Frozen - A Different Story
3 Capítulo 3: The Accident
Notas iniciais
Já era noite e a lua estava alta no céu, brilhando através das nuvens. Todos no reino e no castelo de Arendelle já se encontravam dormindo em suas devidas camas, exceto uma garotinha. Tratava-se de Anna, usando seu pijama e andando em silêncio em direção à cama de sua irmã mais velha, Elsa, com quem compartilhava o quarto. A loira, por outro lado, se encontrava adormecida na outra cama do cômodo, aparentemente em um sono tranquilo, de olhos fechados e respirando suavemente.
– Elsa. – A mais nova chamou, subindo na cama e balançando sua irmã com toda a força que seu corpo de cinco anos possuía. – Acorde, acorde, acorde. – Ela pediu, observando frustrada como a loira mais velha continuou de olhos fechados.
– Anna, volte a dormir. – Elsa pediu, permanecendo de olhos tranquilamente cerrados, na esperança de que sua irmã caçula iria desistir e deixa-la ter, pelo menos, uma noite de sono decente. Ela deveria saber que não seria tão simples assim.
Anna se deitou de costas por cima da irmã e colocou um dos braços por cima da testa, como se estivesse encenando uma cena dramática, algo para qual a mais velha teve que segurar o riso em resposta, apesar de que Anna não era realmente muito mais leve do que ela própria e, posteriormente, o peso iria começar a incomodar se a ruiva não deixasse logo aquela posição.
– Eu simplesmente não posso. – Anna falou com desanimo fingido. – O céu está acordado, então eu estou acordada, então nós temos que brincar. – Disse, abrindo completamente os braços, falando com a voz infantil de uma criança birrenta, fazendo Elsa deixar escapar uma mínima risada antes de empurrar a mais jovem da cama, fazendo-a cair sentada no chão.
– Vá brincar sozinha. – Anna escutou a loira dizer e, percebendo que não chegaria a lugar nenhum com aquelas investidas simples, decidiu realizar a jogada que jamais falhara, sumindo novamente na cama de sua irmã com um sorriso contente em seu rosto de criança, pronta para uma nova tentativa, que, desta vez, sabia com completa certeza que ia funcionar, sem dúvidas.
– Você quer brincar na neve? – Perguntou com um sorriso animado, abrindo um dos olhos azuis glaciais de Elsa.
A loira sorriu com entusiasmo, abrindo então ambos os olhos, e sentou-se na cama. Moveu as articulações rígidas, ouvindo suaves estalos, antes de se voltar para sua irmã mais jovem, que a olhava com expectativa transbordando de seu rosto de criança.
– Perguntou a ela? – Elsa questionou com uma sobrancelha arqueada, quase provocativa, uma vez que achava altamente improvável que Anna houvesse se lembrando daquele mínimo detalhe que era de suma importância. Ao ver a pequena ruiva franzir o cenho, obteve então sua resposta. Soltou um suspiro e abriu um sorrisinho compreensivo. – Prometemos que só faríamos isso se ela nos desse permissão e nos acompanhasse. – Lembrou, quase rindo da expressão birrenta que se formou na face da mais nova.
– Eu sei, mas agora ela está dormindo. – Anna cruzou os braços e fez biquinho, já impaciente. – Não vai deixar. – Argumentou com teimosia, algo a qual Elsa revirou os olhos em resposta.
– Se você realmente quer brincar, nós temos que ir perguntar. – Elsa respondeu, levantando-se da cama e estendendo a mão para sua irmã, que a pegou e também desceu da cama, sorrindo.
Logo as duas correram juntas até o quarto que ficava ao lado do delas. Abriram a porta vagarosamente, tomando cuidado para não fazer qualquer ruído, e lá encontram sua já adormecida irmã de quatorze anos. Os cabelos castanho-escuros de Elena estavam mais desorganizados que o normal, mas com certeza não tanto quanto os de Anna já estariam àquela altura, e os olhos estavam tranquilamente fechados. Engolindo em seco, Elsa começou a se aproximar da cama, andando na ponta dos pés, com Anna em seu encalço. Ao alcançar a cama, a loira relutantemente cutucou o braço da morena.
– Elena. – Elsa chamou um pouco nervosa, pois sabia que sua irmã mais velha poderia ficar bastante mal-humorada se fosse acordada, principalmente depois de poucas horas de sono, como era o caso naquele momento.
– Vocês deveriam estar dormindo. – Elena falou sem abrir os olhos, como Elsa havia feito anteriormente com Anna quando a mais jovem das três irmãs fora acordá-la. A loira quase sorriu com essa semelhança entre elas, sempre ficava feliz quando descobria que se parecia com sua irmã mais velha, afinal a admirava desde que conseguia se lembrar.
– Mas queremos brincar. – Anna interveio, cruzando os braços e novamente fazendo bico, como uma criança birrenta.
– Vão dormir. – A mais velha pediu, torcendo internamente para que as duas fossem desistir. Tudo o que ela queria era uma boa noite de sono, mas sabia que, se suas irmãs pedissem mais uma vez, provavelmente iria ceder. Ela sempre cedia. Às vezes achava que era muito mole quando se tratava de Elsa e Anna, mas simplesmente não conseguia evitar. Ela era a irmã mais velha e sua única responsabilidade com a qual realmente se importava era fazer as mais jovens felizes.
– Nós não estamos cansadas. – Elsa insistiu, sabendo que, em breve, o jogo estaria ganho. Ela sabia o quanto Elena se importava com o que elas queriam e, mesmo que isso lhe custasse uma noite de sono, a morena queria fazê-las felizes.
– Mas eu estou. – Elena respondeu, virando-se de costas para as meninas. Por favor, não peçam de novo. Por favor, não peçam de novo. Era tudo o que ela conseguia pensar, porém, Anna tinha planos para brincar com suas amadas irmãs mais velhas naquela noite e, claramente, não iria desistir.
A mais jovem agilmente subiu na cama, como havia feito com a de Elsa, e começou a pular em cima de Elena, na tentativa de tirá-la do estado de sonolência. Elsa, que observava tudo, soltou uma risadinha baixa com a cena diante de si e apenas ficou parada, aguardando o que viria a seguir.
– Por favor, por favor, por favor. – Anna repetia sem parar. Estava decidida a brincar naquela noite e nada iria impedi-la ou fazê-la mudar de ideia.
Elena soltou um suspiro cansado em meio ao desconforto de ter uma criança de cinco anos que come pelo menos cinco quilos de chocolate por dia pulando em suas costas, antes de retirar Anna de cima de si e se levantar.
– O que eu não faço pelas minhas irmãzinhas? – Ela perguntou com ironia, mais para si mesma do que para as meninas, e abrindo um sorriso para as mais jovens logo em seguida, observando como Anna animadamente deu alguns pulinhos de alegria em seu lugar e Elsa sorriu de forma empolgada.
Finalmente, uma Anna eufórica começou a puxar suas duas irmãs para fora do quarto da primogênita do rei e da rainha de Arendelle, levando-as em direção às escadarias.
– Vamos lá, vamos lá, vamos lá. – Anna apressava a cada segundo enquanto as outras duas faziam sinais para que ela ficasse em silêncio para não acordar seus pais ou qualquer dos funcionários do castelo. Elas podiam ser princesas, mas aquilo não seria bom.
Por fim, elas alcançaram as enormes portas do salão de festas e entraram. Anna continuou puxando-as até que as três estivesse no centro do cômodo, a todo tempo mantendo os olhos em Elsa.
– Faça a magia, faça a magia. – Anna pediu com um enorme sorriso empolgado.
Elsa olhou para Elena por um curto momento, como se em busca de alguma resposta, recebendo um silencioso aceno positivo da morena, que sorriu encorajadora. Então, a herdeira do trono de Arendelle cruzou os braços e observou de perto com um entusiasmo oculto enquanto Anna se aproximou ainda mais da irmã e Elsa criou uma pequena bola de neve brilhante com luz azul entre suas mãos.
– Pronta? – Elsa perguntou com uma sobrancelha arqueada, hábito que tinha ao fazer um questionamento, e Anna balançou a cabeça em sinal de concordância, aguardando ansiosamente para ver os poderes maravilhosos de sua irmã loira em ação.
Elsa então jogou a bola de neve mágica para cima e ela se desfez em dezenas de flocos que caíram pela sala como uma espécie de dança delicada. Era lindo de olhar, muito mais do que qualquer inverno natural. Elena tinha o costume de dizer que os dons da loira eram uma obra de arte, embora a segunda filha de Agdar e Idun apenas corasse fortemente, se encolhesse e negasse.
– Isso é incrível! – Anna gritou animada, pulando e correndo de um lado para o outro, em volta do local onde estavam paradas suas irmãs mais velhas.
Elsa e Elena soltaram um riso baixo e se entreolham, quase como uma reação automática. Sem dúvidas, as duas eram muito parecidas. Porém, onde Elsa era calma, reservada e paciente, Elena era entusiasmada, sociável e sua paciência havia se perdido em algum ponto de sua vida.
– Ela tem razão. – Elena falou, chamando a atenção de Elsa para si e notando como a mais nova arqueou uma sobrancelha em sinal de dúvida, sem entender ao que a morena se referia. – É realmente incrível. – A herdeira do trono de Arendelle explicou com um sorriso quase orgulhoso.
Elsa sorriu para a irmã mais velha enquanto o habitual rubor ao ser elogiada se instalou em suas bochechas. Algo que Elena concluíra era que a loira era adoravelmente tímida e isso sempre a divertia. Ver Elsa corando ou Anna rindo eram cenas que ela jamais iria se cansar de assistir. Finalmente, a segunda irmã chamou Anna. Logo, a mais nova se aproximou da loira, entusiasmada para o que viria a seguir.
– Veja isto. – Elsa falou para a ruiva, da qual recebia total atenção, antes de bater um de seus pés no chão.
Imediatamente, gelo começou a rastejar por todo o piso, cobrindo-o e formando uma pista de patinação, a qual Anna começou a escorregar sem perceber, incapaz de manter-se parada em um lugar. Elena a segurou e a guiou patinando pelo salão com Elsa, que sabia patinar perfeitamente, seguindo-as.
Logo depois de vários minutos de patinação, Elsa criou um pouco de neve pelo salão e, em um dos vários montes brancos, as três irmãs criaram um boneco de neve. Elsa e Anna deram algumas gargalhadas com a cabeça meio torta que Elena fez. A mais velha ficou feliz com isso, mesmo que as mais jovens estivessem se divertindo às suas custas. Ela gostava de fazê-las rir. Era, definitivamente, seu passatempo predileto. Ao terminarem de dar os toques finais no boneco, Elsa virou-o para Anna, que estava sentada no colo de Elena, que por sua vez estava sentada numa pilha de neve. A mais velha e a caçula das irmãs observaram como a segunda segurou os gravetos que formavam os braços, movendo-os como se sua criação estivesse viva.
– Oi, eu sou Olaf. – Elsa falou com uma voz diferente, como se fosse o boneco de neve falando ao invés dela. – Eu gosto de abraços quentinhos. – Anunciou, sorrindo com a ironia do que dissera. Um boneco de neve que gostava de abraços quentinhos... Definitivamente era algo que Anna iria gostar.
– Eu te amo, Olaf. – Anna declarou, correndo até onde a irmã estava e abraçando o boneco que ficara entre elas, olhando para Elsa com gratidão, felicidade e amor.
Elena também se aproximou das duas e passou a mão carinhosamente na cabeça de cada uma, sorrindo quando as meninas olharam para ela com enormes sorrisos em seus rostos.
– Eu tenho uma ideia. – Ela anunciou e começou a puxar as duas mais jovens e o boneco de neve para a pista de patinação que Elsa criara anteriormente.
A mais velha logo contou a brincadeira que passou por sua mente e, em questão de minutos, Anna se encontrava agarrada a Olaf enquanto Elsa empurrava-os com seus poderes para que eles deslizassem pelo salão. Elena apenas observou encostada em uma das paredes do salão as mais jovens se divertindo. Talvez perder uma noite de sono houvesse realmente valido à pena.
Ao término da brincadeira elaborada por Elena, Anna e Elsa brincaram em um escorrego de neve criado pela loira e no impulso, Anna caíra em cima de Elena que, em algum momento, havia ido se sentar em um monte de neve que acabara por ser de frente para o escorrego. Risadas foram ouvidas das três antes que a ruiva se levantasse e decidisse iniciar uma nova atividade.
A morena apenas assistiu em meio a risadas enquanto a caçula começava a pular em montes de gelo criados pela loira. Porém, a cada um que pulava, Anna aumentava a velocidade, inconsciente do quão mais alto cada monte ficava do anterior. Elena escutou Elsa pedir à ruiva para ir mais devagar antes que a loira escorregasse no gelo em meio ao seu desespero para criar um novo monte de neve par aonde Anna pudesse pular. Caída no chão e ainda tentando salvar sua irmã, Elsa jogou o braço para frente e um raio de gelo saiu de sua mão sem sua permissão, acertando a cabeça da mais jovem das três princesas e deixando-a inconsciente. A primogênita, ao ver que Anna se machucaria seriamente se caísse no chão daquela altura, imediatamente se levantou e correu até a mais nova e a segurou nos braços antes que pudesse atingir o chão. Porém, acabou caindo deitada no processo, virando o corpo para que não ficasse por cima de Anna e batendo as costas com força contra o piso, o que a fez soltar uma exclamação de dor.
Elsa logo correu até as duas e se ajoelhou ao lado de onde Elena ainda estava deitada com uma desmaiada Anna, a qual uma mecha de seus cabelos começava a ficar branca, nos braços. Por conta de seu desespero, os poderes de Elsa começaram a congelar o piso a partir de onde a loira se encontrava, rastejando pelas superfícies, cobrindo as paredes e tudo o que estava pela frente, destruindo o boneco de neve Olaf recém-feito e congelando parcialmente o corpo de Elena, que lutou para não tremer de frio, pois sabia o quanto Elsa ficaria mal se o fizesse.
– Elena! Anna! – Elsa gritou em desespero, sem saber o que fazer. Decidiu então apelar para o seu último recurso e torcer para que pudessem ouvi-la dali. – Mamãe! Papai! – Ela chamou-os o mais alto que sua voz poderia soar, deixando lágrimas escorrerem por seu rosto, sem fazer qualquer tentativa de pará-las.
– Está tudo bem. Está tudo bem. – Elena repetia tranquilizadora apenas do frio agonizante que estava sentindo, a voz saindo mais fraca do que pretendia, mas ainda assim tentando acalmar sua irmã mais jovem. Tentou se mexer, apenas para descobrir que o gelo a estava impedindo. Ignorando isso forçou-se a se mover, levando uma das mãos ao rosto de Elsa para limpar as lágrimas da menina, trincando os dentes para evitar gritar quando o gelo em sua pele se partiu e se enterrou em sua carne. – Vai ficar tudo bem. – Ela continuou a tranquilizar a garota, a voz trêmula pela dor e suas tentativas de não gritar.
Depois de alguns minutos em um silêncio perturbador quebrado apenas pelas palavras tranquilizantes de Elena, foi ouvido o barulho das enormes portas do salão de festas sendo abertas e de lá entrando os pais das três princesas, o rei e a rainha de Arendelle, Agdar e Idun. Imediatamente, os dois correram até onde as meninas estavam, desesperados pelo estado do cômodo e por verem uma Anna inconsciente nos braços de uma Elena machucada com uma chorosa Elsa ajoelhada próxima a elas.
– Elsa, o que você fez? – O rei perguntou, afinal, com todo o gelo presente na sala, ele só podia concluir que os poderes da segunda filha foram a causa do que acontecera. – Isso está ficando fora de controle. – Disse, apesar de não ter a intenção de acusar a menina ou fazê-la se sentir mal. Ele apenas estava preocupado, tanto com Elena e Anna quanto com Elsa.
– Foi um acidente. – Elena defendeu a irmã mais nova, lutando para se levantar, mas sentindo mais gelo em sua pele quebrar e perfura-la, fazendo-a novamente trincar os dentes para evitar um grito de dor. Sentiu algo quente e úmido escorrendo por suas costas e braços, onde o gelo havia quebrado, e concluiu que era sangue.
Logo em seguida, ela sentiu mãos em seus ombros, apoiando-a, evitando tocar nas feridas. Era sua mãe. Elena reconheceria aquelas mãos cuidadosas sem sequer precisar vê-las. A morena mais jovem então estendeu Anna desacordada para Idun, que a segurou enquanto Agdar ajudava Elsa a se levantar. A rainha de Arendelle então se virou alarmada para o marido ao sentir a temperatura de sua filha caçula contra sua pele.
– Ela está tão gelada. – A mãe das três princesas de Arendelle falou em pânico para o marido, que tomou para si a tarefa de ajudar Elena a levantar, tendo cuidado para não pressionar qualquer dos machucados da morena, que ainda assim estremeceu e soltou um silvo de dor, encostando-a em si, temendo que ela não fosse capaz de se manter em pé sozinha.
– Eu sei onde temos que ir. – Agdar então respondeu, segurando Elena para evitar que ela voltasse a cair no chão e, com a mão livre, segurando uma das pequenas mãos de Elsa, tentando tranquilizar a menina aflita.
A família real foi à biblioteca e, depois de Agdar pegar um dos inúmeros livros por ali, um que continha um mapa, todos partiram para os estábulos e para os cavalos do rei e da rainha, cavalgando para longe do reino. O homem levava consigo Elena, tentando apressar o cavalo a cada vez que a escutava soltar silvos de dor, e Elsa, que chorava copiosamente encostada a ele. Idun levava apenas Anna, que estava gelada e inconsciente em seus braços. Os cavalos corriam a toda velocidade e o que Elsa se encontrava deixava para trás uma trilha de gelo por onde passava.
Finalmente, a família real alcançou uma clareira rochosa cheia de pedras, que era conhecida em Arendelle como o Vale das Rochas Vivas, apesar de muitos não saberem verdadeiramente qual seria a razão.
– Por favor, socorro! – O pai gritou, olhando para todos os lados. – Minhas filhas. – Ele explicou aflito, temendo que ninguém fosse aparecer para ajuda-lo.
As pedras então começaram a remexer-se e logo rolar em direção a onde os cinco humanos estavam, transformando-se em trolls ao alcança-los.
– É o rei. – Um deles falou com aparente confusão, jamais esperando ver alguém da realeza ali.
Subitamente, todas as criaturinhas mágicas abriram espaço, de modo que um troll mais velho e coberto com uma capa de grama e musco se aproximou de onde estavam o rei, a rainha e as três princesas de Arendelle.
– Vossa majestade. – O pequeno ser cumprimentou respeitosamente, dirigindo-se então a Elsa e segurando uma das mãos da loira. – Nascida com poderes ou amaldiçoada? – Quis saber, sentindo a estranha magia que emanava da menina.
– Nascida. – O rei respondeu depois de um momento de hesitação, abaixando-se cuidadosamente enquanto ainda segurava Elena junto a si. – E estão ficando mais fortes. – Explicou aflito e preocupado.
O troll assentiu e fez sinal para que a rainha trouxesse Anna até ele para que pudesse examiná-la, algo que logo Idun fez. O pequeno ser pôs uma mão na testa da jovem ruiva e permaneceu em silêncio por um curto período de tempo antes de voltar a falar:
– Foi sorte não ter atingido o coração. – Ele declarou, então retirando a mão da cabeça da pequena princesa de cinco anos. – O coração não é tão fácil de ser mudado, mas a cabeça pode ser persuadida. – Explicou ao ver a confusão presente nas faces dos quatro humanos conscientes.
– Faça o que deve. – Agdar pediu, olhando com preocupação para Anna, mas também sabendo que as feridas de Elena eram graves e dolorosas.
– Eu recomendo removermos toda a magia. – O velho troll aconselhou, puxando imagens da cabeça de Anna para todos verem e alterando-as. – Mesmo as lembranças de magias seguras, mas não se preocupe, eu vou deixar a diversão. – Tranquilizou, e, ao terminar, juntou todas as imagens alteradas em sua mão cinzenta e rochosa e recolocou-as na cabeça da filha caçula do rei e da rainha de Arendelle. – Ela vai ficar bem. – Declarou com convicção, sem sequer uma pontada de dúvida.
– Mas ela não vai lembrar que eu tenho poderes? – Elsa perguntou, então conseguindo assimilar todas as palavras que o troll à sua frente havia dito.
– Vai ser melhor. – O rei a tranquilizou antes que o pequeno ser tivesse a chance de falar, recebendo um aceno positivo de sua filha loira.
– Ouça-me, Elsa. — O troll pediu, recebendo novamente a atenção da menina. – Seu poder só vai crescer. – Ele começou então a mostrar algumas imagens, que consistiam em uma garota que ninguém conseguia identificar, fazendo movimentos com a mão, de onde saíam flocos de neve, fazendo-os concluir que se tratava de Elsa, aparentemente exibindo seus dons para as figuras azuis que representavam as pessoas em volta dela. – Há beleza nele, mas também grande perigo. – Por fim, a imagem da moça lançara seu poder para cima, formando o maior dos flocos de neve, que, em poucos segundos, começara a deteriorar-se e mudar de cor, tornando-se vermelho e preto. As formas ao redor da figura azul da garota também tomaram a mesma cor do floco de neve agora assustador e atacaram a menina e o vermelho enegrecido engoliu todo o azul. –Deve aprender a controlá-lo. O medo vai ser seu inimigo. – Explicou, observando com pesar como a criança se assustou e encolheu-se contra a figura do pai.
– Não. – O rei negou, incapaz de acreditar que aquele seria o único destino de sua filha. Ele iria impedir aquilo. De algum modo, ele iria. – Nós vamos protegê-la. – Declarou convicto. – Ela pode aprender a controlá-lo, eu tenho certeza. Até lá, trancaremos os portões, reduziremos os empregados e limitaremos o contato dela com as pessoas. – Suspirou com pesar. Não queria aquele destino para sua filha, mas temia que era a única opção para mantê-la a salvo. – E manteremos os poderes escondidos de todos. – Fitou a forma da menina ruiva adormecida nos braços de sua esposa. – Incluindo a Anna. – Finalizou com infelicidade.
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