Friendship Project
13 Odd Eye Silhouette 1.2
Notas iniciais
— Shion-chan! Oi! – Acenou Sorin.
Satoru o pôs a par da situação e mostrou as fotos. Um dos rapazes que sofreram as agressões estava acompanhado de um bilhete com um furo no papel e uma pequena fita passando por ele e enroscando-se em seu pulso. Seus braços e pernas estavam em ruínas, cortados, esmurrados, esmagados, quase que estilhaçados. E no papel, escrito com letras bem trabalhadas: "Você vai me ouvir gritar."
— Ei, ei... Isso não é perigoso? – Perguntou Shion. Dito isso, ele olhou por um momento em direção a escola, seus olhos procuravam a silhueta da menina de olhos assustadores que havia partido furiosa dali, mas não havia nada, nada a não ser o que já estava lá, aparentemente o gato de antes também não estava mais lá. Ela realmente saíra sem olhar para trás. Isso o fazia questionar-se se ela realmente tinha se magoado com aquilo. Afinal, não era nada demais... Não é?
Enquanto meditava, a voz imponente da morena quebrou sua concentração, respondendo-o:
— Eles estão arrebentados, o que você acha? – Shion não respondeu.
— Pobre ... Bem, eu não sei o nome dele, então... Pobre... Menino Y.— Sorin disse analisando o celular. — Que cruel, Kimizuki. – Comentou Kohaku.
— E quanto à mensagem? – Continuou Kagami.
— Suzu conhece melhor dessas coisas, por que ele tinha que sumir logo agora? – Sorin inflou as bochechas enquanto Satoru revirava os olhos. — Fuyu, liga pra ele!
— Ele está na casa dos pais, Sorin. Sabe que ele demora lá.
— Kosuke, então. Não? – Sugeriu Shion. — Aliás, onde ele está?
— Ele tinha coisas para resolver, ligou mais cedo dizendo que não vinha. – Respondeu o alto.
— Entendi.
• • •
— Hey, Bernstein. – Chamou a garota de olhos escuros. — Parece que ainda não comprou uma lente de contato.
— Você de novo? – Virou-se. — Como vai o teste de coragem? Sabe, eu não encontrei ninguém para dar-me minha comissão, tem certeza de que está organizando direito?
— Ora, – Sorriu olhando para as colegas atrás de si por um momento. — Não vamos começar com ataques, certo? – Ela levantou os braços, com as palmas das mãos viradas para frente. — Como pode ver, estou desarmada.
— E o que a corajosa veio tão humildemente pedir a esta tão formosa e incrível eu? – Brincou apontando os dedos da mão aberta para si, em sinal de arrogância. A outra, por sua vez, a mirou com raiva nos olhos por um momento, mas prosseguiu:
— Sabe, eu vim te dar um conselho. Afinal, é dever de um veterano zelar pelo seu calouro, não? – Bernstein a encarou descrente: — O que você está aprontando?
— Do que está falando? – Ela aproximou-se da outra e sussurrou ao pé de sua orelha. — Sabe, eu esconderia estes olhos. – Sorriu. — Eles podem acabar te trazendo infortúnios.
— Agradeço a oferta, senpai. Mas estes olhos nunca me trouxeram nada além de sorte. – Ela pôs a mão em seu ombro, forçando-a para longe de si. — Mas, se você ainda quiser discutir meu cachê, eu cobro caro por antagonizar o teste de coragem, e...
— Tch. Esquece. – A jovem de olhos escuros saiu irritada e empurrando todos os que entravam em seu caminho, as outras meninas que a cercavam foram atrás.
"Hm... Que garota esquisita. O que será que ela quer? ... Bem, não importa." – Pensou. Bernstein seguiu pelos corredores e, desta vez, parece que o professor tinha sido abordado por outro aluno antes que pudesse pedir sua atenção. A jovem aproveitou-se disto e entrou na sala de aula.
Ao sentar-se em sua carteira, um colega de sala aproximou-se: Ele estava com o rosto vermelho e suas mãos pareciam trêmulas.
— Oh, Ganryu.
— Y...Yonak...
— Yonaka.
— Y-Yonaka-chan... Será que... Que você poderia.. – Ele abriu o casaco escolar, tirando uma carta bem decorada. — De.. A-alguma forma... A-aceitar..!! – Pôs violentamente o papel em cima de sua carteira, em seguida, o jovem correu desajeitadamente para fora da sala de aula. Os outros colegas, alguns desinteressados, outros a encarando sem nem mesmo piscar.
Yonaka, no entanto, quase não apresentava expressões, nem mesmo constrangida parecia; E, com certa indiferença, abriu a carta, leu seu conteúdo, pôs novamente o papel dentro do envelope e o guardou na pasta. Seu rosto estava assustador, ela parecia realmente mal-humorada.
Os outros jovens, que cochichavam por toda a sala de aula, foram instantaneamente silenciados pela chegada da professora.
Megera era ela. Apesar da pouca idade, parecia-se com uma lagarta: Gordinha e irritadiça. Não permitia nem sequer um pigarro fora de hora.
— Bernstein-kun, o professor Fujisaki solicitou sua presença na sala dos professores. – Os outros alunos a encararam com olhos suspeitosos, quase como se sugerissem que havia algo muito errado acontecendo ali. A menina levantou-se e começou a caminhar até a porta. — Claro, professora. – Forçou um sorriso.
— Leve sua pasta também.
— Sim. – Ela o fez e seguiu para a sala da coordenação: Estava quase vazia, apenas o professor de antes estava lá. Bernstein, segurando a pasta com três dedos apoiada sobre o ombro, perguntou:
— O senhor não deveria estar dando aulas, Fujisaki-sensei?
— Já comuniquei à direção a situação, há um professor me substituindo no primeiro tempo.
— E o que o senhor pretende fazer a respeito da aula que estou perdendo agora? Sabe, eu já perdi muito conteúdo.
— Tenho certeza que a professora e seus colegas não se incomodarão se ajudá-la depois. Vamos, sente-se. – O professor estendeu o braço em direção à cadeira.
— Eu duvido muito disso, professor. – Bernstein puxou a cadeira, sentou-se e colocou a pasta no colo. — E então, o que quer tratar comigo?
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