Frozen 1/2 - Let It Go
4 Houve Uma Tragédia
Notas iniciais
Os anos se passaram. Elsa teve que encomendar mais luvas, para caso perder uma como houve da última vez. Foi difícil explicar para a faxineira sobre o chão estar muito molhado e o vidro quebrado, mas mentiu, dizendo que houve uma chuva forte que quebrou todo o vidro e deixou o quarto incrivelmente ensopado. Não podia dizer que o Pássaro de Fogo esteve ali, caso contrário a chamariam de louca e mandariam Anna para ser a próxima herdeira do trono, para a segurança do povo. Apesar que, para Elsa, era melhor a caçula assumir o trono do que a mais velha com problemas de controle de poderes, que podem matar alguém. Elsa realmente não queria correr o risco, mas sabia que governar um reino era muito complicado para deixar nas mãos de sua irmã, que ficaria completamente perdida.
A frequência de Anna batendo na porta para chamar sua irmã foi diminuindo. Anna já pensava que Elsa não gosta mais dela, e assim parou de incomodá-la. Porém, sempre sente falta da irmã, e toda vez que passa na porta do quarto dela, poderia pensar em bater para ver se ainda tinha chance de ser recepcionada por Elsa.
Elsa só se foca em seus estudos, para tirar os momentos tristes e ruins da cabeça, e assim conseguiria controlar seus poderes. Porém, sempre ouvia a voz de Anna pelo corredor de seu quarto, quando chama pelos pais, e sempre faz querer ter a antiga vida de volta. Mas para evitar erros, melhor nem tentar. Bem, isso é que ela pensava.
A pena brilhante nas mãos de Elsa seria um tremendo erro cometido. Tinha feito um amigo, apesar de ser uma ave, e perdeu, e nunca mais quebrou o vidro da varanda, fazendo o quarto iluminar como o Sol novamente. As vezes, só a pena fazia Elsa se sentir bem, e apesar da história estar errada sobre conceder desejos, gostava de como brilhava. Teve vezes em que escutou uma voz vinda da pena, que brilhava mais que o normal. Uma voz potente, e ao mesmo tempo delicada, de uma menina cantando. Era uma voz bela, como o canto de um canário nos ares.
–Não podem vir...- Cantava a voz bela. -Não podem ver. Sempre uma boa menina. Você deve ser.
Elsa pensou ser uma mensagem vinda da ave para controlar seus poderes. Para completar a cantoria vinda da pena, Elsa usou o seu lema.
–Encobrir. Não sentir. Nunca saberão.
–Como?
Elsa se assustou, pois não veio de ninguém, só da pena. Por que a pena perguntaria? Ou melhor, desde quando uma pena pergunta? Ela não estava passando uma mensagem? Elsa decidiu não saber, pois já estava esfriando o clima do quarto. Guardou a pena brilhante nas vestes dela, como sempre, e tentou esquecer disso. Com certeza ela estava LOUCA!
Depois de muito tempo, parece que seus pais haviam ficado contente com algo. Receberam um convite para um casamento em um reino que eram parceiros financeiramente, além de serem aliados. Era preciso cinco dias de viagem para chegar até o reino. O rei e a rainha despediram de Anna em um abraço, mas não com Elsa, pois ainda temia que seus pais seriam congelados. Se encontraram na sala de recepção do castelo para se despedirem.
–Precisam ir mesmo?- Elsa perguntou, preocupada. Afinal, qualquer coisa pode acontecer e não queria perder a proteção de seus pais. E também, era só um casamento.
–Elsa, vai ficar tudo bem...- Seu pai tentou acalmá-la. -...Não se preocupe. Traremos mais ajuda.
–Qual ajuda? Não quero que ninguém morra por minha causa.- Disse, já imaginando se os pais trouxerem mais pessoas que ela acabasse as congelando.
–É uma surpresa...- Respondeu sua mãe. -...E não se preocupe. Não irá acontecer nada.
Então, o casa real saiu do palácio, deixando Elsa sozinha. Não sabia qual era a ajuda que os pais haviam dito, mas foi ao quarto para ficar segura.
O casal foi até o navio para o embarque. Lá tinham uma família, da qual o casal parecia conhecer muito bem. Eram oito pessoas, sendo que eram mãe e pai e seis filhos. Tanto a mãe quanto os cinco filhos mais velhos tinham cabelo branco como a neve. Já o pai e a sexta criança, que era uma menina, possuíam cabelos vermelhos como o fogo. A menina também possuía "olhos de fogo".
Passado o tempo, receberam uma notícia terrível: O navio onde estavam o casal real passou por uma tempestade, onde fez afundar, sem deixar um sobrevivente.
Anna e Elsa se lamentaram. Anna não tinha mais a companhia que recebeu desde que a irmã a abandonou, e Elsa não tinha mais a proteção e segurança que precisava, e nenhuma das duas tinha mais o amor e o carinho que os pais forneciam para elas. Só tinham uma a outra para todos os casos.
Anna passou pela porta de Elsa, depois do velório de seus pais. Lembrou que Elsa não estava lá, e imaginou que estivesse em seu quarto, como de costume. Bateu na porta do quarto, como fazia antes.
–Por favor me escutar...- Ela cantou para a porta do quarto. -...Todos perguntam sem parar. E criei coragem para te dizer. Mas espero por você. Me deixa entrar? Só temos uma a outra...- Virou-se de costas para a porta. -...O que vamos fazer? Temos que decidir...- Encostou as costas na porta e deslizou com elas até sentar no chão. -...Você quer brincar na neve?– Deixou lágrimas escorrerem em seu rosto.
Do outro lado da porta, estava Elsa, sentada com as costas encostadas na porta como Anna, em seu quarto completamente congelado. Estava chorando como todos em Arendelle. Em baixo de seu vestido, sua pena brilhante brilhava mais, e estava parecendo que a voz que tinha aquela pena estava chorando.
Esperou Anna sair de sua porta para tirar a pena das vestes. A pena não parava de "choramingar".
–Eu sinto muito!- Disse a pena.
Elsa imaginou que fosse com ela novamente, e esperou para a pena parar de brilhar tanto para agradecê-la, por sentir "pena" dela. Bem, isso é que Elsa pensava.
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