Friends Before Boys
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O despertador tocou, e pela primeira vez estava assustada quando caminhei até o banheiro para tomar um banho. Enquanto a água escorria pelo meu corpo pensei no sonho bizarro que eu tinha tido, havia lágrimas, eu e minha melhor amiga, Ashley.
—Acordou cedo? –minha mãe perguntou após o banho, quando me encontrou parecendo um zumbi preambulando pela casa.
—Sim, tenho que conversar com a Ashley! –falei
—Volte logo para me ajudar a cuidar do seu irmão. –disse ela, e eu logo avistei meu irmão, Bryan, já acordado assistindo algum desenho.
—Ei, quer ir a casa da Ash comigo? -perguntei a ele, que voltou sua atenção para mim.
—Aquela que tem aquele quarto rosa e a escada gigante pro segundo andar? -ele perguntou.
—Exatamente. -eu disse, fingindo animação.
—Naum. -ele disse, e voltou a TV.
—Quando você fizer cinco aninhos eu não vou te dar mais aquele boneco do homem-aranha. -ameacei, mas ele fingiu não ouvir, então fui sozinha.
—--
—ASHLEY? -gritei, quando entrei em sua casa.
—Aqui em cima! -ela falou, se adiantando para descer as escadas.
—A porta estava aberta, sabia?
—Minha mãe está brigando com o namorado dela de novo... -ela falou e rapidamente eu entendi porque tinham roupas espalhadas no chão da entrada da casa enorme.
—É sábado, sabe o que isso significa? -perguntei.
—Que vamos a pizzaria com seu irmão, assistir aquela mesma série de sempre e depois você vai me ouvir falar sobre meus últimos relacionamentos e vamos discutir sobre o caso de sua vida amorosa ser um desastre? -ela perguntou, falando como se fosse chato.
—Aceitou miserável. -brinquei, me jogando no sofá da sala.
—Eu queria ir uma festa, a Hannah está dando uma festa, da irmã dela, sabia?
—Por que você quer abrir mão da nossa gloriosa rotina por uma festa chatinha? -perguntei.
Ela fez uma cara de tédio, de quem não queria explicar aquilo, e se sentou ao meu lado.
—Por favorzinho?
—Não. Ainda tenho o Bryan e minha mãe vai trabalhar de novo. -respondi, mas eu não me importava, não gostava daquele tipo de festa mesmo. -Mas se quer tanto ir...
—Não, tudo bem. Mas se a gente mudasse um pouco a rotina, talvez.
—Podíamos ir ao cinema. -dei a ideia.
E então sua mãe apareceu na porta. Eram certa de nove horas da manhã, mas ela já estava super maquiada, uma blusinha branca com uma calça de pano bom dá mesma cor, e saltos gigantes em seus pés.
—Aquela pipoca gordurosa?! Você não vai comer aquilo de jeito nenhum Ashley! -ela falou.
A mãe dela era bem exigente quanto ás regras para ter uma alimentação saudável, ou melhor, ela não queria que sua filha magra, loira e linda virasse uma obesa. Mas Ashley não ligava mais, então apenas revirou os olhos e ignorou, como qualquer boa filha rebelde.
—Deviam ir a festa daquela amiguinha de vocês... A Mel também vai, não é? Mel é uma menina tão amável. -ela falou.
—Você só conversou com a Mel uma vez, e não durou nem três minutos. -Ash a repreendeu.
—Você viu que linda a saia dela? -a mãe retrucou.
—De qualquer jeito, acho que a Melanie não vai, a amiga dela... Lembra da Jenny? Perdeu a mãe. -eu disse, contando a história triste de Jenny.
—Eu ouvi falar. Coitadinha. Mas Mel nunca perde uma boa festa! -Ash falou e eu sabia que tinha razão.
Sua mãe levantou a cabeça e foi para a cozinha. Seus saltos batiam no chão, fazendo que visse á tona um barulho rico.
—Por mais que minha mãe seja uma chata, devíamos ir. -Ash continuou, teimando.
—E quanto á Bryan?
—Leva ele, ele deve gostar. -ela deu a ideia.
—Uma criança nesse tipo de festa adolescente? -perguntei, imaginando que provavelmente não era uma boa ideia. -Mas já que é importante pra você. -decidi por fim.
Benson sorriu, satisfeita.
(...)
—Não vou poder ir. -falei, no telefone.
—O QUE? Eu já decidi meu look! -ela bufou.
—Então é melhor ir, não quero que perca isso por minha causa. Meu pai voltou e...
Ela desligou o telefone antes que eu pudesse ter a chance de justificar.
E então apenas assisti á As aventuras de Tintim com Bryan até nós dois cairmos no sono.
—---
—EMMA!!!! -o grito de Asheley era agudo e me deu dor de cabeça assim que despertei.
—Quem? Eu? –perguntei ainda sentindo sono.
—É sério, hoje tem aula! –disse ela me puxando.
—Achei que fosse sábado! –disse sonolenta.
—Não, hoje é segunda! –ela afirmou.
—Tem certeza? –perguntei.
—Absoluta!
—Argh! –bufei e me sentei na cama. –Você se importa de ir ao colégio sem mim? –perguntei, com preguiça.
—Claro que me importo.
—Você tem um milhão de amigos lá! –argumentei.
—Mas nenhuma melhor amiga tão especial quanto você. –ela disse, e a resposta havia me convencido a me levantar.
Ashley era líder de torcida, o que pra mim tinha o mesmo significado de perca de tempo escolar, mas ela insistia de que não tinha nada melhor do que ficar uma hora trancando em uma sala todos os dias para ensaiar a puta de uma coreografia que inclui abrir as pernas e dar pulinhos.
Eu já fazia mais parte do time que zoava esse tipo de garota, mas eu tinha a Ashley, e a mesma me tinha, não havia nada mais importante do que isso. Simplesmente confiávamos uma na outra.
—Merda! Não tem uma roupa que preste nesse guarda-roupa! –eu disse, olhando as poucas roupas que tinha, com uma toalha em volta do meu corpo.
—Pai, a Emma disse uma palavra feia! –disse meu irmão, eu havia me esquecido que ele estava presente no meu quarto.
—Desculpa! –berrei para que meu pai pudesse ouvir.
—Merda. –meu irmão repetiu a palavra, e Ashley riu.
—Quer uma roupa emprestada? –ela perguntou.
—Algo do tipo rosa e com babado? Não, obrigada! –respondi e escolhi qualquer coisa.
—Você não é normal... –ela respondeu.
—Não era por isso que eramos melhores amigas? –perguntei.
—Sobre a festa de sábado... -ela começou a falar.
—Foi legal? -perguntei mesmo já sabendo a respostas.
Desde que Ash tinha desligado o telefone na minha cara não tínhamos nos visto, mas eu dei like na sua última foto, junto com Hannah e Mel na festinha que com certeza não era adequada para uma criança de quatro anos.
Mas Ashley e eu ignoravamos nossas pequenas discussões toda vez que chegava na segunda-feira. Eramos tão opostas que aquilo tinha virado hábito.
—Foi muito bom. Até a Jenny foi, sabia? A Mel a arrastou, ela estava tão triste, mas ficou conversando com o Léo, o namorada da Hannah, e a própria acabou falando mal da Jenny a festa inteira. Hannah estava tão diferente!
Fiquei em silêncio, se não iriamos acabar discutindo novamente. Eu nunca gostei da Hannah.
Um tempo depois, lá estávamos nós, no colégio, tendo que ouvir o que o professor de matemática chato e lerdo dizia sobre a nossa profissão futura.
Profissão futura, essa era só mais uma das expressões usadas para explicar sobre a triste e misteriosa faculdade.
Eu era inteligente e carismática, mas eu já trabalhava! A loja de CDs no centro da cidade havia me acolhido de forma surpreendente, e desde então todos os dias depois da aula eu estou lá. E podia continuar ali até o fim da minha vida.
— Vai. Cair. Na. Prova. Tudo. Que. Aprendemos. Nesse. Semestre. –o professor falou, assim mesmo, quase parando.
—Você quer dizer, nada? –perguntou Luke, lá no fundo da sala. Fazendo todos rirem, exceto o professor.
Após alguns minutos o sinal bateu anunciando o intervalo, eu e Ashley podíamos, enfim, conversarmos.
-O que vai fazer depois da escola? –perguntei a ela na frente de meu armário.
—Ensaio das lideres e shopping com as meninas! –ela respondeu fazendo uma expressão como se já estivesse cansada só de pensar.
—Ui, a “popular” tem agenda cheia! –respondi, eu havia apelidado Ashley como “popular” depois que ela entrou para as lideres de torcida.
—E você? –ela perguntou.
—Mesma rotina, trabalhar na loja e cuidar do Bryam. –contei.
Observei quando Hannah cruzou o corredor e nos encarou.
Ela me odiava desde que eu me entendia por gente, eu acho que era porque ela queria ser a melhor amiga da Ashley e quem ocupava esse cargo era exatamente eu.
—Linda sua calça rasgada e velha,Emma ! –ela disse, não perdendo a chance para me irritar.
—Lindo seu incrível dom de ser falsa, Hannah. –eu disse á ela, que fingiu não ouvir e se virou para Ashley.
—Nos vemos mais tarde amiga! –ela disse com um sorriso falso, encarando Ashley.
—Claro. –Ashley respondeu.
Não sei como ela ainda gostava daquela garota, que fazia tudo para me rebaixar. Mas como líder de torcida, você nunca podia brigar com ninguém na escola, caso o contrário, era expulsa das lideres, e Ashley amava aquilo.
Hannah se virou e saiu rebolando para o refeitório.
—Não liga pra ela... –Ashley me falou.
—Como? Ela é ridícula! –eu disse, e Ashley me puxou para irmos ao refeitório também. –Bobo é quem acha que as coisas melhoram no Ensino Médio, mas ele é ainda pior do que o fundamental...
(...)
Suspirei aliviada quando cheguei a loja de CDs que eu trabalhava. Não que eu não gostasse do colégio, mas as vezes era díficil lidar com toda a pressão de ser uma adolescente de dezessete anos, na loja eu não precisava de nada daquilo.
—Já chegou Emma? –perguntou Nicholas. Meu chefe e amigo.
—Sim. –respondi.
—Como foi á escola hoje?
—A mesma baboseira de sempre, sabe como é, gente que se acha a ultima bolacha do pacote e professores lerdos que não sabem dar aula. –contei e ele sorriu.
Mas antes que eu pudesse continuar um garoto apareceu atrás dele. Ergui as sobrancelhas, por que aquele garoto estava saindo do banheiro para funcionários?
—Há, eu sei como é! –disse o garoto extremamente atraente atrás do senhor Nicholas. Ele tinha uma expressão brincalhona.
—Ah, Emma, esse é o David, o novo funcionário do loja! –Nicholas disse respondendo a minha pergunta mental. Mas várias outras perguntas vieram daquela resposta.
—Você vai me demitir? –perguntei, não era possível, eu era a única vendedora da loja e se Nicholas me demitisse eu estava encrencada. O que eu fazia para merecer aquele tipo de coisa?
—Claro que não, querida! –ele respondeu e me senti aliviada no mesmo momento.
—Então por que ele está aqui? –perguntei e olhei para o novato, que me encarava. Parecia ter a mesma idade que eu, apesar de não ter espinhas e ser bonito demais.
—Eu estou aqui por que vou trabalhar aqui junto com você! –o tal de David abriu a boca, ele ergueu a mão para me cumprimentar, mas cruzei os braços o deixando no vácuo.
—Cumprimente o seu novo colega de trabalho,Emma! –Nicholas disse quando avistou que eu não tinha gostado daquilo.
Peguei na mão dele, contra a minha vontade. Ele sorriu novamente.
—Ótimo. Agora eu vou para minha casa e vocês dois tomam conta da loja! –disse ele nos olhando.
Perfeito, agora eu vou ter que dividir o único lugar que consigo ser livre de todos os julgamentos das outras pessoas.
Nicholas fechou a porta ao sair, e eu continuei a encarar o David.
—Ok, David, né? não sei como o Nicholas te contratou assim, de uma hora para outra, mas agora você está sobre os meus olhos! –avisei abrindo a nova caixa de CDs que havia chegado.
—Legal,Emma. Mas o Nicholas é meu avô, então não acredito que “seus olhos” iram ter muito trabalho para tentar me demitir. –ele disse.
—Ele é seu avô? –perguntou surpresa, em todos os dois anos de trabalho para Nicholas ele nunca tinha me contado que tinha um neto.
—Me mudei pra cá semana passada. –ele contou.
—Ótimo! Então acho que vamos mesmo ter que trabalhar juntos. –falei colocando os novos CDs na categoria certa.
Ele se sentou em uma cadeira, e colocou os pés na mesinha em que eu colocava os CDs.
—Pois é! –disse ele.
Empurrei os pés dele da mesa.
—Então venha me ajudar com esses CDs! –afirmei.
—Ah... tá! –ele disse e só então se levantou e foi até a caixa. –Eu acho que vou estudar no mesmo colégio que você, naquele de “gente que se acha a ultima bolacha do pacote e professores lerdos que não sabem dar aula”. –ele falou repetindo minha frase.
—Boa sorte, então. Vou te adiantar que não vai ser fácil. –respondi, e nossas mãos se tocaram quando peguei um CD.
Retirei imediatamente qualquer pensamento sobre ele de minha cabeça, ele só era bonitinho, e eu me impedia de gostar de um garoto a primeira vista.
—Nunca é! Bobo é quem acha que no Ensino Médio as coisas melhoram, mas ele é ainda pior que o fundamental. –ele disse roubando meus pensamentos. Eu sempre falava aquilo!
—Por que Nicholas nunca me disse que tinha um neto? –o perguntei.
—Talvez ele não te ache uma pessoa de confiança! –ele disse, e eu revirei os olhos.
—Você mal chegou e já se acha né? Vai se dar bem com as pessoas lá do colégio. –eu falei o achando um completo folgado!
—Só disse a verdade, nervosinha! –ele falou fazendo careta.
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