Fruto Proibido
17 DEZESSETE

Em silêncio Heitor deixou a carta do meu pai em cima da mesa em nossa frente, aproximando-se de mim e segurando meu rosto em suas mãos sem desviar os olhos dos meus.
— Ficar com você é tudo que mais desejo, Lara. — Admitiu sincero e senti as lágrimas rolarem por meu rosto.
— É o que desejo também, Heitor. — Assegurei sem desviar dos seus olhos e ele beijou a minha testa com carinho, abraçando-me em seguida.
Daquele dia em diante coloquei os meus melhores homens em busca da minha tia, para que pudesse esclarecer tudo e confirmar que meu falecido pai falava a verdade na carta que havia deixado, enquanto a procurava Heitor decidiu que havia chegado a hora de conhecer seus familiares maternos e fiz questão de acompanhá-lo para lhe dar apoio.
Seu meio irmão, Samuel, o recebeu de braços aberto assim como todo o restante da família e fez questão de lhe contar histórias sobre a mãe dos dois, do quanto ela estava feliz e fazia planos enquanto esperava seu caçula. Um momento extremamente importante para Heitor, porque finalmente havia dado um rosto, uma voz e uma história, para a figura nebulosa que ocupava seus pensamentos.
Depois que conheceu sua família biológica, Heitor me perguntou se poderia convidar sua mãe para visitá-lo e concordei, porque adoraria conhecer a mulher que o criou com todo amor e carinho. Marta Collins, era naturalmente amorosa, cuidadosa e firme quando precisava, as qualidades necessárias que uma provável mãe deveria ter, pelo menos era o que imaginava.
Havíamos nos tornando grandes amigas, ela estava me ensinando a controlar as sensações que sentia evitando repassá-las a Heitor, já que seus avôs também haviam sido companheiros de alma como nós.
Ela e Matias se completavam de uma forma extraordinária, chegando a ser espantoso porque ele aparentava uma postura assustadora e intimidadora, já Marta, era o amor e luz em pessoa.
Pode voltar para a minha rotina normal quatro semanas depois que tive alta do hospital, mas com recomendações explicitadas de diminuir meu ritmo de trabalho e não esquecer de tomar a medicação nos horários estipulados, condições que cumpria à risca.
Agora que havia voltado as minhas funções, solicitei ao advogado do clã que redigisse uma documentação no qual todo o território pertencente ao clã Knox, incluindo o local onde meu parceiro havia sido criado, se tornasse uma propriedade privada pertencente ao meu parceiro.
Impedindo assim que sua amada região fosse entregue a outro clã, quando abdicasse do título de alfa para se unir a mim.
— Tem certeza disso? Não quero que pense que é obrigado a renunciar ao seu direito de nascença por minha causa — expliquei parando de caminhar ao seu lado no jardim da minha casa, assim que informou que abdicaria do título de alfa para nos unirmos — Vou entender se decidir assumir sua posição no clã Knox. — Assegurei sentindo meu coração se apertar diante da possibilidade de que pudéssemos viver longe um do outro.
— Tenho certeza disso, Lara — assegurou parando de caminhar e voltando sua atenção para mim — Jamais desejei assumir um clã, só vim reivindicar meu lugar para que pudesse proteger meu lar, mas graças a você, ele estará seguro de qualquer um que pudesse lhe fazer mal. Por isso, muito obrigado. — Agradeceu com sinceridade.
— Não precisa agradecer, Heitor, fico feliz em saber que pude reparar meu erro, afinal, quem dividiu as terras do clã Knox para os demais alfas fui eu — lembrei suave. — Mas ainda acho que está renunciando a muita coisa por minha causa. Quem garante que não irá se arrepender mais tarde?!
— Não irei — assegurou se aproximando de mim, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha — Porque bens materiais e um título, nunca foram importantes para mim, o mais importante está diante dos meus olhos — declarou sem desviar os olhos dos meus — Eu amo você, Lara Kingston, e quero passar o resto da minha vida ao seu lado, se me permitir. — Declarou e sorri feliz ao ouvi-lo dizer pela primeira vez em palavras que me amava.
— Você me ama?! Mesmo sabendo das minhas origens?! — Perguntei dando voz ao último receio que ainda possuía.
— Sim, porque saber das suas origens não abalou em nada meus sentimentos por você, só me fez amá-la mais — confessou sorrindo com carinho para mim. — E saber das minhas origens, abalou seus sentimentos por mim?
— Não, contínuo amando-o da mesma forma. — Declarei apaixonada e ele sorriu se inclinado na minha direção, fazendo meu coração acelerar só de pensar na possibilidade de que finalmente nos beijaríamos, mas contrariando todas as expectativas Heitor encostou sua testa na minha, acariciando a ponta do seu nariz com o meu.
— Você precisa se acalmar, meu amor, consigo sentir seu coração bater acelerado e isso não lhe faz bem — pediu carinhoso e concordei respirando fundo, tentando acalmar o ritmo acelerado do meu coração que parecia querer sair do peito — Não precisamos ter pressa, temos todo tempo do mundo. — Assegurou acariciando meus cabelos e continuei respirando fundo, tentando pensar em coisas calmantes o que não era nada fácil quando estava a um passo de finalmente beijar o homem por quem me apaixonei.
Com cuidado Heitor se afastou alguns centímetros para beijar minha testa, a ponta do meu nariz, minha bochecha direita e a esquerda enquanto fazia de tudo para me manter respirando e com os batimentos regulares, evitando ter outra arritmia.
Uma tarefa extremamente difícil, diante dos carinhos que fazia em mim.
— Eu amo você, Lara. — Sussurrou contra meu rosto e logo senti seus lábios tocarem os meus delicadamente, como se temesse me machucar ou acelerar meus batimentos.
Sem pensar em mais nada passei meus braços ao redor do seu pescoço, puxando-o para mais perto de mim, antes de me perder no sabor dos seus lábios e no calor dos seus braços.
Beijar Heitor, foi muito melhor do que imaginei que seria porque ele despertou em mim sensações que nenhum outro foi capaz de fazer, me dando a certeza de que realmente éramos perfeitos para o outro e agradeci a deusa lua por tê-lo trazido até mim, nos dando a chance de viver um amor tão forte como o que sentíamos pelo outro.
— Você está bem? — Perguntou sem folego segurando meu rosto em suas mãos, assim que nos separamos para respirar após nosso primeiro beijo.
— Sim — assegurei a ele sem desviar dos seus olhos, vendo seus lábios vermelhos e levemente inchados depois do beijo intenso que trocamos. — Eu amo você, Heitor. — Declarei e ele sorriu amoroso para mim.
— Eu também te amo, Lara. — Respondeu amoroso e sorri feliz ao ouvir sua declaração acariciando sua nunca, puxando-o com carinho em direção aos meus lábios beijando-o novamente.
Nos beijamos até o ar ser necessário novamente e Heitor destacar que já havíamos colocado meu coração a prova demais para um único dia, resignada aceitei seu argumento e me deixei ser conduzida para o interior da minha casa exibindo um sorriso vitorioso nos lábios por finalmente termos nos beijado.
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Havia se passado dois meses, desde a interrupção da festa em que anunciaria o nome do meu futuro companheiro pela chegada do herdeiro do alfa Knox, que descobrir se tratar do meu companheiro de alma.
Desde então, temos aproveitado cada momento juntos nos conhecendo melhor e idealizando uma vida juntos que seria oficializada daqui a oito dias.
Na qual ele renunciaria o seu título de alfa para se tornar meu companheiro, me representando perante o clã quando houvesse necessidade e ajudando a conceber o próximo sucessor do clã Kingston.
Graças ao tratamento receitado pelo Doutor Tavares minha arritmia cardíaca estava controlada, mas era ciente de que os cuidados que me foram solicitados deveriam ser seguidos à risca até meu último dia de vida ou poderia acabar necessitado de uma cirurgia para colocar um marcapasso, na melhor das hipóteses e na pior, necessitaria entrar para a fila de transplante de coração.
Enquanto verificava os últimos detalhes para a cerimônia acompanhada de April e de Marta, mãe adotiva de Heitor, meu futuro parceiro estava no hospital comunitário Kingston atuando como clínico geral atendendo a população carente do nosso clã, um trabalho que lhe sugeri ao perceber o quanto sentia falta de atuar em sua profissão.
Como meu companheiro, ele teria mais liberdade para exercer sua profissão sem se preocupar com a burocracia administrativa que ficaria ao meu encargo, suas atribuições em relação ao clã seriam de me acompanhar em cerimonias, audiências e me representar quando houvesse necessidade.
Desviei meus olhos das amostras de tecido das mesas do jardim, para ver meu guarda pessoal caminhando em minha direção, o mesmo para quem havia atribuído a tarefa de encontrar e trazer minha tia Morgana até mim.
— E então, Santiago? — Perguntei assim que se aproximou de mim atraindo a atenção das minhas acompanhantes.
— Concluímos a missão com êxito, minha senhora — informou e sorri feliz ao ouvir suas palavras. — O objetivo da nossa missão a aguarda, alfa Lara.
— Ótimo, informe ao meu motorista que iremos sair imediatamente — pedi a Santiago que concordou, enquanto voltava minha atenção para as duas mulheres atrás de mim. — Vocês podem terminar de verificar tudo, porque preciso resolver um assunto urgente que não posso adiar.
— Claro, não se preocupe. — Asseguraram prontamente.
— O que digo a Heitor, quando chegar e não a ver em casa? — Marta perguntou prestativa.
— Não se preocupe, vou enviar uma mensagem a ele explicando o motivo da minha ausência. — Expliquei e ela concordou, antes de me despedir das duas e seguir na companhia de Santiago até a entrada da minha casa onde meu motorista já estava apostos para me levar até o local onde minha tia estava.
Em menos de vinte minutos já estava descendo do carro, caminhando entre os galpões que pertenciam a minha família na companhia de Santiago que me guiava pelo caminho, cumprimentando meus guardas que vigiavam o perímetro.
Assim que adentrei ao galpão vi minha tia Morgana amarrada a uma cadeira, sob a vigilância de um pequeno contingente de guardas atentos a cada movimento seu.
— Ordenei que não usassem força contra minha tia, Santiago. — Repreendi veemente meu segurança que me olhou culpado por desobedecer a uma ordem minha.
— Estou ciente, alfa Lara, mas como nos proibiu de usar a força ou a sedação, tivemos que imobilizar temporariamente sua tia. Já que ela não quis cooperar conosco e vir de livre e espontânea vontade.
— Tudo bem, Santiago, nos deixe a sós. — Ordenei e ele me olhou surpreso assim como os demais.
— Não acho prudente, senhora.
— Não se preocupe, ficarei bem, Santiago. — Assegurei e ele suspirou resignando fazendo sinal para seus homens deixarem o local ao seu lado.
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