Notas iniciais
Oi, gente!
Como eu disse, essa one shot é inspirada em Friends, do Ed Sheeran.
Recomendo que escutem enquanto leem, fica mais fofinha ♥

No mais, espero que aproveitem!

Aubrey e Dave são amigos desde que se entendem por gente. Suas mães, amigas de infância, resolveram ter seus filhos no mesmo hospital, já que dariam a luz no mesmo dia. As crianças eram vizinhas de encubadora, e depois vizinhas de quarto na maternidade. Todos que visitavam Aubrey acabavam visitando Dave e vice-versa, mesmo que não conhecessem um dos casais de pais. Achavam tão fofo que mães amigas tivessem seus filhos juntos que não conseguiam evitar a vontade de conhecer as duas crianças.

E assim foi durante toda a infância, uma vez que viviam colados um no outro, pregando peças em seus pais. Diane e Roger, pais de Dave, ficavam com os pequenos na sexta, e Catherine e Francis, pais de Aubrey, no sábado. No domingo, as duas famílias se juntavam para o almoço e era diversão pura para os dois pestinhas. Aubrey e Dave adoravam pregar peças nos pais, o que incluiu Dave vestido de princesa e Aubrey vestida de Dave, carteiras na descarga, Bob, o cachorro de Aubrey, todo pintado de tinta azul, inúmeros vasos quebrados e alguns pontos na testa de Dave. Eles se adoravam e não sabiam viver um sem o outro. Onde Dave estava, Aubrey estava e onde Aubrey estava, Dave estava também.

Mesmo com o passar dos anos, isso se manteve. Durante a adolescência, eram melhores amigos e iam à todas as festas juntas. Aubrey cuidava de Dave quando ele bebia escondido dos pais e Dave fingia ser o namorado de Aubrey quando algum cara tentava se aproximar e a garota não queria. Eram parceiros nas aulas de laboratório e também nas peças que pregavam na escola. Eram Bonnie e Clyde das peripécias escolares. Ambos muito inteligentes, nunca foram descobertos por conseguirem convencer a todos que não tinham nada a ver com a bombinha na lixeira da sala de aula, ou com o rato na cantina, ou com o sapo na gaveta da diretora Susan. E ela? Nem desconfiava de Aubrey e Dave, que eram seus queridinhos. Os dois viviam indo para olimpíadas de física, matemática, tinham as melhores notas e sempre eram premiados. Além disso, ele era o melhor jogador do time de futsal da escola e ela a capitã do time de vôlei. Ambos trouxeram inúmeros títulos para o colégio, e todos adoravam os dois pelos corredores.

Nos momentos que não estavam pregando peças, estudando ou jogando qualquer esporte, Aubrey e Dave estavam no jardim da casa dela, observando as estrelas e contando seus sonhos. Não dividiam seus segredos porque um já conhecia os do outro e não fazia sentido falar daquilo. Menos em casos de romances. Eles conversavam muito, Aubrey ajudava Dave a entender as garotas e Dave ajudava Aubrey a saber se o cara de quem ela estava afim também estava gostando dela. E depois dessas conversas, sempre vinham as noites do pijama. Seus pais jamais viram problema algum dos dois dormirem juntos, afinal foram criados como irmãos e se viam desse jeito.

Em algum dia de verão, no entanto, enquanto Aubrey arrumava a cama, Dave notou que o cabelo da garota estava mais bonito e que os olhos dela brilhavam mais. Achou que estivesse enlouquecendo, mas ela também parecia mais... Gostosa. Se sentiu mal por pensar assim da garota que era praticamente sua irmã e acabou dormindo, evitando falar com a garota simplesmente para parar de pensar em Aubrey. A garota não entendeu nada quando percebeu que ele dormia, era comum que eles atravessassem as noites com suas conversas sobre as viagens que fariam, como seria a faculdade e se os filhos deles seriam amigos como eles eram. Ela pensava nisso enquanto o observava dormir e, naquele momento, se deu conta do quão calmo ele estava, totalmente diferente da personalidade dele, inquieta a todo segundo. Ela viu a luz da lua fraquinha no rosto dele e sentiu seu coração se agitar. Alguma coisa dizia para ela se aproximar dele e ela o fez, deitando no peito de Dave, mas com cuidado para não acordá-lo. Ele se remexeu quando ela encostou nele, colocando o braço em torno de Aubrey num abraço. Ela o abraçou de volta e caiu no sono.

Quando acordaram, ainda estavam na mesma posição e acabaram se encarando por longos minutos. Ambos tentavam entender o que acontecia ali, o que mudou. Não conseguiam identificar, mas também não podiam esconder seus corações acelerados, o suor frio e a estranha sensação de borboletas no estômago. Aubrey sorriu e Dave não conseguiu evitar acompanhá-la. "Eu te amo" ele disse. Aubrey parou de respirar por alguns instantes, assustada. Dave fechou o sorriso e se arrependeu do que disse. Pediu desculpas e disse que era bobagem. "Então você não me ama?" Aubrey falou em seguida, magoada. "Claro que amo, Aubrey, sempre te amei, somos... Parceiros da vida toda, não é?"

Quando disse isso, Dave percebeu que, na verdade, sempre quis mais. Sempre sentiu ciúmes dos namorados de Aubrey, mas queria tanto vê-la feliz que encobria isso. Ela fora seu primeiro beijo, ainda na infância, e ele nunca se esquecera daquilo. Era coisa boba, um selinho, ambos nem sabiam o que estavam fazendo. Só imitavam seus pais, pois sempre viam expressar seu amor um pelo outro com um beijo. Depois que descobriram o que aquilo significava, nunca mais o fizeram. Mas no fundo, Dave sempre quis mais. E Aubrey também. Ela sentia inveja das garotas com quem Dave saía, sempre com um comentário crítico sobre elas. Tudo porque se imaginava no lugar delas, com Dave. Ela percebeu ali que sentia saudades dos "beijos" de criança deles.

E por isso, ainda deitados na cama da garota, repetiram o que sempre fizeram quando crianças. Quando os lábios de ambos se encontraram, sentiram um calor irradiando de um para o outro. Seguiram, mas se beijando de verdade. Desde então, sempre se beijavam. Mas mantiveram o segredo. Continuavam sendo amigos na frente dos pais e dos outros amigos, e nas noites do pijama ficavam acordados trocando carinhos, beijos e juras de amor eterno. Depois de algum tempo, era visível que estavam mais juntos do que parecia ser possível estar. Seus pais estranharam, mas não acreditaram que algo realmente estava acontecendo. As garotas do colégio começaram a comentar que nunca mais viram Dave com alguém, o que incluía Jane Harmon, que até então era a maior paixão de Dave, confusa quando Dave parou de mandar mensagens românticas para ela. Os rapazes estranharam que Aubrey não engatara num namoro com Ronny, com quem estava enrolada há meses. Ronny também não entendeu quando Aubrey disse que queria ficar sozinha. Ele não podia saber a verdade. Ninguém podia.

Porque amigos dormem em camas separadas e não se beijam como eles se beijavam. Amigos não tratam um ao outro como eles começaram a se tratar. Mas amigos também não amariam Dave como Aubrey o amava e vice-versa. E eles não queriam que ninguém estragasse aquilo. Como sempre, eles conseguiram esconder suas peripécias e seu romance. Dave, no entanto, tinha medo que perdesse Aubrey, pois ninguém sabia dos dois e algum cara poderia se aproximar dela. Aubrey também tinha medo de alguma garota se interessar por ele. O segredo, porém, era melhor, mais fácil.

Acabaram mudando de cidade para a faculdade e foram morar juntos. Seus pais concordaram e acharam maravilhoso ver que os filhos que criaram juntos eram como irmãos. Eles não gostavam daquela situação, mas sabiam que era melhor. Haveria menos pressão, menos problemas. Imagine então a surpresa de Diane, Roger, Catherine e Francis quando, logo após a formatura dos filhos, receberam o convite de casamento de Aubrey e Dave pelo correio.

Catherine correu para ligar para a filha, tentando entender quando aquilo começou. Aubrey disse que eles sempre se amaram, mas que apenas quando passaram a morar juntos, isso veio à tona e resolveram oficializar. Seus pais ficaram emocionados, mas também chateados de descobrirem daquele jeito. Aubrey pediu que a mãe não contasse a ninguém, pois queriam que todos na cidade continuassem pensando neles como amigos. Quando Catherine questionou, Dave disse que amigos duram para sempre e eles seriam assim. Aubrey sorriu quando ele disse aquilo. "A vida não poderia ter me dado um amigo melhor" disse, beijando-o, depois que desligaram o telefone.

E continuaram sendo amigos, mas amigos que dormiam na mesma cama e que se beijavam. Amigos que dividiam uma vida juntos, com três filhos lindos. Amigos que se amavam além dessa vida. "Amigos para sempre" como dissera Dave, aos 4 anos, quando começara a falar. Como dissera Aubrey, no altar. E como disseram um ao outro antes de fecharem os olhos para outra vida.

Notas finais
Gostaram? Comentem e recomendem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!