Frost-Proof
6 Capitulo 5
Notas iniciais
Eram sete horas da manhã quando Frost foi bater na porta do Hiccup. Fazia quase uma semana que eles haviam brigado e nenhum dos dois dava o braço a torcer:
Hiccup não queria nem saber que Jack existia.
Jack não queria nem saber se Hiccup acreditava que ele existia.
As primeiras batidas foram leves e ritmadas, Jack não se importou em esperar enquanto batia o pé e tentava arrumar o cabelo.
Da segunda vez foi mais rápido, as roupas, que eram as mesmas que ele usava no dia quê se conheceram, estava sendo esticada pelos dedos gelados do garoto.
Na terceira tentativa ele chamou Hiccup com um certo tom de dúvida.
Para a quarta batida ele usou mais força e velocidade, seguindo as batidas de seu suposto coração. Porque tal aperto? Porque tal incômodo?
Já na quinta ele soltou três palavrões e começou a andar de um lado para o outro.
"Hiccup... saia do quarto ou eu faço nevar aí dentro." ele gritou sem receber resposta alguma.
Na sexta ele sentou tomando a porta como apoio.
ㅡ Hiccup...
ㅡ Meu nome é Haddock!
Jack suspirou.
ㅡ Eu não sei o quê está acontecendo, mas... Me deixe entrar, por favor?
Hiccup tentava acalmar seu coração e respirar direito. Droga! Porque tão nervoso?
ㅡ Eu não vou te ver, não quero te escutar, não pretendo te dar a mínima atenção!- Hiccup abriu a porta encarando o Malfoy.- você disse que você não pode escolher quem pode te ver, as pessoas precisam simplesmente acreditar...
Hiccup inspirou inspirou profundamente fazendo Jack remexer os tetos de forma agitada.
ㅡ Eu não acredito em Jack Frost, afinal, ele é só uma lenda. Eu não acredito nele nem em nenhuma das palavras que ele pronúncia. Nada! Porque... — ele suspirou novamente.- porque... Ele. Não. Existe!!!
Hiccup bateu a porta na cara de Jack deixando-o desolado do lado de fora.
Mas o moreno tinha razão, quem estava ali não era Hiccup, não era o seu Hiccup. Aquele ali, com uma expressão séria e fria talentosamente pegada na pele delicada não era o seu doador de dragões. aquele era um caçador. O caçador. Aquele era Hiccup Hadocck II. O garoto que não queria vê-lo nem vestido em couro de dragão.
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Sete e trinta e quatro da noite, três dia após o jogo.
Hiccup acordou um tanto acordado como se estivesse se esquecido de algo importante.
O moreno se vestiu e tentou arrumar o cabelo, mais embaraçado que nunca, mas na hora de sair do quarto encontrou uma folha perto da porta, no chão.
"Haddock"
Era como começava a suposta carta, nada de querido ou de Hiccup o que fez o treinador de dragões pensar que era alguém relacionado com seu pai, afinal, ninguém além dele sabia o seu nome completo.
"Desculpe, eu odeio esse nome. Para mim você ainda é Hiccup."
Mas que droga era aquela? Quem havia lhe mandado aquilo? Hiccup fechou a porta e deu três passos para trás antes de voltar a ler.
"Você disse que não queria mais me ver. Se isso for verdade, se isso tiver saído do seu coração, talvez você não vá se lembrar de mim.
Por isso acho que deva te falar o que aconteceu. Te contar sobre mim..."
Mas que tipo de brincadeira de mal gosto era aquela? Era impossível que ele tivesse esquecido de uma pessoa, principalmente de alguém que parecia se importar consigo de verdade.
Hiccup amassou a carta e jogou no chão. Se ele pagasse o autor daquela bobagem ele mandará Soluço lhe dar um belo susto!
Determinado, ele saiu do quarto indo atrás de algo para jantar.
Ele voltou as nove horas e ficou jogando com o conjunto de cartas que achara. Provavelmente do perna de peixe.
Em algum momento entre a meia noite e as três da manhã, com algum sentimento entre a curiosidade e o pesar, entre a sanidade e o surrealismo ele se encontrava de quatro no chão do quarto procurando uma bolinha de papel amassado. A carta. Em baixo da sua palma direita. A carta.
O papel amassado, gelado, com um perfume de pinheiro fazia seus dedos tremer e suas pernas fraquejarem.
"Você me encontrou num dia de neve, na verdade, já era por do sol. Eu fazia nevar para os seus amigos, jogava bolas de neve incitando a guerra com a certeza de que ninguém me veria. Mas você me viu."
O moreno se pôs de joelhos e terminou de esticar o papel.
"Eu não esperava aquilo e de início fingi que não havia percebido nada, mas ainda no mesmo dia digamos que eu meio que comecei a importunar sua vida.
Eu te acordada com neve e gostava de te ver irritado, era engraçado ter alguém que não fosse algum dos guardiães reclamando comigo.
Eu não me dei bem com os dragões. Principalmente com o seu. Todos eles podiam me ver.
Você passou mais ou menos uma semana sem sair de casa. Não de verdade, mas você não falava com ninguém. Por isso pensei en levar o TeathLess até você... Era para ser uma surpresa, mas parece que ele não gostava de enguias."
Por algum motivo Hiccup riu e imaginou ter ouvido uma voz estranha o dizendo que aquilo não era engraçado.
"você me salvou, de verdade, você ficava mais... Bonito junto com seu dragão. Você deixava de ser o garotinho que eu gostava de irritar e sentia a necessidade de cuidar para se tornar um homem. O homem. Talvez o MEU homem, já que era provável que só eu visse aquele Hiccup."
Ele não entendia a carta. Não fazia idéia do que a outra pessoa queria dizer, mas sentia um aperto no seu peito, como se seu coração tivesse ganhado uma coroa de espinhos.
"Você me chamou pelo nome pela primeira vez e então você me deu amigos. De verdade. Okay, eu fui bastante relutante em relação a isso. Eu jurava que você só queria se mostrar para a Astrid e me usaria para isso. Mas não! Você brigou comigo para que eu fosse feliz. ''eu quero, não! Eu PRECISO fazer você feliz. Afinal, é isso que os amigos fazem." você disse algo assim naquele dia e desde então todos da ilha podiam me ver."
Hiccup se sentou usando a parede como apoio. O que ele estava lendo? Aquilo era sério? Realmente aconteceu?
"Mas então, quase um mês depois, veio aquela partida idiota de vôlei. Eu dei tanta atenção a Jason... Me desculpe. Ele era de outro mundo, filho de um deus... Eu não poderia explicar isso assim. Por uma carta.
Mas eu acho que você não gostou não foi? ( o que eu estou fazendo? Você não vai se lembrar de mim e assim que o Jay for embora você irá esquecê-lo. Você e toda a ilha vão nos esquecer)"
O autor da carta estava certo. Ele não lembrava de nenhuma outra pessoa mas por alguma razão não gostava de Jason. Jay... Oh, Hiccup odiou aquele apelido.
"Nós demos uma festa. Você ficou irritado porque eu não te convidei e eu te perguntei desde quando você precisava ser convidado para sua própria casa. O que você me respondeu... Acho melhor esquecermos."
ㅡ O-o que eu falei?
Hiccup entrou em pânico, o que ele havia dito ao autor da carta? Ele fora tão mal assim?
"Desde então você não quis mais saber de mim e por fim resolveu não acreditar mais que eu existia. E quando você não acredita em mim você não pode me ver nem me ouvir.
Eu gosto de você. Mais do quê de qualquer um. Eu não sei o porquê ou se isso ao menos tem um motivo. Mas eu gosto de estar com você. Do Hiccup, não do Haddock!"
ㅡ E-eu...
Hiccup tentava se lembrar. De qualquer coisa. Tentava acreditar. Mas parecia tão absurdo que era impossível.
"Você, que se recusa a bater em um dragão. O você que larga tudo pelos amigos. O você que se transforma em uma espécie de pai protetor. Eu gosto desse cara. Desse aí. Do jeito que ele fica vermelho quando se irrita. Do jeito que ele se joga na cama quando não consegue arrumar o cabelo. Eu gosto de ver como os olhos dele brilham quando fala de um certo fúria da noite ( e só por isso eu te escuto por tanto tempo)."
ㅡ É impressão minha ou ele acabou de me chamar de chato?- disse o moreno rindo.
"Você sabe quantos sorrisos você tem? Eu já vi pessoas de vários mundos contarem os sorrisos de outras pessoas eu só nunca pensei que eu faria isso. Sete! Você sorri irritado, é irônico, sarcastico, mas naturalmente forçado. Você sorri quando está nervoso e seus lábios tremem. Você tem um sorriso de escarnio, ele só aparece quando você tem certeza que algo vai dar errado pra outro alguém. Você tem um meio sorriso de quando algo da errado para você. Tem um que não é exatamente um sorriso, você levanta o lado esquerdo do rosto, torce os lábios e um furindo aparece na sua maçã do rosto, se não olhar direito parece um sorriso. Você sorri quando está triste, e é esse sorriso que te denuncia e não os seus olhos.
E Você sorri quando dorme. Em seus sonhos. É doce, pleno e único. Simplesmente feliz. E é ele que está estampado em seu rosto agora."
Hiccup cobriu a boca com a mão, seu rosto vermelho. Ele estava chorando. Sem saber o porque. Apenas chorando.
"Você bate o pé para se impôr e bate na própria cabeça quando diz bobagem. Você faz certas coisas tão unicamente suas que se outro o fizesse seria estranho de mais.
Eu gosto de como sua pele é com quente. Gosto dos seus cabelos macios. Das suas mãos que mostram seu esforço. Da sua perna. Gosto de tudo que eué seu, que vem de você. Por que eu gosto disso. De verdade."
Hiccup colocou a carta contra o rosto e sentiu o cheiro que vinha dela.
"Eu sou Jack Frost o cara que vivia na sua casa. Não irei voltar tão cedo, mas me espere, Hiccup, e não me esqueça nunca mais.
Com carinho,
Do seu Malfoy favorito."
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