From Hell To Heaven
1 Capítulo 1 - Brigitte
Notas iniciais
Ele me olhou nos olhos, cheios de lágrimas e medo.
- Você acredita em Deus? – me perguntou entre soluços.
- Deus? – falei sem muito interesse – Deus não tem nada haver com isso.
E não tinha mesmo.
- Ele pode perdoar todos os seus pecados, pode deixar você sair livre é só....é só você me deixar viver.
Já estava cansada daquilo. Era sempre a mesma coisa. Sexo, arrependimento, e quando chegava a hora da morte, eles davam para atrás.
- Deus não vai perdoar nem a você nem a mim, querido. – estava vestindo as minhas roupas humanas, tinha voltada a minha forma “normal”- e sabe do que mais? – suspirei, e deixei-o fitar meus olhos vermelhos. – Deus não dá a mínima pra você, padre.
Com um golpe do chicote que ainda tinha nas mãos cortei sua cabeça, que rolou sobre a cama, e depois caiu no chão.
Deliciei-me com o momento, me sentia viva, alegre, jovem. Observei minha obra mais uma vez. O padre se encontrava nu na cama, com as mãos amarradas, e cabeça no tapete vermelho. O sangue tinha sujado todo o lençol, tudo agora era vermelho vivo.
Sorri e desapareci. Como sempre fazia.
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O padre não tinha sido o primeiro daquele dia, nem seria o ultimo. Só estava começando. Isso era o que me dava forças.
Não que eu precisasse matar para me manter viva, não. Essa parte eu fazia só por maldade mesmo. Aprendi com o meu pai.
Se você ainda não entendeu o que eu sou, vou explicar. Sou filha de uma Succubus, precisamos de sexo pra nos manter jovens e lindas. E não, eu não sou uma alma perdida como todas as outras. Eu apenas nasci assim, nunca morri, nunca fui humana. Era a única na minha espécie que não passou pela experiência de viver no mundo dos mortais.
Obviamente não posso deixar passar a parte mais engraçada e trágica dessa história. Eu sou filha de Samael. Não sabe quem é? Bem, se eu disser Lúcifer você vai saber quem é certo? Não gosto desse nome pra ele. Mas ele gosta, fazer o que?
Essa é a razão pela qual minha mãe engravidou. Nunca a conheci, ela morreu durante o meu parto. Desde então moro com meu pai, que me acolheu de braços abertos.
Eu devo ser a única coisa que ele chega perto de amar. Não que exista esse sentimento em seres como eu, mas nele existe. Afinal, ele é um arcanjo. O primeiro da linhagem dos seus irmãos, e o único a não aceitar uma simples coisa que o pai impôs. Foi uma rebelião enorme lá no céu. Eu nunca fui lá nem tenho a mínima vontade. Dizem que é tão azul que deixa você cego. Papai não entra em detalhes, ele diz que é apenas mal, e pronto. Também nunca fiz muitas perguntas.
Passo a maior parte no inferno, e quando preciso me alimentar, subo até a terra, e condeno algumas almas. Eu não sou tão mal assim, eu dou o melhor sexo da vida daqueles pobres homens. É quase uma dádiva ser escolhido por mim.
Sou tirada do meu devaneio por uma voz profunda e fraca:
- Brig, por que vê fez isso?
Agora anjos deram para andam sobre a terra?
- Ah Gabe, ele merecia. – retruquei virando para o meu tio mais novo.
- Você matou um padre, ele era um dos nossos. Um dos bons. – ele falou cheio de clemência em sua voz.
- Eu tenho um contrato, assinado por ele mesmo. Ele quis, eu não o forcei a nada.
Gabriel revirou os olhos.
- Mas você o matou também, não precisava disso. Porque você sempre mata?
- Por diversão. – dei uma gargalhada.
Vi um sorriso frouxo se formando nos lábios do meu tio, não sei se era cansaço, ou porque realmente achava engraçado.
- Você é muito parecida com seu pai.
- Eu sei. – falei orgulhosa
- Não mate mais. Condene suas almas, já que é inevitável, mas não mate. Não interrompa o ciclo da vida.
É esse sermão toda vez. É cansativo sabe?
- Eu posso condenar a sua, sabe Gabe? É só você assinar aqui. – Levantei a saia, e deixe a minha coxa a amostra.
Gabriel falou algum na língua dele, que eu não entendi. Mas era um não, como sempre é.
- Você sabe que isso nunca vai acontecer. Só estou aqui pra dizer, NÃO MATE MAIS.
Vi que ele estava perdendo a paciência, adorava quando isso acontecia. Eu ficava tão perto de tê-lo. Cheguei mais perto, o encarava, ele não deu uma passo para atrás e não mostrou nenhuma expressão.
- OU O QUE? – sussurrei a 2 centímetros da sua boca.
Antes que ele respondesse, fomos interrompidos por uma chuva de raios. Eu sabia exatamente o que significava, Gabriel também.
Olhamos na mesma direção do telhado do lado, e lá estavam. A esquadrilha do meu pai.
- Srta. Noelle, não acha que passou muito tempo fora de casa? Seu pai a chama.- falou o que estava mais a frente, conhecido como Frank.
Sabe, eles não eram nada bonitos. Frank era um da minha espécie, era um Incubus, minha versão masculina, lindo e alto, mas os outros davam nojo.
Fitei minhas unhas com tédio, e me virei para o meu tio.
- A gente se vê por ae, Gabe.
Mas antes que eu evaporasse, ele segurou meu braço e sussurrou.
- Não mate mais. – falou – E mande lembranças para o seu pai.
Dei um sorriso sem graça e fui embora, junto com meus guarda-costas infernais.
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