Notas iniciais
Aos que se interessaram, sejam bem vindos!Como eu deixei claro nas notas da história, já postei FFL uma vez aqui no nyah, mas eu era muito nova quando escrevi a primeira versão e algumas coisas, principalmente minha linguagem e escrita, começaram a me desagradar, então pensei: Por que não mudar? Mudar sempre é bom e por isso, comecei a reescrever toda a história.O enredo da história tem como base a saga Crepúsculo, mas algumas partes são completamente inéditas e até mesmo diferentes da trama original.O prólogo narra um acontecimento muito importante e que será decisivo para os próximos capítulos e talvez até para os próximos livros.Espero que cada um que acompanhe deixe seu review, sugestão, etc, porque ao contrário do que alguns pensam, comentar realmente incentiva o autor.Espero que se apaixonem pelas personagens assim como eu e que se agradem com o que será postado a partir de agora nesta conta.Boa leitura!

*Salem, Oregon — Estados Unidos (Julho de 2010, cerca de quatro anos atrás)

Holland Woodley estava limpando a casa para a chegada de seu marido, Petan. Ele estivera viajando a trabalho por seis meses e agora finalmente voltava para casa. Alex, seu filho, estava jogado sobre o sofá da sala, lendo uma revista, com os pés apoiados na mesinha de centro. Esse era o último verão do garoto em casa, pois iria para a faculdade dali a algumas semanas.

– Ei, Alex, quando a Ashley chega?

– Às sete. – Alex respondeu, levantando os olhos da revista de esportes que lia.

– Você já tomou banho?

– Daqui a pouco eu vou, mãe. – O garoto voltou a ler a revista.

– Alexander, já são seis horas! – Ela colocou a mãos nos quadris, encarando-o e batendo o pé impacientemente.

– Mãe, sabe que não gosto que me chame de Alexander. Além do mais, só vou tomar banho e vestir a roupa.

– Alex, essa é a primeira vez que traz sua namorada aqui em casa. Por favor, querido, não quer passar uma boa impressão? – Ela perguntou – Além do mais, filho, seu pai já deve estar a caminho e ele ficou fora por meses...

Alex olhou para a mãe e suspirou, sorrindo.

– Você não vai desistir não é mesmo, senhora Woodley? – Ele foi até a mãe e beijou suas bochechas.

– Não me chame de senhora Woodley. – Ela sorriu, abraçando o filho.

– Tudo bem, mamãe.

– Assim é melhor.

Alex revirou os olhos e se dirigiu para o banheiro que ficava no segundo andar. No quinto degrau da escada, parou e virou-se para a mãe, que limpava um porta-retratos com o espanador.

– Mãe?

– Sim? – Ela olhou para ele.

– Não vá pegar minhas fotos da infância para ficar me envergonhando na frente da minha namorada. – Ele brincou – E a propósito, eu te amo.

Holland sorriu, fazendo uma careta para o filho e voltou a limpar a mobília da sala.

– Eu também te amo, Alex.

No andar de cima, Alex parou diante do guarda-roupa, observando suas opções para vestir naquela noite. Ashley, sua namorada, já conhecia sua mãe, mas aquele era o primeiro jantar oficial para que conhecesse seu pai. Alex escolheu uma calça jeans Levi’s escura, tênis e uma camisa de mangas cumpridas e gola V cor de areia. Foi para o banheiro e despiu-se, entrando debaixo d’água. Ele mudou a temperatura do chuveiro para quente, embora o verão tivesse chegado.

Alex tinha sido aceito na faculdade da Califórnia e quando agosto chegasse ao fim ele se mudaria da casa de seus pais. Ashley também havia sido aceita na faculdade, embora estivesse indo para Nova York.

Durante o tempo em que ficou fora, Petan Woodley deixou sob responsabilidade do filho sua loja. E embora gostasse de trabalhar para o pai e poder assim ficar perto de casa, de Ashley e da família, ele queria estudar. Sua mãe estava orgulhosa, era possível perceber isso pelo fato de ela estar sempre tagarelando sobre o assunto com a tia de Alex.

– Alex! – Sua mãe gritou do andar de baixo, a voz animada. – Tem uma pessoa aqui para te ver.

Ele desligou o chuveiro e se enrolou em uma toalha. Ashley devia ter se adiantado. Com um pouco mais de pressa para descer e ver a namorada, ele se vestiu rapidamente e penteou o cabelo, passando perfume. Estava calçando os tênis quando ouviu um barulho alto de vidro se quebrando, em seguida o grito assustado de sua mãe. Alex abriu a porta de seu quarto em um rompante e desceu as escadas de dois em dois degraus.

– Mãe?! – Chamou, enquanto corria pelas escadas.

O que viu ao chegar ao andar de baixo foi caos. Apenas um caos terrível. Ficou paralisado com a cena diante de si. A porta de vidro que separava a cozinha do escritório de seu pai estava completamente despedaçada e cacos de vidro estavam espalhados por todo lado. Alex ouviu sua mãe gritar novamente e ao correr para encontra-la, achou-a caída no chão, de forma nada natural. Os olhos revirando nas órbitas e a boca aberta, onde um grito havia sido interrompido. Ao seu lado, o corpo do marido, Petan, jazia. Sangue brilhante escorria de seu pescoço em uma ferida funda e estranha, como se alguém tivesse enfiado facas e furado a carne. Alex sabia que seu pai já estava morto.

Um desespero insano tomou seu coração e seus olhos explodiram em lágrimas grossas e salgadas.

– Mãe! – Alex caiu de joelhos ao lado do corpo quase sem vida da mãe e segurou seu rosto sujo de sangue nas mãos. – Mãe, não me deixe!

– A... Al... – Ela tentou falar, mas só o que Alex ouvia era um leve sibilo.

Alex olhou para seu pai, morto. Então ele era a pessoa que chegara para vê-lo. Essa era a primeira vez que Petan voltava para casa depois de ficar no Texas durante meses e agora estava morto.

– Alex... – Sua mãe conseguiu dizer.

Alex se voltou para ela, mas Holland não olhava para ele. Seus olhos estavam fixos em algo atrás do filho.

– O que? Mãe? – Alex segurou as mãos trêmulas da mãe, mas algo puxou seu ombro com força, jogando-o nos cacos de vidro espalhados perto da cozinha.

O garoto bateu a cabeça com força no chão e sentiu um osso quebrando. Urrou de dor, mas seu protesto foi interrompido ao ver a figura encapuzada que se movia sensualmente em sua direção, do jeito que só uma mulher poderia andar. Alex apoiou as mãos no chão e se arrastou um pouco para trás, tentando fugir daquela coisa. A assassina foi até ele e puxou sua perna bruscamente, fazendo com que ele gritasse ao ter outro osso quebrado. A figura encapuzada rastejou por cima do corpo de Alex e olhou-o nos olhos. Um arrepio lhe subiu pelas costas. Seu rosto era pálido como o de um defunto, olheiras roxas sob os olhos que eram vermelhos, injetados. Sangue escorria por seus lábios e queixo, manchando a camisa branca que ela vestia. Era como olhar para um demônio, só que a diferença era que a mulher era indiscutivelmente sexy, mesmo que tivesse aquela aparência horrenda.

Mais lágrimas desceram pelo rosto de Alex. A assassina tirou o capuz e deixou a mostra todo o rosto. O longo cabelo lhe caiu pelos ombros e ela sorriu, passando a língua pelos lábios e lambendo os resíduos de sangue que ali ficaram.

– Você parece ser tão... – Ela mordeu o lábio inferior, arqueando a sobrancelha e encarando Alex quase com desejo. Se debruçando sobre ele, ela sussurrou em seu ouvido: — Delicioso.

Alex fez um ruído de nojo, tentando se afastar, mas não conseguia. Ela passou uma perna de cada lado do corpo dele e o prendeu no chão. Mesmo sendo uma mulher, era como se fosse cem vezes mais forte que ele. Segurou a gola de sua camisa, puxando-o em sua direção e esmagou os lábios nos dele. Alex tentou empurrá-la, mas a assassina se debruçou ainda mais sobre ele, fazendo com que caísse de costas novamente nos cacos de vidro. Ela levantou seus braços e os prendeu acima de sua cabeça.

– Não... – Ele sussurrou, se contorcendo para escapar.

– Shhhh. – Ela mordeu seu lábio, arrancando sangue. – Você sabe que não tem como fugir, Elsker.

Alex não sabia o que aquilo significava nem a que idioma pertencia, mas aquela palavra fez com que arrepios disparassem por sua coluna. A assassina rasgou sua camisa ao meio e deslizou as longas unhas por toda a extensão de seu tórax, abrindo fundas fendas em seu peito por onde sangue jorrava. Alex gritou de dor, mas isso pareceu excitá-la ainda mais. Ela riu e passou o indicador pelo sangue, em seguida levou o dedo até a boca e lambeu o líquido vermelho. Alex teve ânsia de vômito. A assassina respirou fundo, como se estivesse sentindo um cheiro muito bom. Quando seus olhos encontraram os de Alex novamente, suas feições estavam modificadas. As veias dos olhos e da parte superior do rosto estavam sobressaltadas e pretas, visíveis mesmo sob a pele. Ela o beijou novamente, puxando os cabelos de sua nuca com tanta força que alguns fios foram arrancados de seu couro cabeludo. Quando este se recusou a retribuir, ela passou a beijar seu pescoço. O beijo durou alguns segundos antes de dentes substituírem os lábios. Alex sentiu algo como facas sendo cravadas em seu pescoço, mas não conseguia manifestar sua dor. Suas forças se esvaiam rapidamente.

A assassina sugou quase todo o sangue do corpo do garoto e este fechou os olhos, esperando a morte.

Alex não conseguia mais sentir nenhuma parte de seu corpo e parecia não ter forças nem para respirar. Ouviu quando ela se levantou, batendo os saltos no piso de madeira. Tec, Tec, Tec.

Aquele era o fim. Seus pais estavam mortos e Alex sabia que ele estava a um passo disso. Odiava aquela mulher com todo o seu coração e se tivesse forças para isso, a mataria sem pensar duas vezes. Pensou nos pais, em Ashley, nos amigos e na faculdade de medicina veterinária que estava prestes a iniciar. Tudo estava acabado e ele nem sabia o que seu assassino era. Seu coração estava ficando mais fraco e a respiração mais difícil. Abriu os olhos com dificuldade e viu a poça de sangue na qual se encontrava. Voltando a fechar os olhos, rezou, pedindo que sua alma junto com a de seus pais fosse salva. E esperou a morte.

XXXX

Chamas lambiam as veias de Alex, como se alguém houvesse ateado fogo em seu corpo. Pequenos tremores percorriam seus braços e o coração parecia querer explodir. Alex estava com as costas molhadas, mas não sabia dizer se era suor ou sangue. O desespero crescente aliado a dor em cada parte de seu corpo, o fazia se contorcer descontroladamente, sentindo uma agonia incessante. Sua garganta queimava e o coração estava muito acelerado, martelando nas costelas.

Alex não entendia. Ele vira os pais mortos, o demônio que sugara quase todo o seu sangue. Aquilo era o inferno? Era muito doloroso para ser o paraíso.

Línguas de fogo pareciam queimar todos os seus vasos sanguíneos e algo fazia seu corpo arder, como se ácido tivesse sido injetado em suas veias por meio de um tubo intravenoso. Não conseguia encontrar sua voz para gritar ou chorar por toda aquela dor e tudo o que desejava era que a morte chegasse logo. Sentiu o fogo passar para os ossos que foram quebrados pela assassina e se contorceu ainda mais, arqueando as costas. Queria abrir os olhos, mas não conseguia. O fogo correu por seu peito e chegou ao coração, fazendo com ele martelasse mais alto. Alex podia escutar os batimentos claramente. O ritmo aumentava ainda mais, parecendo que a qualquer momento seu corpo ia explodir. Subitamente um fogo tomou seus olhos e o coração errou uma batida, em seguida parou.

Alex abriu os olhos de repente e observou tudo ao seu redor, de uma nova perspectiva, como quem nasce para um mundo novo.