Friends
2 Prazer, Melany Seyfild
Notas iniciais
Acordei ainda mais cansado do que quando fui dormir. Bocejei e lentamente cocei os olhos, na tentativa falha de despertar. Fracos pingos de chuva caiam pela janela e eu só conseguia pensar em nossa viajem. Desci as escadas para o primeiro andar ainda sonolento. Lá em baixo, meus pais assistiam a algum programa de Tv, já que era sábado e nenhum de ambos trabalhavam. Nossa empregada havia feito um delicioso café da manhã, que era composto por ovos, bacon, suco de laranja, panquecas, torradas... e mais uma porção de coisas.
Subi de volta a meu quarto, e tomei um banho rápido. Em uma mochila coloquei tudo o que precisaria: Roupa de banho, protetor solar e uma roupa reserva. Me despedi dos meus pais e sai apressado até a casa de Luke, que seria o ponto de partida.
Todos conversavam animadamente em quanto esperavam Percy e Annabeth chegarem. Lhes contei sobre o meu aniversário, que ocorreria daqui a uma semana, deixando todos bem eufóricos.
– Chegamos... — murmurou Annabeth fechando a porta da casa com cautela -, perdemos alguma coisa?
– Não, mais iam perder a viajem se demorassem mais. — Respondeu Thalia — Podemos, por favor, ir agora?
– Estamos indo apressadinha... — Luke respondeu. A morena revirou os olhos e jogou em cima dele sua mochila, deixando bem claro quem levaria as malas de quem.
Ao contrário do que pensei, nosso trajeto até Karolina Do Norte não foi lá tão agradável. A única coisa que podíamos ouvir, eram os sons de beijos nada discretos de todo o pessoal. Annabeth e Percy ganhavam de todos, brigando como nos filmes: 'Eu te amo' 'Eu te amo mais' 'Não, eu te amo mais'... e toda aquela hipocrisia clichê.
– Já chegamos? — Perguntei a Luke que, mesmo dirigindo não escapava dos beijos ferozes que Thalia lhe dava.
– O quê? Claro que não, Nico! Se eu soubesse que você seria tão incômodo nessa viajem eu nem te convidaria! — Ele respondeu mau-humorado voltando a atenção para a movimentada estrada.
O resto da viajem se seguiu. Foram três horas em uma vã, sendo o único solteiro, que estava cercado por casais. Você, que está lendo isto, pode pensar que é algo comum, mais saiba que é bem desagradável.
– Prestem bastante atenção. — Luke pediu. Estávamos todos na praia, de frente uns para os outros antes de curtirmos — são... — Ele olhou para seu relógio de pulso — dez da manhã. As sete da noite nós estamos saindo, e a casa de praia dos meus pais está bem a nossa esquerda... — Apontou para uma incrível casa. Ela tinha dois andares, era inteiramente branca, tinha uma ou duas piscinas por ali e várias espreguiçadeiras. Ah, e além de tudo, era rodeada de janelas.
– Vamos surfar? — Perguntou Percy, que tinha um sorriso se formando no canto dos lábios.
– Demorou! — Luke bateu em uma de suas mãos, deu um último selinho em Thalia e saiu correndo atrás do moreno em direção a água.
– Nico, você não vai? — Perguntou-me Annabeth.
– Estou cansado... acho que vou caminhar por aqui. — Ela assentiu. Eu imaginei que não haveria problemas pegar emprestado o carro de Luke, já que ele tem mais uns três em casa. Estava dirigindo calmamente, e a medida que passava mais me fascinava.
Quando eu era pequeno, sempre vinha aqui. Meus pais me traziam sempre, já que temos uma casa fixa aqui perto. Eu reconheci quase todas as lojas do local. Algumas de roupas, que minha mãe nos forçava a ir. Outras de comida, que eu sempre ia.
Continuei na bela dança do passado, recordando coisas que jamais iriam voltar por algum tempo, até que sinto uma pressão em frente ao carro, e freio com tudo. Minha respiração estava descompassada, e a única coisa que me ocorreu, foi sair do carro e ver o que havia acontecido.
E então a vi. Foram como se milhares de descargas elétricas percorressem todo o meu corpo. Eu não conseguia respirar direito, por vê-la assim. Uma menina de cabelos castanhos escuros, com uma pele bronzeada (provavelmente pelo sol forte da cidade), e feições delicadas. Ela estava caída em frente ao carro, desacordada. Sua bolsa estava jogada em algum canto, e eu fiz a única coisa que me ocorreu: Levei-na para a praia.
Expliquei a todos o que havia acontecido, não esquecendo de mencionar, de que eu não tinha a intenção de fazer o que fiz. Luke sugeriu que eu levasse a menina para dentro de casa e cuidasse dela, em quanto as garotas preparavam o almoço. Sim, as meninas são excelentes cozinheiras.
Algum tempo depois, duas horas talvez, a garota enfim acordou. Estava deitada no sofá maior, envolta por um antigo cobertor que eu encontrara. Ela se ajeitou e sentou-se, ainda me encarando.
– Q-q-quem é você? — Gaguejou.
– Hãm... eu sou Nico. — Ainda estava hipnotizado por sua beleza — E você, quem é?
– Eu sou... Melany. — Ela respondeu — Aonde eu estou, Nico?
– Bem.... sem querer eu te atropelei sabe? Então, como você estava desacordada, eu pensei que seria melhor trazê-la a essa casa. Pode ficar aqui por um tempo se quiser.
– Obrigada... — Ela murmurou — Você mora por aqui?
– Não... vim passar somente o final de semana. Volto ainda hoje para Nova York. Eu moro com a minha mãe e com o meu pai. Antes, eu tinha também minha irmã Bianca, mais ela saiu de casa a dois anos para cursar uma faculdade e só nos visita de vez em quando.
– Hãm... bem... eu moro aqui faz dez anos. Moro com meu pai, Carlos e ele é o meu melhor amigo — Ela sorriu sonhadora — E eu aposto que estava indo fazer compras para a festa que eu vou mais tarde, quando me lembro de um carro... prateado. Depois, é como se não tivesse mais memória.
Passamos algum tempo conversando, até que as meninas anunciaram o almoço. Os garotos, digo, os que surfaram e se divertiram no mar, estavam molhados e agitados. Água gelada em plena manhã não faz bem para o corpo.
– Então Mel... Ér... Melany, quer dar uma volta na praia com a gente? -Perguntou Thalia de forma simpática, algo que eu pensei ser impossível.
– Claro. — Ela deu de ombros — E pode me chamar de Mel se quiser Thalia. Juro que não me importo.
As garotas se levantaram da mesa e correram até a praia. Segui a pequena garota que eu atropelara com os olhos, correndo e sorrindo. Comecei a imaginar se ela fazia isso com frequência: Sorria.
– Já está todo apaixonadinho... — murmurou Charlie andando até mim — Eu sei bem como é.
– Não estou apaixonado! — Gritei.
– Sei... — Murmurou Percy — Já está babando por ela.
– Não estou não! — Retruquei.
– Ah, está sim! — Disse Luke aparecendo magicamente ao meu lado. Revirei os olhos e pensei que era uma boa hora para cair na água. Nadava livremente por ali, como se fizesse isso todos os dias a todo momento. A água me relaxava, de uma forma desumana. Após aproveitar o calor do sol para me refrescar no mar, decidi que passaria algum tempo com minha nova, hãm... conhecida.
Melany estava conversando e rindo com o restante das meninas, estas que desenham círculos e corações aleatórias na areia da praia com a ponta dos dedos. Do nada, Thalia falou algo e Annabeth concordou. Mel corou, virou-se na minha direção e logo desviou o olhar. Me aproximei receoso delas, me sentando entre Annabeth e Melany. Nossos dedos se roçaram, e eu senti como se milhões de wolts estivessem eletrocutando a minha pele. Algo indescritível.
– Percy... — Annie disse manhosa.
– Fala meu amor. — Ele pediu abraçando-na por trás.
– Vamos sair daqui um pouco? — Ele assentiu e puxou a mão da loira rapidamente, a guiando para algum ponto da praia.
– Hãm... Luke! — Chamou Thalia — Eu e você. Carro. Agora! — Ela mandou. O loiro não hesitou e a seguiu.
– Charlie... — Silena sussurrou — Vamos conversar em particular? — Ele assentiu, como se soubesse de algo que eu não sabia. — Connor, Travis, Kat e Katie vocês vem? — Todos assentiram e os seguiram.
Só então reparei no que eles estavam tentando fazer: Me deixar a sós com a Mel. Corei com esse pensamento e eu vi pelo canto do olho que ela também. Nós dois passamos a tarde toda conversando, e era como se eu já a conhecesse a mais de dez anos. Tínhamos parado para lanchar, assistir um filme com o resto do pessoal, mais sempre queríamos conhecer mais sobre a vida um do outro.
O sol já se punha quando nós estávamos novamente sozinhos, sentados na praia. As vezes eu sorria como um bobo, sem motivo. Apenas estar na presença dela era um motivo para que eu sorrisse.
– Já está tarde... — Ela murmurou apontando para algumas estrelas que começaram a aparecer além do horizonte. — Eu preciso volta pra casa. — Ela se levantou.
– Claro... — Sussurrei desapontado. Eu queria vê-la novamente e poder ser seu amigo. Pensar que ela estava partindo, e que dificilmente a encontraria de novo me deixou desesperado.
– Foi um prazer conhecê-lo Nico... — Sussurrou — Dá um 'tchau' para o restante do pessoal por mim.
– Pode deixar... — Eu sorri. Ela sorriu de volta e nós nos encaramos por algum tempo. Melany se aproximou lentamente e depositou um leve selinho em mim. Foi bem rápido, mais eu nunca havia sentido sensação melhor. Foi como se nada mais existisse, só eu e ela.
– Adeus... — Foram as únicas palavras que ela me disse, antes de sair correndo.
Não demorou muito para estarmos voltando para Nova York. Em todo o momento eu pensava se a veria de novo, e sempre me vinha aquela voz chata que dizia: não.
Quando cheguei em casa, subi direto ao meu quarto. O que eu menos queria era encarar qualquer um deles. Eu só queria tomar um banho, colocar meu pijama e dormir, sonhando e pensando, apenas nela. Em Melany.
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