Friends, Loves, and Problems
17 Noite Difícil
Notas iniciais
Lully ficou ainda meio estática com a notícia tão repentina. Jamais poderia imaginar que o garoto que um dia prometeu amor eterno tinha casado com uma amiga antiga dela.
– Tá bom. Deixa eu ver se entendi, vocês estão casados e agora você tá grávida e teve uma urgência? – a morena franzia o cenho numa reação de indagação.
– Tipo isso. – Flavia deu um sorriso torto pra Lully
– Por que diabos você não me contou isso Lucas?
–Erm... Foi difícil falar por telefone... – ele coçava a nuca envergonhado.
– Ok. E vocês se casaram quando? – ela já houvera perdido a raiva súbita que havia subido.
– Nos casamos ano passado. – ele olhou pra Flávia com um olhar terno, demonstrando que não se arrependia nenhum pouco do feito – Começamos a ficar mais próximos acho que um ano depois de você ir embora. Então começamos a gostar um do outro, namorar e aí resolvemos casar ano passado.
– E não podia ter me dito demônio?
– Ei! – Flávia aumentou a voz – Não fale assim com ele.
– Amiga desde quando tu permite alguma coisa. – a morena a encarou. – Minha relação com ele é uma história a parte então não estressa.
– Calma gente. Sem brigas. Vocês são amigas.
– Paramos de nos falar alguns meses antes dela ir embora. – Flávia olhou em direção a porta
– Oi?
– Ai garoto, esquece. Isso é papo meu e dela. – Lully encerrou abanando as mãos.
– Ok.
– Bom, como eu tenho mais o que fazer amanhã, vou deixar o casal a sós.
– Lully!- Lucas se afastou da esposa – Eu ti levo lá fora.
–Ok. Boa sorte com o baby Flávia.
– Obrigada. – Flávia sorriu educadamente
Lucas e Lully saíram e rumaram direto para a saída do hospital. Os dois preferiram ficar em silêncio, tudo pegou os dois de surpresa. Tudo estava muito conturbado na relação entre eles que os próprios não conseguiram definir qual era no momento.
– Então... Eu já vou indo. Até mais Lucas.
– Tchau.
Para Lully as informações ainda demorariam um bom tempo para serem processadas. Lucas e Flávia. Sentia um amargo só de pensar que aquela garota tinha vindo se meter na sua vida mais uma vez e da mesma maneira.
Enquanto caminhava pra casa foi repassando os momentos da noite, como seria ela capaz de achar que Lucas ainda a queria depois de tanto tempo longe? Como seria ele capaz de trocá-la sem ao menos avisar? E a promessa?
Quando estava na rua da sua casa que ela percebeu que o braço tava cansado e assim que olhou lembrou que tinha ficado com a pizza e o refrigerante na mão esse tempo todo. Riu ao perceber que com toda agitação tinha se esquecido de comer.
Já Brad, martelava consigo o que acontecia com Lully, sabia que o aquela noite na festa havia sido apenas uma diversão qualquer, mas não imaginou que só isso já bastava para fazer a morena declarar que estava se interessando nele.
Abriu um sorriso de canto ao perceber que refletindo sobre tudo entre eles seria bom se firmar num relacionamento principalmente com a garota que de primeira o deixou uma bela tapa pra contar história.
Em meio aos pensamentos quase deixou passar despercebido o celular tocando. Era Lully.
B: Alô
L: Oi Brad, pode falar agora ou tá ocupado?
B: Olha... Eu até tava ocupado, mas libero um espaço na minha agenda pra você.
L: Haha. Engraçado você hein’... – ele riu da acidez da morena
B: Mas diz aí, o que tá pegando pra você me ligar a essa hora?
L: Queria ouvir sua voz, sei lá. Conversar um pouco com alguém, as meninas parecem estar ocupadas.
B: Você tá me chamando de segunda opção?
L: Nãããão. Você no mínimo seria a opção 123910932... – riu consigo mesma – Mas decidi ti deixar como segunda só pra sentir um pouco mais importante.
TOME!
B: Nossa. Percebi como sou importante. – o comentário a fez rir e resmungar algo que ele não entendeu. – E sobre hoje e manhã? Você ainda não me falou sobre o que aconteceu contigo.
L: Ai ai. Bom, eu só poderia dizer que o que aconteceu de manhã me fez pagar um verdadeiro King Kong agora a noite. Hahaha
B: Nuss... Isso é trágico! – rindo também da situação da quase namorada.
L: Eu sei. – ela ficou um tempo quieta com se pensasse no que dizer – Brad?
B: Hum...
L: Sai amanhã comigo?
B: Ei! Isso quem devia pedir era eu! Não acha?
L: Se tivesse pedido eu não falaria agora jumento.
B: Ok. Ok. Então – pigarreou – você quer sair comigo?
L: Não ser, deixa eu pensar. – os dois riram com a resposta – Olha, vendo aqui na minha agenda, tenho um espacinho pra você.
B: Hahaha, que bom. Então ti pego amanhã as oito?
L: Certo.
B: Agora quer um conselho?
L: Não. Se quisesse conselhos iria conversar com a minha mãe. Tchau.
B: Ei! – antes que pudesse retrucar a garota já tinha desligado.
Riu ao imaginar com seria esse encontro. Com certeza boa coisa não iria sair daí. Então procurou dormir um pouco pois sabia que o dia seguinte o esperava.
Já Jully e Mary ainda estavam se recuperando de uma noite extremamente louca e agitada entre as duas. Porém Mary estava pensativa, queria dizer o que pensava sobre ela e a amiga juntas, ela detestava ficar com alguém por puro sexo e acabou percebendo que estava querendo algo a mais com a parceira.
– Jully.
– Oi. – a outra se virou para que ficassem de frente uma para a outra.
– O que a gente tem?
–Hã? O que você tá dizendo?
– To falando de nós. O que nós temos? A gente sempre só vai fazer isso? Ficar indo de vez em quando na casa da outra pra sexo?
– Pera. – Jully se sentou na cama – Eu pensei que tinha sido clara que não me via num relacionamento sério com você.
– Mas isso já faz tempo, agora estamos mais unidas, mais... sei lá, juntas?
– Mary. Escuta. Com você eu me divirto e me sinto bem, mas é só isso. Não acho que algo entre nós duas daria certo.
–Hã? Você me conhece muito bem e sabe que eu não gosto de ficar enrolando.
– Por isso mesmo. Só que já havia dito que não podemos ficar juntas.
Mary se levantou e começou a se trocar.
– Mary.
– Escuta. Eu não gosto dessas coisas de só sexo ou só ficas, você me conhece muito bem pra ainda retrucar sobre isso.
– Eu sei cara, mas... – ficou sem palavras
– Ok. Então vamos permanecer na amizade, mas isso aqui acabou hoje.
E se pôs a sair. Sabia que a outra podia falar a vida inteira que não queria nada sério, mas ela não era assim. Sempre preferiu relacionamentos sérios. E a outra a conhecia o suficiente pra saber disso. Não sabe porque ainda alimentou esses encontros.
Saiu da casa sem fazer muito alarde para que os pais de Jully não acordassem. Agradeceu mentalmente pelos metrôs funcionarem 24hrs, senão teria de ir a pé para casa e sabia que isso podia ser perigoso.
Foi até a estação de metro mais perto e rumou para pegar a condução, mas assim que dobrou o canto percebeu que cerca de quatro ou cinco homens iam atrás de alguém. Por um momento achou que conhecia a pessoa que eles puseram-se a perseguir, mas só quando parou pra ver que lembrou: era Maah.
Escondeu-se atrás de uma placa grande que ficava numa parada de ônibus, de lá pode tentar ligar para a polícia.
– Polícia de São Francisco. Boa noite.
– Olá. Apenas me escute. Eu estou na rua 25, numa parada de ônibus de frente para uma lanchonete, acho que é a McDonald’s. Daqui dá pra ver acho que uns cinco caras, eles estão seguindo uma garota. E como eu não nasci ontem, muito menos você, logo sabemos que eles não estão caminhando juntos com ela.
– Muito obrigada. Mandarei um carro passar por aí.
– Tudo bem.
SOCORRO!
O grito era alto e fino e Mary sabia muito bem de quem era.
– Maah.
Mary espiou de longe e viu que os cinco homens a arrastavam pra um beco. Só que num passe de mágica uma viatura dobrou o canto da rua e a sirene ressoou assustando os homens e colocando-os pra correr.
Foi aí que Mary correu até a amiga.
– Maah!
– Mary! – a pequena pôs-se a abraçar a amiga e chorou.
– Calma. – ela afagava o choro da outra. – Eu to aqui e a polícia acabou de chegar. Tá tudo bem.
– Boa noite. Está tudo bem. – o policial tocou no ombro de Maah. – Nós a ouvimos gritar.
– Fui eu que liguei.
– Imaginamos. Acompanhe- nos por favor. Vamos leva-las para que possam prestar depoimento.
– Com certeza. Vem Maah.
Mary ajudou a amiga a levantar e rumou até a viatura. Ela sabia que a noite ainda seria longa.
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