Notas iniciais
Demorei desculpem, ainda tava tentando saber como fazer esse capítulo.

Se você já passou por aquele momento em que um telefonema faz sua vida entrar num colapso eterno, bom, eu estou assim agora.

Eu sei que muitos podem não me entender, mas sabe quando você tem aquele seu primeiro amor adolescente que você nunca esquece, principalmente quando você faz um juramento de fidelidade???

Se sim, você sabe como isso é tenso. Se não, aproveite minha dica enquanto ainda é tempo: NUNCA PROMETA FIDELIDADE A ALGUÉM QUE VOCÊ SABE QUE NÃO PODE CUMPRIR.

As meninas voltaram da cantina rindo e conversando, mas logo pararam quando viram minha aflição que já não era apenas interna.

– Amiga que aconteceu?? Que cara é essa? – Maah chegou correndo pra sentar esperando a resposta.

– Bom eu não sei bem por onde começar...

– Então resuma. A gente não tem muito tempo. – July tentou ser mais breve possível.

Decidi então começar desde quando eu conheci o Lucas, contei como foi o nosso tempo de amizade, de como essa amizade acabou virando um namoro que, diga-se de passagem, bem conturbado. Contei de quando ele entrou na marinha, fui revelando cada detalhe das nossas complicações desde que ele decidiu ser da marinha.

– E então, quando ele tava se firmando lá no Rio, eu que vim embora para os Estados Unidos, então prometemos que seríamos fiéis um com o outro, e que faríamos de tudo para ficarmos juntos de novo. – a essa hora eu já tinha tirado 50 planetas Terra dos meus ombros.

– Ai que LINDOOOOOO! – Maah tava mais feliz que criança quando vai no parque.

–Garota! – Mary deu um tapa na cabeça dela

–Ai!

–Presta atenção. Isso não é cena de filme romântico. Isso é bem mais trash.- Amiga eu sei que isso é ruim, mas eu acho que vocês conseguem se acertar.

–Verdade. Concordo com a Mary. – July balançou a cabeça positivamente.

– Mas esse não é o pior. O problema é que eu realmente to sentindo que to gostando do Brad. E se isso for certo, eu não vou ter nem coragem de olhar na cara do Lucas.

– UOU! Eu ouvi isso mesmo?

Todas nós olhamos espantadas pro lado. O Brad tinha acabado de chegar pra falar com a gente.

MEU SEM OR. QUANDO É QUE EU VOU TER PAZ NESSA MERDA!

– Pera! Brad. Não é bem assim... – eu já tava a ponto de me jogar debaixo do primeiro carro que aparecesse na rua.

– Eu ouvi sim. – ele tava com um sorriso que ia de uma orelha até a outra.

– Sério Brad. – Mary levantou com um olhar que deixaria até mamãe com medo – Sai daqui. Esse assunto é F-E-M-E-N-I-N-O. Não pedimos nenhuma participação especial. Então. VAZA!

Ele olhou pra mim com uma cara de pena, e minha única reação no momento foi virar o rosto e voltar pra posição que eu estava. Deu apenas pra escutar ele indo embora bufando e balbuciando alguns palavrões.

– Podia ser um pouco mais gentil da próxima vez. – falei sem encará-la.

– Não reclame. Ele ia querer grudar em você pior do que chiclete no cabelo. E isso sim ainda seria mais terrível para esse momento.

O sinal de voltar pra sala tocou e nós nos levantamos e fomos pra sala. Eu tinha certeza de que não iria me concentrar na aula. E como diz vovó: “Dito. E feito.”

As horas pareciam que não queriam passar, cada professor parecia mais entediante que o outro, sem falar que tudo na minha cabeça girava em torno de Lucas e Brad.

Me senti por um bom tempo uma adolescente de filmes juvenis que fica indecisa entre o garoto dos sonhos e o amigo fofo que esteve lá em todas as horas difíceis. E sim, eu me senti uma ridícula assim.

Ninguém merece, depois de algo maravilhoso como saber que aquela infeliz do lúcifer saiu de casa me vem essa bomba.

Pensei. Pensei. Pensei. Quando vi já tava na hora de ir embora pra casa.

EEEEETAAAA! Que hoje eu sou mais um corpo examinado pelo IML.

– Bom meninas, eu já vou. Preciso chegar em casa o amis rápido possível e descansar. Esse negócio de pensar sobre a vida em cansou muito.

– Vai amiga. – July colocou o braço no meu ombro – Qualquer coisa, se precisar, chama a gente. Estaremos aqui.

– Obrigado meninas.

Me virei e fui direto pro portão. Eu iria para casa na santa paz que merecia se não fosse por um vulto com mãos me puxando pra debaixo de uma árvore.

– Ai! – bati o corpo com força na árvore. – Brad?

– Shhh.... – ele colocava o dedo na minha boca – Eu só quero entender qual foi daquele teatro da sua amiga?

– Hoje, ou melhor, agora não é o melhor momento pra se conversar sobre isso. E eu não to com cabeça pra ficar discutindo.

Ele me olhou com um olhar terno, e foi chegando mais perto me fazendo pensar que me beijaria, mas não.

– Promete que a gente conversa sobre isso uma outra hora?

WHAT? Brad Pegador agora era um novo Brad??? Brad Romântico ft. Preocupado. É parece que o dia promete.

– Vou tentar. Agora com licença.

Ele se afastou me dando espaço suficiente pra sair, antes que ele esperar dei um beijo na bochecha. Isso sempre funciona quando alguém tá com raiva de mim.

Fui embora com os pensamentos bem, bem distantes.

...

O caminho até em casa foi mega tedioso que nem a música conseguiu me distrair, ao mesmo tempo em que eu queria me acertar de vez com o Brad e parar de fazer cú doce, eu não podia de uma hora pra outra me esquecer da promessa que fizemos um para o outro.

Eu com certeza sou uma pessoa amarga.

~Flashback on~

Era mais ou menos meio- dia, e eu e a mamãe já estávamos expelindo alegria, eu tinha uma certeza enorme de que essa viagem para São Francisco iria ser ótima e magnífica.

– Luh! – alguém me chamava na frente de casa.

Corri pra ver e vi que era ele. Com aquele olhinho puxado que me encantava toa vez que eu olhava, parecia o mais perfeito Ken em versão japonesa.

– Lucas!

Pulei nele e nos abraçamos forte. Eu sabia que não daria pra conter as lágrimas, deixar ele ali, deixar a única pessoa a quem eu dediquei meus sorrisos mais sinceros. Sei que soa muito gay, mas FOUDAC.

– Você já vai? – ele tinha uma cara de cachorrinho de lar de adoção.

– Sim... – não conseguia pronunciar mais nada, então apenas abracei ele o mais forte que pude.

– Eu sei que é difícil a gente se separar mais uma vez, mas eu tenho um trato.

– Qual? – olhei pra ele com uma cara confusa.

– Vamos fazer um trato? – ele se afastou um pouco e levantou o dedo mindinho – Promete que vai me esperar, promete que vai ser fiel ao nosso relacionamento mesmo que a gente dê um tempo agora, promete que assim que eu conseguir chegar lá a gente vai tentar se unir pra não largar mais?

–Nossa... hahaha... Eu... prometo – as palavras saiam com dificuldade, era como se eu estivesse não querendo prometer.

– Então okay. Agora presta atenção. – ele segurou minha cabeça com as duas mãos e me fez olhar naqueles olhos pretos e seduzentes. – Eu vou me empenhar ao máximo pra conseguir uma transferência pra São Francisco. Tudo bem.

Concordei meneando a cabeça. Ele sorriu. E me beijou, mas mesmo assim eu sentia esse beijo mais calmo e extasiante. Era o beijo da despedida. Era o último beijo.

~Flashback off~

Notas finais
O que acharam??? Até o próximo.