Frozen - A Rainha da Neve
3 Aqueles Olhos
Notas iniciais
Kai vinha sendo criado pelos príncipes de Arendelle; todavia, os verdadeiros pais do menino, (que estavam com pneumonia), e sua avó legítima, ainda viviam naquela edícula nos fundos do palácio. É que a família real não teve coragem de tirar-lhes a casa, ainda mais estando o jardineiro e a esposa doentios daquela maneira. Kai também ainda era muito ligado a seus parentes de sangue, e toda hora estava lhes fazendo companhia, e rezando para que ficassem bem. Como ninguém ali queria vê-lo sofrer, a estadia de seus progenitores se tornava mais do que totalmente garantida. Anna e Kristoff também já lhe consideravam como um filho, e provavelmente ainda permitiriam a morada do outro casal por todo o tempo preciso, mesmo que depois que estivessem curados não quisessem mais.
No dia da confusão dos espelhos, aquela avó que mencionei, percebeu que algo de errado estava ocorrendo no castelo por causa da estranha movimentação que se formou pelos arredores, depois da entrada de Hans. Preocupada, ela foi ao salão principal onde tudo ocorrera, conferir o que estava havendo. Lá, encontrou a figura que parecia uma criança feita de neve.... Aliás, aquilo não era a única coisa surpreendente: o local todo parecia atingido por uma explosão de cristais! Eram gelos e vidrilhos para todo o lado! Rapidamente, ela tratou de catar seu neto e a amiguinha dele, que estavam atrás de Kristoff, e nada conseguiram ver, e levá-os para a sua casinha. Só que os 2 estavam muito curiosos e perguntavam freneticamente enquanto seguiam-na:
— O que foi isso? O que aconteceu lá dentro? Fala, vovó, fala!
— Não sei... Entrem, entrem logo, que eu vou verificar. Mas só se vocês prometerem ficar quietinhos e não saírem daqui!
Eles prometeram. E lá foi a corajosa velhinha, ver melhor o que estava ocorrendo.
***
Enquanto isso, no salão principal, Elsa se aproximava aos poucos daquela menininha, que a encarava com um olhar de derreter o coração... A monarca queria descobrir quem seria aquela garota que surgira tão misteriosamente e lhe olhava agora, com seus encantadores olhinhos azuis, numa mistura de carinho, admiração e curiosidade.
— Oi, quem é você? — Disse Elsa aparentando certa calma. A garotinha porém, não disse nada, apenas lhe deu um simpático sorriso.
Olhando bem, ela parecia mais uma bebezinha inocente do que outra coisa... E embora não dissesse nada, aquele sorriso inspirou uma coragem impulsiva na rainha de pegá-la no colo. Entretanto, no mesmo momento, Anna alarmada, disse:
— Não! Não faça isso! Ela pode ser perigosa, cuidado!
Elsa, porém, respondeu:
— Ela não vai me machucar. Sei disso.
Nesse mesmo instante, Jack chamou a atenção para algo, com seu dedo fazendo um movimento meio estranho, querendo apontar para o teto e a janela ao mesmo tempo:
— Gente, só eu que percebi uma estranha tempestade de neve por aqui? -disse ele preocupadíssimo.
Era uma nevasca que se formava pelo castelo e, parecia encobrir todo aquele dia ensolarado. A pequena branquinha, ao ver a neve pelo teto, começou a achar aquilo engraçado e a rir. Nisso, eis que os flocos começam mudar de forma, e todo o vento começa a girar no ritmo de seus risos (que com isso foram ficando ainda mais fortes).
Jack olhou para a esposa esperando por uma resposta. Não para a pergunta que havia feito, mas para o que acabara de ocorrer. Todos olharam assustados para ela também, por impulso; inclusive Hans e Moly. Elsa, ao perceber aqueles olhares de pavor, agarrou bem forte a menina, com medo que alguém quisesse lhe machucar, e disse se dirigindo a Frost, enquanto tentava permanecer serena:
— Ela surgiu com os nossos poderes, querido... Nós lhe formamos e agora ela tem a mesma magia que temos. Sei sim, que deve ser bem mais forte e perigosa por causa dos espelhos, que também devem ter lhe formado. Mas pra mim...- e encarou a criança sorrindo- ela é minha filha. Nossa filha- e disse agora olhando para Jack Frost, com o sorriso nos lábios. No mesmo instante, Jack começou a retribuir o riso, com os olhos brilhando... "Uma filha com Elsa..." pensava ele; e fez em seguida, aquela cara que quase todo homem faz quando descobre que vai ser pai. Uma cara de susto porém um susto bom, gostoso de levar.
Sua irmã, contudo, diz:
— Elsinha, acho lindo o seu ponto de vista e a sua atitude. Mas essa garota pode ser uma ameaça para o nosso reino! E bem, eu concordo que o amor pode ser mais forte do que qualquer coisa, porém você é a rainha daqui! Já pensou como seria? Todo o trabalho que você teria para controlar não só os seus poderes, mas também os dela e no meio disso ainda governar Arendelle, que poderia ser atingido por ela, que provavelmente teria que te acompanhar, e seria temida... Enfim, me enrolei... Mas você entende aonde quero chegar?
Claro que entendia. Havia passado anos por um dilema parecido. E sabia que agora seria ainda mais difícil por já ser governante, e pela garotinha ter um poder ainda maior que o seu. Mas também sabia que não poderia abandoná-la, e que mais ninguém conseguiria cuidar dela. Se realmente estava preocupada com sua terra deveria tomar para si a missão de mostrar a força que descobriu que o amor tinha àquela criaturinha e evitar uma nova catástrofe.
— Anna, você está certa. Por isso... – e respirou fundo- e-eu tomo a seguinte decisão: vou entregar a coroa do reino a você! Só eu posso cuidar de minha filha; enquanto o reino pode ter à sua princesa...
— Espera, você tem certeza? Vai se afastar de mim de novo? Por causa dessa... -a princesa nem sabia como terminar a frase.
— Aliás, ela é mesmo humana? – Interrompeu Moly, se dirigindo a um trol meio nerd que estava lá com ela assistindo a tudo surpreso, e esperando o desfecho. Todos foram meio impactados com a cena, inclusive eles; que também queriam entender melhor o que aconteceu. Afinal não era pra o espelho ter simplesmente ficado mais forte? Esse trol, porém, como era o mais sábio, lhe respondeu:
— Sim, ela é totalmente humana. O efeito do reflexo contrário, turbinado pelos poderes de Elsa e Jack foi capaz de criar uma nova vida. Até porque, não sei se você reparou na forma da explosão mas... Aí ele foi interrompido pelo Hans:
— Tá já deu para entender; não precisa explicar muito, não.Chega!
As duas irmãs, no entanto, conversavam ainda entre si como se nada tivessem ouvido:
— Não fique assim, eu sei que precisarei me isolar, mas virei te ver sempre que puder. E espero que também venha me visitar.- Elsa falava a Anna, enquanto esta já começava a chorar... Tentando se conter, a mais velha continava:
— Eu sei que se preocupa comigo, mas eu não posso abandonar essa menina! Você sabe o quão desastroso pode ser um coração machucado. Ainda mais de quem tem um poder assim.- e fez uma pausa acariciando o rosto da irmã- Você é a minha inspiração! Não posso deixar essa criancinha sozinha no mundo. Eu quero lhe ajudar a se controlar, pelo bem do nosso reino. Vou mostrar a força que o amor pode ter!
— Elsa... Quer saber? Você está certa! Vou te apoiar. Eu aceito receber o trono... – E a nova rainha não conseguiu pronunciar mais nada. Apenas abraçou fortemente a sua irmã, que retribuiu; e assim ficaram por um longo tempo... As vezes os gestos falam melhor que qualquer frase ou palavra.
— Boa sorte, então- Disse uma a outra, juntas, enquanto se afastavam do abraço. E ao perceberem isso começaram a rir.
Hans, Molly, e os demais trols já estavam sendo levados pelos seguranças para bem longe dali, mas a cena toda mexeu muito com eles. Todos ficaram tocados pela entrega de Elsa e pelo apoio da irmã. Mesmo sabendo que iriam sofrer, ambas foram fortes o bastante para fazer o que era certo. Isso mexeu até mesmo com os "corações de pedra" deles. Para completar, ao saírem rumo a prisão, a pequena clarinha encarou todos os novos presidiários com seus olhos mágicos. Aquele olhar lhes fez lembrar de quão frágeis eles eram. Ela os observava como se soubesse que todos sofreram grandes decepções na vida, e que pela fraqueza, se deixaram levar pela raiva e pelo ódio. Era exatamente por isso que estavam naquela situação, derrotados.
Após aquele olhar ninguém ali seria o mesmo.
Porém, ao saírem, os seguranças esqueceram uma porta aberta... E de maneira furtiva, atraída pela neve, a pequena menina mágica saiu sem que ninguém percebesse, se transportando pelo vento gélido.
Enquanto isso, aquela senhora, que tudo vira na entrada do salão, voltava para sua humilde residência, pois precisava olhar as outras crianças do castelo. Chegando lá, encontrou Gerda e Kai observando a janela coberta de neve, e os flocos que voavam pelos ares... Ambos se divertiam fazendo bafo no vidro e se enrolavam numa manta que encontraram, devido ao frio que se espalhara de repente. A mulher idosa se juntou a eles e disse, com um linguajar infantil, refletindo sobre o que viu:
— São como abelhinhas da branquidão esses cristais de gelo que estão alvoroçados por aí...- E foi interrompida no meio de seus pensamentos:
— Essas abelhinhas da neve tem uma rainha?- Perguntou-lhe Kai, que lhe ouvira. Pelo o que ele sabia todas as abelhas deviam ter uma rainha...
A vó, surpresa pela tirada do menino, lhe respondeu:
— Hã...Sim! É claro- E para explicar melhor ao menino (na verdade, mais para SE explicar;se encontrar nos pensamentos que lhe invadiram), a senhora completou:
— Ela controla os ventos gelados e pelo o que vi, é a mais poderosa de todas as rainhas! Por isso, não vai conseguir se conter por muito tempo... porém seu lugar mesmo, deve ser perto das nuvens de tempestade, em um castelo que fica lá longe na montanha, todo feito de gelo, para não causar destruição. Mas vou dizer: a danada faz flocos de neve pra lá de bonitos, até parecem flores.
— Hey nós vimos esses flocos -disseram os 2 amigos.
— Espera! Então ela pode vir aqui?- se manifestava agora Gerda.
— Ah até parece...- disse Kai duvidando- só se for assada e cozinhada... hahaha!
A idosa depois da reação do neto achou melhor mudar de assunto e lhes contou outras histórias mais infantis...
Quando mais tarde Kai foi para o seu quarto da edícula, ficou observando a neve que estava sobre o vasinho de rosas na sacada da janela. De repente, um dos flocos foi aumentando, e acabou se transformando no que realmente era: a bela menina que parecia toda feita de neve... Ela tinha um punhado de pequenos pedaços de gelo na cabeça (o que lembrava uma coroa) e vestia uma camisola toda branca. O que quebrava toda sua branquidão eram seus olhos azuis-prateados e alguns pedacinhos de vidrilhos azuis que repousaram na ponta de seus cabelos e pela sua camisola. Para o menino, eles lembravam estrelinhas, assim como seus olhos. Ela era realmente linda para Kai. Ele sentiu algo totalmente diferente, que nunca havia sentido, quando a viu sorrir e lhe olhar com afeição...
Só que o menino estava bem assustado com aquela aparição, então apenas disse:
— Você é a Rainha da Neve?
Ela ia adentrando o quarto para lhe responder, até que fora pega rapidamente por Elsa:
— Que susto você me deu, hein? Sumiu pela neve... Pelo jeito você vai me dar muito trabalho... O que estava fazendo na janela do quarto dele? Você não pode sair assim, é muito perigoso ouviu? Nem pode fazer essa tempestade de neve... Eu sei que é difícil de controlar mas eu vou te ajudar, ok? Pode sempre contar comigo e com seu pai, entendeu minha filha?- falou a moça já com uma preocupação de mãe.
— Elsa, a gente precisa dar um nome pra essa menina! Não dá para ficar chamando ela de filha, garotinha ou clarinha o tempo todo- Falou Jack, que já as levava pelo céu para o novo lar: o castelo de gelo, moradia esta também de Marshmalow e dos irmãos do Olaf.
— Hm... Quando eu encontrei a mocinha na janela do meu afilhado (sim, ela era madrinha do Kai), ouvi ele chama-la de Rainha da Neve...
— Rainha da Neve, hein? É um nome bem original... Ok, acho que ficou a cara dela.
Enquanto isso, em Arendelle, Kai ainda se revirava pela cama sem conseguir dormir... Fora totalmente impactado pelo olhar da Rainha da Neve, e assim com Hans e Moly, não seria mais o mesmo...
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