Frozen
1 Feelings?
Feelings?
"Amor" sm (lat amore) 1 Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2 Grande afeição de uma a outra pessoa de sexo contrário. 3 Afeição, grande amizade, ligação espiritual.
"Indiferença" sf (lat indifferentia) 1 Qualidade de indiferente. 2 Desatenção, frieza. 3 Desinteresse, negligência, apatia.
-Você me ama? –Tal questionário, parecia tão... inútil e doloroso, sim certamente era inútil, afinal tinha plena certeza que aquele sentimento era em si algo inútil, além do fato que sabia que sua resposta machucaria profundamente a pessoa a sua frente.
Não, não amava, na verdade não recordava de já ter sentido tal sentimento em toda sua existência, vivera desde o nascimento num Orfanato e após esse ser incendiado num ataque terrorista quando tinha treze anos acabou indo parar na casa de uma família rica, aonde vivia até atualmente, poderia afirmar que sentia um carinho e uma enorme afeição pelos “familiares”, mas definitivamente amor não.
E em relação a pessoa a sua frente, conheceram-se em mais das reviravoltas do destino, uma tarde presos num elevador quebrado e mesmo assim mantiveram contato, ao embarcar naquele relacionamento sabia que algum dia tal pergunta viria, e analisou mais uma vez pensando numa boa resposta, não definitivamente não era amor, talvez curiosidade, no máximo chegaria a desejo mas, aquele sentimento não chegava a ser próximo ao tão comentado amor.
-Sim. –Mentira descaradamente, não sabia o porquê, mas seguira aquele impulso e falara o que a outra pessoa desejava ouvir, e não o que realmente deveria escutar.
-E me amará para sempre? –Não, não amo-te no presente momento e nem amarei em nenhum outro, teve vontade de soltar mas coisas demais impediam isso. Previa a reação de qualquer ser humano diante de tais palavras, lhe denominaria de adjetivos que partiriam de insensível a coração de pedra. Mas não ele não se considerava assim, se tivesse realmente coração de pedra, se limitaria a tratar todos os outros com indiferença, ignoraria, não prezaria os sentimentos alheios como naquele momento mesmo prezara, ao não falar o que realmente queria.
-E você, me amará para sempre? –Replicou a pergunta, com outra, teria mais tempo para refletir, sobre quais palavras diria, sabia que palavras eram como facas pontiagudas, que poderiam fazer ferimento de proporções inimagináveis nas emoções, então teria que mais uma vez guardar seus verdadeiros pensamentos para si.
-Sim. –Não, não amará. Mesmo que se mantenha fiel a essa ilusão que cria de nós dois até seu fim, após seu último suspiro nada sobre ninguém lhe restará, além disso provavelmente em questão de meses, anos no máximo... esquecera isso, esquecera tais palavras, e só lembrará delas quando estiver as proclamando a outra pessoa. Pensou mais uma vez, contendo-se.
-E eu também. –Aos poucos, apenas naquela conversa via-se enrolando os dois cuidadosamente numa grande teia de mentiras, que a primeira rajada de vento forte poderia rasgar.
-Seu coração pensa em mim? –E via-se novamente imaginando os “coração de pedra” que viriam se responde-se o que realmente queria, mesmo que nesse sentido preferisse o “coração de gelo”, afinal sobre a transparente superfície enganava a muitos, e os que arriscavam-se a tentar se aprofundar se congelavam devido a frieza com que seriam tratados. Uma perfeita armadilha, tão típica do ser humano.
-Sim. –Uma meia verdade, pensava, não da maneira que sabia que todos os seres humanos desejavam mas pensava. Isso já não deveria ser um grande avanço?
-Você pensa muito em mim? –Mas, não bastaria para tamanha carência do ser humano. Pensou e repensou.
-Sim. –Eis a primeira verdade de toda aquela conversa, sim ele pensava, não como objeto de amor, mas como um de carinho, um mistério a desvendar, não que esses detalhes merecessem serem expostos, mas eles existiam.
-Diga que me ama. –O jogo se tornara perigoso, estava realmente disposto a contradizer tudo naquilo que acreditava tão profundamente apenas para a conservação dos sentimentos alheios, estava disposto?
-Tchau, preciso ir. –Não, não contradiria de modo tão profundo, sabia que fora covarde, mas não admitiria, pelo menos não temporariamente, que ela nada passava que uma pessoa por quem nutria uma mínima afeição, e não o seu “grande amor” como sabia que ela pensava.
***
-Porque foge de mim? –Ah ela finalmente percebeu. Sentiu vontade de comentar, os sentimentos que já eram mínimos haviam sumido completamente, agora sentia apenas... indiferença
-Nã... –Sim, estava prestes a mentir novamente, não para preservara o relacionamento, mas apenas para impedir as lagrimas que pareciam prestes a escorrer pelos olhos dela.
-Não me ama mais? –Como poderia parara de fazer algo que nunca comecei? Se perguntou, agarrando-se na vã esperança que ela simplesmente terminasse logo com aquilo, estava cansado e não tinha tempo para os dramas dela.
-Al... –Iria enfim todo o meu sofrimento em relação aquele confuso relacionamento finalmente acabar?
-Desculpa, desculpa eu devo apenas estar paranoica por causa do que houve com meu irmão... –Talvez não, ela parecia desesperada, e as lagrimas escapavam num ritmo cada vez mais exagerado por seus olhos.
-Eu quero terminar. –A sensação de finalmente falar a verdade era libertadora, não se abriria completamente sobre seus sentimentos mas os concentraria naquilo.
-Porque? –Haviam motivos demais, mas o maior deles era aquilo: ele simplesmente não sentia nada em relação a ela, nem amor, nem paixão, nem curiosidade, nem raiva, nada... simplesmente nada.
Ainda procurava entender o amor que todos falavam, ainda não compreendia o sentimento de ciúme, de posse, nunca estivera apaixonado por ela, e mesmo assim tentara ao máximo preservar-lhe os sentimentos.
-Você conheceu outra? Já não me ama mais? Esqueceu de tudo que passamos? –Enfim toda a insegurança que ele sabia que ela sentia via a luz do dia, parecia que depois de tanto tempo enfim suas verdadeiras faces tomavam forma, ele estava disposto a contar-lhe, pelo menos em partes, seus sentimentos de indiferença em relação a ela, e ela desabafava todas suas inseguranças que ela tanto tentava esconder.
-Não para todas as perguntas. –Respondera com certeza. Não ele não havia conhecido nenhuma outra, não ele não amava-a e não ele não esquecera das torturantes horas que haviam passado juntos. Seria completamente verdadeiro, pelo menos uma vez.
-ENTÃO PORQUE? –Descontrole, ciúme, ira, desilusão... uma mistura de sentimentos para ele únicos, sentimentos que seu coração de gelo já fingira sentir, mas que nunca realmente experimentara seu amargo sabor.
Nunca se envergonhara em níveis extraordinários por apenas uma palavra com múltiplas intenções, nunca sentiu seus batimentos cardíacos aumentarem diante apenas um olhar.
-Simplesmente não posso mais. –Sim, não podia mais, não aguentava mentir para si mesmo, fingir ter sentimentos que nunca sentira. Não podia mais sorrir apaixonadamente quando não o sentia, não podia fingir ter um coração.
-VOCÊ NÃO TEM CORAÇÃO? –A resposta para aquela pergunta era sim, pelo menos em sua concepção.
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