From the Caverns Below
4 Capítulo 4&5-Bill
Eu sempre soube que Handara era um deserto, mas desertos sempre tem que ser tão calorosos? Eu cheguei aqui com meu casaco, jeans e sapato, mas agora estou quase nu e morrendo de calor. Classe média sofre.
É uma cidade bem simples, com casas de gesso e alguns comerciantes vendendo mixarias. Gastei vinte e cinco moedas de ouro para conseguir uma túnica, tenho quase certeza que ele cobrou o dobro que o normal porque eu sou estrangeiro.
Eu só estou aqui porque de acordo com algumas pessoas, muita gente do mercado negro se aproveita da falta de vigia e de pessoas para fazer transações, como venda de mercadoria ilegal ou até contratar assassinos de aluguel.
Enquanto andava pelas casas, percebi que a maioria estava abandonada, o que deu bastante sentido ao nome dela. Mas tinha uma casa em especial que me chamou atenção: Tinha muita gente ao redor dela, tinha seguranças orcs* e até alguns Bruxos ouvindo música alternativa do lado de fora.
Quando me aproximei da porta para entrar, um dos brutamontes que vigiavam a entrada botou o braço na minha frente, impedindo a minha entrada.
—Hm, com licença?-Perguntei.
Os dois se olharam e sorriram, como se soubessem que eu nunca frequentei o lugar. Fiquei com medo de me atacarem, até já estava pensando no feitiço que ia usar.
—O que procura aqui?-Perguntou o Brutamonte número 1.
—Informação.
—E o que te faz pensar que vamos deixar você entrar aqui, homem de vestido?- Perguntou o Brutamonte número 2, rindo.
—Hehe, homem de vestido- Disse o outro.
—O QUE VOCÊ DISSE PRA MIM, SEU OGRO DOENTE MENTAL? VOCÊ SABE QUEM EU SOU?- Gritei. Precisei ficar nas pontas dos pés pra conseguir chegar à altura da cintura deles- EU SOU O DONO DA MAIOR REDE DE FEITIÇARIA DA CIDADE GRANDE DE FARIAS BRITÓPOLIS! SE SEU CHEFE SOUBER QUE VOCÊ ME CHAMOU ASSIM VOCÊ VAI VIRAR PÓ! E NÃO VAI SER ELE QUE VAI FAZER ISSO, E SIM EU!
O olhar de debochado logo virou um olhar de pânico, eles trocaram olhares e saíram de perto da porta, abrindo caminho.
—Calma, senhor! Não sabíamos que era o senhor, perdoe-nos!-Eles quase choravam, um deles até se ajoelhou! — Pode entrar!
Nossa, precisam contratar novos guardas, pois Farias Britópolis é o nome de um acampamento para diabretes delinquentes que atacaram os mestres. Rinossorus já foi para lá uma vez, não adiantou muito.
Quando passei pela porta, vi que o corredor tinha uma porta antirruídos, que quando aberta mostrava do que aquele lugar realmente se tratava: A casa por dentro era um bar bem chique, para falar a verdade. Vi um Arno* tocando piano, um bar com diversos tipos de bebida e alguns homens bebendo, algumas cadeiras de coloração vermelha e pessoas conversando nela.
Sentei-me em uma das cadeiras no bar e pedi um “Cuspe do Inferno”, achei o nome bem amigável. Era bastante apimentado, então dei o resto para o Rinossorus beber, ele na verdade achou bem fraquinho.
Um homem se aproximou de mim, parecia ter a mesma idade, um pouco mais alto que eu, tinha um arco nas costas, machucados no rosto e braços. Ele bebia um “Água de chuca adocicada*”, não sei o que é chuca, mas a coloração da bebida era bem duvidosa.
—Você sabe que diabretes e animais de estimação são proibidos aqui, né?- Disse, apontando para uma placa que dizia “Animais, Diabretes e Bestas não são permitidos. Caso você seja metade de um desses, fale com a direção para o seu caso ser averiguado. Atenciosamente, Direção”.
—Oh, desculpe, eu não vi-Respondi, tentando esconder mais ainda o Rinossorus. Ele me xingou de Since, o que na terra dos diabretes é algo bem ofensivo.
—Eu não vou contar pra ninguém sobre ele, prometo- Afirmou, tomando mais um pouco da sua bebida.
—Se você estiver dando em cima de mim, saiba que eu sou um bruxo*. Nem tente.
—Não, longe disso. Eu só estou falando com você porque você com certeza não veio do grupo de bruxos alternativos lá fora, e bem, novatos são bem raros! O que procura?
—Informação sobre Magos de Sangue. Tenho quase certeza que um deles capturou meus amigos- Seus olhos de arregalaram, ele parecia surpreso e interessado ao mesmo tempo- Eu sei que parece loucura, mas eu preciso saber onde possivelmente eles estejam.
— Loucura? Não, não, não! Eu também procuro os Magos de sangue!-Respondeu, animado- Eu venho aqui todos os dias faz dois meses para conseguir recrutas que me ajudem a ir atrás deles!
—Sério? O que você sabe sobre eles?
—Eu só vou te falar se você vier comigo.
—Eu não sou recruta de ninguém, e não preciso de ajuda.
—Você acha mesmo que vai conseguir chegar até eles sozinhos? São magos que podem te explodir de dentro pra fora se quiserem. Você precisa de mais pessoas! Sem falar que como isso vai ser pessoal para você, eu deixo você ser mais que um recruta... Um parceiro!
Eu ia dizer não, mas até Rinossorus falou que eu seria o humano mais estúpido que ele já viu se não aceitasse.
—Então temos um acordo.
[Yrruf são uma raça de animais antropomórficos que não sabem se comunicar verbalmente, só sabem se comunicar utilizando músicas ou batidas. Muitos deles ganham a vida na indústria de música]
[Bruxos não podem ter nenhum tipo de relação sexual, pois quando o selo de bruxaria (um selo de formação para os bruxos terem acesso ao poder de ser um verdadeiro bruxo) é feito, qualquer tipo de relação sexual pode transformar a pessoa (independente do gênero) que fez sexo com o Bruxo ser transformado em uma Succubus depois de 48horas do ato. A maioria dos bruxos não namora ou casa, com medo de transformar a pessoa amada em um demônio com asas]
[Água de chuca é uma bebida afrodisíaca vindo do Sul de Coks Coli, que tem como ingredientes caldo de frutas citricas, açúcar, e um ingrediente secreto que os habitantes se recusam a revelar o que é, esse ingrediente no caso é o que dá a coloração marrom a bebida e o gosto forte]
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