Frozen - A Rainha da Neve
5 Uma vez em... Sempre!
Notas iniciais

O passar dos anos não foi sentido por Hans e Moly, após saírem da prisão. Sim, eles ficaram no mesmo presídio. Afinal,ninguém desconfiava que a mulher não fosse humana, e naquela época, pelo século XVIII, Arendelle não tinha dois presídios distintos, separando os homens das mulhers, pois o índice de criminalidade era muito baixo, de modo que não valia a pena fazer mais que uma cadeia. Outro motivo era a alta credibilidade de seus supervisores. A única falha na segurança do local havia se dado na fuga de Hans.
Lá, ele e a cúmplice permaneceram em torno de uns 7 anos e depois foram soltos. É bom também, acrescentar que não mudaram da água pro vinho de repente. Apenas ficaram mais na deles, enquanto pensavam na magia daquele olhar da menina.
— Você... você viu como aquela garota olhou pra gente? Como se fôssemos uns imbecis esse tempo todo; uns fracos. Sinceramente: nunca vi alguém olhar pra mim daquela forma, parecendo até que conhecia minha alma... Aliás, DE ONDE QUE ELA SURGIU?- Perguntava Hans.
— Como que você não sabe? Ela surgiu de uma reação entre os reflexos opostos dos espelhos, e os poderes da Elsa e do Jack. Aliás, eu também acho que pode ter sido algo como uma intervenção dos céus... Pensa, como iria surgir uma pessoa no meio daquilo? As chances do estrago ser enorme eram muito grandes... Mas, em vez disso, se forma uma explosão com forma de anjo e aí aparece uma garotinha com um olhar capaz... capaz de tocar o coração das pessoas...
— Espera! Ela é humana?! E... não me diga que você ficou emocionada com a criancinha, como uma princesinha acéfala!
— Se você não fosse tão grosso poderia ter ouvido aquele trol nerd, e já saberia que ela é gente! E sim, fiquei um pouco mexida com a maneira que ela nos olhou... Mas, você não pode negar que também ficou! –disse Moly enquanto lhe olhava nos olhos, querendo lhe provocar. Mas para sua surpresa, Hans começou a chorar:
—Buááá! Você tem razão! Eu não aguento mais! E-eu... E-ela... Eu estou me sentindo um idiota! Buááá!
—Pelo amor de Deus, Hans! Para de chorar feito uma garotinha e se recomponha! Eu também estou atordoada, mas não é para tanto! Anda! Ou você quer que eu também pense que você é um gay enrustido? Olha para mim: sendo idiotas ou não, sendo cruéis ou não, nós devemos levantar nossa cabeça e resolvermos juntos esse problema. E se o melhor for mudar... Por que não? Mas vamos com calma, precisamos de um tempo para digerir tudo isso. –dizia Moly, enquanto segurava a mão de Hans e sorria; mas um sorriso tão atordoado quanto o dele. E estes sorrisos, tão carentes, tão parecidos e tão atordoados, acabaram se confundindo; e quando perceberam, ambos estavam se beijando.
E assim os demais anos na cadeia correram para Hans e Moly. Com o tempo resolveram se casar quando saíssem dali. Logo que puderam, comunicaram a decisão à família de Moly; já que a de Hans se afastara totalmente dele. Nisso, aproveitaram para também pedir que Elsa os perdoasse. Só que por trás desse desejo de perdão, se escondia igualmente uma raiva estranha por todo o ocorrido, e uma perseguição doentia pela Rainha da Neve. Ela quase não saia de casa, e ainda por cima, haviam ordens explícitas, a pedido de Elsa, dizendo para o casal não se aproximar dela. Mas mesmo assim, eles vigiavam os passos da menina o máximo que conseguiam. E viviam fazendo experiências com espelhos... Se eram para o bem ou para o mal, eu não sei.
***
Chegou o dia do aniversário de 15 anos da Neve. Ela já possuía um corpo de moça, com as mesmas características mágicas de quando era criança. Haviam mudado seus braços; ou melhor, suas mãos, que com o aumento constante de seus poderes, ficavam congeladas quando eles ameaçavam se manifestar.
Era cada vez mais difícil controlar sua magia, mas de alguma forma, até então, ela estava conseguindo... Todavia, aquele dia havia sido diferente. Suas mãos estavam muito azuis e pareciam cheias de flocos de neve. Seus dedos nem mais dedos pareciam; eram como garras de gelo! Para piorar, ela ainda se deixara deprimir, o que agravou a situação. O motivo? Percebeu que seu grande sonho era praticamente impossível: descer as montanhas e conhecer mais pessoas, e lugares mais quentes...
Assim, começaram a cair flocos de neve nos pés das montanhas, sem que ela percebesse. Jack, que nos últimos anos havia conseguido uma trégua no trabalho de consertar o clima, teve de se despedir da família, e sair para tentar "arrumar o estrago", como dizia. E embora, ainda mantivesse o bom-humor e a imortalidade, sua aparência já era de alguém mais velho, devido ao cansaço e stress do trabalho intenso. Elsa, contudo, ainda tinha o mesmo rosto de 15 anos atrás; parecia até que ela que era imortal.
—Talvez seja o gelo. Vai ver que ele esteja me conservando, e quem sabe eu até fique imortal como Jack! –Pensava consigo mesma, quando refletia sobre isso.
As coisas que mais mudaram nela com o passar do tempo, foram seu cabelo e o vestido. Agora, Elsa possuía um corte bem curto, acima das orelhas e seu vestido mágico de gelo havia ficado mais sério, pois não se sentia mais à vontade usando roupas com fendas ou coladas no corpo.
E estava ela no castelo, comendo um bolo de sorvete com Olaf e Marshmallow, quando Jack retornou atordoado, falando:
— Elsa, eu preciso da sua ajuda! Não sei o que houve mas o clima está totalmente descontrolado! Eu vou precisar de muita cooperação para conseguir fazer tudo voltar ao normal...
— Mas e a nossa menina? Vamos deixa-la sozinha nesse dia tão especial? -perguntou ao marido.
— Eu já pensei nisso. E... acho que ela deveria aproveitar para descer para Arendelle!
A esposa estava pronta para dizer que isso era um grande absurdo, mas Jack lhe cortou, continuando:
—Antes que você venha com sermão pense bem: a situação dela está cada vez mais difícil. Falar com Kristoff, que ainda tem a fórmula do feitiço original guardada, e lida muito bem com gelo pode ser uma excelente oportunidade para esse problema! Ele pode, quem sabe, dar alguma solução...
Neve que ouviu a conversa, foi logo respondendo:
— Sim, sim! Por favor, me deixem ir! Eu ficaria tão mais feliz, que só isso já me ajudaria! Ainda poderia conhecer o calor, o reino de minha família, mais pessoas... Ai, já estou até me sentindo melhor! O que poderia dar errado?
Sua mãe, contudo, ainda parecia preocupada. Sabia muito bem o que poderia dar errado! Mas não teve como contrariar, afinal, esta parecia a melhor alternativa. Então, acabou por dizer:
— Tudo bem. Vamos, eu te ajudo a se arrumar. Só lembre-se que...
— Ninguém pode saber dos meus poderes. — Completou a filha. E suplicando-lhe, acrescentou- Confie em mim! Viu? Eu sei o que devo fazer!
Elsa por fim, concordou. E as 2 foram para um quarto onde começaram a arranjar o necessário para aquela repentina saída. Neve colocou um capuz para cobrir o cabelo e fazer sombra em seus olhos; depois, a mãe lhe deu uma blusa preta para captar bastante calor. Também colocou uma segunda pele; uma saia de veludo; botas; luvas; e uma grande capa acolchoada. Tudo para evitar que deixasse o frio escapar de dentro de si. E enquanto se arrumava, ouviu a seguinte recomendação:
— Olha, eu confio muito em você, mas... eu vou te dar um conselho que pode ajudar bastante se teus poderes saírem de controle na frente de todos: deixe eles fluírem! O desespero, o medo, a angústia podem só piorar as coisas, e numa hora dessas, tentar se controlar não vai adiantar! Espero muito que isso não ocorra, mas se acontecer... deixe! Deixe fluir! Por favor.
Elsa tinha um olhar distante agora, como se lembrasse em um flash de tudo que passou quando gritou bem alto naquele castelo: Let it go! A filha, todavia, interrompeu seus pensamentos com um olhar meio assustado:
—Ahn, e-eu acho que vou lembrar de fazer isso... Mas pode ficar tranquila, que saberei me segurar! Afinal, por uma vez em sempre, eu vou estar com mais pessoas! Vou poder conhecer o calor! Ouvir o canto dos pássaros; ver as flores brotando; andar sobre a grama...
Então, animada e cantando, ela foi se despedindo de todos e desceu a montanha vagarosamente, acompanhada por Olaf. Ele fora designado pela mãe, para lhe ajudar, já que era a melhor alternativa entre os demais bonecos de neve dali: Marshmalow era muito assustador para ir para o reino; e os demais bonequinhos, muito pequeninos.
Olaf e Rainha da Neve pareciam dois birutas descendo as montanhas, correndo, dançando, pulando e brincando exaustivamente. Quando chegaram finalmente à Arendelle, a emoção tomou conta da moça. Ela abriu um sorriso enorme, e não conseguia fazer mais nada; apenas observava aquele lugar que sonhara por muitos anos conhecer. Olaf aproveitou, e disparou:
— Eu sei, é incrível! Só espero que você não peide de emoção...
—Olaf! – Disse a Rainha da Neve entre risos. – Vem, vamos entrando! Parece que há uma festa por aqui, e eu não quero perder nem um segundo dessa grande oportunidade!
O local estava mesmo em festa! Era uma comemoração pela melhora da economia local; algo que não acontecia desde a saída repentina da antiga governante. E sem saberem que aquela garota era a causadora da crise que andou a assolar o reino, os habitantes foram muito amáveis com ela. E apesar de envergonhada, ela foi muito simpática com todos. Por onde passava, cumprimentava a quem fosse! Tudo por causa de sua educação, que lhe ensinara a amar e respeitar as pessoas, mesmo a quem não conhecia direito. Afinal, o amor era fundamental para controlar sua magia....
Enquanto isso, Kai e Gerda passavam pela multidão, representando seus pais, que estavam muito ocupados no momento e infelizmente não puderam comparecer àquela grande quermesse. Kai passava pelo povo com um olhar enojado e rude, esperando sempre por reverências. Gerda no entanto, quase morria de vergonha do irmão e se esforçava para ser cordial com todos, embora sua vontade fosse cavar um buraco para enterrar a cabeça cada vez que o irmão falava.
— Por que está agindo assim com essa gentinha? Ah, já sei: você não tem honra para ser tratada como princesa, né? Hahahaha! -Ele debochava.
E estava falando uma de suas pérolas quando viu uma bela mulher passando... Ficou com seus olhos vidrados nela, até que viu um menininho numa barraquinha vendendo flores. Rapidamente arrancou de suas mãos algumas, sem nem olhar na cara dele. Gerda, que não aguentava mais suas grosserias, disse:
— Deixe de ser tão nojento e tenha dó do menino!
Mas ele lhe deixou falando sozinha. E iria entregar as flores àquela mulher se não fosse surpreendido por uma voz rouca e profunda que disse:
— Por favor, não faça isso! Tenha dó deste pobre menino que só quer ganhar seu sustento...
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