Friends, Loves, and Problems
16 Nem tudo é o que parece
Notas iniciais
Luh acordou meio atordoada, devia ter passado as sete da noite porque o quarto tava muito escuro e ainda por cima tinha esquecido de fechar a janela. Ligou o abajur e se assustou com o reflexo no espelho do guara roupa.
O rosto dela parecia que no mínimo tinha levado uns 50 socos do Anderson Silva, sem falar nas olheiras que pareciam mais as de uma múmia.
– Mãããããe!!
– Que é garota!
– Que horas são?
– Olha no teu telefone!
– Aff!
Luh pegou o telefone e se surpreendeu não só com as horas, mas também com o número de ligações que tinha recebido de Lucas e Brad.
Ai senhor. Ainda tenho que me resolver com esses dois. Pensou.
Foi tomar um banho, porque ela ainda merecia isso. Um bom banho, daqueles em que a água leva todos os problemas. Principalmente quando o problema tinha nome e sobrenome e ainda vinha ao quadrado.
A noite estava fria e densa, o que deixava o clima mais quieto. Luh colocou o celular pra tocar enquanto tomava banho.
I've been living with devils
And angels, angels, angels
Realize you and I are in the same boat
Same boat, yeah
Kills me, how you love me, then you
Cut me down, I'll do the same
We been living like angels and devils, devils
Em outro lugar Mary e Jully procuravam uma forma mais “diferente” de se esquentar no frio de São Francisco.
– Jully eu sei que isso é legal, mas e se seus pais chegam? – Mary tinha no olhar uma preocupação alarmante.
– Hahahaha... Deixa disso amor. Vamos nos divertir enquanto podemos.
E assim começou uma sessão de beijos que começaram bem quietos e depois foram se tornando mais fortes, selvagens, e agressivos.
– Vamos?
– Sim.
Cada uma ajudava a outra a ir tirando a roupa pra poder aproveitar o resto da noite. Jully sempre controladora foi descendo aos beijos o corpo de Mary, até chegar ao ponto G. Lá Jully não deixou quieta a sua língua que descia e subia em Mary.
– Ju-u-u- Jully!
– Hahahahaha quieta!
Mary agarrava os travesseiros com todas as forças, a excitação nas duas era perceptível, já não era a primeira noite das duas que queria realmente levar isso para um patamar mais sério.
– Ju...lly... Eu-Eu.. Acho que vou...
– Pode vir.
E não demorou muito até que Mary atingisse seu ápice, fazendo-a gemer alto.
– Ah!
Então decidiram trocar de lugar e continuaram assim por noite adentro.
Já na casa da Luh as coisas continuavam meio tensas. Ela havia decidido encontrar com Lucas numa pizzaria lá perto. Decidiu que devia encarar o ex e revelar que muita coisa havia mudado desde que veio para São Francisco.
– Mãe to indo ali na pizzaria.
– Fazer o quê na pizzaria a essa hora Dona Lucilene?!
– Comprar uma bazuca pra ir atrás do Bin Laden. Acabei de descobrir que ele tá vivo.
– Garota responde direito antes que eu ti faça engolir esse controle. – ela apontava o controle pra filha
– Vou encontrar o Lucas. Lembra dele? O meu ex lá do Brasil?
– Aaaaa sim. Lembro sim. Pode ir. E não demora porque senão vou dá-lhe em ti e nele na pizzaria. Hoje é segunda, não é dia de ficar saindo.
– Tá, tá mãe. Beijos.
– Beijo. E se encontrar teu irmão por aí manda esse indigesto vir embora antes que eu mande a SWAT trazer ele a força.
– Okay kirida.
Eita que essa daí tá com a macaca. PQP!
Luh foi o caminho inteiro tentando organizar as palavras pra falar com Lucas, ela sabia que no fundo falar tudo ia ser bem mais difícil do que imaginava.
~ Lucas ligando~
– Oi.
– Oi. Você tá aonde?
– Vou descer do ônibus e você?
– To aqui na pizzaria esperando você.
– Okay. Já to chegando.
Não demorou muito pra ele aparecer na porta, estava tão normal com uma camisa branca estampada, jaqueta e calça jeans, parecia o mesmo de sempre. Luh acenou para que ele a visse.
– Oi – disse sentando do outro lado da mesa.
– Oi Lucas.
– E ai gatinha como você tá?
– To indo e você?
– Bem melhor agora.
– Hahaha... Sempre com seus chavequinhos bregas.
– Hahaha mas eles funcionam muito bem quando querem.
– Okay. Mas e aí o que vai querer?
– Hum... Acho que fico com calabresa. E você?
– Apoio o pedido. Moço?
“Sim!”
– Me veja uma pizza grande de calabresa e uma coca de 1,5.
“Tudo bem.”
– Nossa! Parece que sua fome e seu buraco negro só aumentam de tamanho com o passar do tempo.
– Hahahaha acostume-se. E olha que eu nem to com tanta fome.
– Hahahahaha... Tenho medo de quando eu ti ver com fome. Vai parecer àqueles psicopatas. Só que ao invés de ir atrás de pessoas, você vai atrás de comida até o diabo dizer chega.
– Nossa. Depois dessa eu me sinto pior do que o Bin Laden. Muito obrigada pela comparação maravilhosa.
– Hahaha, mas me fala. Como tá a faculdade?
– Tá indo. Tirando que parece que fica difícil a cada semana. E a marinha?
– Tenho até viajado bastante. Fui escalado com um grupo para participar de algumas missões fora do Brasil.
– Bom Lucas. Já que estamos aqui eu quero falar uma coisa pra você.
– Pode falar.
– Eu sei que isso daqui tá parecendo um reencontro, e o que eu quero dizer é que ainda tenho um forte sentimento por você. Mas acho que estou começando a me apaixonar por outra pessoa.
– Luh...
– Não pera. Eu só quero dizer que sua volta balançou muito com a minha mente e que eu não posso negar que ainda te amo. Mas amo mais como um irmão ou amigo e não como um namorado ou algo mais. E... – o celular dele toca.
“Oi...
O quê? Tá. Tudo bem, eu to indo prai.”
– O que tá acontecendo? – Luh ficou desnorteada.
– Vem comigo que lá ti explico.
Pegaram a pizza e o refrigerante para levar e foram o mais rápido para um ponto de táxi. Acenaram pra um que tava parado.
– Pra onde?
– Maternidade Central.
– Maternidade? – Luh ficou ainda mais curiosa com o que Lucas queria lhe contar.
– Okay. – o taxista achou estranha a reação de Luh.
Eles demoraram mais ou menos dez minutos para conseguir chegar na Maternidade, já que a pizzaria aonde estavam ficava um pouco longe do centro.
– Tá aqui. – Lucas pagou o homem e saiu correndo puxando Luh.
– Garoto se acalma, desse jeito eu fico sem braço.
– Vem logo depois você reclama.
Entraram e foram direto pra recepção.
– Olá, em que posso lhes ajudar?
– Quero saber se a paciente Flávia Pinheiro de Oliveira deu entrada aqui nessa maternidade?
– Sim. Ela está no quarto 201. Pode ir lá.
– Muito obrigado. Vem Luh.
– Ai garoto se acalma. Assim até que fico apreensiva.
Foram quase correndo pelos corredores atrás do quarto 201 até que chegamos. Lucas parou, respirou um pouco e entraram juntos no quarto. Mas o susto maior foi o de Luh.
– Flavinha?
– Luh?
– Lucas me explica o que tá acontecendo? – Luh ainda tava atordoada com tudo.
– Você começou a falar e não me deixou falar o que eu queria. – foi então que Lucas pegou a mão de Flavia e deixou a mostra para Luh.
Eles estavam casados.
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