Friendship Never Ends
13 Capítulo 13
Tomando sorvete, David estava calado. Duda apenas tomava sorvete e Alisha, bom, essa o ânimo não era nada bom. Ciúme doentio dos dois, mesmo quando eles estavam quietos.
- O que houve, David? você está tão calado. – disse ela, quebrando o silencio.
- Nada. – respondeu ele, olhando pro nada.
- Tenta você, Eduarda. Ele só ouve você. – disse ela, com ar derrotado.
- Para de besteira Alisha. O que você tem Dave? – pergunta Duda.
- Nada gente. Por quê?
- Porque é estranho você calado!
- Verdade! – diz Alisha. – quem manda você ser agitado?
- Vocês querem que eu lhes encha a paciência, é isso?- pergunta ele.
- É! – respondem as duas.
- Então ta... – e continuou quieto. Quieto até elas terminarem de tomar sorvete.
Quando Duda pagava os sorvetes, ele começou a disparar suas piadinhas torradoras de paciência.
- Alisha toma sorvete, parecendo que nunca viu sorvete na vida... – disse ele, com as mãos no bolso da blusa de frio, e fingindo estar serio. – Ela lambuza a cara mais do que a Isabella... E arruma um desespero... Que só Jesus pra tomar conta! – ele olha pra ela, segurando o riso. Alisha negava com a cabeça. – E por que você ta rindo, Duda? Você é outra! Você faz uma torre no sorvete... ai mela a mão todinha. Ai vem pedir abraço, ai é o melhor amigo do mundo... Toda boba! Parece uma formiga... só sabe comer doce. Podia dar a mão a Alisha, nunca vi comer tanto doce... depois fica louca pra emagrecer... Ah! Esqueci que a sua mão deve estar melada de caldinho de sorvete que derreteu. A Duda tem que tomar sorvete de luvas... – Alisha começa a rir. – E a Alisha, ela tem que tomar sorvete de mascara... – Duda começa a rir. – Aquelas máscaras de engenheiro... Que tem um bico na ponta, pra poder tomar o sorvete, porque dependendo da mascara, ela ainda suja o nariz...
- CALA A BOCA DAVID! – gritam as duas, rindo.
- UAHSHAUSAHA, uai, vocês não queriam que eu lhes enchesse a paciência? To falando verdades! A Duda, quando a gente voltava da escola e tava chovendo, ela arrumava um desespero... – Duda fica seria e com um olhar espantado. – “David, você trouxe um guarda-chuva? Vai chover e meu cabelo não pode ver água” – disse ele, imitando voz de menina desesperada – ai lá ia eu ter que pegar sacola no supermercado pra ela... ai eu tinha que sair correndo, porque a louca num podia molhar o cabelo...
- Palhaço! A sacola era mentira! – disse Duda, bicuda.
- Ah, mas era isso... – disse David.
- David, você é prego! – disse Alisha.
- Ah você também não fica pra trás não... Você era assim: acabava de passar um esmalte lá... Uns esmaltes... – e ele faz cara de derrota. – Meu Deus! Esmalte vermelho, azul, verde, lilás... que eu me perguntava: Alisha, de onde você arranja essas cores esdrúxulas? Mas se eu falasse alguma coisa, eu ficava sem cabeça... ai ela passava os esmaltes lá, aí a manicure piscava, e Alisha dizia: “Ih, a lá, manchou! Passa de novo!”. Eram três vidros de esmalte por unha.
- Mentiroso! – dizia Alisha, enquanto Duda ria até.
- Ah mas é verdade! Tanto que a manicure quis ir embora. Eu falava com ela: fica mais um pouco, pra você tomar café... Mas ela arranjava uma pressa pra ir embora... Ela nunca mais voltou lá em casa por causa disso. Num dia Alisha usou 30 vidros de esmalte. Três pra cada unha das mãos. – As duas riam feito loucas na rua. – Pelo menos a Alisha não corre com medo da chuva, mas não pode passar perto da farmácia... Tintas de cabelo a seduz! – disse ele, como se estivesse apresentando um programa de auditório. – eu tinha uma preta na minha gaveta do criado mudo, porque a Duda deve lembrar que eu uma vez pintei o cabelo de loiro. Ai eu falei, vou pintar de preto, porque meu cabelo já cresceu e ia ficar esquisito... Pois é, ne? O problema foi achar a tinta no lugar. Revirei a casa inteira, e não achei. Ai eu fui lá: Alisha, você viu uma tinta de cabelo preta por ai? Ai ela vem e fala que pintou o cachorro de preto, porque ele tava ficando muito sujo! Eu não acreditei!
- HAUHSUASHASHA .- gargalhava Duda, pela rua a fora.
- David que mentira! Eu não pintei o cachorro! – disse Alisha.
- Não? Então que cachorro era aquele? Eu tinha um poodle branco, quando eu voltei o bicho ficou preto. Se você não pintou, você também não lavou! Tava imundo e eu achei que o pelo do bicho tinha pintado de preto! Ih, olha lá! Coitado do meu cachorro!
- David! Cala a boca! Minha barriga já ta doendo de tanto rir! – disse Duda, sem ar.
- é bom que emagrece!- disse ele.
- e você? Não vai contar que você dormia na sala de aula, não? Porque os seus podres você não conta?
- Porque os dos outros são mais engraçados... Mas eu dormia na sala, porque eu dormia tarde.
- E porque você dormia tarde? – perguntou Alisha.
- Porque eu tinha que cuidar da minha filha. Não a Isabella, mas o meu vídeo-game, que chamava Maria Alice, ai eu tinha que ir lá,ver como que ela tava, se tava tudo bem com ela... Mas ela falava: David, não vai embora! Fica aqui pra você conversar comigo... ai eu ficava lá, jogando... Ops! Conversando com ela ai eu não dormia e dormia na aula. A professora ficava me sacudindo... eu sonhava que era o monstro do jogo me pegando. Acordava assustado!
- VOCÊ SONHAVA?- perguntam as duas.
- Claro! Acordava com a Duda me olhando, com cara de deboche...
- Você gritava a aula inteira...
- Mas era legal dormir... Ah! Lembrei de uma verdade aqui! Até parece que a senhorita dormia tranqüila, ne? Lembra aquela vez que eu fui dormir na sua casa e a gente assistiu um filme do Batman? Ai na hora de dormir você ficou lá, gritando: David, eu to com medo... ai eu, de quem Duda? Ai você gritava feito criancinha: Do Coringaaaaah! Ai eu tinha que contar história da cinderela pra gata borralheira ir dormir.
- Mentira! Eu não gritava assim do coringa! E você não contava historia da cinderela!
- ah não? E quando você... Ah, a Alisha eu também tinha que contar historia pra ela...
- CHEGA DAVID!- disseram as duas, chegando ao prédio.
- HAUHSUHAS, ta né?
Eles entraram e o porteiro ficou os observando. Eles entraram no elevador, sem desconfiar de nada, afinal nem Alisha sabia se o pessoal já havia chegado.
Fale com o autor