Friendzone
7 Bônus
Notas iniciais
Fevereiro, 2018
Boston
Tanya estava nervosa, não fazia o seu feitio se sentir assim. Mas ela sabia bem que as coisas fugiam de controle quando existia um sentimento envolvido. Principalmente se fosse amor.
Muitos diriam que o que ela estava fazendo era uma loucura, ela mesmo pensava isso. Poderia estar magoando duas pessoas que realmente gostavam dela, mas era impossível escolher e também era impossível ficar sem qualquer um dos dois essa noite, e provavelmente nas próximas.
Ela saiu de seu apartamento, determinada. Pronta para abrir o jogo com James e Elena. Dizer que não poderia ficar sem nenhum dos dois, e tentar arranjar essa situação da melhor maneira possível para todos os envolvidos.
Olhou as horas, faltavam apenas quinze minutos para a hora marcada no restaurante japonês no qual ela tinha marcado o encontro. Suas mãos suavam.
A loira saiu para a noite fria de Boston. Apertou o casaco envolta de si com força, mas por nervosismo do que pela temperatura.
Olhou para os lados procurando um táxi, assim que viu um livre passando o parou. Ela abriu a porta de trás pronta para entrar, mas a fechou de volta em seguida.
— Eu não vou mais sair. – disse para o motorista voltando para dentro do prédio.
O que ela estava pensando afinal? Eles iriam odiá-la. Ela não poderia fazer isso. Os dois com certeza não iriam querer olhar na cara dela depois dessa noite.
— Que merda! – xingou ao entrar novamente em seu apartamento vazio.
O irmão estava em algum lugar com a nanica e disse que dormiria fora. O casal vinte nesse momento deveria estar trocando votos de amor eterno perante algum sósia de Elvis. Ela não tinha ninguém pra se apoiar no ombro enquanto chorava.
Por que para ela tinha q ser tão difícil?
Primeiro a Maria, a menina que conhecera desde sua infância no Texas, e que viera para Boston estudar assim como ela. Ela foi apaixonada por ela por toda a sua adolescência e até poucos meses atrás, mas a jovem tatuadora só tinha olhos para seu irmão. Poderia existir mais azar no amor que esse? Sim, claro, com certeza. Porque era com ela.
Então ela conheceu Elena naquela festa, a química foi imediata, fazendo-a até mesmo esquecer da presença de Maria ali. Elena era uma garota linda e especial, e não demorou muito para fazê-la superar Maria e se apaixonar, dessa vez sendo correspondida.
Então ele apareceu, aquele colombiano turrão, que estava quase sempre sério, mas que cuidou dela com tanto carinho que a fazia desejar ficar com o pé machucado por mais tempo, só para tê-lo cuidando dela, mas ele quase a enlouqueceu sendo completamente ético e se negando a ter qualquer envolvimento com ela antes de deixar de ser seu médico. Mas ela conseguiu.
E porra, aquele latino era quente! Ele conseguia ser ainda mais perfeito que o seu amigo na cama, e olha que superar Edward era difícil. Mas James conseguia. E como.
Ela se livrou de seu sobretudo, indo direto a geladeira, de onde ela tirou um pote de sorvete de chocolate e ainda conseguiu um pacote de M&M`s.
Ela se sentia tão Edward agora. Covarde. Não que seu melhor amigo fosse um covarde o tempo todo, mas levou anos com medo de tentar se resolver com a Bella, e deu muita sorte por não perdê-la durante esse período. Mas eles tinham se resolvido. Será que ela conseguiria também? É, claro que a situação dela era bem mais complicada que a dos amigos. Duplamente complicada.
A loira se jogou no sofá e ligou a TV dando uma gargalhada ao ver o filme temático que estava passando Valentin`s Day (Idas e Vindas do amor).
Ela não estava com paciência para comédias românticas, procurou um filme de tiros e violência pelos canais, mas não encontrou nenhum, acabou num drama que ela não sabia o nome.
Enquanto isso, no restaurante onde aconteceria o encontro, duas pessoas esperavam em mesas distintas. Já fazia mais de uma que elas esperavam e nada da mulher aparecer.
A primeira a desistir foi Elena, ela já ia se lavantar da mesa quando o homem que também havia levado um bolo sentou-se na cadeira a sua frente. Ela também havia reparado nele, além de ser um homem muito lindo, também esperou por quase tanto tempo quando ela por alguém que não apareceu.
— Boa noite. – ele saudou.
— Boa noite! – ela respondeu um pouco mais animada. Talvez a noite não estivesse tão perdida assim.
— Estamos no mesmo barco, não é? – o homem perguntou.
— Parece que sim. – ela respondeu.
— James Gonzalez. – ele estendeu a mão se apresentando.
— Elena Rogers. – ela segurou a sua mão sentindo uma eletricidade ali. Também sentia isso com Tanya.
— Eu não entendo como um cara pode te deixar aqui esperando.
— Na verdade foi uma garota. – a mulher respondeu.
— Então temos ainda mais coisas em comum. Uma garota também me deu um bolo. – ele sorriu. Fazendo com que ela espelhasse o gesto.
— Sua namorada? – ela perguntou.
— Na verdade não, mas eu pretendia fazer um pedido essa noite. – ele disse frustrado.
— Estou passando por uma situação parecida, ela disse que estava apaixonada, mas não assume um compromisso.
— Algo relacionado a sexualidade de vocês? – ele perguntou, mas se arrependeu imediatamente, por estar sendo invasivo com uma estranha. Mas para seu alívio ela não se incomodou.
— Se fosse isso seria mais fácil de ser resolvido. – Elena deu de ombros. – Ela conheceu outra pessoa, e não consegue decidir, sabe, entre mim e esse cara. Provavelmente deve tê-lo escolhido, já que não apareceu.
— Então ela gosta de homens também. –James concluiu pensativo. Isso o fez lembrar de Tanya, ela também gostava de homens e mulheres, e apesar dele ter tido uma criação tradicional e conservadora, ele amava a liberdade de Tanya, na verdade ele amava aquela garota louca. Mas ela pelo visto tinha ficado com a outra, com a garota. A garota pela qual ela dizia estar apaixonada também.
— Sim. Nós gostamos, na verdade. – respondeu Elena.
— Bom saber disso. – já que ele havia sido deixado, tentaria seguir em frente. Não imediatamente, mas começar uma amizade com a linda garota a sua frente parecia um bom primeiro passo. – Já que estamos aqui abandonados, aceita jantar comigo?
— Claro. –a moça respondeu. –Mas vamos rachar a conta.
Ele riu. Por que como o bom cavalheiro a moda antiga que era ele não se interessava por mulheres menos difíceis?
Tanya já tinha acabado com o pote de sorvete, e desligado a Tv, ela sabia que estava sendo dramática demais. Mas ela tinha esse direito, sempre foi tão decidida e corajosa. E como qualquer ser humano, imperfeito, ela estava sendo fraca. E foda-se! Ela podia se dar o luxo de chorar de vez em quando.
A campainha tocou despertando-a de sua fossa. Quem seria a essa hora? Será que a Alice tinha chutado o seu irmão e ele não teve tempo nem de recuperar sua chave?
Ela caminhou meio que se arrastando até a porta, esfregando o rosto para disfarçar as lágrimas, já preparada para o inquérito do irmão.
Mas se surpreendeu ao ver o casal parado ali.
— O que...
— Nós precisamos conversar. –James falou.
Elena estava ao seu lado, mas não parecia ter raiva dela, na verdade tinha um sorriso no rosto. E a abraçou assim que percebeu que a loira havia chorado, as duas caminharam até o sofá.
James entrou e fechou a porta atrás si. Ele observava as duas mulheres abraçadas no sofá, sentiu uma completude que não sabia que procurava, parecia que as peças do quebra-cabeça tinham finalmente se encaixado. Ele foi até elas e ajoelhou no tapete em frente as duas.
— Hoje você me deu o troco por todas as vezes que eu atrasei por conta dos plantões, Cariño. – James brincou, fazendo a loira rir. A morena o acompanhou.
— Me desculpe. – ela pediu ao rapaz. – Você também, Lena. Eu fui uma vadia com vocês.
— Ei, nada disso.
— Você só está confusa, Cariño.
— E vocês perceberam tudo e vieram aqui pra me fazer escolher? – Ela perguntou olhando de um para o outro.
Ela não conseguiria. Porra ela queria os dois, mas ia acabar ficando sozinha.
— Na verdade, – Elena trocou um olhar com James. – Nós conversamos e resolvemos que...
— Nós queremos ficar com você, independente de qualquer coisa. – James completou.
— Vocês o que? – Tanya perguntou.
— Tanya, eu te amo. – James falou.
— Eu também, T. – dessa vez foi Elena.
— Eu os amo. Os dois. Por isso eu não consegui ir ao encontro, eu queria esclarecer as coisas com vocês, mas eu não consegui. Eu não posso escolher.
— Você não precisa. – Elena segurou em sua mão.
— Amor nunca é demais, Cariño. – James segurou sua outra mão. Assim como a de Lena.
A loira apenas sorriu. Puxando os dois para um abraço. Ela seria feliz afinal. Com os dois.
Sim, seu hombre estava certo, quanto mais amor melhor.
***
Jasper estava na cozinha da casa de sua namorada, para sua sorte seu sogro estava viajando. Ele tinha que confessar que morria de medo do cara, Alice podia até ser baixinha, mas seu sogro tinha quase dois metros, era grande e muito intimidador.
Tudo bem que o cara era um mecânico, mas precisava mesmo ter sempre uma ferramenta na mão? Inclusive dentro de casa?
Alice era nascida e criada ali, e morava apenas com o pai em cima da oficina, sua mãe havia falecido quando ainda era uma criança e sua criação ficara por conta do pai. Talvez por isso ela tenho aquele jeitinho um tanto masculino. Mas ele era louco por ela.
Nunca foi muito chegado a romance e essas coisas, até conhecer aquela garota louca e suja que brigou com ele na primeira vez que se viram. E apesar de sempre ter sido muito cético em relação a amor à primeira vista, reconhecia que tinha acontecido com ele.
— Ei! –Alice entrou correndo na cozinha. Abrindo o forno e tirando a carne quase carbonizada lá de dentro.
Ela começou a sentir cheiro de queimado quando subiu da oficina, tinha ido consertar um carro de última hora, o cliente era bem conhecido e como seu namorado ainda estava cozinhando, ela não viu problemas.
Jasper era sempre tão certinho que ela não imaginou que ele pudesse cometer um lapso tão grande, como deixar queimar a comida estando ao lado do fogão.
Ela jogou a carne na pia ligando a torneira uma fumaça espalhou-se pela cozinha.
A essa hora Jasper já estava atrás dela desesperado por ter queimado o jantar.
— Ei, o que aconteceu? – ela perguntou.
— Eu me distrai.
— Jura? – Alice estava incrédula. Ele era sempre tão centrado.
— Isso é uma porcaria! Eu estraguei tudo. –o rapaz disse frustrado, se jogando numa cadeira por ali.
— Ei era só um jantar. Não esquenta com isso, Clark Kent. – ela se aproximou, mas sem tocá-lo. Ainda estava em seu macacão e toda suja de óleo de motor.
— Eu queria fazer algo especial para você.
— Se você me comprar uma pizza quatro queijos tamanho gigante ainda vai ser especial. – A garota disse enrolando seus cabelos no alto, ela tinha essa mania, e cabelos compridos demais, que insistiam em se soltar.
Jasper a olhava encantado, como ela conseguia ser tão linda? Mesmo estando toda sujinha ela sempre seria a melhor visão.
Ele a puxou pela cintura, a garota caiu no seu colo rindo.
— Ei, estou suja! – ela disse tentando levantar. Mas ele a manteve ali.
— Eu não me importo. – ele disse beirando seus lábios.
— Jura? – ela sabia que o namorado era cheio de Toc, e percebia que ele evitava abraça-la quando estava com a roupa da oficina.
— Sim. Eu amo você. – ele disse fazendo sua garota sorrir.
— Eu também te amo, Jasper. – Alice disse acariciando os cachos loiros do namorado.
— Sabe, eu estive pensando, talvez o que o Edward fez não tenha sido uma grande loucura assim. –ele disse pensativo.
— Está propondo que fujamos para Vegas?
— Você iria? –ele perguntou esperançoso.
— Isso é um pedido de casamento? – a garota perguntou divertida.
— Se fosse, você aceitaria? – ele continuou o diálogo de perguntas.
— Eu quero me casar com você algum dia, Jasper. – ela disse com um enorme sorriso. – Mas eu adoraria um casamento tradicional.
— Sério? – Jasper perguntou surpreso. Não parecia ser o estilo da namorada, ela era uma menina sem frescura e meio desapegada a certas coisas femininas.
— Eu ainda sou uma garota, Clark Kent. Não se esqueça disso.
— É impossível que eu me esqueça disso, Alice. – ele disse enterrando o rosto em seu pescoço.
— Certeza? – a garota conseguiu balbuciar.
— Absoluta, mas, se você quiser, posso me transformar em Superman e te provar isso. – ele disse em seu ouvido fazendo a garota se arrepiar.
— Claro, mostre-me seus superpoderes. – ela disse beijando-o com amor.
***
Nova York
Rosalie se preparava para a apresentação no camarim. Ela dançaria no espetáculo especial de dia dos namorados promovido pela universidade de Julliard.
Estava muito nervosa, essa noite faria seu primeiro solo.
Infelizmente seu namorado não poderia vê-la essa noite, ele teve uma prova importante à tarde e não daria tempo de vir da Carolina do Norte para assistir a sua apresentação. Muito menos passar o dia dos namorados ao seu lado.
Ela estava triste, mas entendia. Ela sabia de todas as implicações de um namoro à distância, mas amava Emmett e preferia tê-lo longe como namorado a não tê-lo de forma alguma.
Mas, em momentos importantes como esse, era que a saudade apertava. Mas sabia que toda espera valeria a pena, um dia conseguiriam ficar juntos definitivamente, um pertinho do outro, morando na mesma casa, dividindo a mesma cama... Por enquanto teria que se contentar com os encontros a cada um ou dois meses, dependendo da disponibilidade dos dois. Eles costumam se ver em feriados, datas especiais ou quando a saudade ficava insuportável demais para ficar longe. Pena que hoje não poderiam estar juntos. Mesmo sendo dia dos namorados.
Rosalie amava dançar, essa era a sua paixão desde sempre e nunca teve dúvidas sobre ser uma bailarina no futuro.
O palco era o seu lugar, as notas clássicas entravam por seus ouvidos fazendo com que o resto do corpo as transformassem em movimento. O mais delicado movimento. Ela estava perfeita em sua apresentação. Seu namorado que o diga. Ele havia chegado bem em cima na hora, as portas estavam quase se fechando, mas ele estava ali.
Ele pensou duas vezes antes de largar tudo para trás e vir até a namorada, pensou até mais, só para chegar a conclusão várias vezes seguidas que Rose era tudo o que importava. Então ele simplesmente entrou no primeiro voo, rezando para que chegasse a tempo.
Ele amava vê-la dançar. Fora dançando que a viu pela primeira vez, com o grupo de líderes de torcida da escola. Amor a primeira vista com certeza.
Eles não tiveram muito tempo juntos desde a noite do seu baile de formatura, na qual a pediu em namoro. Foi pra Duke em seguida, e ela continuou a estudar em Seattle, e depois veio para Nova York quando terminou o secundário, encurtando um pouco a distância, mas, ainda assim, estavam em estados diferentes.
No meio de sua dança a bailarina sentiu um olhar especial sobre si. Ela conseguiu quase que imediatamente reconhecer um olhar na plateia. Ele estava ali.
Foi muito custoso para ela manter-se concentrada na dança, tinha vontade de pular do palco e correr para os braços do namorado, mas resistiu bravamente.
Fechou os olhos e fingiu que só tinha ele ali, que era somente pra ele que ela dançava. Mesmo parecendo impossível, sua performance melhorou ainda mais depois disso.
Rose pulou em seus braços, que já estavam abertos para ela, assim que entrou no camarim.
Eles se abraçaram apertado, não se viam pessoalmente desde que o recesso de fim de ano tinha acabado.
— Como você conseguiu chegar tão rápido depois da prova? – a garota quis saber.
— Eu não fiz a prova.
— Mas era importante, Emmett! Você sabe que com notas abaixo da média te contam do time de basquete. – Rosálie disse preocupada.
— Você é mais importante, bailarina. Muito mais importante. – ele disse apertando ainda mais sua garota em seus braços.
— Oh, Emm! – a loira sorriu contra o peito do namorado. – Eu amo você.
— Eu também te amo, linda. – ele beijou seus cabelos.
— Você vai poder ficar o resto da noite, não vai? – ela perguntou esperançosa. Precisava matar aquela saudade, pelo menos por enquanto.
— Só tenho jogo treino na segunda, sou todo seu até lá. – ele abriu o sorriso que ela tanto amava, mostrando suas covinhas.
— É muito bom saber disso. Vamos para meu apartamento, eu estou louca de saudades. – ela o puxou para fora do local.
— Você só quer abusar de mim, não é? – o rapaz brincou.
— Você tem algo contra isso?
— Nada! – ele disse divertido. – Uma carona para chegarmos mais rápido? – ele perguntou virando as costas, a loira pulou sobre ele, cruzando as pernas a frente de seu corpo e envolvendo os braços em seu pescoço. Ambos gargalhando de pura felicidade.
E caminharam assim pelas ruas de Nova York, sem se importar com os olhares das centenas de pessoas que andavam por ali. Em sua própria bolha de felicidade, o casal foi rumo ao apartamento da bailarina, que não ficava muito longe dali. Estavam afoitos para matar a saudade, e com a certeza de que ela só não era maior, que o amor dos dois.
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