Frozen
1 Gélido coração
Notas iniciais
–Senhorita, preciso de sua assinatura!-
–Senhorita, preciso que aprove esse projeto!-
–Senhorita, posso marcar a reunião pra amanhã?-
–Senhorita, os novos estagiários chegaram!-
"Ai, eu não aguento mais"!, falei comigo mesmo afundando minha cabeça na mesa enquanto ouvia várias vozes de pessoas me dizendo o que fazer e perguntando o que fazer.
–Vem Elsa, por hoje acabou pessoal!- ,Happy, o meu salvador entrou na sala me tirando do meio daquele bando de abutres, o meu pai vivia enfurnado na sua vida particular e a função de cuidar das indústrias era minha, a minha cruz.
–Voce salvou a minha vida Happy, obrigada!- , Falei com um pequeno sorriso no canto dos lábios.
–Esse é o meu serviço!- , ele falou e abriu a porta da limousine pra mim.
–Onde está o meu pai?- , perguntei pra ele que me olhava pelo retrovisor do carro.
–Está enfiado na oficina como sempre!- , ele disse e eu respirei fundo e o silêncio reinou, não trocávamos uma palavra, mas isso não me incomodava nenhum pouco, eu sempre fui assim, mas quer saber, vou contar a história desde o início.
Eu nasci, quer dizer, isso é óbvio né, mas eu nasci diferente, quando criança eu era normal até que pela primeira vez uma coisa estranha aconteceu, eu fiquei nervosa na escola e literalmente congelei a quadra de futebol todinha, isso foi super bizarro, mas continuando, depois disso, esses "poderes" se desenvolveram muito, mas eu não sei o quanto, afinal escondo isso da maioria das pessoas, já sou vista como a estranha por 98% do mundo, deixa esses 2% sem saber disso, se não eles também vão me olhar como a "louca do gelo".
–Chegamos!- , Happy falou quando abriu a porta do carro, eu sai e fui direto a caminho do elevador.
–Boa tarde senhorita Stark!- ,Todos falavam por onde eu passava, metade deles me suportavam por eu ser quem era e a outra metade tinha medo de mim, já sei, voce deve estar se perguntando "porque eles teriam medo?", ta legal, ai vai o resto da história.
Eu sou, sabe, como diz, meio estranha, a mídia mundial me chama de "A rainha gelada" ou "Coração gelado", talvez porque eu nunca tive um namorado, mas a verdade é que eu sou fechada por natureza, eu não tenho amigas, nunca saio, não tenho uma vida social, sou extremamente séria e pareço, literalmente, um diário trancado a sete chaves, ninguém nunca me vê sorrir, exceto ele....
–Minha princesinha!- , Ele me viu entrar e comemorou escandalosamente como sempre, e como se fosse automático, um sorriso enorme surgiu nos meus lábios enquanto me jogava no sofá , como ele era escandaloso.
–Não acredito nessa saudade toda, metade disso é mentira!- ,eu brinquei e ele sorriu.
–A minha saudade é muito grande, eu até fiz uma omelete especial pra você, passei a manhã toda fazendo!, ele apontou pra uma mesa onde tinha uma omelete mais feia do que briga de foice me fazendo arquear uma sobrancelha e rir.
–Eu não vou comer isso, prefiro morrer de fome!- ,eu ria enquanto recebia aquele olhar de reprovação.
–E por isso que te chamam de " rainha gelada", você é tão graciosa quanto um coice de mula!- , ele riu.
–Eles não sabem nada sobre mim, me conhecem só de ouvir falar, só eu sei o que se passa na minha vida!- ,olhei pro chão.
–Mas aqui dentro voce é livre pra ser quem voce é!- , ele falou se agaixando na minha frente e tirou uma das minhas luvas com calma e imediatamente a temperatura de todo o ambiente caiu um pouco como se tivessem ligado um ar condicionado. -Delícia, tava muito quente!, ele brincou sentando do meu lado no sofá.
–Voce é o melhor pai do mundo sabia?- , recostei minha cabeça no ombro dele e ele sorriu.
–Eu sei, eu sou o melhor em tudo o que eu faço, sou o homem de ferro!- ,ele brincou e se levantou.-Quero te mostrar uma coisa!-
Ele desceu as escadas da oficina enquanto eu fiquei ali sentada esperando ele voltar com mais uma de suas invenções malucas, meu pai era o homem mais excêntrico do mundo, tinhamos apenas 17 anos de diferença na idade, o que nos deixava bastante próximos, quer dizer, na verdade nem sempre foi assim. Continuando a história...
Meu pai só me conheceu depois do incidente na escola, minha mãe eu nunca conheci, desde que eu me lembro ela me deixou pra ser cuidada por uma senhora que tinha cuidado dela a vida toda, por qual motivo eu não sei, mas cuidou, então ela me deixou lá.
Mas depois do incidente, essa senhora meio que ficou com medo de mim e decidiu me levar pro meu pai, que na época era um jovem de 24 anos que só queria saber de farra, tudo bem que isso não mudou muito, mas naquela época era pior, então nós brigávamos muito, nunca nos víamos, mesmo morando dentro da mesma casa, até que um dia ele me obrigou a jantar com ele e eu congelei a mesa de jantar inteira sem saíram, eu comecei a chorar e ai ele começou a me entender, desde então somos inseparáveis melhores amigos.
Ele que me mostrou que as luvas ajudariam a controlar, ele até fez testes e exames pra ver se descobria de onde esses poderes saíram, mas nunca descobriu, ele já até me levou naquela tal de SHIELD, mas ninguém lá conseguiu também, eles chegaram a desconfiar que eu não fosse filha do Tony, fizeram DNA e tudo, mas quebraram a cara, eu sou filha do Tony, mas da onde saiu esse poder e esse cabelo loiro quase branco? isso ninguém sabe.
–Olha só pra isso!- , ele apareceu na minha frente com uma armadura que pra mim era igual as outras, mas eu não podia dizer isso, então ri com meus pensamentos.
–Uau, ela tá muito...legal!- ,falei sem encontrar outra palavra e ele abriu o capacete.
–Legal? é isso que voce diz? legal? essa armadura é a top das tops, olha só a pintura, senti só!- ,ele pediu e eu a toquei.
–Realmente a pintura é diferente!- , debochei.
–Voce me deu uma boa idéia, vou instalar ar condicionado aqui dentro!- ,meu pai brincou pelo fato do meu toque fazer a armadura toda ficar gelada.
–Foi mal!- ,falei colocando a luva rapidamente.
–Não precisa fazer isso meu amor, eu amo suas mãozinhas geladas!- , ele sorriu e tirou novamente minhas luvas, foi quando a porta do elevador abriu e eu puxei minha mão colocando as luvas rapidamente de novo.
–Bom dia Tony!, Flora, a assistente pessoal que era apaixonada pelo papai, falou ao entrar.
–Não viu a Elsa?, ele a repreendeu e eu a olhei com um olhar superior, ela fazia parte do clubinho que me achava "A herdeira esquisita".
–Bom dia Elsa!, ela falou esnobe.
–Me chame de senhorita Stark, diferente do meu pai, eu não lhe dou intimidades!, a cortei com minha grosseria nata, as vezes eu não queria ser assim, mas tinha medo de a tratar bem, ela querer virar minha amiga e eu a machucar com essa coisa nas minhas mãos que eu não consigo controlar, não posso ser amiga de ninguem, não posso me dar a esse luxo, me virei e subi pro meu quarto, talvez eu devesse mesmo ficar sozinha no meu mundo solitário e gelado.
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