Antes de embarcarmos no carro que nos levaria até o arquivo do clã, Matias fez questão de informar que iria acompanhar seu alfa o que não era nenhuma surpresa, por isso assenti e o autorizei a ir ao lado do meu motorista enquanto nosso veículo era seguido por outro composto por meus guardas.

Por mais que não precisasse de escolta, era obrigada a seguir os protocolos tranquilizando meu clã enquanto não tivesse uma linha sucessória, caso algo acontecesse comigo.

Assim que o carro estacionou na porta do arquivo no final do expediente, guiei meus acompanhantes até a recepção onde o chefe do local já nos esperava para auxiliar em nossas buscas enquanto nossos guardas ficavam a postos na entrada do salão de estudos.

— Obrigada por atender meu pedido de última hora, senhor Carlos. — Agradeci com um sorriso no rosto, enquanto ele indicava com a mão que nos sentássemos em uma das mesas que havia no salão.

— Não precisa agradecer, alfa Lara, espero poder ajudá-la a encontrar o que procura. — Senhor Carlos disse solicito sentado à minha frente, enquanto alfa Heitor ocupou a cadeira ao meu lado.

— Espero o mesmo, senhor Carlos — disse esperançosa voltando minha atenção para o homem sentado ao meu lado. — Este é o alfa Heitor, líder do clã Knox, ele me acompanhou até aqui hoje porque está em busca de algumas informações, lhe seria eternamente grata se o ajudasse também.

— Claro, alfa Lara — assegurou fazendo o homem ao meu lado sorrir agradecido para mim — Mas no que poderia ajudar os senhores? — Perguntou chamando nossa atenção e viramos para vê-lo.

— Bem, estou atrás de documentos que falam sobre lendas do nosso povo. — Disse de forma geral, porque não queria causar pânico muito menos dúvidas sobre a minha sanidade mental falando sobre um assunto que todos julgavam não passar de uma lenda.

— Claro, temos uma sessão inteira sobre mitologia dos filhos da lua de todos os cantos do mundo — se vangloriou pelo material que possuía no local — Alguma lenda em especial? — Perguntou solicito e dei de ombros.

— Não sei bem, tenho apenas poucas informações que não me ajudam a especificar nada.

— Tudo bem, mostrarei o local em que poderá encontrar os materiais, mas se descobrir o que deseja é só me avisar.

— Claro.

— E o senhor, alfa Heitor, o que gostaria de pesquisar?

— Os dados do último censo a ser feito, antes da guerra que redefiniu nosso mundo. — Revelou e o senhor Carlos concordou, pedindo que nos acompanhasse pelo salão.

Caminhamos em direção a uma escada indo para o segundo andar, assim que chegamos ele informou que os documentos que desejava estavam na sala a esquerda, antes de solicitar que Heitor o acompanhasse até o local em que os arquivos que desejava estavam.

Enquanto procurava nos registros sobre o fruto proibido, não parava de pensar no que o alfa do clã Knox estava buscando e lembrei da conversa que tivemos no meu escritório sobre suas origens.

Provavelmente ele estaria buscando informações sobre sua mãe, as quais seu pai não revelou nem mesmo no seu leito de morte. Mas o que se esperar de um homem com a fama do antigo alfa do clã Knox?! Com certeza, nada de bom.

Deixei minhas preocupações de lado e me concentrei na minha busca, separando os documentos que tinham informações que me interessava, para qual dedicaria minha atenção assim que terminasse minhas buscas.

Uma hora depois, caminhei em direção a uma das mesas de estudo no local com os braços cheios de material promissor e comecei a ler tudo que havia trazido, deixando de lado aqueles que repetiam tudo o que já sabia, anotando no meu celular as informações novas que estava encontrando.

— [...] o filho da deusa da lua tem seus poderes diminuídos durante o dia e o período da lua nova, em contrapartida o ápice de sua força é ao cair da noite, especialmente as noites marcadas pela lua cheia [...] — li a informação do livro aberto na minha frente e me recostei na cadeira pensando — Então, se eu tiver que fazer algo para destruí-lo deve ser durante o dia...Um dia em que a noite é marcada por uma lua nova. — Refleti sorrindo por saber que havia encontrado um fio de esperança para me agarrar se algo saísse do controle.

Esse fato me fez ir em busca de mais informações até encontrar alguns documentos soltos e frágeis, denunciando os anos e as provações que passou para se manter integro até hoje.

Eles contavam detalhadamente sobre o surgimento do fruto proibido, como sua mãe a deusa lua se encantava por um homem mortal a cada século passando noites em sua companhia, gerando assim uma criança que era entregue ao seu genitor dando início a uma geração mais forte de seres sobrenaturais, com o sangue da deusa correndo em suas veias.

Por séculos, os homens escolhidos para serem amantes da deusa eram recompensados com tesouros e prestígios, mas isso mudou quando um dos seus escolhidos a fez ficar mais tempo entre os mortais do que o costume, chegando ao ponto dela começar a se tornar uma mortal devido a convivência.

— A deusa lua se apaixonou pelo último homem...— segredei para mim mesma entendendo o que os documentos queriam dizer — Ela estava disposta a sacrificar sua imortalidade para ficar ao lado dele e do filho — sussurrei tentando imaginar um amor assim, tão grande e forte que me fizesse renunciar a uma parte de mim, para viver ao seu lado. — Espero que ele tenha valido a pena, deusa da lua, para que um dia tenha pensado em desistir da sua imortalidade. — Refleti voltando a minha leitura buscando mais informações que poderiam ser uteis.

Sorri feliz assim que encontrei o que desejava, mas como tudo na vida tinha sua dualidade matar o ser mais poderoso do mundo não seria tão fácil assim, porque segundo os documentos ele só poderia ser morto por aquela que lhe trouxe ao mundo.

— Ótimo, nunca que a deusa da lua irá matar o filho que me pediu para proteger, ainda mais se ele for do homem que ela amava, o que desconfio que seja. — Desabafei frustrada ciente de que por hora não podia fazer nada.

Sem alternativas me recostei na cadeira novamente, pensando em uma solução até um vento frio entrar por uma janela entreaberta passando algumas folhas, parando no capítulo destinado a lenda de companheiros de alma.

Intrigada, comecei a ler o que estava escrito abrindo a boca em choque ao reconhecer cada um dos sintomas descritos e quais ainda estavam por vir.