando dos limites, Rany, ele fez coisas que eu nunca imaginava que ele seria capaz de fazer.
- Do que você está falando?
- Aller se uniu à Feiticeira Branca. – lançou a loira. Nós arfamos. Sim, Pedro supôs isso, mas mesmo assim é inacreditável. – E ela com certeza terá mais aliados. Só não sei quem.
- Isso não é nada bom. – Tisroc balançou a cabeça negativamente.
- Há mais informações que possa nos dar? – perguntou Pedro.
- Bom, pelo que eu saiba, eles não planejam nenhum ataque por um tempo... Estão esperando...
- Esperando o que? – perguntou Rany.
- Eu não sei. – Renere lamentou. Ela não tinha mais o ar superior e a arrogância que eu lembro predominar em sua face quando nos vimos pela primeira vez. Não seu se isso é bom ou não. Ela não olha em nossos olhos quando fala conosco, talvez por vergonha, mas tenho a intuição que não é por isso... Mas, enfim, ela está nos ajudando, então tudo bem por enquanto.
- Bom... Vocês devem ter feito uma longa viagem até aqui. Devem estar cansados. Vou mandar empregadas preparem os seus aposentos. – o Tisroc sorriu dirigindo-se para a saída, deixando-nos a sós.
- Eu... Eu queria pedir desculpas a todos vocês pelo modo como agi, não sabem como me arrependo... – Renere se pronunciou depois de alguns minutos. Rany sorriu abraçando a irmã.
- Tudo bem, Rê.
Renere recebeu um sorriso ou um aceno de todos nós como resposta ao seu pedido. De todos, menos Edmundo. Ele estava com a mesma face aborrecida e com raiva, mas agora era mais forte. Deixamos passar, para não causar maior desconforto.
- Ahm... Onde está Jay, queria pedir desculpas a ela também. – disse Renere, inocentemente. A expressão de Edmundo se agravou e o clima pesado recaiu sobre nós novamente ao tocar no assunto. Renere pareceu não entender nosso silêncio e olhou confusa para Ranyelle.
- Ela... Ela não sobreviveu ao ataque da Arquelândia, Rê... – explicou a irmã. O queixo de Renere caiu um pouco e por segundos ela não soube o que dizer, por fim, pronunciou apenas duas palavras.
- Sinto muito...
- Me acompanhe, eu vou leva-los aos seus aposentos. – o Tisroc voltou. Logo o seguimos até os quartos.
[...]
- Está tudo bem, Su? E não, não adianta me olhar desse jeito! – Caspian falou, fazendo-me rir um pouco. Já estávamos em nosso quarto, deitados na cama, prontos para dormir.
- Está tudo bem... – sussurrei.
- Não, não está, dá para ver em seus olhos, Susana, e não é nada com a minha pequena suponho... Algo está lhe preocupando... O que é? – Caspian olhou profundamente em meus olhos, incapacitando-me de fugir.
- Não é nada, Caspian...
- Fale... – ergueu as sobrancelhas. Suspirei.
- É só um pressentimento... Ruim. – completei.
- Sobre o que, exatamente?
- Esse é o problema, eu não sei. Não sei se é algo que vai acontecer, ou alguém que vai chegar ou vai embora, só sei que não é bom... Eu estou preocupada, Caspian. – falei. Ele sorriu de leve, afagando a lateral de meu rosto.
- Imagino... – seu rosto adquiriu uma expressão desconcertada enquanto ele desviava o olhar.
- O que foi...? – minha vez de perguntar.
- Nada com o que você deva se preocupar meu amor... – disse docemente.
- Fale... – ergui a sobrancelha, imitando-o. Caspian me encarou com cara de “ei, isso é meu!”. Eu sorri e sua expressão teatral se desfez. Comecei a afagar seus cabelos. Ele fechou os olhos.
- Isso é golpe baixo... Tortura. – acusou. Dei um sorriso torto.
- Então tá... – parei estrategicamente, aconchegando-me na cama na posição que iria dormir. Os olhos de Caspian abriram e me encararam confusos.
- Por que você parou de me torturar? – questionou de um jeito divertido.
- Se você contar eu continuo. – lancei a chantagem. Ele me encarou perplexo.
- Isso. É. Muita. Maldade! – fingiu-se indignado, mas foi entregue por seu sorriso. Eu ri. Sentei e Caspian deitou a cabeça em meu colo, meus dedos voltaram a afagar seus cabelos e seu rosto. Ele fechou os olhos durante um tempo. – Não sei por quanto tempo mais eu aguento, Su... – ele começou ainda de olhos fechados.
- Como assim? – eu olhava em seu rosto, mesmo ele estando de olhos fechados, admirando sua face meiga que, agora, continha um misto de preocupação e insegurança. – Não aguenta o que? – nós conversávamos quase na altura de sussurros por causa da hora.
- Toda essa tensão, essa preocupação, esse... Medo.
- Medo?
- É... Medo do que pode acontecer, medo de fracassar, medo de perder alguém para a morte... Como aconteceu com a Jay. Eu me sinto culpado por ter acontecido isso a ela.
- A culpa não é sua, Caspian. – afaguei sua face.
- Provavelmente ela estaria viva se tivesse ficado na batalha conosco. Pedro não me deixou ir para dentro do castelo, então eu pedi a ela. Ela veio... E não voltou... – senti meus olhos arderem enquanto ouvia o que Caspian dizia. – Se eu não tivesse sido teimoso em insistir em mandar alguém para dentro... Talvez ela estivesse viva ainda, Su... Mas não, eu insisti sem me tocar que estava praticamente a mandando para a morte, eu só queria não deixar você sozinha e isso custou a vida dela, agora olha! Olha o que eu fiz! Ela só chamou atenção atendendo meu pedido, ela foi seguida e olha o resultado, você foi ferida e ela... – parou, engolindo em seco. — Edmundo, Julian, Rany... Todos estão sofrendo muito com isso e a culpa é minha! – sua voz tremeu e ele parou de falar enquanto lagrimas escorreram de seus olhos. Um fio gelado desceu por uma de minhas bochechas, pingando no rosto de Caspian. Ele sentiu e abriu os olhos, enxuguei a lagrima rapidamente, mas foi inútil. – Su... Ah, Su, está vendo, por isso eu não queria falar! – Ele se sentou, abraçando-me. Deitei a cabeça em seu peito deixando mais lagrima escaparem enquanto Caspian apoiava o queixo no alto de minha cabeça e afagava-me.
- Está tudo bem, Caspian... Não pare de falar, você tem que desabafar, vai fazer bem a você... – afastei-me olhando em seus olhos, encontrando um rosto molhado. Toquei em sua face. – Tem que pôr tudo pra fora. – falei olhando em seus olhos.
- Não quero ver você chorar, Su... – justificou-se. Balancei a cabeça negativamente.
- Agora quem importa é você.
- Acho que eu já falei tudo...
- Tem certeza?
- Tenho... – sussurrou dando um leve sorriso. Suspirei, eu não podia obriga-lo a falar se ele já havia dito tudo.
- Só espero que não esteja guardando nada ai dentro por minha causa.
- Não estou Su, não estou. – ele sorriu garantindo. Sorri de volta. – Obrigado...
Abracei Caspian. Ele afundou o rosto em meu cabelo e retribuiu o gesto. Ao fim do abraço afaguei novamente seu rosto e o beijei, um beijo reconfortante, de amor e apoio.
Notas finais
Quero Reviews!
Fale com o autor