From Black to White
2 Capítulo 2
"– Boa noite, mãe. – eu desligo o som e durmo de novo, Quase imediatamente."
Quando eu acordo, tomo um copo de leite, como uma barrinha de cereais e vou trabalhar. Hoje, eu vou passear com os três cachorros dos meus vizinhos. Eles são um casal simpático. Me pagam mais do que precisariam pagar para qualquer outra pessoa, e quando eu não quero mais ficar em casa, eles me deixam passar uma semana lá, com direito a café da manhã e jantar. Nós conversamos, rimos e assistimos TV juntos, e eles não falam nada pra minha mãe. Quando eu apareço na casa deles com a minha mochila, e sorrio como se eu tivesse acabado de voltar de uma pequena viagem ou algo assim, eles não hesitam em retribuir o sorriso e me guiar pelo corredor até o quarto de hóspedes. Eles me tratam como sua filha, e eu os considero minha família. Minha única família.
Eu busco os cachorros, a sra. Smalwood me convida para entrar, mas eu recuso. É uma by Text-Enhance\">caminhada rápida, apenas uns quinze minutos. Quando eu volto, Anelise me oferece um sanduíche. Penso em recusar, mas ela sabe o que eu passo, escutam o que eu escuto, e vem tudo. Eles moram na casa ao lado. E a janela da cozinha deles dá para a nossa sala-cozinha.
Depois de comer o sanduíche, eu agradeço e vou até o centro da cidade, entro na casa n° 116, cumprimento Tatiana, a empregada, e cozinho o almoço. Todo fim de semana eu vou até lá para cozinhar para a família, já que são os únicos dias que eles podem almoçar juntos.
Como Tatiana sempre tem muito serviço a fazer, já que três crianças fazem muita bagunça, eu vou lá para ajudá-la também. Depois de colocar o almoço na mesa principal, eu sirvo o meu almoço e o de Tatiana na mesa da cozinha. Então eu lavo o louça, recebo meu dinheiro e vou embora.
...
Estou voltando para minha casa quando me Lílian me liga e pergunta se quero passar a noite na casa dela. Eu aceito e, quando eu chego em casa, soco todo o meu material na mochila, coloco um pijama junto e saio do meu quarto bem na hora em que a minha mãe entra em casa. Bêbada e com a cara roxa.
–Onde você estava?– pergunto.
–Não é da sua conta– ela replica.
–Será da minha conta enquanto eu morar sob esse teto. E eu moro.
–Eu estava em um bar lá.
A essa altura eu já estou na porta de entrada. Quanto menos souber, melhor.
–Tchau mãe– digo, e bato a porta atrás de mim.
A casa de Lílian é enorme. Bem, comparada com a minha, sim. Tem quatro quartos e uma sala de TV e jantar juntas. A minha casa cabe quase inteira só na sala. Minha casa tem uma cozinha-sala, um banheiro, um quarto e uma pequena sala de qualquer coisa, que agora é o meu quarto.
Nós entramos na casa em silencio, depois de nos cumprimentarmos no quintal. Só nos falamos de novo quando chegamos no quarto dela, que fica no terceiro andar, junto com o escritório. Ela me pediu para não fazer muito barulho. Depois de ser pega beijando o namorado no colégio, ela não pode mais visitar ninguém, e ninguém pode visitar ela.
Foi um ótimo final de tarde. Ela é a unica pessoa que quase me faz esquecer de como minha vida é horrível. Nós fizemos coisas que todas as garotas sem nada para fazer fazem, tipo 'comentar os fatos do dia-a-dia da vida alheia de certas pessoas', como ela chama o que seria 'falar mal dos outros', e ouvir música. Isso me faz sentir normal. Uma hora depois, nós fomos no shopping, mesmo que tivéssemos pouco dinheiro.
Entramos em lojas caras e não levamos nada, fizemos um desfile de saltos-altos em "algumas" loja de departamento, mas, no final, gastamos nosso dinheiro em um salão de beleza. Ela fez manicure e eu pintei meu cabelo, de novo. No começo, ela achava estranho, mas já se acostumou.
É mais ou menos aí que nossas diferenças começam. Nos conhecemos desde os seis anos de idade. Mas somos inseparáveis desde dos nove, quando minha mãe começou a beber e me bater em lugares que eu poderia esconder com uma blusa um pouco mais larga. Ela parou com isso aos 12, quando um amigo meu me ensinou auto-defesa. Eu e Lílian somos opostas em quase todos os sentidos: ela é loira, e meu cabelo sempre está de um tom escuro, ela usa roupas caras, bonitas e chamativas, enquanto eu me escondo em maquiagens pesadas e roupas negras. Eu desconto minha raiva espancando um travesseiro ao som de Avenged Sevenfold e só me acalmo ouvindo o som da voz do Billie Joe, enquanto ela se emociona ouvindo musicas do Bruno Mars e se sente totalmente como a Taylor Swift em "Fifteen" ou em "Red", Mesmo que nós duas concordemos com Owl City e algumas outras bandas.
Voltamos para casa as seis e meia, algum tempo depois de os pais dela terem saído para um jantar. Nós fizemos dois cup noodles no microondas e depois de uma longa conversa, fomos dormir.
No dia seguinte, fomos caminhando para escola, ouvindo musica sem fone, rindo muito de piadinhas que ninguém mais entende e nos sentindo como as rainhas do mundo. Ela foi minha âncora quando tudo o que eu queria era fugir da minha vida. Eu não sei como, mais um dia eu retribuirei esse favor.
Nas segundas-feiras, a primeira aula é biologia. Quando eu entro na sala com Lílian, o caos de pessoas jogando bolinhas de papel, gritando e conversando alto me dá agonia. Eu detesto barulho. Eu simplesmente detesto.
Quando eu estou totalmente focada na letra da musica que estou ouvindo, Lílian cutuca meu braço, e eu percebo que todos estão quietos. Então eu olho para a porta.
Tinha alguém ali, mas não era um "alguém" Era O alguém.
Ele era lindo.
Não lindo. Notável. Incrível.
Ele caminha através da sala e senta atrás de mim. Então joga a mochila no chão e diz:
–Imagine Dragons.– Eu não entendo o que ele quiz dizer– A musica.
–Ah.– eu respondo, e como sei que ele nunca vai gostar de mim, e não tenho nada a perder, digo: –Vejo que você gosta de chamar a atenção.
Ele penteia com os dedos os cabelos negros para trás, com um que de deboche, dá um sorriso, estende a outra mão e fala:
–Drake Menister.
Com um pouco de dúvida, aperto a mão dele.
–Christina Feron.
E retribuo o seu sorriso torto.
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